A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 21 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 20

 

Nathan Brown

Não resisti, precisava pelo menos saber qual era a sensação de estar tão próximo a sua boca e quase não aguentei. Me obriguei a sair da cozinha antes que esquecesse que ela estava com meu filho nos braços e a fizesse sentar no balcão e experimentasse de verdade o gosto dos seus lábios.

Estava parecendo um adolescente que viu pela primeira vez a coelhinha de junho, meu sorriso era impossível de conter, não estava conseguindo controlar meu próprio corpo. O que me fazia parecer um idiota com esses pensamentos românticos bobos.

Estava há quase dez minutos deitado na cama de hóspedes, olhando o teto sem graça e tentando entender o porquê de isso estar acontecendo comigo.

Amava a minha esposa, ela ainda estava viva dentro de mim, mas então qual o motivo de Bruna estar me fazendo esquecer tudo ao meu redor? Até de Jessica.

Droga! Foco Nathan! Você é um homem conceituado, estruturalmente vivido, pai de uma criança de três meses, um executor da lei e o terceiro cara mais rico de New York, você precisa da droga de um pouco de foco, de alto controle e de uma boa bebida.

Respirei fundo, levantei da cama e segui em direção ao banheiro, levei o meu rosto diversas vezes e fiquei olhando meu reflexo no espelho.

 

A noite não tinha sido fácil, a cadeira de amamentação de Jessica foi substituída pela cama do quarto de hóspedes, na primeira vez que Arthur acordou na madrugada já o levei para dormir comigo e ontem passei a noite vendo o peito dele subindo e descendo.

Não fui para o escritório até porque não estava disposto a chegar e encarar os jornalistas que tinha certeza que já estariam me esperando para perguntar sobre minha volta para o mundo jurídico e o desfecho do caso da Bruna.

Então tirei o dia para ficar com o meu filho e aproveitar a doce presença da babá dele.

Estávamos na sala, vendo o esforço de Arthur para levantar o próprio corpo do chão como estivesse fazendo mini flexões. Bruna estava curvada, balançando um brinquedo para que ele pegasse, mas foi em vão, ele estava focado no que estava fazendo.

— Será que ele vai demorar a engatinhar? — Perguntou, curvando-se novamente para o meu filho.

Ela estava evitando me olhar nos olhos e quando fazia isso ficava levemente corada, o que a deixava ainda mais linda.

— Não sei. — Disse, ainda olhando o meu filho. — Mas, pelo que vejo, vai ser logo.

— É, eu também acho. — Disse, me olhando de lado, seu cabelo tampava a metade do rosto. Me aproximei e tirei o cabelo colocando-o para trás e tocando em sua pele macia. — Na... Nathan.

Quando estava prestes a falar algo, Arthur começou a chorar e Noemi entrou na sala.

— Acho que ele cansou dos exercícios. — Disse Bruna, se afastando de mim e pegando meu filho que queria um pouco de atenção.

— Nathan, tem duas pessoas querendo falar com o senhor. — Noemi foi profissional, me deixando confuso.

— Não quero ver esse desprezível!

Mesmo que não visse o rosto da pessoa, sabia exatamente que Charlotte estava entrando na minha casa, olhei para Bruna que balançava Arthur com calma e tentei não soar desesperado.

— Bruna, leve Arthur para cima, agora!

— Mas... — Falou confusa.

— Vem, menina, ele tem que conversar com alguém. — Disse Noemi, ao lado dela e a ajudando a pegar os poucos brinquedos que estava esparramado no chão.

Agradeci mentalmente Noemi quando elas já estavam subindo as escadas e me levantei, olhando as duas pessoas que pensei que nunca teria o desprazer de ver novamente.

— O que estão fazendo aqui?

— Queremos ver o nosso neto. — Henry respondeu.

— Vocês não têm nenhum neto. — Disse, já com a voz ligeiramente alterada.

— Temos direitos de vê-lo, Nathan, você querendo ou não. — Ele tornou a dizer.

— Não me venha falar de direitos, eu sei cada direito de cor e salteado. E vocês perderam qualquer direito quando expulsaram a própria filha de casa.

— Fizemos o que achamos certo. — Disse ele.

— Vocês não podiam coloca-la contra a parede e fazê-la escolher entre eu e vocês, deveriam tê-la apoiado, era a felicidade dela.

— E onde está a felicidade dela agora, me diga? Você a matou! É sua culpa ela não estar aqui. Eu te amaldiçoo todos os dias por ter entrando na vida da minha filha. — Disse Charlotte, tentando avançar em minha direção, mas o marido a impediu. — Ela devia estar na Rússia, dançando, rica, famosa... Seria a bailarina mais falada do mundo e você impediu isso. — Disse, chorando.

— Ela nunca quis ir para a Rússia, ela gostava daqui, gostava dos ensaios, das crianças, vocês nunca perguntaram o que ela queria.

— Mentira! — Gritou ela. — Você a fez desistir.

— Vocês se afastaram dela por uma razão qualquer, expulsaram a única filha de casa. Eu me lembro das suas palavras, Charlotte. Você disse que a partir daquele dia, não tinha mais filha, então vocês não têm nenhum neto.

— Não iremos desistir, você sabe, vamos buscar os nossos direitos. — Henry disse, ainda consolando a mulher.

— Onde vocês estavam quando ela precisou? — Perguntei— No casamento, na gestação... nem no velório dela vocês estavam e agora vêm a minha casa, três meses depois, em busca de direitos?

— Ele é o nosso neto, Nathan, queremos tê-lo por perto.

— Se depender de mim, nunca chegarão perto do meu filho. Agora saíam da minha casa. — Disse, me afastando deles. Não aguentava olhar na cara deles.

— Filho? — Minha mãe me chamou, parada próximo a escada. É impressionante como ela aparecia sempre que estava precisando de ajuda ou dos seus conselhos. — Vamos conversar no escritório, meu filho.

Não falei nada, apenas deixei que ela me levasse rumo ao escritório. Ela abriu a porta pesada e me deu passagem para que entrasse, fiquei em pé no meio do grande cômodo, olhando para a enorme estante de livros.

— Você não pode impedi-los, Nathan.

Fechei os olhos e suspirei, enquanto ela continuava:

— Todos sabemos que ela sofreu quando saiu de ca...

— Foi expulsa. — Corrigi.

— Que seja, mas você não pode privá-los de ver o neto. — Disse ela, passando por mim e sentando-se em uma poltrona. — Jessica era uma pessoa amável, assim como Arthur também vai ser, ninguém deve ser privado de vê-lo, meu filho. Você conseguiria ficar sem ele?

— A questão não é essa, mãe.

— Me responda. — Exigiu.

— Você sabe que não, ele é tudo para mim. — Falei depois de um longo suspiro.

— E ela era tudo para eles. Mesmo que eles tenham agido daquela maneira, eles são os pais dela. Você perdeu a esposa e eles a única filha.

— Mãe, eu...

— Ele é a única parte viva que restou dela, meu filho, eles precisam estar perto do Arthur. Eles estão tentando se reconciliar, se aproximando dele.

— É difícil para mim. — Assumi.

— Vai ser difícil para todos nós, vimos como ela se sentiu no início. Será difícil ver Arthur com eles, mas não podemos fazer nada sobre isso. Se eles entrarem na justiça, será pior. Você sabe que perderá e o nome do seu filho ficará na mídia.

— Ok. Farei um acordo com eles. — Suspirei. — Mas não hoje, preciso digerir toda essa informação. — Disse, indo rumo à porta.

— Nathan, o que está acontecendo entre você e a Bruna?

— O quê? — Perguntei, me virando. — Por que a pergunta? Não tem nada acontecendo.

— Eu vi vocês dois na sala com o Arthur.

— Estávamos cuidando dele apenas. — Expliquei

— Ela cuidado dele e você dela... Esse é o motivo de estarem tão próximos?

— Estava apenas... Mãe, você não deveria estar na loja? Pare de pensar baboseiras.

Ela se levantou, passou a mão em sua roupa e veio na minha direção. Tocou em meu rosto, me lançou um sorriso e me abraçou.

— Eu já gostava dela, estou começando a gostar ainda mais por ela estar te fazendo viver novamente.

Depois que me despedi da minha mãe e prometi ter uma conversa mais civilizada quando ela voltasse. Ajudei Bruna no banho do Arthur e aproveitei ao máximo o tempo com o meu filho.

Estávamos sentados no jardim. Arthur estava dormindo sobre um lençol grosso, estendido sobre a grama, e Bruna insistia em ficar abanando qualquer inseto que chegasse próximo a ele.

— Será que ele irá se lembrar de mim quando crescer? — Ela perguntou, ainda abanando meu filho.

— Se lembrar?

— É, sabe? Um dia, vou parar de trabalhar aqui, quero fazer faculdade de medicina, descobrir a cura para o Alzheimer... Eu só estava pensando se ele vai lembra de mim um dia.

Nunca pensei que ela fosse embora, não queria que ela fosse, o lugar dela era ali, com o meu filho, com a minha família e comigo.

— É impossível esquecer você.

— Ele tem apenas três meses, lógico que não vai lembrar.

— Podemos eternizar esse momento. — Falei pegando meu celular no bolso e apertei no ícone da câmera. — Agora se aproxima dele e dê um sorriso.

Ela se deitou ao lado dele deixando seus cabelos loiros bagunçados em cima da grama verde, se aproximou dele e deu um beijo na testa dele, me fazendo tirar a foto.

— Pronto.

— O quê? Mas eu não estava pronta. — Disse, se levantando.

— A foto ficou perfeita. Agora sim, ele irá se lembrar de você. — Disse, olhando a foto com atenção.

— Deixe-me ver. — Pediu ela, se aproximando. Entreguei o celular para ela e logo ela sorriu ao ver a foto. — Que fofinho!

Me aproximei dela para ver novamente a foto.

— Falei que você é linda.

Ela se virou e bateu com tudo em meu peito, ficando assustada. Ela não tinha percebido o quão perto eu estava dela.

— Des...desculpa, vou levar o Arthur para casa...Tá calor aqui, não está?

Com certeza está!

— Bruna, não precisa fugir. — Disse tentando impedi-la de sair na minha frente.

— Não estou fugindo, estou... apenas pensando no Arthur. — Ela pegou o Arthur, o deitou em seu peito e caminhou novamente de volta para a casa grande.