Imagens do pai no cinema: clínica da cultura contemporânea

Declínio do Nome-do-Pai, liberdade e transgressão

O self se torna um projeto reflexivo, não podendo se contentar

com uma identidade que é simplesmente legada, herdada, ou

construída em um status tradicional. A identidade de uma

pessoa necessita, em grande parte, ser descoberta, construída,

sustentada ativamente. Da mesma forma que o self, o corpo

não é mais aceito como “sina”, como a bagagem física que vem

junto com o self. Cada vez mais, temos de decidir não só quem

somos e como agimos, mas como parecemos para o mundo

exterior (1996, p. 97).

A Psicanálise – atenta à outra reflexividade, à inconsciente – mantém seu foco nas consequências da desintegração das estruturas tradicionais e nas novas ansiedades e possíveis saídas entre a antiga “noção de responsabilidade pessoal e identidade (como gêneros sexuais fixos e estrutura familiar) e a nova situação de fluidez, identidades mutáveis e múltiplas escolhas” (ZIZEK, 2000a, p. 342).

Entre outras mídias, o cinema coloca em cena os processos sociais de cada época, da mesma forma como a literatura o fez no século 19. Mais que isso – e talvez esse seja o aspecto mais interessante – muitas vezes realiza essa discussão quando menos parece disposto a fazê-lo, ou seja, quando ao “brincar” com a realidade deixa entrever os impasses daqueles que realizam a obra.

 

Declínio do Nome-do-Pai, liberdade e

transgressão

Parte dos trabalhos mais significativos sobre a importância e as mudanças em relação ao lugar da figura do pai na cultura foi realizada pela chamada Escola de Frankfurt. Jurandir Freire, em “‘Playdoier’ pelos irmãos” (apud KEHL, 2000, p. 12), resume assim o papel desses trabalhos para o entendimento da questão: