A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 1 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Prólogo

 

Hoje deveria ser um dia feliz, ficamos nove meses planejando este momento, fizemos planos, discutimos o futuro, ficamos com medo e dúvidas. Mas agora estou em frente a um caixão branco sendo abaixado levemente rumo a uma cova funda e fria. Queria gritar, chorar, falar que tudo era apenas uma piada de mau gosto, mas não tinha forças, não tinha reação. Continuei na minha postura, vendo meus amigos, familiares e conhecidos chorando pela morte da minha esposa.

Após todos já terem ido embora. Continuei no meu lugar, olhando para o nada, esperando por algum milagre. Sozinho, me permiti chorar tudo o que tinha para chorar. Me ajoelhei em frente à sua cova e chorei. Tentei entender o porquê de tudo isso estar acontecendo comigo.

Todos haviam falado a mesma coisa, que tinha que ser forte por ele... e ele era o único motivo de não a ter mais comigo, ela se sacrificou por ele, morreu por ele, tudo por ele. A raiva me consumiu junto com a tristeza e o coração partido. Ele foi o culpado por tudo.

 

Saí do cemitério rumo ao hospital, sabia que meu irmão e minha mãe já estavam lá. Deixei o carro e segui para a recepção da maternidade. Peguei meu crachá de visitante e subi até o quinto andar. Assim que saí do elevador, vi uma placa enorme escrita: ''Berçário''. Passei por algumas portas até chegar ao quarto 1846.

Fiquei parado na porta pensando no que fazer. Pensei tanto no momento em que viria meu filho nos braços da minha linda Jessica. Ela com aquele sorriso contagiante, olhando nosso pequeno dormindo em seus braços, seus cabelos loiros bagunçados e aqueles olhos azuis me olhando com ternura para que me aproximasse e visse o que tanto esperávamos ansiosamente.

Entretanto, estou parado em frente a uma porta sem saber o que fazer. Quando abrir essa porta ela não estará lá, não irei ver seu sorriso de felicidade, não poderei vê-la com nosso filho nos braços. O que me aguardava ali dentro seria a minha mãe, meu irmão e o causador de toda minha dor.

Abri a porta e vi minha mãe e meu irmão próximos ao berço hospitalar. Os dois me olharam com tristeza, sabendo o quanto eu estava sofrendo. Minha mãe me chamou com a mão. Me aproximei e vi uma manta azul enrolada no meu filho. Quando me aproximei, percebi minha raiva indo embora, minha dor se transformar em alegria, meu ódio ter fim e minha escuridão se iluminar. Peguei o bebê no colo, com cuidado. Ele resmungou um pouquinho, mas logo voltou a ficar quietinho. Meu filho tão inocente, tão pequeno e frágil... Ele precisava de mim tanto quanto eu

precisava dele .

— Agora seremos apenas eu e você, meu filho. Nada vai fazer com que eu me afaste de você. Nada.