A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 10 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capitulo 09

 

Bruna Watts

Estava arrumando as coisas do meu pai enquanto ele estava na área tomando uma limonada. Descontei o cheque do senhor Brown e comprei os remédios que estava faltando para o meu pai. Sei que a clínica tem, mas prefiro levar alguns, sou muito prevenida. Depois de tudo pronto e arrumado, desci os poucos degraus que levava para o andar de baixo e fui até a área.

— Oi, minha pequenina!

Adorava quando ele me chamava assim! Não pelo fato da minha estatura, mas desde nova ele me chamava dessa forma. Para ele sempre serei sua pequenina. Fazia tempo que ele não me chamava por esse nome, mas depois que cheguei da clínica ele não parou de me chamar assim, era como se ele sentisse que íamos nós separar.

— Venha cá, pequenina.

Arrastei uma cadeira próxima até ele e encostei minha cabeça em seu braço.

— O que você vai querer para jantar, pai? Eu posso fazer seu prato preferido. Que tal lasanha ao molho branco?

— Quero um hambúrguer enorme com muita mostarda, batata frita e torta de maçã com sorvete de creme.

Dei um sorriso e um leve tapinha no braço dele.

— Nada de besteiras para o senhor.

— Pelo menos, tentei. Aceito a lasanha, mas não abro mão da torta de maçã com sorvete.

— Eu faço a torta, pai! Quer me ajudar na cozinha?

Ele olhou para o final da rua novamente e me olhou com um sorriso meigo.

— Acho que Rebeca não se importará se eu não esperá-la hoje. — Disse se levantando com dificuldade. — Vem, pequenina, vou te ensaiar a cozinhar.

Sentiria saudades desse bom humor dele.

— Então vamos!

Deixei que ele me ajudasse com o molho, mas evitei que ele ficasse perto de facas e também não o deixei muito tempo de pé. Ele me ajudou a montar a lasanha, depois a coloquei no forno.

— Vou cortar as maçãs... Como quer?

— Pedaços grandes e bem caramelizados.

— Você pega o açúcar para mim?

— Pego sim. — Ele se levantou e abriu algumas portas até achar o açúcar. — Quer que eu faça o caramelo?

Eu sabia que ele gostava de cozinhar, mas não podia deixar que ele mexesse em uma panela extremamente quente, afinal ele já não tinha mais a firmeza de antes nas mãos nem nas pernas, então vesti novamente minha capa de vilã da história.

— É... — Comecei.

— Vou chamar os novos vizinhos para o jantar... Eles provavelmente estão cheios de caixas e bagunça, nem devem ter almoçado direito. O que acha?

— Acho uma ótima ideia. Vou com você, espera aí. — Disse tirando o avental e indo até a porta da cozinha.

Atravessamos o quintal e passamos pelo pequeno portão de madeira dos fundos. Tia Anne estava cuidando da sua pequena horta quando chegamos.

— Olá, nova vizinha.

Anne levantou a cabeça e olhou com dúvida para o meu pai, mas logo sua expressão mudou quando nos viu. Ela limpou as mãos na própria calça e se levantou.

— Olá! Como estão? — Perguntou ela, com um sorriso.

— Bem ti... Quer dizer, Sra. Crawford. Queremos fazer um convite!

— Um convite?

— É... Na verdade, meu pai gostaria de convidar sua família para jantar. Sabe, né? Com a mudança deve ser complicado cozinhar e queremos convidar sua família para jantar conosco. — Disse

— Ah, claro! A mudança. Nossa! Agradecemos muito, vamos sim.

— Ótimo! Sua horta está linda. Parabéns! Parece que estar aqui há anos.

— Oh, não! Que isso?! Não é nada... Só algumas folhas... — Disse ela.

— Então, vamos deixar a Sra. Crawford, pai. Não vamos atrapalhar, né!? — Disse puxando meu pai novamente para casa.

Olhei para trás e sussurrei um '' me desculpe'' para tia Anne.

 

Estava terminando de colocar os pratos na mesa com a ajuda da Melissa e a da tia Anne, enquanto meu pai e o tio Alberto foram buscar um bom vinho branco.

O jantar foi maravilhoso. Meu pai contava com orgulho das suas histórias de bombeiro. Geralmente crianças sempre pensavam em ter um pai como os heróis de capa e de superpoderes, mas eu tinha o Super Alexander, o capitão do corpo de bombeiros. Sempre tive muito orgulhou por ele ter sido um herói na vida real, salvando vidas e, ainda assim, disposto a amar minha mãe e eu.

Depois do jantar, servi a torta ainda quente com sorvete e todos sentamos na área, conversando e rindo sobre alguns assuntos.

Depois que a família da Melissa foi embora, arrumei a cozinha e dei um banho no meu pai. O deixei deitado na cama e agradeci mentalmente por ele não ter me implorando para ficar na área. Tomei um banho rápido, vesti meu pijama de patinhos e fui deitar ao seu lado, que já dormia.

Ele se mexeu e virou para mim, me dando um beijo na testa.

— Te amo, minha pequenina!

— Te amo, pai!

Fiquei olhando para ele por tempo, imaginando como seria a minha vida sem tê-lo por perto. Ele sempre foi o meu exemplo de homem e sua presença era necessária na minha vida. Ainda não estava pronta para enfrentar o mundo, para seguir meus próprios passos. Anda sentia a necessidade de ser a menininha do papai e ter os seus cuidados, mas a vida fez com que eu crescesse rápido e tive que amadurecer muito para cuida dele, sozinha. Dei um beijo em sua bochecha e fechei os olhos.

 

— Meias? — Perguntou Melissa

— Peguei. — Afirmei.

— O chinelo?

— Melissa! Eu peguei tudo. Não enlouqueça! A única coisa que falta é a foto da minha mãe. De resto, peguei tudo, ok?

— Ok. Então, vai... Meu pai está te esperando no carro.

Soltei um suspiro de cansaço e falei:

— Vamos. — Confirmei.

— Como ele reagiu com a notícia?

— Não disse nada a manhã toda, nem no almoço ele contou suas histórias. Estou me sentindo a pior filha do mundo.

— Sei que no fundo ele sabe que é o melhor.

— Não sei, e se eles esquecerem de que ele é alérgico a abacaxi? E se eles...

— Bruna, relaxa! Vai ficar tudo bem. Vamos que meu pai está esperando, esqueceu?

Peguei a mala e levei para o carro, entrei na parte de trás com Melissa e seguimos para a clínica.

Lola nos recebeu, apresentou os quartos e o resto do local. Fez um discurso das atividades intermináveis que haviam no local e me mostrou o quarto do meu pai: um cubículo verde e branco, com uma cama de solteiro e uma cômoda de madeira velha, um guarda roupa com cheiro de naftalina, uma janela alta e pequena e o banheiro era equipado e pequeno.

Arrumei a roupa do meu pai enquanto ele estava sentando na cama olhando para chão.

— O que achou? Legal, né? Tem tantas atividades... Viu a piscina? Incrível! E tem bingo todo final de semana, lembra quando jogávamos?

Ele apenas murmurou um ''humm''.

Fechei a porta do guarda roupa e sentei na cama no seu lado com o porta-retratos da minha mãe, no dia do casamento com o meu pai.

Ficamos assim por algum tempo, sem dizer nada um para o outro, até que me levantei e coloquei a foto em cima da cômoda ao lado da cama.

— Ela vai ficar aqui, do seu lado. Prometo que te visitarei sempre que possível, vou ligar também, eu vou...

— Não, não vai. — Falou de uma maneira desgostosa

— O quê? — Perguntei, duvidosa.

— Você não vai voltar! Vai me deixar, assim como sua mãe me deixou. Então, não prometa algo que não irá cumprir.

— Pai, eu...

— Vá, me deixa em paz.

Fiquei ali parada, sem saber o que dizer ou o que falar.

Ele se levantou com dificuldade, tentei ajudá-lo, mas ele negou, me afastando. Ele andou até a porta, abriu e apontou para o lado de fora.

— Por favor, vá embora.

Apertei a minha bolsa nos braços e saí devagar. Tentei me aproximar dele, mas ele simplesmente virou o rosto e então saí sem dizer nada. Ele fechou a porta com as poucas forças que tinha e eu desabei e chorei.

— Des...desculpa...pai...me desculpa.

Senti as mãos macias de Melissa e ela me levou até a saída, me tirando de perto dele.

Pensei que estava fazendo a coisa certa, mas sentia como se algo estivesse rasgando meu peito, a dor que sentia não tinha explicação. Ele tinha razão de me tratar assim, eu era a pior filha do mundo, ele só tinha a mim e eu estava o abandonado em um lugar desconhecido.

Esperava sinceramente que tudo desse certo, que nada fosse em vão e que essa dor tivesse um

fim.