Imagens do pai no cinema: clínica da cultura contemporânea

13 O Complexo de Édipo no ciberespaço

13 O Complexo de Édipo no

ciberespaço

 

UM ASPECTO SIGNIFICATIVO do cinema dessa passagem de século é a frequência com que os cenários apresentam locações industriais e grandes construções urbanas decadentes. Mesmo não se tratando de uma ideia nova, o que chama a atenção atualmente não é o fato de antigas indústrias representarem alguma espécie de “irracionalismo” humano nas sociedades, como ocorria no cinema das décadas anteriores; este cenário, hoje, parece estar sendo utilizado especialmente de duas outras maneiras. Por um lado, apresenta-se como o sintoma definitivo de um mundo novo – a era da informática e da eletrônica –, que aposenta as grandes máquinas e reduz as imensas instalações industriais a ruínas; por outro, essas ruínas denunciam o lado oculto da mudança, pois servem de morada aos excluídos do sistema, mostrando, assim, que nem tudo deu certo.

Em Clube da luta há uma apresentação paradigmática no que se refere ao personagem Jack/Tyler. Enquanto Jack faz parte do “sistema”, o cenário compõe-se de empresas, aeroportos, apartamentos etc.; no momento em que o personagem “surta”, o que corresponde no filme a sua saída do sistema, as locações passam a ser antigas indústrias, velhos casarões aos pedaços, enfim, emblemas de um mundo moderno para sempre perdido.

Nesta linha de pensamento, Matrix, embora não deixe de fazer referências a esse “mundo perdido”, apresenta o novo espaço onde se travam os dilemas do sujeito: o ciberespaço. Talvez o impacto do filme se deva em grande parte à discussão não apenas do tempo, mas também do espaço, e especialmente do papel do espaço na construção do que hoje se chama de “sujeito”. Será possível que o ciberespaço constitua, num mundo cercado pelas regras do “politicamente correto”, um local especial em que as pessoas podem dizer o que realmente pensam sobre as coisas? No campo da sexualidade, do poder etc.?