A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 07
Nathan Brown
Ainda me perguntava o verdadeiro motivo de tê-la contratado. Agi pelo impulso? Não sei o que me levou a ajuda-la, mas fiz e por incrível que pareça não me arrependia de nada. Agora apenas a esperaria na segunda-feira pela manhã e veria se realmente ela era o que disse.
Depois de sair da empresa com Arthur, fui direto para casa. O tirei da cadeirinha, peguei suas bolsas e entrei. O coloquei no berço e fui trocar de roupa.
Estava na sala, balançando um brinquedo colorido que fazia um barulho irritante, mas que fazia o filho rir toda a vez que ele começava a tocar, o que me fazia rir também. Não sei como ele não cansava, sempre ria com o brinquedo bobo, mas vi que estava ficando com sono. Deixei o brinquedo de lado e o peguei no colo, sentindo o cheirinho exalando da sua fralda.
Pedi para Noemi preparar a banheira de Arthur enquanto limpava-o.
Estava dando um banho no meu filho enquanto ele batia a perninha na água. O sequei, coloquei em cima do trocador, peguei o talco, a pomada e a fralda. Quando estava prestes a passar a pomada para evitar assaduras, senti algo quente próximo a minha barriga.
— Opa! Segura essa mangueira aí, garotão. — Falei, pegando um papel e me limpando.
— Devia ter colocado a fralda. — Disse minha mãe, me fazendo olhá-la parada na porta enquanto observava tudo.
— Ah! Oi, mãe! Não a vi aí.
— Cheguei há pouco tempo. Mas como estava dizendo, deveria ter colocado a fralda primeiro. Você teve sorte de ter sido a urina. Podia ser outra coisa, se é que me entende.
— Entendi, obrigado!
Limpei meu filho novamente e refiz o processo, agora como a minha mãe havia falado. Vesti um macacão verde água nele e passei seu perfume. Tirei a camiseta e peguei-o no colo. Me sentei na cadeira de amamentação de Jessica e dei a mamadeira para ele, que tomou quase tudo. O fiz arrotar, balancei ele por um tempo até ter certeza que dormia sereno em meus braços, coloquei no berço e me afastei aos poucos com a babá eletrônica em mãos.
Deixei a babá eletrônica com a minha mãe e fui tomar um banho. Saí do banheiro depois de um banho demorado, vesti uma roupa qualquer, mas em vez de ir para sala, meu corpo fez com que eu fosse até a sala de ensaio da minha falecida esposa. Abri a porta e vi as barras, os espelhos, suas sapatilhas e roupas das apresentações que estavam intactas... Do mesmo jeito que ela deixou.
— Não deveria estar ensaiando no seu estado, amor.
— Estou grávida, Nathan. Não inválida. Além do mais, acho que ele gosta dos movimentos, ele sempre se fica quietinho. — Disse tocando a barriga linda de sete meses.
Aproximei-me dela e coloquei minha mão sob a mão macia dela, senti o pequeno chute e nós dois damos sorrisos bobos.
— Acho que ele quer que eu continue! — Falou ela, docilmente.
— Esse menino vai me dar trabalho. — Abaixei a altura da sua barriga e disse baixinho: — Ei, filhão, vamos deixar a mamãe descansar um pouco, tá bom!? Ela não pode ficar pulando por aí igual um coelho. — Recebi um leve tapa na cabeça e me levantei dando um beijo rápido nos lábios da minha esposa.
— Deixe-me pelo menos mostrar os passos? Por favorzinho! Se não posso ensaiar com o grupo, me deixe pelo menos fazer isso, tá bom?
— Não tem como dizer não para vocês. Apenas alguns passos, está bem?
Ela concordou com a cabeça e foi até o som, liga-lo em uma música lenta e baixa. Seus movimentos continuavam perfeitos. Tudo bem que me assustava vê-la com aquela barriga enorme de grávida. Ela terminou a dança, desligou a música e se apoiou uma mão na parede e outra na barriga. Corri até ela e a ajudei a se sentar.
— Você está bem? Está sentindo o quê? Vamos para o hospital.
— NÃO! Quer dizer, não precisa. Estou bem. Só estou cansada. — Disse entre pausas para tomar um pouco mais de fôlego.
— Falei que não deveria ficar ensaiando assim, amor. Vem, vou colocar vocês dois na cama. — Disse a pegando no colo.
Eu deveria ter percebido os sintomas. Ela sempre estava cansada, sempre muito pálida e, algumas vezes, desmaiava... Mas ela sempre me dizia que era normal na gravidez. Ela sabia que a vida dela corria risco e ela estava determinada a ter o nosso filho, mesmo que não aguentasse o parto. No final, ela sempre se sacrificava pelos outros e o último sacrifício dela foi por nosso filho. Suas últimas palavras ainda estão na minha mente.
— Eu te amo... cuida do nosso menino.
Queria ter falado algo para ela, mas fui arrancado do quarto quando algumas máquinas começaram a apitar e os médicos correrem até ela.
Saí da sala de ensaio e fechei a porta com força. Enxerguei minhas lágrimas que nem sabia que havia caído e fui para o único lugar onde encontrava paz.
Ele ainda dormia tranquilamente no berço, seu peito subia e descia devagar, me trazendo paz em saber que ele estava bem, seguro, tranquilo e quietinho. Um de nós dois tinha que estar assim. Sentei-me em uma cadeira ao lado do seu berço e apoiei minha cabeça, fiquei olhando para ele até que o cansaço venceu e o sono fez com que descanse meu coração angustiado.