Restos Humanos

Elizabeth Haynes · Capítulo 11 de 52

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Restos Humanos

Annabel

 

SEGUNDA-FEIRA DE MANHÃ, FUI PARA O trabalho me sentindo vazia. O céu estava cinza-escuro, ameaçando chuva, assim como dentro do meu coração.

Kate estava de folga naquele dia, o que significava que éramos só Trigger e eu. Não estava com paciência para aturá-lo, ele e seu humor instável, num minuto parecia contente, no outro, irritado. Mas o escritório estava deserto. Como de costume, a caixa de leite que eu comprara na sexta-feira e da qual tinha me servido só uma vez estava vazia dentro da geladeira. Eu precisava de uma xícara de chá e o roubo do leite, que coisa feia, me deu vontade de chorar. Era provavelmente alguém do plantão anterior, que começava a trabalhar bem antes de o comércio abrir as portas e precisava de uma bebida para enfrentar as horas escuras antes do amanhecer. Mas isso não era uma desculpa para a preguiça ou negligência de não trazer seu próprio leite para o trabalho. Na verdade, a geladeira da cozinha no corredor da diretoria tinha um cadeado, e por isso não a atacavam.

Resolvi preparar um chá verde e me conectei ao sistema. Abri meu e-mail. Vinte e quatro novas mensagens desde meu último acesso ontem à noite. De onde vieram elas?

Examinei-as, procurando as que fossem interessantes e meus olhos foram atraídos por um nome: Sam Everett. Ignorei-o, procurando me concentrar em todos os relatórios de informações e solicitações para me desconectar de sistemas que de qualquer forma eu não acessava, pois eles acabavam reiniciando os servidores. Havia um e-mail da Associação Recreativa da Polícia me convidando para uma loteria mensal, outro de um sargento do setor de Operações Táticas que planejava correr uma maratona no Tibete e buscava patrocínio, e por fim, um pedido de cópias adicionais do bimensal “Perfil de Violência” por parte de duas pessoas que tinham acabado de entrar no Departamento de Planejamento Estratégico.

Isso era tudo. Não podia adiar mais. Sam Everett — serviço de notícias, Briarstone Chronicle. O assunto do e-mail: “Mortes recentes.”

Prezada Annabel,

Espero que não se importe que eu esteja entrando em contato diretamente com você. Tive uma reunião com o inspetor Andrew Frost há poucos dias e ele me disse que você talvez pudesse me fornecer mais alguns dados referentes ao recente aumento dos — ainda não sei como os estão chamando — corpos abandonados? Cadáveres em decomposição? Mas você sabe a que me refiro, não é mesmo? Sei que deveria mandar uma requisição para o departamento de comunicação da polícia, mas até agora não retornaram os meus telefonemas nem responderam meus e-mails. Por favor, entre em contato comigo e talvez possamos nos encontrar para discutir esse assunto.

Cordialmente,

Sam Everett

Repórter Sênior, serviço de notícias.

Briarstone Chronicle

Logo embaixo havia seus números de telefone fixo e celular. Fechei a mensagem e fui ver as outras, abrindo-as uma por uma, metodicamente, até terminar a triagem e começar a trabalhar no próximo perfil de maníaco sexual.