Como uma Joia

Isadora Raes · Capítulo 6 de 48

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Como uma Joia

Capítulo 6

 

JONAS

 

ESTOU FALANDO em inglês pelo telefone com Matt McDowell, um dos importantes sócios da Luxus, quando repentinamente alguém dá duas leves batidas na porta antes de abri-la e passar por ela. É Jorgeana, minha secretária.

— Desculpe, eu bati na porta — sussurra para não atrapalhar a minha ligação.

Faço sinal para que se aproxime mais enquanto termino de conversar com Donald. Quando finalmente me despeço, desligo a chamada e encaro uma Jorgeana sorridente, com cabelos escuros longos e um rosto bem cuidado por cremes e maquiagem. Antes que eu pergunte, ela esclarece:

— Suzana Sampaoli está lá fora e insiste em falar com você.

— Ah, droga — suspiro longamente — ela está sozinha, suponho.

— Completamente. Disse até que já dispensou o motorista.

Dou um novo longo suspiro enquanto relaxo minhas costas na poltrona. Como minha secretária há muitos anos, Jorgeana sabe que Suzana é um dos meus casos mais antigos e de todos eles o mais insistente. A mulher jamais me deixou em paz e já faz anos que não trocamos qualquer tipo de intimidade.

Até sete anos atrás eu a levava para a cama constantemente e a usava de todas as formas possíveis. Ela era uma mulher de quarenta anos insaciável e infeliz no casamento. Eu era como qualquer cara de vinte e três anos, louco por sexo e, principalmente, decidido a chegar a um patamar maior. Não foi por acaso que escolhi Suzana. Ela era a esposa de Ralph Sampaoli, alguém que eu queria como sócio. Levá-la para a cama foi um meio de manter-me próximo a ele e também uma forma de convencê-lo a investir na Luxus. Hoje a minha empresa é o que é graças aos meus esforços. Sou simplesmente implacável nos negócios.

— Vai receber a sua fã? — Jorgeana pergunta com sarcasmo, me trazendo de volta dos meus pensamentos.

— Vou. Deixe-a entrar.

— Certo. Ah! Jonas — ela diz, lembrando-se de alguma coisa — já cuidei das suas passagens para Paris. Mas fiquei confusa porque o Augusto me mandou comprar duas extras. Será que não houve algum engano na contagem?

— Não, não houve. É exatamente isso — começo a checar a papelada em minha mesa enquanto Jorgeana permanece diante da minha mesa, provavelmente querendo saber quem irá me acompanhar na viagem.

Eu a encaro.

— Mais alguma coisa?

Ela sorri, sem graça.

— Não, só isso mesmo. Certo. Vou pedir a Suzana que entre — caminha pela minha sala, passa pela porta até finalmente me deixar outra vez sozinho.

Em fração de minutos a porta volta a se abrir e dessa vez uma Suzana elegante e sorridente aparece em minha frente. A mulher para, me avalia por um tempo, então caminha com passos firmes em minha direção.

— Olá, Suzana. Como vai? — eu me levanto para cumprimentá-la.

— Bem... — beija meu rosto carinhosamente — eu estava passando por perto, então pedi ao motorista que me deixasse na Luxus. É sempre bom rever os amigos. Especialmente quando eles nos trazem boas lembranças.

Afundo minhas mãos nos bolsos da calça enquanto mantenho meu sorriso forçado.

— Certo. Como vai o Ralph?

— Bem, eu acho.

— Aceita uma bebida?

— Sim, obrigada.

Saio de trás da minha mesa e vou até o bar que fica do outro lado, perto da estante de livros. Meu escritório é um grande espetáculo para quem o vê à primeira vista. Há coisas inspiradoras que mantenho por perto, como por exemplo, uma mesa de pingue pongue, um campo artificial de golfe e vídeo games. Também há aquários embutidos espalhados pelas paredes e uma janela impressionante que vai do chão ao teto e me mostra a linda vista da Avenida das Américas.

Volto do bar com a garrafa e os dois copos. Enquanto os encho abaixo da metade, sinto Suzana andar pela minha sala. Provavelmente para observar os peixes nos aquários.

— Isso aqui é lindo — ela diz - Sempre gosto de vir aqui e vê-los.

— É, eles me inspiram — fecho a garrafa e a abandono na mesa. Pego o meu copo e dou um primeiro gole. Caminho até Suzana e lhe entrego seu copo. Ela agradece, seus olhos como gavião sempre brilhando para mim.

— É impressionante como os anos passam e você fica cada vez mais bonito e charmoso. Sua genética é realmente de causar inveja.

— Eu era um moleque quando nos conhecemos.

— Sim, é verdade. Agora você é um homem. E é até compreensível o porquê das mulheres viverem se atirando em você. Olhe só pra você: bonito, rico, charmoso, sexy, gostoso. E sabe o que é pior de tudo? Você sabe disso. Sabe o efeito que causa em todas nós. E que é só estalar os dedos, que nos têm a seus pés.

— Suzana — sorrio, então bebo mais um gole da minha bebida.

— É verdade. Não negue.

— Bom — eu a estudo — eu não acho que você veio até aqui pra falar do meu charme ou das minhas conquistas.

— E por que eu viria então? — abandona o copo na minha mesa — Sabe qual é o outro lado da história? Homens como você são difíceis de serem esquecidos. Você sabe que me tem nas mãos, Jonas — se aproxima de mim, descansa suas duas mãos com unhas pintada de vermelho em meu peito, inclina seu rosto para me ver melhor, já que é bem mais baixa que eu.

— Já se passaram sete anos, Suzana. Tem que superar — murmuro, não estou a fim de trepar com ela. Isso funcionou bem anos atrás. Mas já acabou.

— Eu não me importo. Acha mesmo que dou a mínima para o Ralph? Eu cansei disso. Chega de dinheiro, chega de interesses, chega de viver sob mentiras. Foram sete anos, Jonas, mas não consigo esquecer nossa história... tudo o que vivemos, tudo o que sentimos está aqui ó guardado no meu peito... lembro-me como se fosse ontem... você me tocando... falando que eu era a sua vida... — beija meu peito por cima da minha camisa branca social — Meu Deus, como você é cheiroso... ainda sinto esse mesmo perfume toda vez que vou pra cama, pensando em você... sinto o seu toque... o gosto do seu beijo... a força do seu corpo no meu...

Levo meu copo outra vez aos lábios para um novo gole enquanto a mulher permanece se humilhando, beijando meu peito e dizendo o quanto sente minha falta e falta das nossas loucuras de amor. Ela tem quarenta e sete anos agora, mas ainda está bonita, elegante e bem conservada. No entanto, não a quero de volta. Nunca a amei. Sempre foi negócios, nunca porque estive realmente apaixonado por ela.

— Você precisa de sexo, Suzana — zombo enquanto não desgruda de mim e sussurra que não para de pensar em mim — O que há? Ralph não está dando conta do recado?

— Ele nunca deu, você sabe disso — começa a mordiscar meu peito, me agarrando desesperadamente como se estivesse com medo de a qualquer momento me perder de vista — só você dá conta do recado... só você sempre deu...

Eu me afasto um pouco, mas a mulher permanece sussurrando coisas sujas e me agarrando.

— Eu ainda preciso de você, Jonas... como o ar que eu respiro... ainda sou apaixonada... nunca consegui esquecê-lo... por favor — abre dois botões de minha camisa e beija meu peito — me deixe entrar outra vez entrar em sua vida... prometo não exigir nada em troca e não ser ciumenta e possessiva como antes...

Meneio minha cabeça, detestando vê-la tão sem dignidade e tão conformada com pouco.

— Você tem um bom casamento, Suzana. Dê mais valor a isso. Seu marido é um dos homens mais poderosos do Brasil.

— Eu não me importo! — grita, suas mãos pausadas em meu corpo — eu não me importo mais com posição e dinheiro... eu só quero você... — seu rosto desliza até a altura do meu pau — ele nunca me fez sentir como você me faz... me deixe ter isso de novo, Jonas... eu imploro...

Suas mãos nervosas começam a abrir o zíper da minha calça, logo ela puxa meu membro para fora e o contempla por algum tempo, parecendo extasiada. Sobe os olhos para mim, então os abaixa de novo. Começa a me chupar devagar e eu gosto disso. Jogo minha cabeça um pouco para trás, sentindo a boa sensação de sua boca morna em minha carne. Como gosto disso, porra. Seguro seu cabelo castanho com força. Essa vaca gosta. Eu gosto. Vou enfiando meu pau em sua boca aberta, vou empurrando para dentro, sentindo meu corpo todo esquentar. Começo a empurrar com mais rapidez enquanto vou segurando seu cabelo com mais força e a obrigando a me receber. Fecho os olhos e na minha cabeça aparece a imagem da camareira ajoelhada, me chupando dessa forma frenética. Fico assim por um bom tempo, pensando nela, sonhando com ela.

Quando já não aguento mais, explodo em sua garganta, sentindo meus fluidos saírem, meu corpo completamente saciado. Ela engole tudo, então abro os meus olhos e não avisto mais a suburbana, mas sim o olhar de luxúria de Suzana em minha direção. Toco meu pau, fazendo-o amolecer outra vez, eu o guardo nas calças. Suzana se levanta de sua posição humilhante, e parece um pouco mais calma agora, contudo ainda vem para cima de mim e me abraça.

— Se terminar com a Paula, pedirei o divórcio e então seremos só nós dois — sussurra em meu ouvido enquanto suas mãos estão em volta do meu pescoço — Por favor, Jonas, fale que sim.

— Não vou terminar com a Paula — afasto gentilmente seus braços do meu pescoço.

Ela para, abalada, olhos agitados e surpresos.

— Por que não?

— É melhor você ir agora.

Eu me afasto, não querendo valorizar o seu show. Sei como é capaz de causar problemas quando está com ciúmes e raiva. Finalmente pega a bolsa que deixou em algum canto do meu escritório, a ajeita no ombro e caminha em direção à saída, me deixando sozinho outra vez.

***

 

Às oito, após ser um dos últimos a deixar a Luxus, dirijo a minha Mercedes até o clube, como muitas vezes faço para me distrair um pouco. Encontro Luiz Miguel e Ricardo em um duelo de sinuca enquanto Bruno me cumprimenta com a mão e um meio abraço.

— Quem está ganhando? — pergunto, olhando na direção da sinuca.

— Quem você acha? O bonitão ali — aponta para o Luiz Miguel.

— Eu quero entrar na próxima — aviso antes de ir em direção ao barman e pedir um Bourbon.

— Dá pra fazermos duplas agora — Bruno comenta quando já estou de volta a seu lado, olhando o jogo entre Ricardo e Luiz Miguel.

Deixo meu copo na mesa, pego um taco e entro no jogo ao lado de Ricardo. Ele é um cara ruivo, alto, elegante. É especialista em investigação e por isso sempre recorro à sua agência quando necessário. Com o tempo, o que era relação de trabalho se transformou em amizade.

Luiz Miguel acaçapa mais uma bola e comemora com discrição e com um sorriso zombeteiro no rosto. Bruno se une a um Luiz Miguel vitorioso. O primeiro é loiro, alto, atlético, e assim como eu, um tremendo safado. No entanto, ele nem sempre foi assim. A história do Luiz Miguel é a mais surpreendente entre todas. Já Bruno é o cara mais bem-humorado e descomplicado entre nós quatro. Negro, inteligente, talentoso. E de todos, o menos mulherengo. No fundo acho que ele sonha com a garota ideal, em um dia construir uma linda família e ser feliz.

Acaçapo mais de uma bola e comemoro, zombando dos adversários. Luiz Miguel diz que foi uma puta sorte, só isso. Bruno reclama com ele e pede concentração. A gente termina o jogo meia hora depois, com eles ganhando por pouco. Luiz Miguel compra mais bebidas e começa a servir um por um. Bruno consulta o relógio e diz que precisa ir.

— Ah, olhem só, é impressão minha ou ele tem alguma garota misteriosa? — Ricardo provoca.

— É só uma garota que estou conhecendo.

— E por que tem que ir tão cedo? Você nem se casou ainda e já está domado? — eu o provoco, então dou mais um gole na minha bebida.

— Essa garota é diferente. Não é só sexo como costuma ser — Bruno rebate antes de se despedir de nós e seguir o caminho até sumir das nossas vistas.

"Garota diferente, sei", zombo comigo mesmo enquanto tomo o meu último gole do copo. Pra que ter uma mulher apenas quando você pode ter todas ou boa parte delas? A imagem da camareira vem imediatamente à minha cabeça. Suas pernas lisas e compridas, seu quadril, seu bumbum arrebitado, seus seios durinhos. Não vou dizer a eles, mas meu corpo esquenta só de pensar nela. Basta uma noite e já ficarei satisfeito.

— Você ainda está hospedado no hotel? — Luiz Miguel pergunta, me trazendo de volta ao agora.

— Sim. Não será por muito tempo. Voarei pra Paris dentro de alguns dias, então pra que voltar pra casa agora? — dou de ombros.

A gente começa a falar sobre negócios. Comento que estou prestes a fechar um importante negócio e que a Luxus tem crescido muito nos últimos meses. Ricardo comenta que os casos em sua empresa de investigação estão triplicando e por isso ele tem estado mais envolvido no trabalho ultimamente.

— Como andam as coisas na Santinelli? — Ricardo pergunta ao Luiz Miguel. Ouvi dizer que estão indo bem também.

— Andam bem, sim. O meu pai, vocês sabem, ainda está à frente de tudo, mas tenho cuidado de muitas coisas agora também. A verdade é que todo aquele patrimônio um dia será meu e do meu irmão.

— Já está ficando tarde — Luiz Miguel consulta o celular, se levanta e diz que precisa ir também. Ele me aconselha a dar uma festinha particular antes de eu partir para a França. Digo que vou pensar na ideia.

— Posso levar algumas mulheres de tirar o fôlego. Três pra cada um de nós — brinca.

— Você tem virado um perfeito promíscuo — digo, me levantando também e pegando minhas chaves dos bolsos.

— Aprendi com você.

Nós três saímos do clube, nos despedimos, então cada um entra em seu carro e segue seu próprio rumo. Sigo de volta ao Gallante Hotel, como se ele fosse o meu lar. A verdade é que eu já teria voltado pra minha mansão (não fazia parte dos meus planos ficar tanto tempo hospedado em um hotel) se não tivesse uma coisa que me prendesse ao local: a morena que tem fodido com a minha cabeça e se tornado um desafio do qual não quero abrir mão.