Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 31 de 48

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Como uma Joia

Capítulo 31

 

VERÔNICA

 

— ONDE VOCÊ ESTAVA? — Jonas quer saber, pegando em meu pulso.

— Pegando um pouco de ar. Por quê?

— Venha — me puxa para um outro lado do jardim, bem mais longe do salão.

Eu não entendo o que está acontecendo, o porquê de me levar para bem mais longe. Só entendo depois que a gente passa por árvores e por cercas. De onde estamos posso ver uma pequena construção. Há uma porta de madeira nela. Logo em seguida empurra a porta e me conduz até o interior do cômodo. Olho em volta e avisto mesas e armários, todos empilhados, como se o lugar fosse usado como algum tipo de depósito de móveis velhos.

Jonas tranca a porta, me prensa contra a parede fria e posiciona os braços musculosos acima de minha cabeça. Não diz nada nem eu pergunto. Sei que quer transar. Suas pupilas dilatadas me dizem isso. Tira os braços de cima de minha cabeça e desliza um deles até minha perna. Segura a barra do meu vestido florido e lentamente vai puxando-o para cima. Puxa a minha calcinha para baixo, me fazendo esquentar aos poucos. Me pega pela cintura e me coloca sentada numa velha mesa de madeira. Abre as minhas pernas, afastando uma coxa da outra. Puxa o zíper antes de abaixar suas calças. Se encaixa entre minhas pernas abertas, segura o meu rosto com as duas mãos e enfia a língua morna em minha boca. Gosto de sentir o cheiro de uísque vindo dela.

Fecho os meus olhos, esperando por todo o seu corpo. O meio entre minhas pernas já está molhado. Eu preciso dele. Logo. Com urgência. Jonas me ensinou a ficar viciada nele. Seu membro ereto já está em minha entrada e eu seguro sua cintura com força, puxando-o mais para mim, só aguardando o momento mais prazeroso. Jonas se inclina para a frente e para dentro de mim de uma forma dura e firme, me roubando gemidos inexprimíveis. Chupa minha boca à medida que vai deslizando seu pau por meu corpo. Gemo em sua boca, pedindo por mais, e dizendo que sou toda dele.

— Ah, que delícia, doçura... é assim que quero... é assim que gosto... toda abertinha... vai, geme pra mim...

Segura meu cabelo com força, enrolando os fios em sua mão máscula. Permanece me beijando e me possuindo, dizendo palavras sujas, sentindo prazer e me dando prazer.

Inclino minha cabeça para trás, lhe dando mais acesso para beijar meu pescoço e me chupar completamente. Em seguida me vira de costas na mesa e me deixa de quatro. Segura meu cabelo e o joga para o outro lado do meu rosto.

— Eu quero você completamente...

Segura a minha cintura com as duas mãos, me alisando e acarinhando. Dá palmadinhas em meu bumbum empinado, me preparando para o momento mais delicado. De repente se afasta um pouco e, em seguida, sinto algo refrescante em meu ânus. Imagino que seja algum gel para minimizar a dor e o desconforto. Sinto seu pau voltar a encostar lentamente em meu bumbum, pronto para esperar o momento certo. Fecho os meus olhos, desejando isso, sentindo o meu corpo pegar fogo. Suas mãos grandes seguram minha bunda e afasta uma banda da outra. Volta a dar palmadinhas em meu bumbum empinado. Seu pau desliza devagar e, com cuidado, até o desconforto ficar um pouco maior. Ele o tira e beija meu pescoço.

— Relaxe. Vai ser gostoso...

Tenta de novo, deslizando seu pau enorme por meu corpo. Vou sentindo um pouco mais de prazer à medida que vai deslizando devagar, até se impulsionar com mais dureza. Sinto seus gemidos e uivos em meu ouvido enquanto segura meu cabelo com força e me come por trás. Quando termina, estou exausta. Me vira de novo de frente para ele e abocanha minha boca.

— Você é toda minha, doçura — afirma.

 

***

 

Algum tempo mais tarde, Jonas está dirigindo a Mercedes Benz e eu estou no banco carona, lutando contra o sono e pensando nas coisas que aconteceram no clube. Conversei com Cássio e depois com o Henrique. Com nenhum dos dois me senti diferente ou desconfortável. Minha mente vai agora às palavras de Henrique. No momento elas não me chamaram atenção, mas agora me pergunto o que ele quis dizer com "Jonas não vai gostar de saber". Será que se referia ao lado ciumento e possessivo do amigo ou a alguma coisa além disso? Será que Jonas e Cássio não possuem uma relação amigável?

— Tudo bem? — a voz de Jonas surge, interrompendo os meus pensamentos.

— Está — forço um sorriso para ele.

— Eu não sei — segura o volante com firmeza antes de contornar uma curva — Você está calada desde que saímos do clube. Será que foi o sexo? Me desculpe se pareci autoritário. Você não precisa fazer nada do que não queira.

— Não foi isso. Eu gostei. Bom, quer dizer, não foi tão ruim como imaginei.

É claro que não vou contar a ele sobre os pensamentos a respeito dele e do loiro que conheci esta tarde. Cássio. Muito menos que estive conversando com o rapaz.

Suspiro antes de dizer:

— Eu acho que é só um pouco de cansaço mesmo.

— Espero que as socialites não tenham enchido o seu saco — seus lábios se esticam em um sorrisinho provocador.

— Você parece gostar de saber o quanto as conversas delas me deixam sonolenta.

— Imagina. Sou um santo — seu sorriso está mais aberto agora.

— Você está rindo. Você deve ser meio sádico.

— Oh, meu Deus, está me chamando de sádico! — mesmo rindo e brincando, mantém a atenção na direção — Vamos lá. Só em uma semana me chamou de canalha, cafajeste, e agora sádico. Isso deixa claro o quanto me despreza.

— Se falei tudo isso é porque mereceu.

— O que será que vai me chamar amanhã? Maníaco?

— Você é impossível! — dou uma risada.

Gosto desse clima que estamos tendo agora. A gente não discute mais. Nem briga. Na verdade, o que mais fazemos quando estamos na suíte do hotel é ler, assistir a filmes, e claro, sexo. A gente faz sempre muito sexo. O tempo todo. Jonas é insaciável. E admito que estou começando a me tornar também.

— Bom, eu estava pensando... — ele comenta, de novo interrompendo os meus pensamentos — como amanhã é a nossa última noite na cidade, poderíamos sair para um passeio e depois jantar fora, se concordar com a ideia. Cancelei um almoço com um dos sócios. Não era nada importante. Entre você e ele, prefiro passar o dia com você, claro.

Sua última frase despertou uma sensação estranha, mas incrível em mim. Acendeu mais um pouco da paixão que tenho sentido. Às vezes tudo o que vivemos parece ser um sonho, algo maravilhoso. Na maioria delas me esforço para esquecer que não é real. Nada disso é real, exceto o sexo que fazemos e o sentimento que tenho por ele, que não consegui anular dentro de mim.

— Não gostou da ideia?

— Não, eu gostei sim. Adoro a ideia de sair um pouco do hotel e jantar fora.

— Certo. Então iremos.

 

***

Durante a noite, após o jantar, me vejo na mesa cercada por seus braços fortes e firmes. Jonas me beija com desejo. Um beijo ávido, dominador, que faz com que nossos rostos se virem de um lado para o outro, lentamente, enquanto suas mãos fortes e masculinas percorrem todo o meu corpo, explorando-o. Quando sinto o seu beijo no vão de meu ombro delicado, gemo baixinho e curvo ainda mais para receber o carinho. Os toques e o calor de sua pele já não me assustam mais. Pelo contrário. Isso é bom. Muito bom. Já começo a me acostumar com essa aproximação e também a apreciar esse toque febril, essa respiração quente, e o cheiro gostoso e envolvente.

— Você é tão linda... — sussurra, rouco, me deixando ainda mais excitada. — Linda e macia...

Sua voz é sensual e seus toques exigentes me fazem cerrar os olhos, ansiando por mais. Envolvo o seu pescoço rígido com os meus braços e, em seguida, mergulho as mãos nos cabelos macios, ao mesmo tempo em que correspondo ao beijo longo e intenso. Depois de fazermos amor na sala, ele me pega nos braços e me carrega para o quarto. Me deita na cama.

Saboreio o momento em que Jonas se livra da própria camiseta, exibindo o peitoral definido. Com a respiração entrecortada, eu o puxo para mim, desejando tê-lo sobre mim. Fico satisfeita quando adivinha meus pensamentos e aproxima-se, forçando o peso contra o meu, me beijando loucamente.

Seu beijo é uma mistura de desejo e volúpia, e após algum tempo absortos nessa intimidade, ele passa a se despir com uma controlada ansiedade. Eu o ajudo. Vejo o momento em que se livra do restante da roupa. Quando Jonas deita-se outra vez sobre meu corpo, eu o puxo para mim.

É bom demais estar nos seus braços famintos e sentir esse toque descomunal. Retribuo o carinho de uma forma quente e selvagem. Após mais alguns beijos demorados, acarinha o meu rosto e a gente se ama perfeitamente.

 

***

 

No dia seguinte, quando pisamos no aeroporto, já no Brasil, Jonas cuida das bagagens enquanto eu, muito ansiosa, telefono para casa. Após confortar a mãe e dizer que está tudo bem e que já estou à caminho, prometo chegar o mais rápido o possível para abraçá-la. Quando desligo o celular, o alívio me toma. É bom voltar para o Brasil, o lugar que eu conheço tão bem.

Ouço o celular de Jonas tocar e o vejo levar o aparelho ao ouvido.

— Certo, estou indo — diz para alguém.

Imagino que seja o seu motorista. Ainda no avião ele havia comentado que um deles nos pegaria.

— Olha, eu posso pegar um táxi daqui mesmo e ir pra casa — digo, mas ele está ainda no telefone dando instruções ao motorista, então nem presta atenção ao que digo.

Jonas finalmente desliga a ligação e me informa que o motorista já está lá fora, à nossa espera.

— Eu posso pegar um táxi — comento.

— De jeito nenhum. Eu faço questão de deixá-la em casa — insiste, pegando ambas as nossas bagagens e seguindo na minha frente.

Logo assim que entramos no carro preto e discreto, ouço Jonas dar novas instruções ao motorista e dizer que iremos primeiro ao endereço de minha casa.

— Sinceramente agradeço a sua gentileza, mas não há necessidade de me deixar em casa — digo a ele, já sentada ao seu lado no banco traseiro.

— De forma alguma. Não faz o menor sentido colocá-la num táxi. Se há um carro à disposição, eu posso deixá-la em casa.

— Eu sei, mas...

— Prometo que em breve ficará livre de mim — diz antes de colocar os óculos escuros no rosto, ficando ainda mais charmoso e sexy.

Eu não sei se estava brincando ou se falou sério. Jonas simplesmente ficou calado agora. Não puxou mais assunto. Talvez tenha ficado ofendido com a minha nítida disposição para me afastar dele.

Respiro fundo e tento relaxar no meu lugar. Vejo o momento em que o motorista pega a estrada do Galeão. Olho para a janela e tento me distrair com o dia bonito que está fazendo lá fora. Diferente de Paris e Nova Iorque, o dia no Rio de Janeiro já se inicia bastante ensolarado.

Tento não pensar na minha estada fora do país. Não quero ficar pensando nos momentos inesquecíveis que passei com Jonas. Todavia tenho que admitir que, apesar de todos os infortúnios e dos momentos constrangedores ao lado dele, Jonas me provou suas qualidades. Pelo pouco que pude perceber, é um sujeito vaidoso, sim, contudo, é gentil e também sabe ser generoso. Não sei o que eu tinha na cabeça ao me oferecer para pegar um táxi. Ele não é do tipo que largaria uma mulher sozinha no meio do caminho.