Restos Humanos

Elizabeth Haynes · Capítulo 29 de 52

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Restos Humanos

Annabel

 

— BEBA ISSO — DISSE ELE.

Abri a boca e tentei alcançar a xícara, o copo, segurá-lo, mas ele o reteve e o vidro bateu em meu lábio inferior e em meus dentes.

— Deixe que eu seguro — afirmou ele. — Beba.

Estava gelado e me fez tossir. Quando parei de tossir, abri os olhos e vi que ele continuava segurando o copo e, desta vez, bebi dois ou três goles. A água gelada desceu pela minha garganta. O gosto era estranho e me deixou enjoada.

— Você está me reconhecendo, Annabel? — perguntou ele.

Encarei seu rosto por um instante. Havia um nome para ele, mas não conseguia me lembrar. Era como se tivesse sido apagado.

— Sou eu, Sam. Sam Everett. Você se lembra de que já nos encontramos algumas vezes?

— Não sei.

— Vai ficar tudo bem — disse ele. Sua voz soava estranha para mim: irritante, dissonante e agitada, como uma mosca, uma vespa, voando pelo quarto. — Você vai ficar bem, juro. Vou cuidar de você.

— Vá embora — falei.

— Não vou, não. — Sua voz agora parecia triste. — Não vou a lugar algum. — Ele levou o copo até meus lábios mais uma vez, mas virei a cabeça. Aquilo não adiantava mais. Eu não devia mais fazer aquilo. — Não durma, Annabel — disse ele. — Fique comigo. Fique acordada.

Meus olhos estavam se fechando. Eu estava cansada e precisava esperar dar seis horas.