Como uma Joia
Capítulo 26
VERÔNICA
ABRO OS OLHOS. Pisco. E a primeira coisa que vejo em seguida é ele sentado na poltrona, com os olhos fechados. Endireito-me na cama. Sento-me com cuidado para não fazer barulho e acordá-lo. Jonas está com a mesma calça preta e com a mesma camisa azul escuro da noite anterior. Acho que passou a noite na poltrona. Não há nenhum cobertor sobre ele. Será que sentiu frio durante a madrugada?
Busco na memória o que aconteceu ontem à noite para Jonas ter adormecido na poltrona. Bom, Jonas havia chegado de Miami, eu estava conversando no telefone quando isso aconteceu, ele não gostou e tivemos uma discussão porque me humilhou ao dizer que pediria o registro das ligações.
Lembro-me também que eu já tinha levantado meio estranha ao amanhecer, com muita dor de cabeça. Então depois da discussão me tranquei no banheiro e a minha pressão deve ter abaixado porque do nada apaguei. Jonas me socorreu e constatou que eu estava com febre.
— Como está se sentindo? — sua voz rouca ressoa, me levando a fitá-lo — Bom dia.
Ele esfrega o rosto e se ajeita na poltrona.
— Bom dia. Estou bem melhor. Obrigada — digo, e tocando meu pescoço para ver se ainda estou quente, aviso: — A febre passou.
— Ótimo, vou pedir o café — ele se levanta da poltrona e deixa o quarto.
***
Demoro algum tempo tomando banho de água morna. Quando finalmente abandono o banheiro e volto para o centro da suíte, opto por um vestido de tecido leve e me visto com ele. A porta não está aberta, mas também não está fechada. De onde estou consigo ouvir Jonas falar com alguém no telefone. Sei que já tomou banho porque antes de me servir o café da manhã na cama já estava vestindo um moletom preto e uma camiseta branca. Na hora não pude deixar de admirar seus braços musculosos e seu abdome perfeito. A verdade é que ele todo parece ter sido feito de aço e, mesmo não querendo pensar em sexo, não sou capaz de desvincular uma coisa da outra. Quando estamos juntos na cama sinto todo esse seu vigor corporal.
Depois de vestida, vou até o espelho e dou uma escovada em meu cabelo. Nem quero imaginar o meu estado ontem à noite quando estive doente. Detesto a ideia de que ele possivelmente me viu descabelada e cheia de olheiras. Ah, Verônica, não comece a surtar agora! Deixo a escova de lado e abandono o quarto. Já na sala eu o encontro terminando a ligação no celular. Descanso meu ombro na parede e cruzo meus braços no peito. Mas agora não estou mais chateada com ele. Bom, quero dizer, não tão mais chateada.
Jonas me encara. Uma de suas sobrancelhas se ergue.
— Tem certeza de que já está mesmo bem pra ficar em pé? — quer saber.
— Até já tomei um banho.
— Por que não me esperou? Eu ia ajudá-la.
— Não se preocupe comigo. Já estou bem.
Permanece me encarando. E permaneço fazendo o mesmo com ele. Abro a boca, pensando no que dizer por que devo agradecer pelo modo como me tratou depois que me encontrou desmaiada no banheiro.
— Você foi muito legal comigo ontem à noite. Obrigada.
Me encara, os olhos azuis tranquilos como nunca os vi antes. Guarda o celular no bolso do moletom.
— O que fiz foi pouco, Verônica. Você sabe disso. E devo desculpas pelo modo como agi antes de tudo aquilo. Você tinha razão. Eu a humilhei. Fui um idiota.
— Aceito suas desculpas — dou uma piscadela.
A gente se senta à mesa e fica por um momento em silêncio apenas tomando o nosso café e eu não quero pensar em como foi o encontro dele com a namorada ontem ou no que está acontecendo agora e que isso não passa de uma encenação. Quero apenas aproveitar o momento.
— Olha — começa — Eu tenho um evento pra ir esta noite. Eu gostaria muito de poder recusar o convite, mas ele é realmente importante. Eu adoraria que fosse comigo, mas depois do que aconteceu ontem à noite, acho melhor você ficar e descansar um pouco.
— Se não tiver problema, prefiro ficar.
— Eu prometo não demorar.
— Está bem.
JONAS
CHEGO sorrateiramente na porta da suíte e me surpreendo com as gargalhadas vindas da sala de estar. Aproximo-me devagar, até avistar uma Verônica sentada no felpudo tapete, de bruços, com as pernas estiradas, completamente descontraída em frente à televisão. Há um pote de pipocas ao seu lado e vendo-a assim tão leve e relaxada, não consigo evitar um meio sorriso nos lábios. Olho para a tela da tevê e uma lembrança da infância me atinge. Scooby Doo. Verônica está assistindo ao Scooby Doo. Afundo as mãos nos bolsos da calça e descanso meu ombro na parede, divertido com a ideia. Não quero interromper essa cena, então permaneço onde estou, vendo-a por uma outra ótica. Até me pego envolvido com o desenho na tevê quando subitamente sinto o seu olhar em minha direção.
— Não se importe comigo — digo, meus ombros ainda contra a parede de concreto — Cheguei agora.
É nítido que estraguei o momento. Merda. Ela não será mais a mesma Verônica que encontrei ao chegar. Sem dizer nada, ajeita o cabelo e se senta no tapete. Com um sorrisinho tímido, volta a mirar a televisão, se esforçando para não demonstrar o quanto está incomodada com a minha presença. Desencosto-me da parede, dou alguns passos para a frente até chegar mais perto dela.
— Vendo Scooby Doo? Isso realmente me impressiona — tiro o paletó do smoking do corpo e o abandono no braço do sofá.
— Você imaginou que eu seria do tipo de quem vê novelas, não é? Na verdade, não gosto delas. E adoro desenhos.
— Nada contra. Também gosto — me livro dos sapatos e me sento a seu lado no tapete.
Verônica não consegue disfarçar o quanto minha presença a deixa um pouco nervosa, inquieta. Eu não sei se é só mágoa ou raiva. Mas é visível que de alguma forma mexo com ela. Esta noite me sinto bem-humorado, apesar de ter voltado de uma festa que fora perfeitamente insuportável. Tudo em que eu pensava quando ainda voltava para o hotel é que eu precisava do corpo quente e gostoso dessa mulher embaixo de mim. Só que não sou nenhum imbecil insensível como ela pensa que sou - sei que preciso envolvê-la e seduzi-la ou então não vai se entregar a mim. E nunca na vida transei com uma mulher que não estivesse muito a fim de mim. Não quero nem imaginar uma coisa dessa.
— Sabe, eu também adorava Scooby Doo — pego um pouco de pipoca do pote dela e as levo até à boca. Verônica continua olhando para a TV, contudo, imagino que esteja intrigada por eu estar aqui tão perto dela falando sobre desenhos animados e não sobre negócios.
— Já viu esse episódio antes? — pergunto, tendo um pouco de vislumbre de quando era um garoto de dez anos. — Foi o dia que...
— Que apareceu o navio fantasma — completa, me encarando. Não está mais inquieta ou tensa. Parece um pouco mais descontraída comigo tão próximo — Eu sempre assistia a esse episódio. Na tevê aberta sempre repetia. E lembro que morria de medo toda vez que a parte do navio aparecia.
— Por quê? — meus olhos miram seus ombros nus por causa da blusinha e vão descendo até suas coxas. — Não acredito que morria de medo de uma coisa boba dessa — provoco.
— Ora, eu tinha sete anos! — defende-se.
Dou uma risadinha, imaginando a cena. Eu quase não via desenhos animados porque meu pai sempre colocava meu irmão e eu em várias atividades extraclasse. A verdade é que enquanto meu pai ficava fora de casa, trabalhando o dia inteiro, Júlio e eu ficávamos aos cuidados da babá. Minha mãe nessa época já havia ido embora com um de seus amantes - escolhido ele ao invés dos próprios filhos.
Meu irmão e eu tínhamos escola, aulas de natação, equitação, jiu jitsu, golfe, entre outras coisas mais. Quando a babá nos buscava, já era para tomar banho, jantar e dormir. Havia dias em que eu sequer via o meu pai.
De repente eu me pego de volta ao agora e me surpreendo por vê-la me observando. Ela sorri. Um sorriso breve, mas um sorriso. E tenho vontade de carregá-la até à cama. Tenho vontade de esquecer todas as mágoas do passado fazendo muito sexo. A minha vida adulta foi toda assim. Sexo atrás de sexo. Eu me sinto bem sendo frio e insensível. Quando você não recebe muito amor, você também não tem muito o que dar, então é melhor que continue assim. Ela me dá prazer e em contrapartida lhe dou o dinheiro e o conforto que posso proporcionar.
— Está vendo como a gente se entende? — chego mais perto dela, toco a ponta do meu dedo delicadamente em seu rosto, fazendo-lhe carinho. — É bom saber que temos algo a mais em comum. Eu também adorava Scooby Doo.
Verônica retribui o sorriso, mas me pergunto se ainda não sacou que tudo o que quero é carregá-la para cama e transar selvagemente.
— Há quanto tempo você não faz uma coisa como essa? — pergunta, me encarando e me surpreendendo.
Afasto meu dedo de seu rosto. Franzo minha testa, pensando na última vez que comi pipoca e assisti a um desenho.
— Caramba, faz muito tempo.
Verônica sorri, me estudando. Me pergunto se está pensando que talvez eu não seja tão frio e desagradável quanto ela pensa. Talvez o maior problema entre nós dois seja a falta de comunicação.
— Você deve ser realmente muito ocupado. Precisa se descontrair mais — diz, me encarando e eu concordo.
— Verdade. Sabe de uma coisa? — encho minha mão com mais pipoca — Vida de rico não é essa maravilha que todo mundo pensa — levo as pipocas à boca — Quando eu era garoto, por exemplo, de uns oito ou nove, eu sentia inveja dos meninos pobres.
Ela não diz nada. Apenas me ouve, atenta.
— Às vezes, dentro do carro do motorista, indo ou voltando da escola, eu via através da janela aqueles garotos e garotas correndo do lado de fora, jogando, brincando, pulando, fazendo várias coisas legais... uns comprando cachorro-quente na carrocinha, se lambuzando com coisas gostosas, enquanto eu estava lá, sentado no banco traseiro de um carro fechado...
— Nossa — ela está tocada — sua infância foi mesmo assim?
— É por isso que sou quem sou, Verônica. Eu tive brinquedos, conforto, vida boa, os melhores colégios do mundo, mas nunca me senti amado como uma criança deveria ser.
— Que triste, Jonas. Eu lamento muito.
Seus olhos estão brilhando e imagino se está tão tocada a ponto de se emocionar.
— Bom, não vale a pena ficar pensando nisso — digo.
Permanece me encarando com aquele olhar distante e me pergunto se está imaginando-me garoto sentado no banco traseiro de um belo carro, sendo conduzido por um motorista carrancudo, enquanto seguia pendurado na janela do automóvel com os olhos brilhando, observando as outras crianças do lado de fora brincar. Verônica morde o lábio inferior, pensativa.
— Como estão seus pais agora?
— Meu pai morreu quando eu ainda tinha 17 anos.
— E a sua mãe?
— Ela foi embora com outro homem quando eu ainda era pequeno. Hoje em dia somos como dois desconhecidos.
Verônica parece angustiada com tudo que lhe contei. Morde outra vez o lábio inferior. Tenho certeza de que sua relação com os pais é completamente diferente da minha. Conheci sua mãe e de cara gostei dela. Pelo modo como fala dos pais, sinto o quanto os ama. Aliás, se não os amasse, não estaria aqui comigo, se sacrificando em prol da família.
— Eu lamento pela sua infância, Jonas.
— Tudo bem. Já passou. Eu já superei.
Será mesmo?
— Mas por que eles não foram bons pais pra você? — quer saber.
— Bom — esfrego meu rosto, pensando nisso pela primeira vez — Meu pai era muito ocupado. Só trabalhava e quase não tinha tempo pra nós. Mas graças à sua frieza, sou quem sou. Me orgulho disso. Ele me ensinou tudo o que eu deveria saber sobre negócios. E quanto à minha mãe... bom, não sei nem o que dizer... mas por que não deixamos esse papo de infância de lado e fazemos outras coisas mais gostosas?
Chego ainda mais perto dela. Desço meus olhos por seu corpo.
— Você está linda, mesmo só de camiseta.
Desvia o olhar de mim, provavelmente preferindo continuar conversando sobre família e essas merdas de infância, mas não quero mais falar sobre isso. A minha era uma porcaria. Essa conversa toda só me faz ficar ainda mais deprimido e faminto por sexo. Me afundar em seu corpo quente vai ser muito mais gostoso.
Toco seu queixo gentilmente, obrigando-a a me encarar.
— Olhe pra mim — sussurro, já cheio de tesão — Caramba, você é linda pra caralho.
Não responde, mas mantém seus olhos em mim, como pedi. Ela se endireita e lentamente se deita sobre o tapete, sabendo que é isso o que quero agora. Puxo seu vestido lentamente para cima e ela me auxilia quando o passo pelos ombros e pela cabeça. Verônica fica apenas de calcinha e sutiã, mas começo a tirá-los também. Preciso dela nua. Quando isso finalmente acontece, quando sua calcinha desliza por suas pernas e chega nos pés, gasto alguns minutos observando seu corpo quente e sensual, todo nu e perfeito pra mim. Começo a abrir os botões da minha camisa e tiro o tecido por meus braços e ombros. Meu pau já está duro, louco para sair das calças. Tiro as minhas calças e me deito sobre ela, amassando seu corpo e seus mamilos.
— Sabe por que saí mais cedo da festa? — rosno baixo em seu ouvido — porque só pensava em você, em ter esse corpo lindo todinho pra mim... você me deixa sem ar... — beijo sua boca. Ela vira o rosto, mas insisto. Seguro seu rosto com minhas mãos, forçando sua boca a ficar parada para receber a minha.
Depois de beijá-la muito, travando nossas línguas, me afasto de seu corpo quente apenas para admirar outra vez o seu corpo nu. Seus olhos castanhos me encaram, na expectativa. Sua respiração está mais acelerada, seus peitos subindo e descendo. Começo a abrir o zíper da calça, sem pressa. Tiro a calça, em seguida a cueca. Verônica está à minha espera, tão ansiosa pelo meu corpo quanto estou pelo seu. Ajeito-me entre suas coxas deliciosas. Gosto de suas mãos pequenas deslizando por meus braços fortes. Beijo seu queixo, sabendo que minha barba está pinicando sua pele lisa. Ah, caralho, não vou aguentar.... a cabeça do meu pau está na sua entrada já molhada. Eu me pergunto se enquanto eu estava contando a minha história triste ela estava ficando excitada. O fato é que está molhada por mim. É bom saber que mexo com seu corpo do mesmo jeito que mexe com o meu.
Logo me afundo em sua boceta gostosa e apertada, querendo já ir bem mais fundo, mas preciso deixá-la ainda mais relaxada. A garota geme, a cabeça encurvada para baixo, os olhos fechados. Fico parado, esperando, adorando essa sensação que estou lhe causando. Ah, porra, sou bom pra caralho. Ela se abre mais, cada vez mais relaxada e eu passo a empurrar mais rápido, indo mais rápido, cada vez mais rápido, até ir com força.
— Isso, geme pra mim, porra...
Verônica geme, seus gemidos vão ficando mais alto, ela quer mais, pede por mais, enquanto vou tomando seu corpo, usando e abusando, fazendo o que quero. Seguro sua nuca com firmeza enquanto minha língua entra em sua boca, explorando tudo. Meu pau não para de trabalhar, meu quadril empurrando meu pau para frente, tomando-a, fodendo-a completamente. Vou empurrando com força, deslizando meu pau enorme por sua boceta apertada, um caminho estreito e quente, vou pegando tudo pela frente, me alojando lá dentro, saindo, entrando, saindo de novo, entrando com mais força, indo além, empurrando duramente contra ela, metendo com força e com fome. Tomo sua boca enquanto vou pulsando em seu corpo gostoso, gozando quente em seu fundo, lambuzando-a toda.
— Porra, como é gostosa...