Como uma Joia
Capítulo 40
VERÔNICA
AINDA ESTOU EM CHOQUE. Havia recebido Jonas minutos atrás. Não fazia ideia de que algum dia ficaria frente a frente novamente com ele e, muito menos, que me faria uma proposta de emprego. Suspiro, tentando colocar os pensamentos em ordem. Eu disse que pensaria na ideia de trabalhar na Luxus, mas sei que não vai ser uma boa ideia, se eu quiser realmente fugir do sentimento que sinto por ele.
Subitamente a campainha toca e sou guiada por ela, até chegar à porta. Quem poderia ser? Já havia tido emoções demais para uma única semana e não precisava de mais uma. Primeiro a visita inesperada de Augusto e depois a de Jonas. Quem poderia ser agora? Abro a porta e perco o ar.
Sem dizer nada, ele dá um passo à frente, ficando bem mais perto de mim. Sua mão grande me puxa com firmeza pela cintura, fazendo com que nossos corpos se encaixem perfeitamente e com que meu coração bata sem parar. Em seguida vem o beijo. Sequer me dá tempo para questionar. Muito menos para resistir. Bom, para ser sincera, nem queria resistir. Tento dizer algo, mas sou calada por mais um beijo sedento e quente. Logo já estamos do lado de dentro do apartamento e vejo Jonas fechar a porta com o calcanhar. Depois do beijo, ambos ofegantes, vejo o momento em que se afasta um pouco para poder se livrar da própria camiseta, deixando os músculos à mostra. Sem pensar que posso me arrepender depois, faço a mesma coisa que ele, eu me livro do vestido florido. Já nus, eu sequer pergunto se ele prefere ir para o quarto. A gente se perde ali mesmo entre beijos, gemidos, carícias, juras de amor e muito sexo no meio da sala de estar.
É atração. Paixão. Amor. Se não for, será o quê?
Loucura? Talvez.
***
Após nosso momento quente, me vejo agora com o rosto sobre seu peito musculoso enquanto minha boca faz uma trilha de beijos em sua pele.
— Dei uma surra no seu namorado — comenta de repente, enrolando fios do meu cabelo em seu dedo.
Retiro meus lábios de seu peito e meus olhos procuram os seus.
— No Cidão?
— Ele estava lá fora quando saí daqui. Me provocou, veio tomar satisfação — desliza a ponta de seu dedo para o meu lábio inchado — Aí me lembrei de seu lábio e não consegui me controlar.
— Ele não é meu namorado. Na verdade, eu já havia terminado tudo antes de ir viajar com você.
Jonas toca carinhosamente meu rosto com a lateral de sua mão.
— Você devia denunciar esse desgraçado — diz — Sendo namorado ou ex, não tinha o direito de tocar em você — desce o dedo novamente até meu lábio.
— Eu sei — suspiro — Se ele me procurar de novo, vou denunciar. Não quero que chegue mais perto de mim.
— Ele não vai — afirma, me surpreendendo, então explica: — Avisei que se chegar perto de você outra vez, vou acabar com ele. Tenho certeza que entendeu o recado.
— Jonas...
Leva a ponta dos dedos aos meus lábios, me calando.
— Se ele aparecer, vou cuidar disso — afirma — Homens como esse, se não forem freados, nunca param de machucar. E muitas vezes, mesmo quando a mulher presta queixa, eles conseguem machucá-las. Sei o que estou fazendo. Confie em mim.
Pondero. Concordo.
— Está bem.
Volto a beijar sua pele e os pelos de seu peito.
— E quanto a seu pai, foi ele que a expulsou de casa? — quer saber, já sabendo a verdade e só querendo a confirmação.
Volto a fitá-lo. Agora com tristeza. E balanço a cabeça, confirmando.
— Pelo que você me disse hoje, só pensou em aceitar a proposta porque a família estava passando por dificuldades.
— Precisávamos quitar a dívida da casa. Ou então a perderíamos.
— E mesmo sabendo de tudo isso ainda mandou você embora? Que sacana.
Suspiro longamente. Por mais que eu esteja triste e revoltada, não me sinto bem falando mal do meu próprio pai. Tento olhar pelo lado positivo da coisa - se é que existe algum. Bom, talvez o fato de reencontrar o Jonas.
— Acho que, no fundo, ele não consegue suportar a ideia.
— Pode ser. Mas quem pensa que é pra questionar as razões que você teve? Você se sacrificou pela família e isso inclui ele. Com todo respeito, doçura, ele deveria ter se ajoelhado na sua frente e beijado os seus pés.
Concordo. Sei que Jonas tem razão. Meu pai não foi justo e tolerante comigo, mesmo sabendo que tudo o que fiz foi pelo bem de todos nós.
— Não sei — suspiro outra vez —, mas prefiro acreditar que um dia vai pensar sobre tudo o que está fazendo e me perdoar.
— Ele não tem que perdoá-la por nada — retruca. — Você não fez nada de errado. Não cometeu nenhum crime. Se for mesmo um bom pai, como você diz que é, vai se dar conta disso e procurá-la.
— Está bem. Mas agora quero falar sobre coisas boas — quero parar de pensar no quanto meu pai me magoou e no quanto o magoei também — Você está aqui comigo — sorrio, me abraçando ainda mais forte a ele.
O sorriso não sai dos meus lábios desde que ele voltou ao apartamento e rolamos pela cama. Agora Jonas está sendo muito atencioso e carinhoso comigo. Estamos até compartilhando os meus problemas de família - coisa que nunca imaginei que faria com ele.
Não sei o que está acontecendo. Não sei o que somos afinal, se isso já indica que formamos um casal oficial. Mas eu o amo. Eu o amo tanto como jamais pensei que fosse amar alguém. E agora mais ainda porque nunca imaginei que no pior momento de minha vida eu fosse ser confortada justamente por um cara rico e completamente arrogante. Todavia, nesse momento, Jonas não está sendo nada disso. Pelo contrário. Tem me ouvido com toda a paciência do mundo e tentando entender meus sentimentos.
— O que você fez comigo, doçura? — sussurra de repente, beijando a lateral do meu rosto, me fazendo rir.
— Eu não fiz nada... você que fez comigo... me seduziu e não sossegou enquanto não me teve.
— Eu não desisto do que quero. Nunca.
— Ah, é mesmo? E o que você quer comigo? De verdade — ergo o rosto e pouso meu queixo em seu peito para encará-lo.
— Tudo — responde, olhando profundamente em meus olhos — Quero você toda pra mim. E quero que venha morar comigo — puxa a minha cabeça para si e beija a minha boca.
***
Os dias passam.
Estou na praia do Leblon. É uma tarde nublada. Tiro as sandálias dos pés e caminho sobre a areia macia e morna. Neste momento, não me sinto mais solitária, nem mais amargurada. Talvez um pouco magoada. Apenas isso. Aqueles últimos dias haviam sido decisivos em minha vida. Nunca pensei que um dia veria meu pai me dar as costas. No fundo começo a me sentir um pouco injustiçada, afinal, ele sequer havia me escutado, sequer havia tentado ser razoável comigo. Não me considerava mais como uma filha. É óbvio que tive motivos fortes para fazer o que fiz. Meu pai deveria ter considerado isso.
Paro e cerro os olhos. Respiro fundo ao sentir a brisa vinda do mar. A vida não está sendo fácil para mim. Amo os meus pais e sempre procurei fazer tudo por eles, mas agora me sinto abandona
. Eu não merecia isso, não merecia ser rejeitada como tenho sido. Volto a abrir os olhos e contemplo o mar revolto e sombrio. Aliso meus braços. Olho em volta. A praia está praticamente deserta. Há poucos surfistas no mar. Tento pensar em coisas boas. Bom, apesar de todos os infortúnios, minha vida amorosa não poderia estar melhor. Finalmente encontrei o amor. Jonas. Ele é gentil, lindo e carinhoso comigo, tem sido um refúgio.
Tudo o que quero agora é ser feliz. Eu acho que mereço. Sim. Juro a mim mesma que vou tentar ser feliz ao lado de Jonas, mesmo sabendo que isso não será fácil. Estou apaixonada por ele e sei que também sente algo forte por mim, afinal de contas, Jonas havia me convidado para ir morar com ele e acho que não teria feito isso se não estivesse realmente envolvido. Sorrio. Agora seremos só nós dois e ninguém mais. E nada mais de contrato. Tudo será real de agora em diante.
***
De volta ao casarão, estremeço, mas estou decidida e pronta para ser feliz. É loucura, penso comigo mesma. Como poderia voltar para lá e seguir sendo como uma espécie de mulher exclusiva de Jonas, ainda que não tivessem mais um contrato firmado? Não importa, estou apaixonada. Além do mais, meu chão havia caído e a minha vida toda parecia ter desmoronado. Não tenho mais casa, mais família e talvez não queira mesmo ficar longe de Jonas. Apesar do pouco tempo com ele, sinto que estou completamente envolvida e o nosso período de afastamento só serviu para confirmar o quanto somos loucos um pelo outro.
Nesse exato momento nossos olhos se encontram. Estou parada em sua frente. Jonas sorri, satisfeito, e vem ao meu encontro. Vestindo um jeans escuro e uma camiseta branca, se aproxima, pega a minha mão e a leva ao encontro dos lábios.
— Seja bem-vinda outra vez — diz, rouco, antes de enterrar o rosto no vão do meu ombro, me fazendo arrepiar.
Jonas me beija com desejo e me conduz para o primeiro móvel que encontra pela frente.
— Ah, doçura, como estou viciado em você... — sussurra, suas mãos puxando a camiseta, a passando pelos ombros e braços, até tirá-la completamente pela cabeça.
Perco o fôlego só de olhar para esse peitoral incrível em minha frente e imaginar que tudo isso é só meu agora. Não quero dividi-lo com mais ninguém.
Jonas ergue a minha saia e puxa a minha calcinha para baixo. Dou uma risadinha. Ele não é o único viciado em sexo. Atualmente admito que não posso mais viver sem ele também.
Levo minhas mãos até o meu cropped e o puxo pela cabeça, o retirando de mim. Meus seios balançam com o movimento que faço, bem no rosto de Jonas e vejo o quanto seus olhos brilham.
— Ah, porra... — enfia a boca em um dos meus seios, me dando um prazer maravilhoso já de cara. Gemo. Seguro seu cabelo com força, puxando-o, enquanto ele me mama à vontade.
Mesmo com os olhos fechados, sinto-o se mover e sei que está se livrando das calças. Logo sinto suas coxas másculas entre minhas coxas e, em segundos, Jonas já está me estocando com força, remexendo os quadris para frente e para trás, me penetrando completamente.
Ergo os meus braços e aperto seu pescoço, gemendo e pedindo que ele continue me amando. É bom estar aqui outra vez em sua companhia... é bom sentir esse perfume inconfundível, esse cheiro de almíscar... é bom tê-lo em meu corpo, me possuindo, me amando.