Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 23 de 48

Páginas do PDF

Como uma Joia

Capítulo 23

 

VERÔNICA

 

ACORDO E, POR UM momento, tento me lembrar de onde estou. Pisco os olhos antes de abri-los de vez. O quarto parece escuro e não sei se ainda é noite ou se já é dia. Levo a mão ao rosto e esfrego os olhos. Bocejo. Mesmo com a vista carregada do sono sou capaz de contemplar os móveis bonitos e uma cortina grossa. Ao que tudo indica, estou na suíte dele. Jonas. Suspiro. Ah, sim, e em cima da cama dele, claro. Olho para os lençóis brancos bagunçados e constato que Jonas não está mais aqui, apesar da marca do travesseiro ao lado ser a prova de que esteve deitado sobre a cama até pouco tempo atrás.

Provavelmente já saiu para resolver alguma pendência referente a negócios ou talvez foi encontrar a namorada socialite. Suspiro de novo. Pronto. O pesadelo já havia passado e terminado, porém, não definitivamente. Finalmente transei com ele. Mas ainda teremos outros momentos juntos. O pior de tudo é que... gostei.

Lembro-me da noite anterior e da forma como Jonas me amou intensamente. Tenho que admitir que ele é maravilhoso e, à medida do possível, foi carinhoso comigo. Nunca havia me sentido tão bem assim nos braços de um homem antes. Cidão não é o que se pode chamar de um expert na arte do sexo. Pelo contrário. Seria até covardia compará-los. Cidão, por exemplo, nunca me fez gozar como ontem à noite Jonas foi capaz de fazer. E isso envolve tudo, desde a sedução, as preliminares à hora H.

Afasto o lençol do meu corpo e, com um movimento brusco, sinto um incômodo entre as pernas. Isso provavelmente se dá porque já não fazia sexo há um bom tempo. Ou talvez seja pelo fato de Jonas ser o que costumamos chamar de homem bem dotado. Levanto-me e procuro pelo vestido longo que eu havia usado ontem na festa. Eu o encontro no carpete felpudo e o visto imediatamente.

Deixo o quarto, fechando com cuidado a porta atrás de mim, não querendo fazer barulho nenhum. Do corredor ouço vozes masculinas. Uma é de Augusto. A outra é de... Jonas.

— Vamos para Nova Iorque amanhã, Augusto — informa.

— Oh. Nova Iorque, senhor?

— Você não. Quero dizer, só iremos Verônica e eu. Você voltará ao Brasil.

De onde estou não posso vê-los muito bem e eles também não podem me ver, todavia, consigo ouvi-los perfeitamente. E mesmo sabendo que é errado ouvir conversa alheia atrás da parede, como estou fazendo agora, não consigo sair do lugar. Preciso saber o que Jonas tem em mente agora que despachará Augusto. Mordo meu lábio inferior, preocupada. Por que Augusto não pode ir para Nova Iorque conosco?

Augusto não responde nada, mas tenho certeza de que assentiu. Ele não parece do tipo que questiona o patrão. Pelo contrário. Pelo que vejo, faz questão de fazer tudo certinho para não irritar o chefe. Contudo, não posso julgá-lo. Quem em sã consciência ignoraria uma ordem do todo poderoso Jonas?

Dou um passo à frente, e ainda me escorando na pilastra, consigo vê-los melhor agora. Jonas está sentado à mesa, dentro de um roupão branco, tomando o seu café preto. Augusto em pé, a seu lado, já todo engravatado, pronto para o trabalho.

— Como quiser, senhor... — Augusto comenta. Em seguida pigarreia. — E pretende demorar muito tempo em Nova Iorque?

— Não muito — diz Jonas, derramando o café do bule na xícara. — Estou cansado. Na verdade, esgotado. Vou cancelar algumas reuniões em Londres e em Roma também. Depois de Nova Iorque quero ir pra casa.

— E a garota? — pergunta Augusto, de repente, surpreendendo a mim e provavelmente ao chefe.

— O que tem ela? — as sobrancelhas negras de Jonas se arqueiam em seu lindo rosto enquanto encara o empregado. É impossível deixar de notar o quanto é lindo e charmoso de qualquer jeito, mesmo sério e com ar de arrogância.

— Bom... é que o acordo não previa... — Augusto ensaia — quero dizer, não previa... um mês?

— Não se preocupe. Já estou cuidando disso.

— Certo.

Silêncio.

Os dois repentinamente param de falar sobre coisas do meu interesse e apenas mantêm uma conversa comum sobre coisas banais - sobre pastas e relatórios. É melhor eu sair de onde estou antes que um deles perceba o que estou fazendo.

Levo os meus pés para a frente, ficando no centro das atenções. Não gosto de me sentir no centro das atenções, especialmente porque não tenho intimidade com nenhum dos dois, embora Augusto tenha sido bem bacana comigo desde que aceitei a proposta e às vezes eu até consiga relaxar com ele.

Aliso o meu vestido, o mesmo que usei na festa da noite passada e me esforço para dar um sorriso educado e gentil.

— Bom dia — digo.

Jonas mantém os olhos em mim e vejo o exato momento em que sua íris azul desce e passeia por meu corpo. Não estou acostumada a acordar e a encontrar dois estranhos no café da manhã - especialmente estando com o vestido da noite anterior e com os cabelos desgrenhados.

— Bom dia, senhorita — Augusto diz, contido, tentando ser discreto ao máximo. Tenho certeza de que sabe o quanto me sinto mal nessa situação.

Jonas se levanta da cadeira como uma espécie de gentileza e cumprimento.

— Bom dia, Verônica. Por favor, sente-se e tome o café comigo — isso meio que ressoa como um misto de pedido e ordem. Todavia seu semblante parece mais suave que o da noite anterior.

Caminho até à mesa onde está sentado a tempo de ver sua mão puxar gentilmente uma cadeira para que eu me sente nela. Um flash dessa mesma mão me tocando e explorando várias partes do meu corpo me causam calafrios. Pisco os olhos. Afundo na cadeira de assento macio. Olho para a frente e vejo Jonas, já sentado novamente, me encarando, me estudando. Será que viu o momento em que me perdi em meus pensamentos sobre ele?

Augusto começa a me servir, todo solícito e sempre muito educado e atencioso. Eu agradeço com um sorriso. É bom tê-lo por perto. Fico me perguntando como será tudo depois que ele voltar para o Brasil.

— E então, dormiu bem? — Jonas quer saber.

— Sim. Obrigada.

— Ótimo. Eu estava pensando em almoçarmos fora hoje e depois passearmos um pouco pela cidade. Imagino que queira conhecer os pontos turísticos de Paris antes de partirmos amanhã.

— Vamos voltar ao Brasil? — eu me faço de idiota porque, afinal de contas, ele não deve saber que ouvi toda a conversa entre Augusto e ele.

— Ainda não — responde, seus olhos azuis avaliando a minha possível reação — Vamos para Nova Iorque amanhã. É uma cidade linda. Você vai amar.

— Acho que sim.

— Mas não se preocupe, depois disso prometo levá-la pra casa.

Tenho certeza de que meu olhar tornou-se um pouco mais desanimado e que ele percebeu. De bobo Jonas não tem nada. Ele é mais inteligente e sagaz do que eu possa imaginar, isso está claro. E quanto à nossa partida a Nova Iorque, na realidade, adoraria voltar para a casa o quanto antes possível e matar a saudade da minha família, mas já que não dá para fazer isso agora, paciência. Por falar em casa, não posso esquecer de ligar para a minha mãe mais tarde. Prometi a ela que falaria todos os dias enquanto estivesse em Paris.

Um silêncio paira sobre nós dois. Jonas termina o seu café e cruza as mãos sobre a mesa, decidido a me avaliar sem discrição alguma. Desço meus olhos sobre o copo que estava com ele. É a primeira vez que o vejo tomar algo que não seja vinho, martini ou uísque.

De repente se levanta do lugar, puxa uma cadeira próxima à minha e se senta ao meu lado.

— Estive pensando sobre o que você me falou naquele dia da piscina — começa, atraindo meus olhos para o seu rosto másculo e perfeito — Você tem razão. Fui um idiota. Devia ter me esforçado para conquistá-la ao invés de agir como um cafajeste. Acontece que...

Ergue o dedo e toca o meu rosto carinhosamente. Estou o encarando, minha atenção toda nele, mas já sei o que planeja. Bom, se eu for inteligente não vou me deixar levar por sua proximidade e por seu toque.

— Estou louco por você, Verônica — sussurra de um modo rouco e sensual e então seu rosto já está afundando em meu cabelo, seu nariz fino e reto esfregando e o cheirando — Eu sei que ficou decepcionada e que não sou o homem que imaginava, mas... ainda assim... quero que saiba que é especial pra mim.

Sem esperar por minha resposta, segura meu rosto com as duas mãos e pressiona os lábios contra os meus, me fazendo fechar os olhos. Me beija de um modo agressivo e ao mesmo tempo sensual. Confesso que até gosto desse tipo de beijo vindo de Jonas. Tenho certeza de que tomou um banho logo assim que acordou porque está vestindo um roupão e está muito cheiroso. Todavia não quero me deixar levar por seu perfume, charme e beleza. Esquivo-me de seu toque e de seu beijo. Jonas afasta o rosto do meu, percebendo a minha indisposição para retribuir o seu beijo.

— Não vai me perdoar, não é?

— Se vamos ter que partir amanhã, acho melhor voltar pro meu quarto e arrumar as minhas coisas — digo secamente porque o mais sensato a fazer é ficar longe dele — Talvez o Augusto possa me ajudar... tenho muitas coisas no closet.

— Preciso te dizer uma coisa, Verônica — comenta — Augusto não irá conosco pra Nova Iorque. Seremos só nós dois — anuncia.

Eu sei, eu já havia ouvido a conversa dos dois, mas Jonas não sabe disso, então preciso demonstrar um pouco de surpresa. Eu o fito com um olhar de desapontamento.

— Isso significa que a partir de agora passaremos a dividir o quarto — Jonas acrescenta. — Bom, acho que depois da noite passada isso não será mais um problema pra você.

Dou um sorriso amargo porque não gostei da forma fria com a qual acabou de dizer. Sei o porquê disso. Porque ficou irritado com a minha rejeição por seu beijo minutos atrás. Jonas não é um homem acostumado a ser rejeitado. Ele possui tudo o que qualquer mulher desejaria: riqueza, charme, status, beleza. De fato, eu me apaixonei por ele e é exatamente por isso que quero me manter o mais afastada emocionalmente o possível.

Fico imaginando o que está pensando agora sobre mim. Tenho vontade de dizer tudo o que está preso em minha garganta, mas me controlo. Se fosse em um momento diferente, eu já teria ido embora e nunca mais olhado para ele. Acontece que, querendo ou não, preciso do dinheiro. Além do mais, Jonas não está me forçando a nada. Estou aqui por livre e espontânea vontade.

— Depois da noite anterior não vai ser problema algum — afirmo em um tom firme, tentando demonstrar o quanto estou fria em relação a nós dois — Aliás, foi pra isso mesmo que vim. Para dormir no seu quarto, especialmente na sua cama. Não foi?

— Exatamente — bebe mais um gole de café e me observa, intrigado.

Não sei o porquê, mas acho até que aprovou o meu jeito de falar. Desvio o olhar. Ele passa a me observar por mais algum tempo. Às vezes tenho a impressão de que odeia a maneira como o questiono e provoco. Noutras acho que adora.

— Vai ser sempre assim? — indaga de repente, me encarando. — Se não está satisfeita, por que aceitou vir? Por que aceitou minha proposta?

Encaro seus olhos azuis piscina e fico sem palavras. Não vou dizer a ele que preciso do dinheiro para quitar a dívida da casa da minha família.

— Qual é o problema, Verônica? — insiste — Sabe, tenho a impressão de que não está satisfeita com o que está acontecendo aqui e acho estranho você ter mudado de ideia de uma hora para outra... bom, e por que tanta resistência assim? Eu estou pagando bem por isso, não estou?

Agora ele pegou pesado.

Cruzo os braços na altura do peito e ergo o meu queixo, forçando o meu orgulho. Não quero dar-lhe satisfação de minha vida, muito menos uma explicação.

— Eu não sou uma prostituta, se é que me entende.

— Eu sei que não é — rebate calmamente, me observando. — E foi justamente por isso que a escolhi. Mas a questão é: e você, por que me aceitou?

Volto a fitá-lo. Mas penso no que dizer. Melhor inventar uma desculpa qualquer.

— Não sei... mas sobre você, então quer dizer que costuma fazer esse tipo de proposta? — indago só para mudar de assunto, usando um tom mais agressivo do que eu gostaria — Costuma escolher mulheres aleatoriamente e pagá-las para irem para a cama com você? Bom, me desculpe, mas se for isso mesmo me soa canalhice.

Exibe um sorrisinho arrogante no canto dos lábios esticados, mas não desiste da nossa discussão.

— Então é isso o que pensa de mim? Me acha um canalha?

Pisco os olhos, confusa. Então não sei mais o que dizer de volta. Não gosto de brigar com as pessoas — especialmente porque tenho a plena consciência de que se estou aqui é porque quero. Mas o modo como ele começou a me desafiar não me deu outra escolha além de ficar na defensiva.

— Na verdade, não sei o que pensar... não o conheço o suficiente.

— Se é assim que pensa sobre mim, gostaria de saber o que achou da minha performance ontem à noite. Me fale. Como fui com você? Delicado, bruto, selvagem? Eu a fiz gozar?

—O quê?!

Abro a boca, chocada. Meu rosto esquenta na hora. Não vou permitir que desça o nível e jogue sujo, zombando de mim desse jeito e me humilhando.

— Responda — insiste. — Já que é tão convicta com as suas ideias, é bom saber o que mais acha a meu respeito.

— Você é sujo!

Descruzo as pernas e volto a cruzá-las porque toda essa conversa me deixa muito tensa e desconfortável.

— Bom, não foi o que perguntei. Quero saber o que achou de mim na cama — toca a ponta do dedo na lateral do meu rosto, me deixando inquieta — Fui melhor que o seu ex? — sua voz rosna. — Me fale, preciso saber.

— Com licença...

Levanto-me bruscamente da cadeira, sem pensar no que estou fazendo, e tento me afastar a tempo, mas quando ouço o barulho brusco de sua cadeira ranger, sei que estou em apuros. Ele é bem rápido. Sinto sua mão firme segurar o meu cotovelo e me puxar de volta, me fazendo girar para encará-lo.

— Aonde pensa que vai? Fiz uma pergunta.

Olho para o seu rosto lindo e bravo agora. Eu queria odiá-lo, mas não sou capaz.

Solta o meu braço, com um sorrisinho ainda no canto da boca. Um misto de diversão e irritação por ter sido rejeitado mais de uma vez. Sei que apesar de tudo, eu o deixo intrigado. Ao mesmo tempo que o excito.

— Você é atrevida e gosto disso. Mas a maioria dos homens não teria paciência. Provavelmente lhe dariam uma lição ou a mandariam de volta pra casa.

— Se é isso o que quer fazer, vá em frente. Eu não me importo!

Seus olhos se arregalam e o tom de um azul passam para um cinzento sombrio. Em fração de segundos, volta a segurar meu braço. Dessa vez com menos gentileza.

— O que pensa que está fazendo, garota? — indaga, agora exasperado — Acha mesmo que preciso de você? Hã? Acha mesmo que está me fazendo algum favor? É isso o que acha?

Meu coração acelera. Estou assustada com a maneira ríspida com a qual está me tratando e me segurando, e me pergunto se vai me xingar. Ou pior: me agredir.

— Me solta! — exijo.

— Vai ser do jeito que eu quiser, entendeu? — decreta, duro, enquanto ainda segura meu braço, mas então me solta de uma vez — De agora em diante, vai ser do meu jeito!

Afasto-me imediatamente, ainda assustada, meu coração acelerado. Jonas já está perto do bar, puxando uma garrafa de bebida.

— Eu sei que não está aqui porque quer — diz, abrindo a garrafa e em seguida enchendo o copo —, mas sei também que precisa do dinheiro. Talvez esteja precisando. Está na cara que está precisando. Eu sei de tudo, Verônica. Mais que isso: eu controlo tudo.

— Eu quero voltar pro meu quarto! — exijo, quase aos prantos.

Ele me examina minuciosamente. Bebe todo o uísque do copo em um gole só e o abandona no bar.

Sustento o seu olhar, tentando manter o restante de dignidade que ainda me resta.

— Agora entendo por que precisa comprar mulheres — meneio a cabeça, desdenhando, não me contendo de raiva.

— Ah, é? E por quê? — dá mais dois passos em minha direção. Ele é muito mais alto e mais forte que eu, mas ainda assim, não me intimido.

— Porque é desagradável demais pra ter uma por livre e espontânea vontade!

Absorve as minhas palavras e as avalia, então, de repente, avança e me puxa para si. Sem se importar com a minha resistência, me beija à força. Loucamente. Protestando, me vejo à mercê dos seus lábios furiosos e das suas mãos experientes e hábeis, que fazem com meu corpo o que bem entendem. Tento me afastar, mas é tarde demais. Como um animal selvagem, me mantém presa contra a parede e volta a me beijar. Tento outra vez protestar, mas isso é inútil. Quando me dou conta, já estou sem fôlego e deitada no tapete felpudo da sala. Seus lábios fazem uma trilha de beijos em meu corpo. Abro os lábios para receber sua língua. Eu o quero. Meu corpo esquenta. Em segundos pega fogo.

— Você ainda vai gritar pelo meu nome... — sua voz rouca resmunga como um bálsamo para o meu ouvido.

Sua mão grande apalpa minha coxa sem pressa, subindo o meu vestido lentamente. Jonas retira a sua mão de cima de mim e se afasta apenas o suficiente para arrancar o roupão que usa. Eu o observo. Meu peito bate como se houvesse um tambor no lugar do coração. Observo-o se despir à minha frente. O peitoral definido, os bíceps musculosos. Ele é a arrogância em pessoa, mas também é a sedução em carne e osso. Mordo meu lábio inferior, uma quentura umedece o meu baixo ventre, uma sensação de não e sim ao mesmo tempo. Não consigo deixar de olhar e admirar o seu peitoral enorme, encontro algumas tatuagens pela pele. Não há como ignorar o calor de seu corpo sobre o meu.

Seus lábios voltam a me tocar, sua barba volta a roçar em minha pele, primeiro no pescoço, nos ombros e depois na boca. O perfume que exala de seu corpo é uma espécie de preliminar. Por um momento, minhas mãos tomam iniciativa e tocam os braços musculosos que estão me enjaulando. Por um momento esqueço as coisas horríveis que me falou. Gosto de sentir o peso de seu corpo sobre o meu.

Introduz a língua em minha boca outra vez e eu a recebo com desejo, louca para ser penetrada enquanto nossas línguas se embolam. Um beijo longo, intenso, demorado. Agarro seu pescoço rígido e depois mergulho as mãos nos seus cabelos macios. Jonas me envolve com os braços fortes, fazendo com que nossos corpos rolem pelo tapete. Estou por cima agora e é a vez de suas mãos agarrarem meus cabelos pela nuca e me beijar com ainda mais força e desespero. Posiciono-me em seu quadril e gemo quando sinto seu pau duro deslizando para dentro de mim. Fecho os meus olhos, mordo meu lábio e começo a cavalgar devagar, aos poucos aumentando o ritmo. Segura a minha cintura com as duas mãos e diz que estou cavalgando gostosamente à medida que seu pau permanece deslizando para o fundo do meu corpo.

A gente fica um bom tempo assim, entre gemidos e rosnados. Ele me faz virar outra vez e volta a ficar por cima de mim. Ajeita-se entre minhas coxas e quadril, em seguida volta a me penetrar com força e urgência. Aumenta o ritmo à medida que vou pedindo por mais. "Mais, Jonas... por favor, mais". Ele goza e eu gozo junto. Sinto todos os seus fluídos jorrarem em mim. Eu me sinto saciada. Quando seu corpo abandona o meu, um Jonas arfante deita-se a meu lado no tapete, enquanto tento não pensar no que está acontecendo, o meu coração acelerado. Eu me viro para ele. Tenho vontade de tocá-lo, de me aconchegar em seu peito, de dizer que não precisava estar acontecendo desse jeito, que eu já estava me apaixonando, mas então me calo. Lembre-se, Verônica: ele só terá o seu corpo. Não o seu coração.