Restos Humanos
Annabel
QUANDO ABRI OS OLHOS NOVAMENTE, ELE não estava mais lá. Eu esperava sentir alguma coisa, mas não havia nada. Não estava com medo.
O tempo estava passando, porque, quando abri os olhos outra vez, já era dia claro, e depois já tinha escurecido. Deu seis horas da tarde duas vezes. Eu tinha atendido o telefone preto, escutado e falado, embora não me recordasse de nada.
Minha boca estava seca, pegajosa, desagradável. Essa era a única coisa que me incomodava. E então, até isso passou.
O telefone estava ao lado da cama. Coloquei para carregar, como ele me dissera para fazer.
Eu tinha a impressão de estar esperando alguma coisa.
Quando ela chegar, eu saberei, pensei. Eu a saudarei como uma velha amiga.