Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 29 de 48

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Como uma Joia

Capítulo 29

 

 

VERÔNICA

— AI, MEU DEUS, que susto! — é o que digo quando acordo e me deparo com ele na poltrona, em frente à cama.

Jonas estica os lábios num sorrisinho orgulhoso por ter causado esse efeito sobre mim, mesmo que seja um susto. Olho para o seu corpo. Está maravilhoso dentro de um jeans azul claro e uma camiseta branca. Puxo o lençol até meu corpo, cobrindo-me, me dando conta do que aconteceu ontem. Nós transamos outra vez. Lógico. É para isso que estou aqui.

— Não há o porquê se esconder de mim. Eu já vi seu corpo — ele diz, me deixando corada.

— Eu sei, mas é diferente quando não estamos fazendo — pigarreio, toda sem graça.

Jonas ainda possui os lábios esticados num sorrisinho que o deixa ainda mais sexy e o olhar fixado em mim. Ele é realmente lindo. Mais que isso: charmoso. Sedutor. Quente. E seu cheiro maravilhoso de colônia amadeirada não sai da minha pele, mexendo cada vez mais com os meus sentidos. Eu no fundo tenho muito medo porque nunca conheci um cara tão impressionante e envolvente quanto ele. Receio que essa aproximação possa me confundir e me perturbar ainda mais do que já está acontecendo. Não é um conto de fadas. Um dia isso vai acabar. Não sou a mocinha e ele não é o meu príncipe encantado.

— Eu daria um pulmão pelos seus pensamentos — comenta, a voz masculina profunda, me trazendo à realidade.

— Eu acho que você não gostaria de saber meus pensamentos.

— Experimente me contar.

— Bom, eu estava aqui pensando... por que um homem tão rico e atraente como você pode querer uma mulher como eu. Aliás, sua namorada é linda. Eu a vi.

O sorriso descontraído não sai de seus lábios, mas ele está pensativo agora. Talvez esteja pensando pela primeira vez nessa ideia.

— Eu acho que não há uma explicação lógica pra isso. Eu simplesmente não gostava o suficiente de Paula. A paixão é assim, doçura. Ela vem e vai. E ninguém tem culpa de nada. Nem Paula, nem eu. Muito menos você.

— Mas ela te ama... pude sentir seu sofrimento quando... bom, quando eu a vi no quarto.

Jonas não responde. Mas mantém o olhar em mim.

— Você sempre faz isso? — continuo fitando-o — Quero dizer, contrata mulheres para...

— Não — ele ri. — Foi a primeira vez.

Desvio meu olhar dele e foco o chão. Dou um sorriso amargo.

— Não sei se me sinto ofendida ou lisonjeada...

— Sinta-se lisonjeada. Por favor.

Lembro-me da noite passada após a confusão com a ex dele e o momento em que transamos selvagemente na piscina. Foi a coisa mais diferente que já fiz em toda a minha vida. E foi excitante. Tenho aprendido muitas coisas com Jonas. Muitas maneiras diferentes de beijar, de tocar alguém na hora do sexo, posições novas, outras formas de transar. Eu sempre soube que nós, mulheres, precisamos sentir prazer também e gozar, mas nas duas vezes em que fui para a cama com Cidão, isso nunca aconteceu. Eu achava que sexo nem era algo tão bom assim - até conhecer Jonas. Ele faz com que tudo se torne satisfatório para ambos os lados. Ontem na piscina, por exemplo, eu me entreguei a ele de uma forma que nunca pensei que faria e não me sinto envergonhada por isso.

O celular dele de repente começa a tocar e Jonas se levanta da poltrona, murmurando que precisa atender. Ele passa pela porta e me deixa sozinha no quarto. Aproveito esse momento para pular da cama e correr para o banho. Com ele por perto nunca gosto de ficar de qualquer jeito.

Meia hora mais tarde, volto para o quarto dentro do roupão branco e avisto um pedaço de papel abandonado na cama já forrada.

Pode telefonar pra quem quiser. Prometo me comportar como um cavalheiro.

Sorrio.

Mordo meu lábio inferior, pensando que desde o que acontecera não ligo para casa. Nem para Érica. Estou com saudades.

Pego o telefone ao lado da cama e começo a discar para o Brasil. O telefone toca insistentemente, mas ninguém atende. Eu desisto, preocupada.

Jonas entra novamente no quarto e me encontra olhando para o telefone.

— Ligou para sua casa? Talvez sua família esteja preocupada — diz, segurando a barra da camiseta e puxando-a para cima.

— Eu liguei, mas ninguém atendeu. Não deve ter ninguém em casa.

— Aliás, uma coisa me intriga — comenta, passando a camiseta pelos braços musculosos e pelos ombros — Saber se você contou a alguém o que realmente veio fazer aqui.

— Não... é claro que não.

Ele dá um sorrisinho cínico. A essa altura já se livrou da camiseta.

— Por que é claro que não?

Mordo meu lábio inferior.

— Bom, minha família não aprovaria uma coisa dessa. Desculpe a sinceridade, mas nem todas as pessoas acham normal alguém pagar outro alguém para ir pra a cama, por mais dinheiro e fetiches que essa pessoa possa ter.

Jonas estica os lábios em um outro sorriso cínico enquanto joga a camiseta na cama.

— Bom, dormir com alguém por dinheiro é algo comum para muitas mulheres.

— Nem todas as mulheres fazem isso. E não sou esse tipo que você está pensando.

Leva as mãos másculas e perfeitas até o zíper do jeans. Me observa por alguns segundos e, então, sorri satisfeito por perceber meu olhar desconfortável em direção ao seu peito nu e musculoso.

— Você me intriga, doçura, e admito que me excita também.

Meu rosto esquenta na hora e espero que não tenha percebido. Não sei o que mais me incomoda: seu comentário ou seu peitoral incrível. Posso lembrar de seu peito contra os meus seios. É um peito largo, forte, gostoso de se tocar.

— Certo, não vamos começar uma discussão. Já deu pra perceber que você é uma garota firme em suas convicções e acho que também sou firme nas minhas. A gente vai ter que descobrir uma forma de se acertar sem que seja apenas na cama.

Engulo em seco. Eu o vejo se livrar da calça e ficar apenas de cueca boxer branca. Tenho certeza que vai para o banho. Afastando uma mecha de cabelo do meu rosto, desvio o olhar.

— Será que posso saber quando vamos voltar ao Brasil? — mudo de assunto.

— Na terça, logo pela manhã. Por quê? Não está gostando de Nova Iorque? Achei que fosse curtir a cidade, talvez até mais que Paris.

Volto a encará-lo, mas me esforço para não fixar meus olhos em seu corpo quase nu. Em vez disso, eu o fixo em seu rosto lindo.

— Não vejo problema nenhum com a cidade. Só queria saber.

— Ah, preciso avisar. Amanhã à tarde haverá um almoço pra irmos. Não precisa me acompanhar, se não quiser. Vou aparecer por lá, mas não pretendo demorar.

Eu o vejo seguir para o banheiro. Já sozinha no quarto, penso na ideia de ter que acompanhá-lo ao almoço.