Enquanto Houver Champanhe, Há Esperança

Joaquim Ferreira dos Santos · Capítulo 44 de 50

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Enquanto Houver Champanhe, Há Esperança

Capítulo 44

Julio Rego era o consultor de moda que ajudava o apresentador Jô Soares na arte de misturar as listras verticais do paletó com as horizontais das calças e, ainda assim, atrás de seus óculos com aros vermelhos, parecer bem-vestido. Era referência fundamental na vestimenta masculina carioca. Por mais que lançasse mão de elementos disparatados, Julinho mostrava-se sempre um homem com absoluto controle do equilíbrio — o que, infelizmente, não acontecia em sua vida particular. Durante o jantar, tomava uma garrafa de uísque inteira. De sobremesa, uma de licor.

Ricardo Amaral conta que Julinho um dia saiu da Sucata, uma de suas casas noturnas, e entrou num táxi (Julinho não pode confirmar a história porque não se lembra, mas acha-a verossímil). “Para onde o senhor vai?”, perguntou o motorista. “Nunca saberás”, devolveu Julinho — e desabou, bêbado, no banco do carro. O motorista deu a volta na Lagoa Rodrigo de Freitas e, como o passageiro não acordasse, desovou-o de volta na entrada da boate. Era apenas mais um vexame que, devido a outros eventos tristes provocados pela bebedeira, resultaria na proibição de frequentar as casas de Amaral. Julinho não perdia tempo com vinhos e “refrescos”. Mamava exclusivamente vodca e uísque, transformando-se num monstro de mau comportamento. A doença era resistente — por isso, solidário, lá estava ele agora tentando convencer o amigo Zózimo, de tantas noitadas, de que era possível enfrentá-la.

Zózimo estava morando num apartamento alugado no Arpoador. Separara-se de Dorita pelo motivo de sempre, o abuso do álcool. Foi ela quem telefonou a Julinho, relatando o novo blecaute do colunista. Naquele segundo semestre de 1996, o produtor de moda comemorava os primeiros meses de abstinência depois de quarenta anos de luta. Internara-se por cinquenta dias na Clínica Vila Serena, em Santa Teresa, e, feliz, começava longo périplo por reuniões dos Alcoólicos Anônimos. Queria se dar como exemplo a Zózimo.

Doze anos antes, em meados de 1984, Julinho gerenciava um Centro de Treinamento de Cavalos de Corrida, outra de suas paixões, em Itaipava, na Região Serrana do estado, quando recebeu a visita de Zózimo, que precisava relaxar da roda-viva do Rio. “Vamos iniciar os trabalhos” foi a primeira frase do visitante, referindo-se à bebida alcoólica. Julinho estava a seco. O dono do centro, Henrique Schiller de Mayrinck, havia proibido bebidas justamente porque seu gerente fazia mau uso delas. Ao tomar conhecimento da proibição, Zózimo devolveu, com humor: “Isso é uma falta de cortesia. Convidar para um fim de semana na serra, mas sem bebida?! Vamos tratar disso.” E carregou Julinho para a Estrada de Três Rios, quilômetros adiante, onde entraram num supermercado e compraram uísque para abastecer o bar. O porre foi inevitável e a demissão de Julinho também.

Doze anos depois, Julinho tinha saído da fissura e não queria garrafa na frente dele nem do amigo. As inúmeras conversas entre os dois sobre aquele desperdício de talento e de saúde não tiveram êxito no caso de Zózimo. Por isso foi com certa resistência que Julinho atendeu à convocação de Dorita. Quando chegaram ao apartamento do Arpoador, o aspecto de Zózimo era lamentável. Olhos embaçados, pele molenga, cheia de manchas e farelos de descascamento, além de delírios verbais. Mais uma vez Julinho explicou que ele precisava de tratamento, que havia passado pela mesma tragédia e ressuscitara. Zózimo respondia aos palavrões. Dorita e Julinho deram-lhe um Valium, como havia receitado o doutor Pedro Henrique de Paiva, e esperaram o grande colunista dormir. Continuando daquele jeito, em breve se tornaria um grande ex-colunista.

Assim que Zózimo dormiu, vasculharam a casa em busca de garrafas. Nada descobriram e foram embora tentar dormir em suas camas. Não demorou e Julinho foi despertado pelo telefone. A voz que saía do outro lado parecia dublagem de pesadelo. Não se entendia quase nada em meio ao monte de sílabas pastosas, que não se definiam e pareciam desinteressadas de fazer sentido. O emissor era evidentemente Zózimo, mais uma vez bêbado e, no que se podia entender, tentando contar vantagem. Ele tinha seus truques de esconder garrafas e a razzia de Julinho e Dorita deixara escapar uma, embaixo do tampo da mesa, entre as fraldas compridas da toalha. Era um Johnnie Walker Red Label o responsável por aquele estrago.

Estranhamente, porém, Zózimo pediu que o amigo o visitasse de novo. Julinho aprendeu no doloroso programa de recuperação da saúde que a persistência era um item essencial. Não podia desperdiçar aquela janela aberta por Zózimo. Chegando ao apartamento, fez o mesmo discurso da véspera. Disse ao amigo que ele já havia perdido a mulher, a família estava preocupada e o próximo passo seria perder o emprego no Globo. Zózimo riu. Garantiu que colocara uma cláusula segundo a qual o jornal era obrigado a mantê-lo a despeito de problemas como aquele. Blefava, mas parecia diferente. “Ou você para ou morre”, dizia Julinho. “Vamos para a clínica ou para o cemitério.”

Julinho estava no meio de uma frase, relatando sua experiência, seu inferno pessoal, e como conseguira sobreviver, quando Zózimo colocou as duas mãos espalmadas na cama. Fez o apoio para se levantar e com esforço ficou de pé. Com o corpo curvado, olhando para o chão, foi na direção do banheiro e disse as palavras que todos os amigos, familiares e leitores do jornal estavam querendo ouvir: “Vamos lá pra porra dessa clínica.”

Constança Teixeira de Freitas era amiga dele, personagem da coluna e ex-mulher do decorador Helinho Fraga. Nos anos 1970 experimentara a cocaína com certa insistência (“como todo mundo, ainda não havia a associação daquilo com a bandidagem do tráfico”). Era convidada de prestígio nas festas da Zona Sul, salões onde o pó era servido em bandeja de prata com canudo de ouro. Alguns convidados carregavam ao pescoço um tubinho ornado de pedras preciosas, uma bijuteria que servia também como armazenador da droga. Outro modismo que Constança viu: a joia em formato de gilete presa ao bracelete. “Eu e Zózimo éramos companheiros da ‘ativa’”, diz. “Bebíamos e usávamos a droga socialmente e, no caso, a palavra ‘socialmente’ se emprega bem, porque tudo acontecia em ambientes da mais fina sociedade. A droga nos anos 1970 e 80 era quase chique. Havia um grupo que se reunia em torno disso, com cocaína e canapé rolando na mesa sem cerimônia.”

Constança percebeu que estava indo longe demais no “uso social” (numa noite, ela e Zózimo foram flagrados cheirando cocaína na pizzaria Bella Blu, ao lado do Hippo). Internou-se nos arredores de Londres, na Farm Place, a clínica de reabilitação em que estiveram Ringo Starr, Eric Clapton, Anthony Hopkins e Elton John. No Brasil era diferente. Rico não tomava porre: tinha crises alcoólicas. Ela livrou-se do vício e capacitou-se a trazer o método para o Brasil. Era uma adaptação dos passos dos Alcoólicos Anônimos para um público de classe social elevada. Além da terapia, havia a compreensão de que o paciente precisava ficar cercado de referências do seu mundo.

O lançamento da Clínica Solar do Rio, na tranquila rua Santa Cristina, 132, em Santa Teresa, foi coordenado pelas assessorias de imprensa de Anna Maria Tornaghi e Sergio Zobaran, os escritórios mais prestigiados da cidade em 1994. Acostumados a divulgar as festas, divulgavam agora como salvar as suas vítimas. Os pacientes faziam hidroginástica em piscina aquecida e tai chi chuan, e na alimentação, no lugar da comida sem gosto dos hospitais, ganhavam pratos regulados pela boa gastronomia. Os terapeutas e assistentes eram de famílias da alta sociedade.

Logo a Solar do Rio ficou conhecida como Clínica dos Vips. Era mais que isso. A dependência química ainda não atendia por esse nome no Brasil, um país cercado de clínicos gerais que, diante de um alcoólatra, diziam ser necessário o cidadão pegar leve e não passar de uma dose. Desconhecia-se que era preciso fugir do primeiro gole. Como a diabetes ou o câncer, tratava-se de doença com método próprio de tratamento. “Não é autodestruição, é neuroquímico”, tentava explicar Constança. “Existe uma predisposição, uma relação genética nessa dependência. É como o olho azul. Mas como olho azul se sua mãe é morena e o pai também?! Você vai investigar e descobre que tinha aquela bisavó suíça...”

Ela fazia um genograma com o paciente, percorria as relações com os irmãos mais velhos, indagava se alguém bebia em geração anterior, se alguma tia comia muito etc. No genograma de Zózimo havia evidências de uma formação do problema em seu núcleo familiar. A boemia do pai, o alcoolismo do tio, a depressão da mãe. A clínica era administrada por Constança e o terapeuta Tito Gomes, também reabilitado em Londres. Haviam conseguido uma forma de juntar a técnica de sua atividade com a afetividade natural que colocavam no trato do problema — sabiam na carne do que tratavam.

A atriz Vera Fischer, viciada em cocaína e álcool, esteve internada por dois meses na clínica, numa rotina de palestras, meditação, boa alimentação e convivência com outros dependentes. Estava na novela Pátria minha, porém chegava atrasada, faltava às gravações, sempre às voltas com escândalos. Seu marido, o ator Felipe Camargo, chegou a dar entrada na clínica de Ivo Pitanguy com um corte no rosto feito por ela. Sérgio Marques e Gilberto Braga, os autores da trama, precisaram reescrever vinte e cinco capítulos quando Vera apareceu com o braço engessado em consequência de outra briga com Felipe. Para resolver o problema, abriu-se um incêndio no roteiro e colocaram a personagem de Vera dentro dele.

Vida real é diferente. O roteiro parece indomável, toma o rumo que deseja e não adianta pedir ao autor que mude o caminho do personagem. Depois dos bons resultados da primeira internação, Vera foi denunciada por uma babá por ter lhe aplicado golpes de tesoura. Perdeu a guarda do filho. O inferno e o inferno, de novo, só que agora ela já sabia o caminho. Voltou à clínica e, pelo menos até o fechamento desta edição, nunca mais. Dorita estava decidida no dia em que, ajudada por Julinho Rego, chegou à Solar do Rio levando Zózimo. Carregava as roupas dele numa pequena mala Louis Vuitton.

“Você vai ficar aqui e eu vou para Miami”, disse, enérgica.

Zózimo começou a tentar responder bem do seu jeito:

“Eh, amorzinho... Ah...”

Mas Dorita interrompeu:

“E tem uma coisa. Quando eu chegar, se você não estiver bom, eu nem volto para casa.”

“Eh... Ah, amorzinho...”

“Eu não quero nem saber!”

Zózimo chegou à clínica em agosto de 1996. Os resultados seriam uma incógnita. Havia componentes psicológicos, médicos e espirituais envolvidos. O ex-diretor da TV Globo Walter Clark passara uma noite lá, também levado por Julinho. Disse que precisava resolver problemas de trabalho e que ao final deles se entregaria à internação. Não voltou. Morreria em decorrência da doença em março de 1997. O alcoolismo não oferecia uma fórmula única para ser combatido, advertiam os médicos. Era preciso um algo a mais inexplicável. Será que Zózimo teria essa força?

Tempos depois, Dorita encontraria um texto que Zózimo fez na clínica sobre aqueles primeiros momentos:

 

Acredito que quando transpus os murais do Solar estava

disposto não só a renunciar ao álcool, mas a ir além e tentar

encontrar a minha espiritualidade. Acredito nessa relação

espiritual com a Força Superior, e que se tem de trabalhar

no sentido de estabelecer a ligação eu-Ele.

Sempre tive, desde o Colégio Santo Inácio, dirigido com

mão de ferro pelos jesuítas, certa dificuldade de tratar com

Deus. Sempre o fiz com negligência, via orações decoradas,

e que eram pronunciadas com o mesmo entusiasmo, ardor e

interesse com que alguém lê uma bula de remédio.

É de uma relação verdadeira e íntegra com Deus que

estou atrás. Estou aqui para isso — recuperar meu eu

interior afetado pelo consumo do álcool. Já percebi que a

primeira qualidade a ser incorporada por alguém que se

proponha a chegar a esse tipo de conhecimento — Deus — é

a humildade. Reconheço que ainda é pouco, e a única coisa

que posso fazer no momento é prometer a mim mesmo a

total honestidade e integridade na tarefa de perseguir esse

objetivo.

 

Zózimo dividiu o quarto com o economista Carlos Fernando Muniz Freire e algum companheiro eventual, com as tarefas cotidianas rachadas entre os hóspedes. Glamour nenhum. A família passava o fim de semana no Solar, retirando-se apenas para dormir. Fernando, sempre presente, tomava café da manhã com o pai e participava de dinâmicas e workshops. No almoço, o interno botava e tirava a mesa.

No início, Zózimo trancou-se, sem conversar com os outros internos. Não queria comer e Constança passou a lhe servir a sopa na boca. Fazer o tipo “neném” era um comportamento característico — afinal, o doente perdera o grande prazer do álcool. Teve tremedeiras, o coração disparou, delirava, os outros ao redor pareciam-se mais com fantasmas — foi como reagiu à abstinência. “Somos dependentes químicos”, Constança explicava a Zózimo. “Isso vem de uma predisposição genética. Você não será nem o primeiro nem o último”, e citou amigos que frequentaram a clínica. Citou o próprio caso deles dois. “Lembra da gente na Bella Blu? Eu doida, cheirando cocaína? Então...”

No terceiro dia, o novo interno saiu do quarto, meio cabreiro. No quinto estava participando do tratamento no modo tradicional da clínica. “Meu nome é Zózimo, e aparentemente estou aqui porque sou alcoólatra” foram as primeiras palavras do colunista na primeira reunião com seus novos companheiros. O terapeuta Tito Gomes coordenava os trabalhos e completou a frase, apresentando-se também com humor. “Meu nome é Tito e aparentemente eu vou fazer o possível para ajudar você”, e todos caíram na gargalhada.

Tito, ex-dependente químico do tipo radical, atravessou o mundo em busca das últimas novidades em drogas e dedicou especial atenção à cocaína, numa temporada de mergulho absoluto na matéria, em Londres. Sua avaliação era de que a inteligência e o humor de Zózimo poderiam ser uma concentração tanto maligna quanto benigna para o encaminhamento do caso. Dividir o quarto com outra pessoa, por exemplo, poderia ser risível. O colunista estava ali, a princípio, num movimento clássico. Não acreditava, mas era um aceno a Dorita. Queria demonstrar que se esforçava, queria ficar com ela e, em seguida, se reencontrar consigo mesmo. “O sujeito passa uma temporada, faz tudo que lhe é ordenado e sai de novo para o vício, com a sensação de culpa diminuída: ‘Tentei, a culpa não é minha’”, avaliava Tito.

Zózimo fazia além da sua parte. Subiu até Santa Teresa, um bairro que não frequentava desde os tempos das festas no casarão dos Monteiro de Carvalho. A co-habitação do quarto, segundo a terapia, reforçava o espelho de ver refletida no outro a sua condição de doente, era uma provação com os institutos básicos. Colocava o paciente numa escala de humilhação — uma situação que, se admitida por ele, ajudaria no tratamento. Saiu-se bem no exercício — ao seu jeito, é claro.

Num sábado à noite, quando todos deveriam começar a dormir a partir do horário liberal das vinte e três horas, e não às vinte e duas horas do resto da semana, ele e Carlos Fernando chegaram ao quarto e encontraram, já dormindo, o empresário Eduardo Richer. De pura molecagem adolescente, acordaram Richer aos gritos dizendo que já era de manhã, que o café estava na mesa. O empresário se levantou imediatamente (o blecaute do quarto dava sempre a mesma falta de luz ao ambiente), tomou banho apressado e, quando saiu do banheiro, encontrou os dois deitadinhos, dormindo. Ficou furioso e deu queixa a Constança.

O único privilégio era deixar que Zózimo telefonasse para Luiz Eduardo Borgerth, o Lulu Borgerth, diretor da Rede Globo, que naquele momento considerava seu melhor amigo. No mais, disciplina férrea. Era um ouvinte atento das palestras, e ele estava na primeira fila quando o psiquiatra argentino Eduardo Kalina, uma das maiores autoridades do continente, falou sobre drogadição. De vez em quando, recebia visita de amigos, como num domingo em que José Hugo Celidônio, Ricardo Amaral e outros subiram até a clínica depois de um almoço regado a bons drinques na Zona Sul. Constança encontrou o grupo na piscina, todos conversativos. Não gostou, porém, do que percebeu em uma das visitas. “O que é isso, gente? Aqui não entra álcool nem em forma de bafo!” Diante do constrangimento dos amigos, Zózimo deu sua risadinha, como se dissesse: “Dessa vez eu não tenho culpa.”

Numa terapia de dinâmica de grupo, Tito propôs que cada um citasse quem gostaria de ser quando crescesse. Zózimo foi o primeiro a participar. “Quero ser Elio Gaspari”, disse e, como muitos não conhecessem o jornalista do Globo, ele fez uma pequena biografia. “É o jornalista mais completo que existe.” Tito tinha certeza de que as referências do trabalho daquele seu interno ajudariam a fazer com que a temporada corresse bem. O terapeuta via Zózimo pegar o exemplar do Globo e avançar até a sua coluna. Lá estava o seu nome num logotipo maior que o de todos os outros colunistas. Não havia qualquer menção à sua ausência. Graficamente, tudo normal. O conteúdo, claro, mudara. Todos os melhores profissionais do jornal poderiam se transferir para a baia da coluna a fim de suprir o espaço com notas. Seria esforço debalde. A fórmula das notas era propriedade de Zózimo, pessoal e intransferível. Assim, ele sofria quando pegava o exemplar, uma rara concessão ao contato com o mundo exterior que Tito permitia por perceber sua validade terapêutica. “Não é possível que eu tenha feito isso”, dizia rindo e apontando uma notinha ou outra.

Zózimo se confessava desconfortável com o que saía debaixo do seu nome. Não que fosse ruim, só que não era seu estilo e, pior, estava assinado por ele. Principalmente — e isso foi fundamental para seu embate contra o álcool — sabia-se o responsável por aquela situação. Estava atrapalhando a marca, infernizando a vida das suas colegas, que tentavam canhestramente imitar suas piadas, e obrigando o jornal a lhe dar um tratamento que nenhum outro profissional receberia.

Numa das conversas no fim do primeiro mês, quando ficou claro que havia abandonado o ceticismo irônico da chegada e mergulhado no projeto de vencer o vício, Zózimo sintetizou sua meta: “Quero resgatar a minha dignidade. Não vou ficar mais refém de ninguém. Vou trabalhar duro como sempre fiz e ser reconhecido por isso. Não vou mais ser refém de ontem à noite.” A autoestima, essa derrota fragorosa do alcoólatra, estava de volta. Primeiro, e desde o momento em que chegara à clínica isso já estava declarado, ele admitiu a doença. Depois, mantida a sobriedade, a luta era para fazer uma afirmação daquele tipo. Zózimo já tinha chegado lá e a coluna no jornal servia-lhe de espelho. Ele enxergava ali, impressa, a decadência. Via seu nome e não se reconhecia. Com sua autorização haviam se apossado de sua alma, seu sangue e papel. “O resgate da dignidade” passou a ser o mote usado por Zózimo nas conversas, a necessidade de crescer e ser um Elio Gaspari, profissional que respeitava o próprio talento e era craque também em cumprir as obrigações da rotina funcional. “Como foi que eu não percebi que para parar de beber era preciso simplesmente parar, não levar mais a garrafa à boca?”, espantava-se, num daqueles momentos que Tito anotava com júbilo.

O humor, sempre intocável, persistia entre o sagaz e o adolescente. Durante um tempo, ele, Eduardo Richer e Carlos Fernando Muniz Freire não se chamavam pelo nome, mas pelo apelido — “primeiro-ministro”, “presidente” e “embaixador” —, e faziam reuniões usando a hierarquia. Um dia foram obrigados a parar. Lilia Catão, terapeuta, achou que a brincadeira estava indo longe demais, aquilo começava a parecer mais uma casa de loucos do que uma casa de bêbados. E, depois de advertência quase escolar, Suas Excelências caíram na real e voltaram a se tratar pelos nomes próprios.

Foram dois meses de mergulho nas adegas mais escuras da alma e um processo de retirar de lá de dentro todas as garrafas, jogá-las ao mar vazias de álcool e com uma mensagem de socorro. Nas reuniões, Zózimo vasculhava as relações familiares e apontava sua importância na doença. “Nasci de parto normal, mas acho que este foi o único acontecimento dentro da normalidade na minha família”, dizia.

A alta liberatória, como é comum nos casos de alcoolismo, foi dada com o título de “em estado de recuperação”. A cura jamais viria. A persistência seria capital para a sobrevivência e isso dependeria de como o paciente se ajustaria às necessidades do seu caso. Dorita, retornada de Miami, foi à clínica. Queria ver se o marido cumprira a pauta (“ou melhora ou fim de caso”) e avaliar o que seria de seu destino (manter-se casada ou livre para desenhar outro futuro).

Zózimo estava com a pele sem as escamações que a bebida provocava, um aspecto saudável e correto, apesar da bermuda com uma marca engraçada numa das pernas. Às voltas com o “faça-você-mesmo”, uma das técnicas de recuperação dos pacientes, ele se preparou como pôde para receber a mulher. Foi até mesmo passar a ferro a bermuda. Como não era do ramo, tacou o ferro direto no náilon — que enrugou e ficou risível. Dorita aceitou. Os sinais de saúde eram evidentes.

Zózimo deixou a clínica em outubro de 1996, dois meses depois de iniciado o tratamento, com o compromisso de continuá-lo, mantendo-se afastado do álcool e frequentando as reuniões do AA. Ao chegar em casa, escreveu um roteiro de vida para os anos seguintes:

 

Expectativa de prioridades ou raios-X de uma metamorfose

ou ainda cenas de um (nouveau roman) casamento:

Prioridade AAA: remontagem física — parar de fumar e

jamais voltar; isto é igual a: readquirir o gosto pelo esporte;

mudança de hábitos alimentares; vida profissional mais

racional; colocar de quarentena alguns endereços como

Margutta e Antiquarius; só sair para encontro com amigos e

profissionais se realmente valer a pena.

Prioridade AAA: providenciar com a urgência possível o

divórcio.

 

Não à toa, Zózimo imprimia a sigla AAA, uma paródia do AA dos Alcoólicos Anônimos, em meio ao texto sobre sua vida futura. O restaurante Margutta, em Ipanema, era um de seus pousos mais constantes com a turma da coluna (“Onde vai ser a laminha, Vanessinha? No Marguttinha?”, dizia ao fim das sextas-feiras para Vanessa Bueno). O divórcio a que se referia era a legalização final da papelada de sua separação de Marcia. Para a remontagem física, além das voltas de bicicleta na Lagoa Rodrigo de Freitas, começou a fazer ginástica na Training Club, 600, perto de casa, na rua Faro. Os aparelhos da academia viviam enferrujados, alguns quebrados. Zózimo apelidou-a, pelo alto risco de ameaça aos usuários, de “Tétano”. Nos intervalos dos exercícios, conversava com outra malhadora, a assessora de imprensa do escritor Paulo Coelho, Maria Dorotheia Bastos. Pedia-lhe conselhos de vida saudável.

Queria transmitir seu novo estilo a outras pessoas, como Narcisa Tamborindeguy, que continuava aprontando na noite. “Nota dez” saiu na coluna de 26 de dezembro de 1996:

 

• A alegre e trepidante Narcisa Tamborindeguy levou à

loucura ontem de madrugada a jeunesse dorée que estava

no Hippo. Depois de cear comportadamente com o pessoal

mais velho e devagar (quase parando), no segundo andar,

desceu e enfiou o pé na jaca. Entrou na boate, subiu na mesa

e deu um show de sensualidade inesquecível.

 

Zózimo acompanhou pelo menos uma vez Narcisa naquela arte dos bêbados: a falta de noção de escalar mesas de boate. Na nota, ele havia sido elegante. Narcisa publicaria em 2000, em sua autobiografia, um relato mais picante do que acontecera:

 

Enlouqueci! Subi em uma mesa para dançar. Isso numa

famosa boate da Zona Sul do Rio. Dancei, girei, volteei, a

sorte é que não caí e a galera vibrava com a minha dança.

Quando fui ao banheiro encontrei todos cheirando. Eu dei

um “teco” na cocaína. E voltei a usar a mesa como palco de

um show trepidante diante dos amigos. Nas boates da Zona

Sul que eu frequentava, havia filas enormes e constantes nas

portas dos banheiros. As pessoas se relacionavam

intimamente naquele espaço exíguo e quase sempre

promíscuo. Muitos ficavam horas e horas trancados na

cabine.

 

Zózimo, sem mais loucuras desse tipo, frequentou reuniões no Grupo Posto 11 dos Alcoólicos Anônimos, na rua General Urquiza, no Leblon. O início foi difícil. Nada contra a terapia. Ele tinha se dedicado à leitura do método dos doze passos do AA, organização fundada em Ohio por um médico e um corretor da Bolsa de Valores — e acreditava que depois da temporada na Clínica Solar do Rio aquele seria o caminho a seguir para se proteger da dependência. Não gostou foi do assédio.

Os alcoólatras do Posto 11 eram leitores ou personagens da coluna. Ao fim da rodada de depoimentos (“Meu nome é Zózimo, sou alcoólatra e há três meses estou limpo”), todos queriam um dedo de prosa a mais com a celebridade jornalística e, agora se via, também em tentativa de se reerguer do fundo de um poço que ninguém imaginava existir. Percebiam que Zózimo era “gente como a gente”, o que podia ser bom na terapia, mas depois da reunião virava um mote para todos se animarem — e “vamos lá falar com ele”. Até naquele local, onde não se esperava exibicionismo, os malas o perseguiam. Ou queriam sair na coluna, com alguma nota em que aparecessem bem na fita, longe, claro, do AA, ou queriam testar a paciência da grande grife jornalística e retirar do contato uma história, boa ou ruim, que mais tarde pudessem contar numa roda de amigos.

Em fuga, Zózimo passou para o AA da Nossa Senhora de Copacabana, 435, décimo andar. O jornalista Roberto Mota, fonte de notas bem-humoradas, foi seu padrinho. Toda semana os dois atravessavam a porta onde um cartaz anunciava “Um é muito, mil é pouco”, referindo-se ao perigo do primeiro gole e como ele se transformaria numa sede insaciável de destruição. O colunista chegou a receber três fichas, o símbolo do AA. A primeira pela inscrição e as demais por tempo percorrido.

Abrigou-se depois no posto do AA nas proximidades do Campo de Santana, área barra pesada do Centro. Era um terreno tomado pelos não leitores do jornal, gente que passaria por ele e acharia tratar-se apenas de mais um bêbado arrependido. À garantia de anonimato somavam-se dois outros pontos: o posto ficava próximo do Globo e tinha entre seus frequentadores Olavo Monteiro de Carvalho, também ex-interno da Solar do Rio. Zózimo levara o empresário para o tratamento na clínica depois que ele confessou estar “pegando pesado”. A relação com a família e o trabalho estava péssima. A ida para o AA do Campo de Santana também seguia a orientação terapêutica de Tito; era um lugar para “levar porrada da vida”, conforme disse para Olavinho. O empresário, diante de alguns depoimentos, achou-se prestes “a perder os sentidos”.

O mais impressionante, para sempre em sua memória, foi o do sujeito que tinha assassinado a mãe. A pobre mulher, desesperada para que o filho não bebesse, pôs-se entre ele e a cristaleira onde estavam as bebidas. Pedia chorando que parasse e atracou-se com o filho na tentativa de empurrá-lo para longe das garrafas. O homem atirou para que ela liberasse o caminho — e agora, depois de cumprir sua pena, estava ao lado do mais importante colunista social do país e de um grande empresário, os três nivelados pelas cadeiras de plástico em que se sentavam e a doença que a todos atormentava.

Houve momentos divertidos também. Na primeira vez que foram ao Campo de Santana, Olavo, Zózimo e Constança encontraram uma reunião especial com mais de duzentas pessoas. Comemoravam os quarenta anos do posto. O terror de serem reconhecidos aumentou quando Olavo viu entre a multidão o padre de Santa Teresa que costumava rezar missas de Natal em sua mansão. Pediu ao religioso que não comentasse nada em casa, pois ele, à guisa de desculpa para desaparecer e ficar em tratamento na clínica, mentira. Dissera que ia fechar negócios no exterior. Todos o julgavam em Londres, não no Campo de Santana. A súplica foi vã: logo os Monteiro de Carvalho saberiam, via padre, que um dos seus estava no AA.

Narcisa, depois de dançar nas mesas e dar “tecos” nos banheiros, percebeu o mesmo que Olavinho: o Black Label da noite anterior no dia seguinte deixava efeitos lamentáveis em seu moral, e a vida, aí sim, tornava-se um black total. Também apadrinhada por Zózimo, ela se internou em Santa Teresa. Tempos depois recebia o troféu de Mulher do Ano, no Copacabana Palace. O slogan da festa era “O barato é ser careta”.

Constança acompanhava Zózimo e percebia melhoras em suas manifestações mais sutis. Uma delas foi a seleção acurada dos relacionamentos pessoais. Ela achava que alguns amigos podiam ter percebido que o caso de Zózimo não era o de curtidor social de álcool, mas de um doente. Não deviam ter lhe oferecido tanta bebida, e de graça. Constança viu ainda ganhos jornalísticos com o fim do alcoolismo: “Um dia ele me telefonou para saber como estavam as coisas, aquele jeito dele discreto de ver se encontrava uma nota. Eu disse que a princesa Diana começaria uma viagem de apoio às vítimas das minas em Angola e depois passaria pelo Brasil, quando visitaria a clínica. O Zózimo disse ‘duvido, pago pra ver’, e eu o convidei para ver a carta do Palácio de St. James. Ele foi a Santa Teresa, depois deu a nota. Ele estava checando com rigor. Achei que aquilo era mérito do tratamento.”

Entusiasmado com a vida sem álcool, Zózimo se permitia fazer piadas sobre ela. Um de seus colegas de temporada na clínica foi o estilista Frankie, da dupla Frankie e Amaury. A convivência criou uma intimidade que acabou sendo usada de jeito abusivo. Frankie passou a telefonar pedindo nota. Certa vez, depois de um desses telefonemas, Zózimo desabafou com as colegas da coluna: “O Frankie ficou tão chato, mas tão chato, que eu vou dar uma caixa de uísque pra ele.”

Como se viu na carta de desejos, ele estava livre do álcool e nem listou a necessidade de continuar afastado dele. Considerava-se curado. Só um mês depois livrou-se do cigarro. Se a coluna no passado manifestava-se simpática ao uso do álcool, contra o cigarro Zózimo sempre bateu firme. “É uma merda”, dizia nas entrevistas. E deu dezenas de notas apontando os males da fumaceira.

“O fumo é o principal fator de mortalidade na nossa sociedade, antes do álcool e dos acidentes de estrada”, já dizia numa nota de 27 de julho de 1979, com o título “Espécie em (auto)extinção”. Fazia campanha cerrada, enquanto fumava seus maços. “Não ao fumo”, atacou em 1o de dezembro de 1978, dizendo que parar de fumar estava virando moda no Brasil, o que já o era nos Estado Unidos e na Europa (“Renunciar ao cigarro e a todo o seu enorme e pavoroso cortejo de horrores indica hoje não apenas educação, mas sobretudo civilização”).

Uma vez ele estava na redação, ao telefone, e três senhores o esperavam. Foram três cigarros em dez minutos. Quando desligou, os homens foram sinceros: “Olhe, houve um equívoco. Nós somos da Sociedade Sul-Riograndense e estamos fazendo uma campanha nacional contra o fumo. Pelas notas que o senhor publica, achamos que era a pessoa ideal para ser nosso patrono. Vimos agora o engano. Nós o congratulamos pela campanha, mas o senhor não serve para patrono.”

José Hugo Celidônio foi portador de um convite da Souza Cruz para que Zózimo botasse um cigarro na boca e aparecesse na TV ao lado da marca Minister, que fumou em outro período. Declinou. “Esse mal eu já tenho comigo, não quero para os outros. A grana é preta e o pulmão também fica”, disse ao amigo.

Liberto do álcool e do cigarro (“Há muito poucos prazeres maiores do que o vício do cigarro, entre eles certamente abandoná-lo”), falava com amigos da disposição de escrever um livro alertando para os perigos da dupla maligna. Enquanto isso, mudava radicalmente o tom da coluna. Já não fazia piadinhas cúmplices com uísque ou vinho. Dava notas exaltando a Coca-Cola, que lançava sua versão diet, e radicalizava o cerco ao cigarro. Começou a colocar a coluna ao lado de autoridades médicas para divulgar as relações do hábito da bebida com o cigarro. Seriam tantas as notas citando a Souza Cruz que a empresa moveu uma ação contra o colunista. Até mesmo o companheiro da Copa de 1994 levou puxão de orelhas em “Coisa de amigo”.

 

• Recado ao fraterno amigo João Ubaldo, companheiro de

pelo menos uma gloriosa e triunfante jornada:

• Nem tabagista nem tabaquista — o fumante inveterado,

compulsivo, é um rematado idiota.

 

Não dava mais para imaginar nota como aquela do início de 1996, quando ele reproduziu trecho da entrevista em que, na semana anterior, o ator George Burns comemorava cem anos de vida no programa Good morning, America. Burns admitiu que fumava quatro charutos por dia e, entre as baforadas, mandava para dentro talagadas de dry martini.

 

• E o seu médico, o que diz disso?, perguntou o repórter.

• O meu médico? Ora, o meu médico já morreu há muito

tempo.

 

Compenetrado da necessidade de se manter sempre alerta e seguir o tratamento, um dia encontrou no AA de Copacabana ninguém menos que a cantora americana de jazz Diane Schuur. Deu uma nota informando que ela havia almoçado no Mistura Fina e esticara até o Alcoólicos, “onde ouviu duas horas de depoimentos com intérpretes do lado”. Nenhuma brincadeira entre as linhas. Seco, não mais como o dry martini, mas como devem estar os passos de um alcoólatra em recuperação. No Réveillon de 1997, recebeu Constança e Roberto D’Ávila em Miami e os dois constataram: nem uma gota de álcool.

Ainda em dezembro de 1996, a revista Vogue publicou uma edição especial de fim de ano estrelada por vinte páginas sobre Zózimo. Não se fez qualquer referência à passagem dele pela Solar do Rio. O repórter Ruy Castro, encarregado de perfilá-lo, percebeu o momento e começou o texto: “Zózimo Barrozo do Amaral nunca se sentiu tão bem nos últimos cinquenta e cinco anos.” Duas páginas da matéria foram feitas pelo próprio Zózimo. Era uma coluna fictícia com o título “As notícias que ele gostaria de dar”, uma espécie de presente de Natal. Essas notas se apoiavam no elenco e nas situações daqueles últimos anos. Só que agora as críticas e as estocadas ficavam de fora. Só valia o pensamento positivo. Era a torcida de um colunista, cheio de saúde, pela saúde da cidade — e a primeira notícia que ele torcia para ser verdade no futuro não podia ser sobre outro assunto, conforme diz em “Droga letal”:

 

• A Organização Mundial de Saúde, em decisão que

certamente causará uma grande polêmica internacional,

acaba de reconhecer oficialmente o álcool como droga

perigosa. Pede aos governos de todos os países que incluam

a substância que tem como fórmula C H OH no mesmo rol 2 5

de drogas como a cocaína e a heroína — cujo consumo causa

profundas alterações de humor e personalidade.

 

Em “Mais uma”, saudava seu quintal:

 

• A prefeitura vai inaugurar amanhã uma nova — a

terceira — prainha artificial na orla da Lagoa Rodrigo de

Freitas. Em frente à Sociedade Hípica, o novo espaço de

lazer terá a equipá-lo até trampolins com a indispensável

área de saltos.

 

Em “Ela merece”, torcia pela amiga em dificuldades:

 

• Conseguiu-se finalmente chegar à identidade da

misteriosa apostadora que cravou seu volante numa casa

lotérica do Largo do Machado, acertou a Mega-Sena,

acumulada há várias semanas, e levou para casa R$ 54

milhões e quebrados.

• Carmen Mayrink Veiga.

 

Em “Aclamação”, elegia o amigo:

 

• O PT, único partido ainda recalcitrante, reviu sua posição

e passou desde ontem a integrar a frente ampla que apoia o

empresário Ricardo Amaral para prefeito do Rio.

• Candidato único, sem concorrentes, apoiado agora por

todos os partidos, Ricardo já pode festejar desde hoje a

eleição — na verdade, aclamação — para a prefeitura

carioca.

 

Em “Superfla”, vibrava o “arquibaldo”:

 

• E o Flamengo, hem?

• Tricampeão mundial vencendo em Tóquio o Barcelona

de Ronaldinho por 5 a 0, com quatro gols de Romário, é

uma façanha que nem o mais apaixonado dos rubro-negros

imaginou um dia que iria comemorar.

 

E em “Roda-viva”, debochava do diabo:

 

• O Beaujolais Nouveau deste ano tem um gosto

extremamente peculiar: cajá-manga, também conhecido

como taperebá-do-sertão ou cajarana.