Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 22 de 48

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Como uma Joia

Capítulo 22

 

 

VERÔNICA

 

NO BANHEIRO, após usar uma das cabines, retoco a maquiagem em frente ao espelho. Subitamente sinto a presença de alguém surgindo e ficando ao meu lado. Instantaneamente olho através do espelho para a recém chegada e encontro o semblante intrigado da morena de cabelos curtos a quem fui apresentada meia hora atrás. Suzana, a mulher de Ralph.

— Oi — força um sorriso contido, o mesmo que estava em seu rosto no momento em que fomos apresentadas.

— Oi — respondo, me perguntando se veio atrás de mim. Provavelmente está curiosa para saber se sou a amante do Jonas - visto que todos os seus amigos e conhecidos devem saber que ele já tem uma namorada.

— Verônica, certo?

— Sim. E você é a Suzana.

— Isso mesmo.

Eu a avalio, atenta. Suzana não é exatamente uma mulher estonteante, mas sem dúvida já deve ter sido muito atraente coisa de dez ou quinze anos atrás. Mesmo beirando os cinquenta anos, sua pele é muito lisinha e o seu corpo é incrivelmente elegante.

— Bem — ela tira algo da bolsa e, com o rosto fixado no espelho à nossa frente, simula retocar também a maquiagem — então quer dizer que você e o Jonas estão juntos? Há quanto tempo isso vem acontecendo? Desculpe-me a intromissão, é que você não parece ser o tipo dele. Sem ofensas claro.

— Ah, é? Bom, eu não sabia — finjo demência e volto a me concentrar na minha maquiagem. Espalho um pouco de pó translúcido para disfarçar a oleosidade que a essa altura já existe na pele.

— Desculpe mesmo, eu não quis ofendê-la.

— Não me ofendeu — eu sequer me viro para lhe dar atenção — Entendi o que a senhora quis dizer, que ele deve estar acostumado a desfilar com as loiras altas, modelos, provavelmente.

— Ah, por favor, não me chame de senhora — força uma voz educada, mas está nítido o quanto se ofendeu.

— Bom, Suzana, você pode pensar o que quiser a meu respeito, mas posso garantir que foi ele que insistiu para que eu visse à festa. E, acredite, não teria vindo se Jonas não tivesse quase que implorado.

— Jura? — engole em seco, agora está novamente mirando o espelho à sua frente. Ao que parece, também está retocando o batom. — Me desculpe, eu não quis me desfazer de você. Era só curiosidade mesmo, Verusca.

— Verônica — corrijo.

— Isso. É Verônica, Verusca, é tudo parecido... — zomba — Mas é um nome bonito. Não quero dizer que não é.

— O Jonas costuma dizer que é exótico e que combina comigo — provoco, deslizando o batom líquido bordô pelos meus lábios — Você não tem ideia de como ele fica louco na cama, sussurrando o meu nome sem parar.

Tento não me divertir com o olhar perplexo e bravo da mulher. Bom, foi ela que começou a me provocar. Ela nem precisa me dizer mais nada, pois já está mais que claro para mim que essa mulher, mesmo casada, morre de amores pelo Jonas.

Suzana se rende primeiro e não fala mais nada. Volta a se encarar no espelho para provavelmente terminar de retocar a sombra. Eu faço o mesmo. Ambas ficamos em silêncio enquanto retocamos a maquiagem ou ajeitamos o cabelo. Sei que essa mulher ao meu lado quer dizer muita coisa e detesto saber como tem me julgado agora - assim como os amigos de Jonas. O modo como os dois irmãos me olharam deixou claro que sabem que sou apenas um passatempo, nada sério.

— Eu só queria dizer uma coisa, Verônica — Suzana comenta de repente, me trazendo de volta a ela — Jonas não é do tipo que preza pela fidelidade e por compromisso sério. Não há uma mulher no nosso rol que não saiba o quanto ele brinca com nossos sentimentos e depois os descarta como se fossem nada.

Eu a encaro.

— Obrigada por avisar. Devo supor que você já foi muito íntima dele.

Ela desvia o olhar e desconversa, parecendo se dar conta do que acabou de fazer.

— Bom, meu marido... Ralph... é um grande amigo da família Malta. Mas se quer um conselho, fique longe do Jonas. Pro seu próprio bem. Com licença.

Depois que Suzana vai embora, me deixando sozinha outra vez no banheiro, me encaro de novo no espelho. Me sinto linda, elegante e sexy dentro desse vestido exuberante. Mas penso que definitivamente esse universo de glamour não foi feito para mim. Além disso fico pensando em tudo o que Suzana falara sobre Jonas e como ele brinca com os sentimentos das mulheres. Bom, se ele faz isso com as que são ricas e estonteantes, as que são do mundo dele, imagine o que faria com uma pobretona como eu. Suspiro, desgostosa. E pensar que estive perto de me apaixonar perdidamente por esse homem. Suspiro de novo. Erga a cabeça, Verônica, e não permita que ele brinque com você! Após me olhar pela última vez no espelho, pego a bolsa de mão e deixo o banheiro. Vou procurar Jonas e torcer para que essa festa não demore a acabar.

Uma música lenta começa a soar no amplo salão cercado por homens elegantes e mulheres exuberantes. Alguns casais começam a dançar. Um homem, de repente, aproxima-se de mim, sem me dar tempo de agir.

— Me dá a honra desta dança, senhorita? — seu sorriso é tão terno que não consigo recusar. O rapaz não é bonito, mas possui as feições finas cabelos pretos e encaracolados.

Enquanto estou deslizando pelo salão com o desconhecido, de repente avisto um Jonas de longe nos observando. Tenho a certeza de que não está nada feliz e satisfeito com a nossa dança. Seu olhar é sério em nossa direção. Vejo o momento em que leva o copo de uísque à boca e esconde a raiva atrás dele. A música lenta e melosa dura poucos minutos. Quando finalmente termina, uma nova começa a tocar, e o homem insiste que eu dance outra vez com ele. Eu não quero ser deselegante e abandoná-lo na pista na frente de todo mundo. Passamos a dançar pela segunda vez, até que de repente, alguém surge e nos interrompe. Jonas. Seu olhar é duro na direção do outro homem. Toma a minha mão gentilmente das mãos do desconhecido. O sujeito, sem graça e conformado com a derrota, murmura um agradecimento a mim e se afasta.

Jonas me puxa gentilmente para si, me obrigando a ficar colada em seu peito duro. A música romântica continua tocando e nos embalando. Suas mãos grandes estão segurando suavemente a minha cintura, seu cheiro gostoso começa a me envolver e a me deixa bamba. Minhas mãos agarram o seu pescoço e mal consigo me mexer de tanto que estamos unidos. De repente, seus lábios descem até o meu rosto, sua barba pinicando suavemente o meu queixo, uma sensação de desconforto e prazer ao mesmo tempo, fecho os olhos, uma de suas mãos firmemente segura meu cabelo na altura da nuca, forçando ainda mais o beijo que me dá agora em público. Um beijo firme e possessivo, de quem está me punindo por eu ter dançado com outro homem. Acabo correspondendo ao beijo, me deixando levar pelo calor do momento, sem pensar que vou me arrepender depois.

— Tudo o que quero é sair daqui e mergulhar em seu corpo a noite toda... — sussurra com a voz rouca em meu ouvido.

Estremeço. Meu corpo dá sinal de vida. Há uma quentura no meio das minhas pernas e fico brava comigo mesma por isso.

Apesar das suas palavras em tom de desespero e angústia, gostei de ouvir isso. Me sinto desejada.

 

***

A festa finalmente acabou.

Já está tarde quando chegamos na sua suíte. Não passará desta noite, eu sei. Após fechar a porta, Jonas aproxima-se de mim e me conduz até à cama. Mais calma do que imaginava estar, sustento seu olhar que faísca de desejo. Sem dizer nada, bruscamente me puxa pela cintura do mesmo modo como fez no salão, obrigando nossos corpos a se colarem mais uma vez, como na pista de dança. Segura meu rosto com as duas mãos e sinto sua língua ávida e dominadora invadir a minha boca, enroscar em minha língua. Estou completamente arrepiada. Sua barba volta a roçar em meu rosto, e gosto dessa sensação. A fragrância masculina de seu perfume me deixa ainda mais inebriada e molhada, é como se estar aqui com ele me transportasse para outra dimensão. Reconheço que é muito bom estar em seus braços. Sim, eu não queria que fosse, mas é. Jonas é cheiroso, gostoso e possui uma forma incrível de me beijar... uma forma com a qual nunca fui beijada antes... ele realmente é muito bom nisso, estou sentindo tudo, querendo tudo, precisando de tudo, adorando tudo, sentindo meu corpo esquentar, sentindo prazer, sentindo desejo... meu corpo está fervilhando e a região entre minhas pernas pegando fogo.

Logo já estou me livrando das roupas e ele faz o mesmo com as dele, abrindo a camisa preta e deixando seu peitoral enorme à vista. Ele é grande, ombros largos, braços musculosos, então me pergunto como é lá embaixo... ele faz sinal para que eu tire toda a minha roupa e fique nua em sua frente. Faço como pede. Seus olhos correm por meu corpo, passeiam por ele. Suas pupilas se dilatam, fazendo com que seus olhos de azuis claros fiquem escuros. Ele parece aprovar cada polegada do que vê. Sua mão me puxa para si com firmeza e sua boca abocanha meu mamilo. Levo minha mão meio trêmula e toco seu cabelo macio e negro. Depois de cansar de me mamar, me joga com menos gentileza na cama. Fico o esperando, meu ar mal saindo pela boca e nariz. Eu o vejo abandonar a calça no chão, em seguida a cueca boxer preta. Encosto minhas costas na cama, mantendo minhas pernas ainda fechadas, observando-o terminar de se despir. Desço meus olhos por seu corpo magnífico. Ele é mesmo perfeito, um deus grego.

Logo está sobre mim, segura as minhas pernas e as separa uma da outra. Se encaixa no meio das minhas coxas e força o corpo grande contra o meu.

— Hoje vai conhecer um homem de verdade... — chupa meu ombro com força, deixando uma trilha de beijos e mordidinhas em minha pele.

Fecho os olhos.

Eu o quero.

Sinto a cabeça de seu pau na minha entrada melada e molhada. Ele começa a brincar ali, esfregando a cabeça de seu pau em mim, me fazendo sentir prazer e a sussurrar, pedindo por mais, pedindo que entre em mim.

— Eu quis me enterrar em você desde o dia em que a vi... — rosna baixo, enquanto chupa o meu umbigo — Quando decido que quero uma mulher, ela se torna minha, Verônica... — sussurra antes de tomar a minha boca para mais um beijo selvagem.

Logo seu corpo duro pesa sobre o meu, uso as minhas mãos para acarinhar os seus braços musculosos, seu peito amplo e largo amassa meus mamilos. Empurra para dentro de mim e sinto um grande desconforto à princípio. Ele para, me dando tempo para relaxar. Nossas respirações se misturam, nossas tensões, nossas bocas, nossas expectativas. Relaxo à medida que seu pau vai deslizando para dentro de mim e me causando sensações maravilhosas. Começo a gemer baixinho, minhas mãos agora puxando o seu cabelo com força e desejando mais. Jonas passa a empurrar mais rápido e mais forte para dentro de mim, me fazendo gemer ainda mais, a querer mais. Ele geme em meu ouvido, rosnando e dizendo coisas sujas. Empurra com dureza e força, deslizando por mim e metendo bem lá no fundo, me fazendo gemer e gritar.

— Isso, delícia... abre mais... preciso de mais... — geme em meu ouvido à medida que vou me abrindo mais, que vou me entregando mais para ele e permitindo que me use a seu bel prazer — Isso, porra... você é deliciosa... que corpão...

Empurra, vai empurrando seu membro para dentro do meu corpo, me tomando toda, me preenchendo, me amando gostosamente, me usando, me causando sensações incríveis e maravilhosas. E eu só quero mais.

Preciso de mais.