A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 30 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 29

 

Nathan Brown

Há males que vêm para o bem.

O velho provérbio estava fazendo total sentindo. A morte de Jessica foi insuportável e, por um momento, pensei que a dor que sentia iria me sufocar até a morte. Mas a Bruna me mostrou que ainda tinha o que se viver, ainda poderia existir amor em meu peito e que sempre terá um lugar em meio peito onde haverá amor pela minha doce Jessica. Nunca esqueceria os momentos vividos e o amor que ainda nutri pela minha falecida esposa, mas a vida estava me dando uma nova oportunidade, tanto para mim quanto a Bruna, e nós merecíamos descobrir o que esse sentimento nos reservava, merecíamos a felicidade e era exatamente isso que estava disposto a ter.

Não estava com a cabeça cem por cento focado em nada e, sinceramente, ficar o dia trancado dentro de uma sala de escritório não me agradava muito. Precisava vê-la, saber como ela estava, tocá-la, beijá-la e precisava sentir seu doce aroma de lírios.

Estava literalmente ferrado.

Saí do carro e dei o restante do dia de folga para o Mart, não pretendia sair de perto dela.

Afrouxei minha gravata e logo a retirei juntamente com o paletó, coloquei sobre uma mesinha próxima a porta e segui o som das gargalhadas do meu filho, já com um sorriso no rosto só em pensar em vê-la novamente, mas logo o sorriso sumiu quando vi que o motivo do meu sorriso não estava brincando com o meu filho.

Noemi mordia de leve o queixo do Arthur, o fazendo soltar uma gargalhada entusiasmada, dei um sorriso de lado e logo Noemi percebeu minha presença.

— Chegou cedo, algum problema? — Perguntou ela.

— Não. — Respondi, colocando as mãos no bolso da calça e olhando cada canto da sala em busca dela. — Estou apenas cansado daquele lugar monótono.

— Na cozinha.

— O quê? — Perguntei, olhando novamente para ela.

— O motivo de você não querer estar na empresa está na cozinha. — Respondeu ela, com um sorriso.

Devolvi o sorriso e segui em direção à cozinha, onde vi um homem de meia idade conversando com Bruna. Cocei a garganta, os fazendo olhar para mim e Bruna sorrir instantaneamente.

— Desculpem, atrapalho? — Perguntei.

— Não, claro que não, afinal a casa é sua. Gostaria de algo? — Ela me perguntou.

Você.

— Não, nada. Vou ver como está o Arthur e os deixarem à vontade. — Disse, disposto a virar e caminhar novamente para a sala.

— Nathan! — Meu nome sendo pronunciando por ela era alucinante, incrível e perfeito. — Você poderia me ajudar?

Encarei os dois, encostei no batente da porta e perguntei:

— Com o quê?

— Poderia ver esses documentos para mim? Você provavelmente saberá muito mais que eu sobre esse assunto.

Aproximei-me dela e peguei as duas folhas, depois de ler cada uma, levantei o olhar para os dois.

— Não tem o que se explicar, é apenas um documento dizendo que tem uma conta ativa em seu nome. — Expliquei.

— Como isso é possível? Meu pai nunca teve tanto dinheiro assim.

— Certamente que sim, Srta. Watts, e ele deixou tudo para você. — Disse o homem.

— Se isso é um testamento não deveria ter sido um advogado a me apresentar o documento e não um representante bancário?

— Como lhe disse, é um fundo de garantia que seu pai fez para você.

— Você quer dizer que meu pai se lembrava de todo mês depositar certa quantidade nessa conta?

— Ele abriu a conta no início da doença e, de fato, fez apenas cinco depósitos pessoalmente. O valor apresentado é totalmente seu.

— Oh meu Deus! — exclamou ela.

— Com os juros do banco este valor pode ter sido alterado, Srta. Watts. Espero que compareça ao banco para resolvermos os assuntos burocráticos e, na ocasião da sua visita, responderei a todas as suas perguntas. — Disse, entregando a ela um cartão. — E sinto muito pelo seu pai.

O levei até a porta e logo retornei para a cozinha, ela estava no mesmo lugar, sua cabeça abaixada e ela passava os dedos pela folha de papel. Me aproximei devagar e vi que ela estava olhando a assinatura do pai.

— Você está bem? — Perguntei.

— Sim, estou apenas tentando entender o que acabou de acontecer aqui.

— Pelo que vi, você está rica. — Disse, sorrindo e ela logo sorriu também. — O que pretende fazer com o dinheiro?

— Vou comprar a casa dos meus pais no leilão, tentarei uma bolsa na faculdade de medicina, e... — Ela engoliu em seco e continuou. — E vou ter que parar de trabalhar aqui.

Suas palavras entraram como uma faca nas minhas costas, podia sentir um frio subir pela minha espinha e o medo de perdê-la era inexplicável.

— Você pode continuar a trabalhar aqui.

— Não vou estar à sua disposição vinte e quatro horas por dia.

— Não precisa, eu cuidarei dele enquanto você estiver na faculdade. — Me controlei para que minha voz não soasse desesperada.

Ela se levantou, afastou alguns fios de cabelos do ombro e tocou em meu peito; olhou para cima e vi seus olhos verdes me encararem com receio, era uma decisão difícil de ser tomada para nós dois, ela também estava sofrendo e isso me corroía por dentro.

— Tudo dará certo. — Disse ela.

Por qual motivo, então, eu sentia que não daria?

Olhei para o teto, soltei o suspiro e logo envolvi meus braços ao redor do corpo dela em um abraço aconchegante.

Depois que ela se afastou, dei um beijo em sua testa, ela juntou os papéis sobre a mesa e saiu da cozinha. Continuei no mesmo lugar por algum tempo, depois caminhei até o quintal, precisava pensar, por isso fiquei um tempo sentando no gramado, olhando o nada e tentando pensar em alguma maneira de mantê-la ao meu lado.

O barulho de cascos batendo no chão me despertou, olhei para o lado do estábulo e vi Zeus correndo até mim, me fazendo levantar do chão. Ele diminuiu a velocidade e logo sua cabeça foi em direção a minha mão, empurrando levemente.

— Ei, garotão!

Passei a mão sobre o seu pelo macio e negro e ele logo se acalmou, ele se afastou e deu uma pequena volta ao meu redor. Sua felicidade era visível, ele correu para longe, passeando pelo longo gramado e logo parou ao meu lado. Eu apenas observei Luís se aproximando com o seu cavalo branco.

— Não devia estar na empresa? — Perguntei ao meu irmão

— Você também não? — Devolveu a pergunta.

— Tinha que resolver um problema. — Expliquei enquanto ainda acariciava Zeus.

— Eu também... Vamos cavalgar um pouco?

— Não estou com vontade. — Dei de ombros.

— Vamos, irmão... Lembrar os velhos tempos. Você se recordar das corridas que apostávamos?

— Não somos crianças, Luís.

— Vai me dizer que esqueceu como andar de cavalo? É fácil, meu irmão, pense que você é uma amazona correndo loucamente pela floresta com os cabelos aos ventos, aproveite e solte a garotinha dentro de você.

— Quando descer desde cavalo, irei chutar sua bunda, seu bastardo.

— Deixa de ser frouxo! Vamos fazer uma pequena caminhada pela fazenda enquanto você se acostuma com Zeus novamente.

— Não. — Disse.

— Ok. — Disse ele. — Então, quer saber como foi o meu dia?

— Por qual motivo eu gostaria de saber sobre o seu dia?

— Estou apenas puxando assunto.

— Vá fazer sua pequena caminhada, Pocahontas. — Disse, alisando o pelo de Zeus novamente.

— Virou comediante agora? Ok, vou contar sobre o meu dia, você querendo ou não. Trabalhei por um bom tempo, almocei com uma mulher maravilhosa, fechei o contrato com uma empresa, dei uma carona a sua lindíssima secretária e ganhei um beijo na bochecha da Bruna. — Disse a última parte se afastando. — E, nossa! Aqueles lábios dela são tão macios, qual será o gosto?

— Chega. — Disse tentando conter minha raiva.

— Será que ela gostaria de andar a cavalo comigo? Imagina ela próximo ao meu corpo enquanto andamos pela fazenda... Aquela mulher é um tentação para qualquer um.

— Chega, Luís! — Disse, tentando me aproximar dele que logo se afastou com o cavalo.

Ele soltou uma risada debochada e logo disse:

— Vai ter que fazer muito mais do que isso para me pegar, irmão.

— Quando encostar minhas mãos em você, vou arrancar todos seus dentes. — Disse, montando em Zeus e segurando firme em sua crina.

— Quem chegar ao lago primeiro, ganha um beijo da loirinha. — Falou, antes de sair correndo com o seu cavalo.

— Vamos fazê-lo comer poeira, Zeus.

Gritei e logo estava correndo atrás do Luís que olhava para trás e gargalhava.

Esse palhaço não pararia de rir nunca?

Senti o vento no meu rosto e a sensação de liberdade era incrível, Zeus se aproximava rápido do cavalo de Luís e logo o ultrapassamos, eu estava rindo da cara daquele adotado.

A sensação de estar novamente sobre um cavalo era maravilhosa e Zeus nunca me decepcionou em uma corrida. Passei por minha mãe e Bruna que caminhavam próximas ao canteiro de hortênsias e logo cheguei ao lago, pulei do cavalo e Luís se aproximou alguns segundos depois; quando ele se aproximou de mim, o puxei pelo braço, fazendo-o cair do cavalo, ainda com a cara no chão e coloquei meu pé nas suas costas, me encurvando para ficar próximo ao seu ouvido.

— Nunca mais fale, pensei ou chegue perto dela. E se um dia ela tocar novamente em você, torça para que não esteja por perto. — Ele não disse nada, apenas gemeu de dor e logo aumentei a pressão do meu pé nas suas costas. — Entendeu?

— Sim, malditamente sim. — Gritou.

— Bom garoto, maninho. — Disse, retirando o pé e o ajudando a se levantar. — Aliás, você perdeu.

— Você é um filho da puta!

Dei um tapa em sua cabeça

— Não xingue a nossa mãe.

— Vou precisar de uma massagem. — Reclamou ele

— Para mim, você precisa de um filtro entre cérebro e a língua.

— O está acontecendo aqui? — Perguntou minha mãe.

Olhei para minha mãe que olhava com atenção para nós dois e, logo atrás dela, estava Bruna com o meu filho nos braços e Theo.

— Luís desceu de mau jeito do cavalo. — Expliquei.

— Você está bem, meu filho?

— Estou. — Respondeu ele, me olhando atravessado. — Apenas um mau jeito nas costas.

— Quer ajuda? — Perguntou Bruna.

— Não! Quero dizer, estou bem. Aliás, Theo, você me deve cinquenta dólares.

— Valeria mais a pena se tivesse visto você caindo do cavalo. — Disse Theo rindo.

— Deixe de conversa e me pague logo, ganhei a aposta. — Luís bufou.

— Que aposta? — Nossa mãe perguntou.

— Apostei com Luís que ele não conseguiria fazer Nathan montar em Zeus novamente. — Theo respondeu.

— E ganhei. — Disse meu Irmão.

— E perdeu a corrida. — Me aproximei de Bruna, segurei seu rosto com minhas mãos e beijei sua boca em um selinho demorado.

— Na...Nathan... — Disse assim que afastei dos seus lábios. Suas bochechas ficaram levemente avermelhadas. — O que foi isso?

— Apenas peguei o meu prêmio.

— Você apostou um beijo meu? E se ele ganhasse?

— Acredite, minha pequena, ele nunca ganharia. — Disse, pegando meu filho que dormia nos seus braços e o beijei na testa.

— Espera aí, eu escutei um “minha”? — Perguntou Luís.

— Eu escutei. — Afirmou Theo.

— Todos escutaram. — Minha mãe disse, sorrindo.

— Eles estão juntos? — Luís perguntou ao Theo.

— Não sei. — Theo respondeu.

— Não. — Respondeu Bruna se sentindo envergonhada pelo assunto ser ela.

— Ainda não, situação que mudarei o mais rápido possível. — Disse, olhando em seus olhos.

— Droga! Agora devo duzentos dólares para

Melissa. — Disse Luís, indignado.