Restos Humanos
Annabel
ABRI OS OLHOS E NÃO ME senti sozinha.
O quarto estava escuro, mas meus olhos se adaptaram e, depois de um momento, pude ouvir uma respiração que não era a minha.
Ergui a cabeça. Foi preciso um grande esforço, como se ela fosse feita de ferro, e meu pescoço, de borracha.
Havia um homem sentado numa cadeira ao lado da porta. Ele estava me vigiando. A luz da janela incindia no quarto como um halo alaranjado e iluminava seu rosto. Ele sorriu para mim, e me senti segura e tranquila, porque sabia que ele era o meu anjo e estava ali, tomando conta de mim.
— Durma — disse ele, sua voz não passava de um sussurro.
Os anjos falavam comigo com uma voz que era apenas um murmúrio, um suspiro. Eles me acolhiam em seus braços e me apoiavam em momentos de dificuldade. Quando estava sozinha, ou assustada, os anjos apareciam.
Eu me encostei no travesseiro e fechei os olhos.