Enquanto Houver Champanhe, Há Esperança

Joaquim Ferreira dos Santos · Capítulo 17 de 50

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Enquanto Houver Champanhe, Há Esperança

Capítulo 17

Um dia, no início de 1972, brincando de debochar dos textos repetitivos das colunas sociais, Zózimo fez uma relação dos dez clichês mais utilizados para descrever as festas dos cariocas ricos e os publicou na coluna. Ele queria saber por que

 

1. Todo jantar black tie é sempre requintado?

2. Todo jantar informal é sempre divertido e simpático?

3. Toda hostess é sempre elegante?

4. Todo host é sempre sóbrio e discreto?

5. Todo menu é sempre delicioso?

6. Toda ornamentação das mesas é sempre de bom gosto?

7. Toda conversa é sempre agradável?

8. Todo champã é sempre excelente (e gelado, quando não

é geladíssimo)?

9. Todo grupo de convidados é sempre selecionado?

10. Toda decoração de ambientes é sempre sofisticada?

 

O grande sucesso musical da temporada era “Construção” (1971), com os versos feitos em rimas proparoxítonas (“sólido”, “lógico”, “flácido”...). No trecho final da música, Chico Buarque misturava substantivos e adjetivos usados anteriormente, agora numa construção nonsense, ilógica (o “pacote flácido” se transformava em “tímido”, que antes adjetivava “passo”, e depois virava “pacote bêbado”). Zózimo dizia na nota que se Chico fosse colunista social certamente não existiria o problema da repetição. O jantar black tie poderia passar a ser divertido e simpático, assim como não haveria mal em classificar de requintado um jantar informal. Os adjetivos dos colunistas sociais faziam o mesmo. Queriam, em geral, dizer sempre a mesma e bajulativa coisa, esvaziados de sentido pela repetição burocrática de muitos anos.

 

• Reconheço que nem todas as combinações de adjetivo

seriam corretas. Não ficaria nada bem a um colunista,

sobretudo se ele fosse o Chico Buarque, rapaz educadíssimo,

chamar a hostess de “deliciosa”, dizer que o menu estava

“gelado” ou que o champã era “sóbrio” e “discreto”. Mas,

que diabo, já se mudaria alguma coisa!

 

A nota mostrava Zózimo preocupado com o formato do que fazia — queria mexer no texto e no conteúdo da coluna. Conforme prometido na apresentação publicada aos seus novos leitores em 1969, ele não faria colunismo social. Vida real, no entanto, era outra coisa. Militares liam as matérias na redação antes da publicação e, depois da prisão de Zózimo, outros tantos profissionais tiveram o mesmo destino, por delito de opinião ou por frequentarem grupos políticos não permitidos pelos donos do poder. Coletar notícias importantes, de relevância, tornara-se operação complicada. Zózimo optou então por continuar com pelo menos metade da coluna dedicada aos festejos mundanos.

Seria exagero dizer que compareceu a uma festa por noite durante todos aqueles anos, mas como em alguns momentos cumpriu — quase sempre feliz da vida, ao lado de Marcia — a maratona de até três jantares, coquetéis, souper ou afins por noitada, a estimativa não estaria longe da verdade. Muitas dessas notas se chamavam “Carnet social”, título tirado dos confrades do início do século. Tudo era motivo para celebrar na alta sociedade carioca — uma viagem ao exterior, a volta da viagem, um casamento, um desfile de moda, a visita do embaixador, um batizado, a libertação do embaixador (em dezembro de 1970, assim que saiu do cativeiro, onde permaneceu durante quarenta dias sequestrado por guerrilheiros, o embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher foi recepcionado com um elegante jantar na casa do embaixador Paulo Paranaguá).

E lá ia Zózimo noticiar os detalhes, nem sempre conseguindo fugir dos clichês de seus antepassados no duro ofício de narradores de festas. Ainda eram jantares com potes de lavanda na mesa. Em 21 de agosto de 1969, nas linhas de um “Carnet social” escrevia:

 

• O sr. e a sra. José Carlos Leal — Olivia vestia um modelo

maravilhoso, longo, preto, assinado por Guilherme

Guimarães — receberam para um simpático jantar em tenue

de ville, que teve como ponto alto o menu, primoroso,

composto de soufflé de haddock, codornas e um delicioso

sorvete de menta.

 

Talvez para contrabalançar, na mesma coluna deu o seu costumeiro risinho de lado para o desmonte das aparências. No outro jantar a que compareceu àquela noite, nem tudo correra como deveria:

 

• O secretário e a sra. R.A. Wellington, da embaixada da

Inglaterra, receberam um sertanista para jantar, o

americano Perret. Com ele, o convidado levou dois

indiozinhos da tribo dos beiços de pau.

• Tudo corria bem, os silvícolas serviam-se civilizadamente

com os talheres, até que chegou à mesa a galinha. Aí de

nada mais adiantou o esforço dos dois jovens comensais,

falando mais alto as forças primitivas. Ambos se lançaram

ao galináceo com as mãos, com um apetite e uma disposição

que teriam feito Henrique VIII morrer de inveja.

O Rio ainda vibrava um certo luxo que sobrara dos anos dourados. O senhor e a senhora Paulo Geyer inauguravam, em dezembro de 1970, “a elegante vivenda” da Ladeira dos Guararapes, no Cosme Velho, um endereço que poucas décadas depois seria associado apenas ao caminho para a favela do Cerro-Corá, que passaria a ser reduto de traficantes do Comando Vermelho. Presidente da Light, Antonio Gallotti, o Tony, e sua mulher, Myrian, abriam, de frente para a então pacata favela Dona Marta, em Botafogo, o palacete da Voluntários da Pátria com festas mensais espetaculares. A casa de Gustavo Magalhães, no Cosme Velho, mudava a decoração a cada evento. Em Santa Teresa, Baby e Evinha Monteiro de Carvalho recepcionavam amigos estrangeiros apresentando pela primeira vez num salão chique um conjunto de passistas e ritmistas da Portela — celebrando um Rio que ainda não era uma “cidade partida”, conforme o jornalista Zuenir Ventura a chamaria depois.

Eram festas com delicadezas tropicais, quase quadros do holandês Albert Eckhout, que se maravilhou com as frutas nacionais quando passou pelo Nordeste, no século XVII. Escreveu Zózimo na edição de 15 de março de 1976:

 

• Um detalhe pitoresco marcou o bonito jantar oferecido

pela sra. Heleninha dos Santos-Jacyntho para festejar o

aniversário do desembargador Salvador Pinto Filho: os

convidados, à sobremesa, preferiram, aos doces do buffet,

comer a decoração.

• A hostess escolheu para ornamentar a casa e as mesas

ramas de jambo, espalhando a fruta, em extinção nos

cardápios cariocas, por vários lugares. Na hora da

sobremesa, os convidados, nostálgicos da frutinha, não

fizeram por menos: saborearam gostosamente o décor.

De todos os salões que percorreu, fascinava-se especialmente pelos novecentos e cinquenta metros quadrados de Carmen e Tony Mayrink Veiga, na avenida Rui Barbosa, no Morro da Viúva, entre Flamengo e Botafogo. Entusiasmado, transformou aquele cenário no epicentro do que a cidade exibia de mais requintado. Já em março de 1969, no segundo mês da coluna, ele trazia os salões da grande dama, paredes repletas de Guignard e Di Cavalcanti, para os olhos dos leitores do JB, sempre cobrindo o casal de elogios. Mas evitava dizer que os Mayrink Veiga mandavam algumas de suas roupas — lotes de Givenchy e Valentino — para serem lavadas no exterior porque o serviço nacional deixava a desejar. Ou que ele alugava castelos na Inglaterra para promover caçadas com seus amigos europeus.

Durante toda a década de 1970, Zózimo e Marcia estiveram em muitas festas dos Mayrink Veiga, sempre com a exigência de smoking e longos. Elas, com joias de Garrard, Bulgari ou Tiffany, modelos de Saint Laurent, Oscar de la Renta ou Guilherme Guimarães, Gui-Gui para os íntimos. Eles, com gravatas Lanvin e alfaiatados por De Cicco ou Marques. A iluminação dos candelabros completava a cena. O estilo de Zózimo até ganhava contornos mais rebuscados quando o colunista transitava pela casa:

 

• Na crônica social do Rio, os jantares de Carmen e Tony

Mayrink Veiga ocuparão sempre um lugar especial. Não

exatamente por serem os maiores, os mais feéricos, ou os

mais movimentados, que estes acontecem e sempre

acontecerão episodicamente. Apenas os jantares de Carmen

não são mensuráveis pelo tamanho, senão pela correção e

precisão que a levam a combinar o grupo certo, a escolher o

menu certo com a bebida certa.

As descrições dessas festas obedeciam ao mesmo formato. Primeiro, uma visão em lente aberta, com adjetivos de euforia estética. Em seguida, dizia-se o motivo para a abertura dos salões.

 

• O jantar black tie oferecido por Carmen e Tony foi

acontecimento perfeitamente à altura da homenageada,

embaixatriz Teresa de Castello Branco. E ao mesmo tempo

uma bela primeira impressão da hospitalidade e savoir-

faire brasileiros dados ao vice-presidente da Sotheby’s

Parke-Bernet, Edward Lee Cave, que, desde manhã cedo no

Rio, estava presente em companhia da socialite norte-

americana Lee Thaw.

 

Os jantares eram servidos na língua do homenageado, e este deve ter sido regado — não há a informação no texto — em inglês. Se o homenageado era francês, todos falavam apenas naquele vernáculo. Era uma maneira, acreditava Carmen, de ser afetuosa com o estrangeiro que nos visitava. Tudo seguia um roteiro rígido, de lugares marcados e hora de iniciar os serviços — só faltava o serviçal à porta bater o bastão três vezes e anunciar pelo nome o convidado que chegava. Jantar marcado para as vinte e uma horas na casa de Carmen começava pontualmente a essa hora, e isso no Rio de Janeiro soava como mais uma manifestação de civilização da hostess.

Um parágrafo fundamental nas festas com que Zózimo preencheu de fantasia a imaginação de seus leitores nos anos 1970 era a descrição do que ia à mesa. A classe média comum daqueles anos, quando se pretendia chique, recebia os convivas com hadoque ao molho de manteiga e alcaparra, com batatas cozidas salpicadas de salsinha. Coquetel de camarão, salada de bacalhau com feijão-fradinho e rosbife com cenouras carameladas forravam a mesa de estratos sociais logo acima no ranking da elegância. Nas festas da estrela de Zózimo, o cardápio era outra coisa:

 

• A abertura do buffet revelou ainda uma vez o toque

pessoal de Carmen, presente, por exemplo, nas cavaquinhas

ao molho de creme gruyère, nos cappelletti au basilic ou

ainda na salada, sempre inventiva.

 

Na casa de Carmen não se oferecia vinagrete de camarão nem camarão no abacate, a cafonália gastronômica de outros eventos da turma. Melão com presunto de entrada, nem pensar. Parte do dinheiro que regava aquele buffet vinha da Rádio Mayrink Veiga e da Casa Mayrink Veiga. Esta era ligada ao comércio internacional de armas, um dos negócios que a família de Tony já tocava ao lado do Exército brasileiro nos tempos da Guerra do Paraguai, e tinha continuidade, com os militares no poder (e agora também como fabricante), na segunda metade da década de 1960. Era detalhe polêmico demais, pólvora que não cabia numa coluna social, ainda mais sob censura. Zózimo surgia como o arauto do que aquele dinheiro estava produzindo pelos anos 1970 nas mãos de Carmen, uma paulista de Pirajuí, de beleza cigana, também herdeira de barões e cafeeiros, e que gostava de receber. Simpática, oferecia do melhor para que todos se divertissem, embora ela própria não participasse de todas as etapas: não fumava e não bebia (“sou a pessoa indicada para fazer publicidade do leite Nestlé”).

Zózimo não descrevia nenhum detalhe negativo dessas festas (“jamais provei um uísque que fosse de má qualidade”). Muitos achavam aquele ritual um tanto ou quanto pesado, formal demais, pedante. Uma senhora portuguesa sentou-se ao lado de Tony. Não se conheciam. O começo — e o fim — da conversa foi assim:

“Você esquia?”, perguntou ele.

“Sim”, parcimoniou ela.

“Qual a marca do seu equipamento?”, investigou ele.

“Eu alugo o que tiver”, humilhou-se ela.

E Tony, vendo que não se tratava de uma esquiadora de seu refinado clube, começou a cantarolar “La vie en rose”, dando um tiro na conversa.

Os detratores da “opereta” achavam que, com as festas, Carmen travava uma disputa interna, que só ela percebia, com o reconhecimento internacional da mídia dos festejos de Marie-Hélène Rothschild, a grande hostess. Queria superá-la. Tinha requinte, claro, mas, em plenos trópicos, alguns sentiam o perfume de nostalgia do último baile da Coroa.

Poucas vezes Zózimo narrava, no espaço em que noticiava a festa, conversas que nela pudessem ter ocorrido. Recolhia algumas notas, mas guardava-as para outros dias, a fim de não dar a impressão de que havia um invasor de privacidades no local. Era uma de suas notabilidades. Fazia-se jornalisticamente invisível. Mexia-se entre a turma com a naturalidade dos bem-nascidos. Era o tempo em que os jornalistas ainda eram os primeiros a saber das novidades. “Zózimo, você que é jornalista, me diga uma coisa, os militares vão dar a anistia aos exilados?”, perguntava-lhe um grã-fino. O jornalista, que acabara de sair da redação, por onde passavam todas as notícias antes de chegarem, vinte e quatro horas depois, aos leitores, dava então um show de conhecimento dos bastidores políticos. Era poder — a notícia só podia ser repassada ao mundo através deles. Zózimo dizia o que sabia sem pedantismo e assim crescia na apreciação de seus pares.

Carmen gostava de estar diante de “um homem contente com a vida que levava” e com uma mania parecida com a dela — “doido para bater um papo”. Ele ficava num canto em pequenas rodas, voz no volume mínino. Mantinha o esgar facial de quem não estava prestando uma atenção além daquela socialmente educada, o que é bem diferente da de um cão perdigueiro farejando notícia. Jamais puxava um bloquinho de anotações. A propósito, faltar-lhe-iam mãos. Uma estava sempre ocupada com o copo de champã; a outra, com o cigarro. A memória era ótima, e se algo faltasse se socorria com Marcia — que estava sempre a seu lado, por amor, gosto pelas festas e zelo para que o marido não ultrapassasse o limite alcoólico. Nos grupos de conversa, Zózimo nunca esticava o texto oral, cuidado mantido também nas notas escritas, talvez por medo de ficar chato. Uma vez, na primeira aparição por aqui de uma garrafa de Romanée-Conti, um dos bebedores foi sincero. Disse que não gostou. Zózimo não perdeu tempo: “Eu acho que foi o Romanée-Conti que não gostou de você.”

No apartamento dos Mayrink Veiga (“resplandecente”), a ambience era propícia às finesses da vida. As mulheres vestiam-se para um trópico quase fantástico (“Na entrada, se despojavam de seus casacos de pele a que foram obrigadas a recorrer para defender-se da baixa temperatura”) e para um glamour hollywoodiano imbatível (“O décor, já naturalmente bonito, tinha a valorizá-lo uma ornamentação de flores de todas as cores, do maior bom gosto”).

Carmen guardou, num armário exclusivo para esse fim, álbuns e álbuns com os recortes que Zózimo produziu dessas noitadas. Achava meio exagerado o chorrilho de elogios, mas — fazer o quê? — gostava. “Os jantares ficavam bem melhores na coluna”, disse certa vez ao repórter Maurício Villela, “mas ainda bem que eram na minha casa, porque eu ia ficar com ódio dessa anfitriã que recebe melhor do que todo mundo, mais bem-vestida do que qualquer outra e faz uma comida sem igual. Na descrição dele, parecia que você estava em Versailles, com um cozinheiro que eu mandei buscar nem sei em que parte do mundo. Imagina! Eram jantares simples.”

Zózimo não concordava. Depois dos elogios à hostess (“Aconteceu no Rio, como poderia ter acontecido perfeitamente em Paris, Nova York ou Londres”) e aos convivas (“dificilmente outra cidade teria relação de mulheres tão bonitas no mesmo salão”), de dizer a que vinha a festa e de que era composto o cardápio, o colunista partia para uma caudalosa sessão de name-dropping. Juntando algumas dessas listas feitas de festas na casa de Carmen com outras noticiadas na coluna, um who’s who da sociedade carioca naquele período de fausto era: Josefina Jordan; Lourdes Catão; Claudine de Castro (“muito bem, com uma cigana de generoso decote”); Guilherme Guimarães; Paulo Fernando e Regina Marcondes Ferraz; Ana Maria Barbará (“de novo penteado, com tranças”); Bebel Marcondes Ferraz (“de verde-água, reproduzindo sua cor de olhos”) com Marianinho; Roberto e Iara Andrade (“de roxo”); Hugo Gouthier; Adelaide e Ari de Castro; Marcos e Eduardo Magalhães Pinto; Nelson Batista; Pedro Leitão; Bernardo Gouthier; Yolanda e Sérgio Figueiredo; José Hugo Celidônio e Marialice; Kiki e Renato Garavaglia; Carmem e José Alberto Gueiros; Titá e Mario Vinhas; Marilu (“de palazzo de seda preta bordado”) e Ivo Pitanguy; Ilde de Lacerda Soares; Guiomar e Gustavo Magalhães; Gisela e Ricardo Amaral; Dada Carvalho de Britto e Paulo Silveira Martins Leão; senhor e senhora José Eugênio de Macedo Soares (“Muriel, com um modelo indígena parecia uma squaw”); os casais José (Zezito) Colagrossi; Alberto Proença de Faria; Didu de Souza Campos; Euclides Aranha Neto; Carlos Lustosa; Marcelo Machado; Homero de Sousa e Silva; Maneco Bayard Lucas de Lima; Jorginho Guinle; Gui Neves da Rocha; Gustavo Afonso Capanema; Cecil Hime; Renato Archer; Maurício Roberto; Ibrahim Sued; e Renato Graça Couto. Também as senhoras Mariazinha Guinle, Celinha Azambuja, Julietinha Aranha; as embaixatrizes Nininha Leitão da Cunha e Teresa de Castello Branco; o embaixador Paulo Paranaguá e Glorinha; mais o cirurgião Pedro Valente; os senhores Nelson Seabra, Marcelo de Castello Branco, Rodrigo Argolo. Outras senhoras: Ana Luiza Capanema e Vera Armanino (“com um corte de cabelo que lhe vai muito bem”); e os senhores Álvaro Americano, Roberto Seabra e Hildegardo Noronha.

Era a alta sociedade, um grupo de uns cem nomes que Zózimo definia como “de pessoas comprometidas com as noções ocidentais de elegância e bom gosto”. Ao assumir a coluna e pautar sua ronda apenas pelos endereços sociais onde usufruía alguma afinidade, ele redesenhou os nomes nobres da cidade. Escolheu os trinta casais que já frequentava e, com alguns novos conhecidos, bancou seu elenco. Repetia-os sem constrangimento, como se aplicasse ao colunismo a máxima do futebol: não se mexe em time que está ganhando.

“Um industrial do Sul”, segundo Myrian Gallotti, pediu à distinta dama que ela fosse até Zózimo convidá-lo para uma festa na sua cobertura de Ipanema. Disse que o colunista poderia pedir o que quisesse em troca da divulgação do evento. Zózimo desculpou-se com Myrian, íntima de seu grupo, e disse que nem ia responder. Guardou o nome do industrial. Jamais o citou na coluna. Reverente apenas ao seu faro, escolhia os protagonistas e jogava para escanteio a biblioteca revestida em lambris da família Eduardo Bahouth, a mansão do casal João Borges, na Marquês de São Vicente, na Gávea, a decoração europeia do apartamento de Eveline e Jorge Chamma, no Morro da Viúva, todos representantes da velha sociedade. O novo diretor da companhia era Zózimo. Dava preferência a um grupo mais jovem e descontraído. “O leitor ficava íntimo dessas pessoas e acompanhava a vida delas como fazia com a dos seus ídolos de cinema. Carmen, Tereza e Lourdes eram as Catherine Deneuve, Elizabeth Taylor e Brigitte do Zózimo. Parecia conto de fadas, capítulos de novelas”, disse uma vez o costureiro Guilherme Guimarães. A repetição dos nomes ajudava o leitor a não se perder na trama.

Foram desconvocados alguns craques da seleção de Ibrahim. Beki Klabin, a mais midiática de todas as colunáveis no início dos anos 1970, não participava do elenco de Zózimo. Era shangai demais. O nome de Beki, ex-mulher do industrial Horácio Klabin, da fábrica de papel, aparecia em meio a algumas das listas de presença das festas, mas jamais passou disso. Capa da revista O Cruzeiro por namorar o ultrabrega cantor Waldick “Eu não sou cachorro não” Soriano, não ganhou uma foto nem uma nota de destaque com Zózimo. Não tinha o perfil de glamour que ele pedia para o seu cast. Beki estava disponível em excesso. Fora jurada do programa do Chacrinha e tornara-se, em 1972, a primeira madame a desfilar em escola de samba, um acontecimento que julgou tão marcante a ponto de deixar as marcas em seu apartamento, de frente para o mar de Copacabana: pintou suas paredes em azul e branco, as cores da Portela. Zózimo nem piscou. Quando ela começou a namorar o cirurgião plástico Hosmany Ramos, menos ainda. Foi a sua sorte. O homem roubou joias de Beki, iniciando um pacote de escândalos que abalou o society — o outro, não o de Zózimo.

Quando entrevistado sobre o critério de escolha dos nomes que poderiam aparecer na coluna, ele garantia ser uma escolha pessoal. Admitia implicar com quem tentava em público aparentar, com ele, uma intimidade que não tinha. Aos poucos, a família imperial, por exemplo, que tanto o impressionava na época da coluna de Carlos Swann, no Globo, foi sendo deixada de lado. Sempre buscada para servir de carruagem de medalhas e coroas às colunas, agora assumia ares de quase vilania nas notinhas. Quando aparecia uma oportunidade, Zózimo descascava a velha nobreza. Não admitia que continuasse vivendo da cobrança da enfiteuse em Petrópolis. Disse numa nota:

 

• Noticia a imprensa de Petrópolis a ida em breve de Dom

Francisco de Orléans e Bragança para um cargo no governo

federal, provavelmente na área do Ministério da

Agricultura. Dom Francisco já é dono do jornal Tribuna de

Petrópolis e da Imobiliária Petrópolis, para cujos cofres é

canalizado o resultado da cobrança do secular instituto da

enfiteuse, do qual vive e se nutre a família imperial

brasileira. É, como se vê, um guloso.

 

Já o séquito de plebeus felizardos aparecia no JB percorrendo, como se fosse uma caravana vip-holiday, os endereços que o colunista carimbava com sua presença. Eram brasões de uma carioquice ilustre, embora muitos dos que ele queria noticiar pediam por favor (como os empresários José Luiz de Magalhães Lins, Julio Bozano e Azevedo da Silveira) para mantê-los fora.

Zózimo ia incorporando alguns nomes à sua turma predileta, como o da deslumbrante Ilde de Lacerda Soares, e a grande festa dos ricos cariocas seguia. Quando alguma de suas musas apresentava um problema, passava ao largo — e foi assim que não noticiou o rocambolesco affair de Myrian Gallotti com um professor de tênis do Country Club. O caso acabou com o casamento dela, mas também não durou. Myrian sofreu pelos corredores do clube, jogava-se apaixonada aos pés do rapaz. Zózimo desconheceu tudo. Adorava Myrian e Tony, frequentava suas quadras de tênis e lamentou com sinceridade o desenlace.

Todas essas pessoas podiam ser encontradas com frequência no Golden Room do Copacabana Palace, um cenário que desde a sua inauguração, em 1938, abrigara outras gerações de sobrenomes e se mantinha impávido como “o mais tradicional, sofisticado e elegante dos salões (mais ou menos públicos) do Rio”. Uma vez por ano na década de 1970, a alta sociedade de Zózimo reunia-se ali para celebrar um dos eventos icônicos daquele grand monde carioca: o desfile da coleção de Guilherme Guimarães. Ele funcionava na coluna como a resposta carioca ao estilista paulista Denner, astro de São Paulo e personagem de Tavares de Miranda na Folha de S.Paulo.

Zózimo apostava tudo em Gui-Gui e animava o texto quando narrava a sua noite de gala no Copa:

 

• A elegância revelada pela passarela — na opinião de

várias senhoras presentes, o ponto alto da coleção foram os

blazers combinados com vestidos longos — encontrava

plena correspondência na plateia, que incluía algumas das

mulheres mais bonitas e em evidência na sociedade do Rio.

Como era o caso da sra. Carmen Mayrink Veiga, uma

presença deslumbrante num modelo preto de Givenchy

aberto dos lados.

• Carmen brilhava na mesa mais elegante da noite,

organizada e liderada por Fernanda Colagrossi (a única

mulher a usar um modelo retirado especialmente para ela

da própria coleção) e José Colagrossi, e na qual estavam

também o embaixador e sra. Hugo Gouthier, os casais Ari de

Castro, Gustavo Magalhães, Gustavo Afonso Capanema, Ruy

Brandolini, as sras. Josefina Jordan e Glorinha Sued, os srs.

Álvaro Americano, Nelson Batista e Bubi Weinschenk.

 

Naquela noite de maio de 1975, no entanto, Zózimo estava restritivo nos elogios. A década embicava para o seu final e ele publicava uma nota em que parecia já não achar o cenário tão fascinante e de real valor como outrora.

 

• Alguma coisa mudou. As grandes orquestras que

animavam as noites memoráveis do Golden Room cederam

lugar a psicodélicos aparelhos de som, parafernálias que

emitem uma música tonitruante. O viço da decoração não é

mais o mesmo e os artísticos arranjos do centro de mesa

foram substituídos por modestas resmas de vinha

entrelaçadas nos candelabros de prata, estes, pelo menos, os

de sempre.

 

Zózimo, que desde 1965 percorria os salões com Álvaro Americano, começava a ter nostalgia dos bons tempos. Fez muxoxo também para o jantar — melão com presunto, blanquette de frango e sorvete (“quanta diferença para vinte anos atrás!”). No fim do ano, outra turma veio mudar o astral e comemorou o Réveillon de 1975 com Odile e Paulo Marinho:

 

• A receita não é nova e sempre surte o efeito desejado:

gente comprometida, naquele momento, apenas com a ideia

de diversão, mulheres lindas, música da pesada, champã

(francês) sem freios e um buffet copioso e variado — como o

diabo gosta. Mick Jagger e Bianca (de gaze branca com

pontas e um pano na cabeça), ao lado de Lucia Cúria e

Guilherme Guimarães, acabaram tendo a iniciativa de puxar

o hustle, o ritmo que predominou tanto na fita quanto na

pista de dança.

 

A liberdade de expressão estava sacrificada, mas a economia prosperava — e os ricos ficavam ainda mais. Era um festival de souper, night cup, surprise-party, cocktail, coq, cocktail-souper, jantar informal, noite de joguinhos, tenue de ville, boca-livre, e também de TV parties, as festas em torno da transmissão de jogos da Seleção brasileira. Naquela década, nos meses de agosto, o Jockey Club garantia pelo menos duas colunas inteiras. A do Grande Prêmio Brasil, no primeiro domingo do mês, com as madames exibindo chapéus exóticos, e, no dia seguinte, a Noite de Longchamp. Foi numa dessas que Zózimo, com o deboche sutil que o caracterizava, narrou:

 

• O menu, muito bom, começava com uma lagosta,

continuava com faisão e terminava com um jabot d’ange,

que o sr. Jorginho Guinle pensou tratar-se de algum cavalo

vencedor, mas que depois constatou ser uma forma

sofisticada de designar o nosso conhecido e popular papo de

anjo. Tudo degustado entre goles de primoroso champã.

 

Os embaixadores continuavam tendo um cantinho no Rio e ajudavam a movimentar a noite social. O conde e a condessa Leonetti (sendo ela, Graziella, uma Matarazzo, e ele, Raffaele, primeiro-secretário da embaixada da Itália) recebiam na bem decorada cobertura.

 

• Os móveis plásticos eram cubos, com cadeiras

aerodinâmicas, tudo caindo de bossa e apropriado para uma

residência em frente ao mar. Na garagem, para combinar

com semelhante décor, só mesmo um Lamborghini Miura,

um fuoriserie de fabricação italiana, um dos carros mais

cobiçados pelos automobilistas do mundo inteiro, 330 HP,

12 cilindros, outro tanto de carburadores, uma verdadeira

joia que o host acaba de importar.

 

Era uma coluna de terça-feira, 7 de abril de 1970, e como o JB não circulava às segundas Zózimo fazia um apanhado dos últimos dias e dava um amplo espaço com o título de “Fim de semana social”. A “esticada natural do coquetel dos Leonetti foi o open house para as despedidas de solteiro de Olavinho Monteiro de Carvalho, em Santa Teresa”. Houve também, no sábado, as despedidas a Tite e Zoza Médicis, num coquetel na casa dos pais do primeiro, senhor e senhora Fernando de Lamare, “que conhecem como poucas pessoas no Rio a arte de receber”.

 

• Novamente champã e excelente scotch a todo instante, e

um picadinho e pastelão de camarão para os que

permaneceram até depois da meia-noite, vale dizer,

praticamente todo mundo. Uma presença sensacional:

Cristiana Bernardes; uma presença envenenadíssima:

Cristina Lacerda.

 

A alta sociedade consumida pelos leitores era essa turma, um mundo made by Zózimo, não necessariamente os mais ricos e finos da cidade, mas Os Escolhidos. Transitavam de longos e de gravatas pelas muitas casas que ainda abriam seus salões e ostentavam luxo privé sem constrangimento. Nesse fim de semana noticiado em 7 de abril, a turma passaria ainda pelo coquetel oferecido pelos senhor e senhora Hugo Meira Lima ou pelos Simonsen, Julieta e Raul, que homenageavam a senhora Julietinha Aranha, aniversariante. No final do vaivém, lá pelas três da madrugada, Zózimo continuava a movida carioca com os amigos:

 

• O pouco fôlego que ainda restava à sociedade na noite de

domingo foi consumido na reunião oferecida em seu

apartamento no Flamengo por Lolly e Cecil Hime. Como

figuras centrais o cantor italiano Tony Renis e sua

namorada, a milionária Rosemarie Katzel (seu ex-marido foi

casado com uma tia de Henry Ford II).

Cansado? A noite era uma criança. A reunião, “informalíssima”, embora os homens estivessem de black tie, acabou em casas noturnas em voga na cidade. Os homenageados foram ao Colt-45, em mesa com Lourdes e Álvaro Catão, Gilda e Valder Sarmanho, Evinha e Baby Monteiro de Carvalho. Os homenageantes seguiram para o Mário, em mesa com Fernanda e Zezito Colagrossi. Netinho Cunha Bueno e parte de seus convidados foram ao Antonino, “onde, aliás, fazia sua rentrée a figura querida de Otto Lara Resende”.

Ufa!

Em março de 1978, dez anos depois de sua mãe, o príncipe Charles veio ao Rio e foi recebido no Palácio da Cidade, em Botafogo, numa festa em que se misturavam o traje formal dos senhores e os trajes mínimos das passistas da escola de samba Beija-Flor, de Nilópolis. O Rio dos anos 1970 tinha também como elemento facilitador da explosão de festas no society o fato de o prefeito entre 1975 e 79, o engenheiro Marcos Tamoyo, ser um de seus membros. Ele foi substituído no cargo, até meados de 1980, por outro membro da elite, o também festeiro Israel Klabin, dono da fábrica de papel Klabin. A festa estava no poder. A do príncipe Charles no Palácio da Cidade correu o mundo, famosa pela foto em que ele aparece se agachando, desajeitado, na tentativa de acompanhar os passos de uma passista careca, glúteos esplendorosamente à mostra. Descrevia Zózimo outros deleites servidos ao príncipe:

 

• O prato de resistência foi uma paca, por sinal bastante

gordurosa. Um dos membros da comitiva de Charles,

quando lhe disseram que paca era uma caça típica

brasileira, ficou espantado achando que caça que se preza

tem que ser mais enxuta, pois passa o tempo todo correndo

no mato. (...) Os garçons serviam gim em proporções jamais

vistas no Rio, talvez por terem lido nas folhas ser essa a

bebida favorita do futuro rei.

 

Zózimo podia ser visto também al mare. Quando os diretores do Chase Manhattan, David Rockefeller à frente, estiveram no Rio para uma série de reuniões com economistas brasileiros, a agenda social paralela foi enorme — e numa das cenas Zózimo acompanha o grupo num passeio de barco pela baía de Guanabara. Myrian e Tony Gallotti, ainda casados, eram os organizadores do evento. Saíram do Iate Clube numa procissão de iates, entre eles o Atrevida, dos paulistas Marilu e Dirceu Fontoura, dono do famoso medicamento Biotônico Fontoura. Almoçaram a bordo em Paquetá, num grupo que reunia também Gianni Agnelli, Israel Klabin e parte da turma fixa da coluna: Teresinha e Pecô Muniz Freire, Renata e Sergio Mellão, Noêmia e Leopoldo di Mottola, Georgina e Ruy Brandolini, Carmen Mayrink Veiga, Celinha Azambuja, Eloisa Dolabella, Glorinha Sued e Rudi Crespi, entre outros. Navegavam até as ilhas da baía. Numa delas quiseram tomar um sorvete. Não conseguiram. Acostumados à boca-livre, nenhum dos milionários carregava um níquel nos bolsos dos calções.

A baía estava longe de ser uma piscina, mas ainda se viam alguns golfinhos saltitantes. Suas águas recebiam os grã-finos interessados num cenário deslumbrante, com o frescor da brisa marinha beijando-lhes o rosto. Uma excursão constante naquela rota foi apelidada de “Lanchas para o Povo”. O barco chamava-se Nutcracker (Quebra-nozes) e pertencia a Márcia Kubitschek, filha de JK, que a emprestava a Dalal Achcar, sua parceira no mundo da dança — daí a referência ao nome do famoso balé de Tchaikovsky escrito na proa. Aos domingos, Dalal e o marido, Luiz Fernando Bocayuva Cunha, o Baby, engenheiro e político, herdeiro do republicano Quintino Bocayuva, reuniam Zózimo, Elio Gaspari e algum convidado — o coreógrafo francês Maurice Béjart, por exemplo — e seguiam todos até a praia de Jurujuba, em Niterói. Almoçavam no Samanguaiá, especializado em frutos do mar, uma cornucópia de camarões fritos e mexilhões no arroz. Ficavam até o anoitecer por lá. Não estava acontecendo nada, mas Zózimo se lembraria daqueles momentos como alguns dos melhores de sua vida. Como Baby era de esquerda, cassado pelos militares, brincavam que num futuro governo socialista as lanchas dos ricos seriam estatizadas e serviriam ao povo no merecido desfrute dos fins de semana.

Al mare, al bare... onde a sociedade se divertisse, ele e seus íntimos seguiam. Ainda haveria muita festa, embora Zózimo começasse a consolidar dúvidas sobre a eficiência de uma coluna social para o corpo de um jornal. Esteve de casaca na posse do general Ernesto Geisel, em 1974; a rigor, no casamento de Fernando Collor e Lilibeth Monteiro de Carvalho, em 17 de outubro de 1975, no Copacabana Palace, onde registrou a presença de Joan Guerreiro (“com um vestido de 45 anos de idade, comprado quando a família Vanderbilt resolveu se desfazer de sua famosa coleção de roupas”). Em 18 de abril de 1973, depois da audição do Royal Ballet no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, ele e demais convidados foram recebidos à porta da antiga embaixada da Inglaterra, na rua São Clemente, em Botafogo, pelos embaixadores sir David e lady Hunt, ela, de longo, segurando pela coleira o seu poodle. Tudo chique, claro, mas começava a ficar cansativo.

Naquela década, os jantares na casa de Josefina Jordan, egípcia de forte sotaque francês, viúva de Henryk Spitzman Jordan, o construtor do edifício Chopin, na avenida Atlântica, em Copacabana, chegaram a uma centena. O cardápio era sempre árabe. Em 23 de janeiro de 1975, ela recebia o casal Teresinha e Hildegardo Noronha; em 9 de julho de 1977, os quibes eram em torno do banqueiro português Manuel Bulhosa; em 30 de março de 1979, as esfirras reverenciavam o príncipe Jean-Louis de Faucigny-Lucinge.

No final do ano, a década de 1980 aparecendo na janela, Zózimo jantava com Telmo Martino e Marcia. “Mais um ano vai começar e lá vou eu falar das mesmas pessoas e dos jantares árabes da Josefina Jordan”, desabafou com um suspiro entre as flutes de champanhe, referindo-se à amiga, anfitriã de méritos. Era preciso reinventar a rotina, chutar o balde e transformar o cardápio da coluna. Se o projeto de distensão dos militares fosse para valer, como dizia o general João Baptista Figueiredo, o novo presidente, ele poderia escrever sobre outros assuntos que não os passados nos salões cada vez mais chinfrins da sociedade. Por onde ir? Para pensar melhor no que poderia ser feito da vida, Zózimo convida a todos para dar um tempo, sair da festa e acompanhá-lo numa esticada pela noite do Rio no final da década de 1970.