Como uma Joia
Capítulo 2
JONAS
OUÇO RISOS E VOZES logo assim que chego na cobertura, mas não sei do que se trata. Que porra é essa? Sigo em direção ao hall que dá para a suíte principal. A porta está entreaberta, então de onde estou posso ver o que se passa lá dentro. Duas mulheres. Uma está em cima da minha cama. Enquanto riem e zombam, não percebem minha presença logo ali atrás da porta. Quem elas são? Funcionárias do hotel? Camareiras possivelmente. E por que estão ali dentro se divertindo? Não deveriam estar trabalhando? Não, não parecem estar trabalhando. Ainda parado atrás da porta, mergulho minhas mãos nos bolsos da calça preta social. Tento ouvir o que estão dizendo, mas de repente a morena atrevida começa a dançar de um modo muito sensual e interessante sobre a minha cama. Meus olhos não perdem um movimento seu sequer. Não pisco. Meus lábios ficam entreabertos. Minha respiração para por um momento. Ela remexe o quadril de um modo quente, sua perna está de fora e meu corpo endurece completamente. De repente ela dá um grito e só então saio do meu lapso. Suas mãos largam o lençol de seda e a morena desce imediatamente da cama, murmurando um pedido de desculpas.
— Desculpe, senhor... meu Deus, me desculpe... eu não queria... eu não queria causar problemas... — balbucia, a cabeça abaixada, ela parece tomada por vergonha e culpa.
Olho para o lado e encontro a outra funcionária com as mãos à boca, completamente em pânico.
Lanço um olhar duro de uma para a outra. Sei que meu ar é altivo. A loira é baixinha e um pouco acima do peso. Nada de especial nela. Quanto à morena, ela é magra e lhe dou um metro e sessenta mais ou menos. Não, na verdade ela não é só magra... tem seios, bunda, quadril. Suas pernas não saem da minha cabeça, o modo como suas coxas e como seu bumbum se movimentavam...
— Quem são vocês? — minha voz está firme e dou um passo à frente.
— Camareiras — responde a morena, agora com a cabeça erguida, me encarando.
— E vieram a trabalho ou a diversão? Estou confuso.
— Me desculpe... a culpa é toda minha... ela... ela não teve culpa de nada... fui eu que tive a ideia estúpida de subir na cama... oh, meu Deus, o que eu estava pensando?
Eu a observo outra vez, e agora da cabeça aos pés. Meus olhos demoram em suas pernas torneadas e depois em sua cintura fina. A verdade é que eu queria muito poder humilhá-las e colocá-las em seu devido lugar. No entanto, olho para a garota à minha frente, lembro de como sensualizou na minha cama, então não sei o que acontece, mas algo é mais forte que a minha arrogância. Elas aguardam pelas minhas palavras de arrogância e humilhação, mas nesse momento alguém, de repente, me chama da sala. A voz é de Moreira. Ah, grande filho da puta. Mais uma vez me enchendo a porra do saco.
— Terminem o trabalho — mando, e meu tom é novamente duro a elas, e após olhar para a morena atrevida mais uma vez, dou-lhe as costas e saio do quarto.
Levo meus pés de volta para a sala e encontro Moreira lá à minha espera. Suas mãos gordas estão mexendo nas guloseimas do lanche da tarde que deixaram na mesa e que eu sequer toquei. Seu sorriso bajulador está em minha direção.
— Uau, Jonas. Por que só você tem direito a esses agradinhos?
Vou até o bar que fica na lateral da sala e pego uma garrafa qualquer de uísque. O homem começa a tagarelar sobre câmbio, dólar e investimentos. Essa é a minha linguagem favorita, mas não com Moreira. Encho dois copos e um deles ofereço a ele só por educação.
— Obrigado, meu amigo — agradece, levando o copo imediatamente aos lábios. —, mas continuando sobre os chineses... são milhões de dólares. Já pensou nessa bolada? Milhões de dólares de graça! Vamos aumentar nossas contas bancárias!
— Não sei. Eu preciso avaliar primeiro. Pode ser arriscado.
— Arriscado? Não acredito que esteja escutando isso de você, Jonas. Vai ser um grande investimento, não perde por esperar!
Levo meu copo aos lábios para um gole do copo.
— É uma afirmação um tanto relativa. E, sinceramente, não estou disposto a perder um centavo sequer. Não sou do time que gosta de derrotas, Moreira. Deveria saber.
— Não custa nada tentar. Você...
— Custam — eu o interrompo duramente — Custam milhões de dólares, e não estou disposto a arriscá-los. A Luxus não vai ficar no prejuízo. Ela nunca fica no prejuízo. Jamais se esqueça disso.
O gordo vira-lata engole em seco, percebendo que o meu tom não é amistoso e que não estou muito feliz com a visita fora de hora dele. Coça rapidamente a cabeça.
— Certo. Eu só acho que deve então avaliar o projeto ao menos. Pensa nos milhões de dólares que podemos faturar, e também...
Antes que Moreira termine a frase, as duas mulheres, de repente aparecem na sala. Eu até havia me esquecido delas e, no momento em que as vejo, levo um susto. Ah, claro, as camareiras. Ambas parecem dois bichos do mato agora, cabisbaixas, os semblantes assustados, com medo de interromper alguma conversa. Uma delas pigarreia.
— Terminamos o serviço, senhor — é a morena atrevida que teve a audácia de dançar em minha cama. Olho bem para o seu rosto bonito e vou descendo meu olhar sem pudor nenhum por todo seu corpo. Admito em pensamento que a prefiro mil vezes sensual em cima da minha cama do que vestida nesse uniforme sem graça.
— Obrigado — respondo, sem mesmo saber o porquê estou agradecendo. As duas, então, saem apressadamente, como se eu estivesse prestes a lhes enfiar uma faca. Moreira as acompanha com o olhar.
— São camareiras? — comenta assim que ficamos a sós. — Hum, até que são gostosas!
— Você está vendo demais — desdenho, tirando o celular do meu bolso. — Só vi uma que pode ser considerada gostosa. A outra é comum como uma mulher qualquer do subúrbio.
— E você teve até tempo pra reparar nisso, não é, Jonas? — ri. — Está certo. Seu faro de predador nunca falha, meu amigo.
Penso um pouco nessa ideia.
— Gosto de mulheres de todos os tipos, Moreira, mas nem todas captam imediatamente a minha atenção. É sempre bom fazer uma seleção.
— E com a grana que tem também fica mais fácil. Vamos considerar. É por isso que faz tanto sucesso, você tem a grana e o charme de que elas tanto falam.
Dou o último gole antes de abandonar a taça na mesinha de centro.
Sim, dinheiro faz toda a diferença no final das contas, é verdade.
A essa altura já atendo o celular, deixando o inconveniente do Moreira falando sozinho.
— Oi, baby — digo a Paula, enquanto de soslaio vejo o Moreira voltar a beliscar minhas guloseimas.
— Onde você está, meu super Jonas? — a voz feminina e melosa indaga, do outro lado da linha. — Londres, Paris, Milão? Por que nunca sei onde você se enfia, amor?
— Estou no Rio, baby. Cheguei ontem à noite na cidade.
— E por que não me ligou? Oh, Jonas! Adoraria passar uma temporada no Brasil com você!
— Cheguei tarde da noite, Paula — passo a ponta do polegar para massagear minha testa. Sempre faço isso quando estou mentindo para ela — Tem a questão do fuso horário também. Não sabia nem mesmo onde você estava... mas não quero falar de mim, quero saber de você, como está?
— Oh, Jonas Malta, você, como sempre, me enrolando. Que desculpa mais esfarrapada é essa de fuso horário? — E simulando tristeza. — Admita que não queria me encontrar.
Ignoro seus questionamentos. Por mais bonita e gostosa que seja, Paula na maioria das vezes me irrita. Nunca tem nada tão interessante a oferecer além de uma boa foda.
— Onde você está? — insisto.
— Miami, honey — diz amaciando a voz. — E, nesse momento, me bronzeando na beirada da piscina do hotel.
Sorrio, malicioso, imaginando a cena. A loira deitada sobre uma bela cadeira de praia, com óculos escuros redondos no rosto, sentindo-se a própria Barbie.
— Ah, é? Com aquele biquíni preto que tanto adoro?
Ri com sensualidade.
— Yeah, com aquele biquíni preto que você tanto adora.
— Uh! — Suspiro, e lembrando que Moreira ainda está ali, faço sinal para que o homem saia logo e me dê privacidade. Assentindo, o gordo idiota finalmente me deixa sozinho.
— Jonas, você ainda está aí, honey?
— Oi, Paula, estou aqui.
Paula e eu estamos juntos há alguns anos. Nem mais sei quando foi que tudo começou, só sei que a loira bonita e fogosa é o tipo perfeito para um cara como eu apresentar à sociedade. Socialite, culta, oriunda de uma família abastada, embora fútil até dizer chega. Cogitamos um noivado faz tempo, contudo, sempre acabo desistindo da ideia quando esta se torna cada vez mais séria. Casamento é uma coisa que definitivamente não almejo, embora já tenha trinta e goste das nossas trepadas - na verdade boa trepada consigo em qualquer lugar. Mulher na vida de um cara rico como eu é algo que nunca falta.
— Meu super Jonas, você ainda está aí? — sua voz soa, me chamando — Preciso repassar o protetor solar, senão vou aparecer toda vermelhinha quando a gente se encontrar novamente.
Sorrio, imaginando outra vez a cena. Paula tem mais energia para o sexo que duas ladies juntas.
— Você sabe que a adoro toda vermelhinha.
— Oh, Jonas! — gargalha, com malícia, e sussurrando. — Vou pensar em você, meu gostoso.
Quando desligo o telefone, suspiro. Afundo-me no sofá e termino de beber o meu uísque. Moreira já foi embora e para o meu alívio, não voltará tão cedo. Abandono o copo já vazio na mesinha de centro. Descanso minhas costas no encosto do sofá e, suspiro, tentando relaxar um pouco. De repente a morena sensual dançando na minha cama volta a roubar meus pensamentos e nem mesmo compreendo por que estou pensando em uma simples camareira de hotel. O que há comigo, porra?
Me ponho de pé, afastando os pensamentos. Sigo pela linda cobertura, até chegar na ala Oeste dela. Pressiono meus dedos na sacada da varanda. Olho para a paisagem lá fora. O céu de um azul escuro logo colore a noite, mas estou me lixando para o fato da noite estar linda lá fora. Não sou um homem romântico — para mim o amor não existe e a paixão é apenas um sentimento forte que culmina na relação sexual. Aliás, não faço amor. Nunca. Faço sexo. Animal. Selvagem. Irracional. Não desejo uma mulher para ser minha amada e sim para ser minha companhia, ou até mesmo para ser mais uma peça na minha coleção de joias.
Sigo para o banho e saio do chuveiro meia hora depois. A toalha preta está enrolada em volta da minha cintura, meu peito úmido e descoberto. Entro no quarto e me encaro no espelho. Nessa mesma hora a cama reflete-se no objeto reluzente e me traz à memória a imagem da garota dançando toda sensual. Porra. Aquela pele lisa e macia realmente mexeu com a minha fantasia. E que pernas lindas ela tem! Não sabia que mulheres humildes podiam ser tão perfeitas e atraentes. Sem falar no sorriso tímido e, ao mesmo tempo, ousado e na boca formada por lábios carnudos e provocantes. Aproximo-me da janela do quarto. Volto a olhar o céu estrelado.
Até que ter aquela simples camareira em minha cama numa noite como essa seria tentador e divertido. Sem compromisso. Ela é só uma camareira. Não poderia esperar muito de mim. Apenas roupas novas, um jantar e eu me divertiria muito com seu corpo. Uma garota como essa, embora bonita, não pode ser apresentada à sociedade. O limite a ela é a minha cama quente.