A babá (Família Brown, Livro 1)
Capitulo 11
Nathan Brown
Ela estava ali, parada próximo a porta da sala. Seu corpo pequeno, em um vestido floral, um pouco acima dos joelhos, a deixava ainda mais bonita. Ela olhava cada um à sua frente e era visível que ela estava envergonhada, pois suas bochechas estavam levemente rosadas. Ela afastou uma mecha do cabelo para trás da orelha e deu um sorriso tímido à minha família.
— O Mart também é um membro da família, mas como já o conheceu, acho desnecessário novas apresentações
— É muda, senhorita? — Perguntou minha mãe.
— N... não senhora. — Respondeu timidamente.
— Mãe, não a assuste. — A repreendi.
— Apenas fiz uma pergunta, a garota está quieta há minutos. Que idade tem, senhorita?
— Vinte. — Respondeu.
Minha mãe fez um cara de espanto, não tinha como não ficar surpreendido. A pequena que estava à nossa frente aparentava ser muito mais jovem e sua estatura apenas confundia sua idade atual.
— Tem alguma experiência com...
— Mãe, a entrevista já foi feita. Noemi e Theo podem voltar a suas funções. Luís, mãe podem tomar o café da manhã. Mostrarei a casa para a senhorita Watts. — Noemi e Theo se retiraram com um aceno de cabeça, mas Luís foi até Bruna e beijou sua mão, a fazendo sorrir com a sua gentileza.
Galanteador dos infernos.
— Vou ficar de olho nela, você sabe. — Minha mãe disse baixo, para que apenas eu pudesse ouvir. — Luís chega de gracinhas e venha. — Agradeci mentalidade pela atitude da minha mãe.
Meu irmão se despediu de Bruna e passou por mim sussurrando a palavra ''gostosa'' e seguiu para a sala de jantar.
Vou ter uma conversa com ele. E não vai chegar perto dela, afinal ela é a babá do Arthur e ele não pode ficar com ela.
Ela continuou no mesmo lugar, olhando cada canto da casa, como se fosse a primeira vez que estivesse em um lugar como esse.
— Vamos? — Ela concordou com um movimento de cabeça e me seguiu.
Havíamos visto cada canto da casa, por último o quarto do meu filho que estava dormindo tranquilamente.
Era estranho ver alguém tão próximo dele, senti até um pouco de raiva por ela estar ali, passando a mão na barriguinha do meu pequeno, mas assim que ela sorriu quando a chupeta saiu da boca dele, minha raiva sumiu.
— Ele é lindo.
Mantive-me em silencioso, não sabia o que responder. Sabia que meu filho era lindo, mas se respondesse isso seria grosso, e não queria ser, não com ela.
— Acho melhor deixa-lo quietinho. Tem mais alguma coisa que eu preciso ver?
— Vou mostrar onde você irá dormir... Me espere no corredor que já estou indo. — Disse me aproximando mais do meu filho e colocando a chupeta novamente em sua boca, aumentei a temperatura do ar e saí.
Fechei a porta devagar. Quando me virei, vi que ela estava prestes a entrar no cômodo que Jessica ensaiava.
Não sei como, mas quando vi já a tinha puxado para uma parede próxima e minha mão estava em seu pescoço, apertando com força.
— Nunca, nunca entre neste cômodo ou atravesse a última porta do corredor, está ouvindo? — Seus olhos estavam cheio de lágrimas e o medo era visível. Ela abriu a boca em busca de ar e tentava me afastar com suas mãos, mas era inútil.
A soltei e a mesma caiu ao chão, tossindo com a mão ao redor do seu pescoço.
Cassete! Tenho praticamente o dobro do tamanho dela, não sei o que deu em mim... Poderia tê-la machucado. Droga! O que eu fiz?
Passei a mão em meu rosto e tentei chegar perto dela, mas a mesma me repreendeu, levantando uma das mãos.
— Por...Por favor, não chega perto de mim. — Disse ainda com a cabeça baixa.
— Desculpe-me, agi pelo impulso. Não queria machucar você. — Cheguei perto dela e a ajudei a ficar de pé. — Só não chega perto dessa porta. — Afastei o cabelo do seu rosto que estava molhado de lágrimas e seu pescoço vermelho com a marca dos meus dedos. Droga! Me senti um filho da puta por ter feito isso com ela. — Me desculpe! Vem, vou ajudar você. Vamos...
— Não! — Ela praticamente gritou. — Obrigada por... Por tudo, mais fica... Fique longe de mim, eu... — Ela não terminou a frase, apenas saiu correndo, se afastando de mim.
Droga! Acabei de perder uma funcionária em menos de duas horas. E ainda com dez mil de adiantamento, o que não me faria falta nenhuma.
Estava no quarto do meu filho, depois que ela saiu de perto de mim, ele acordou, o troquei e estava terminado de colocar sua meia.
— O que você fez com aquela garota? — Disse minha mãe, assim que entrou no quarto.
— Nada. — Respondi
— Então vá arrumar o nada que você fez. Noemi e eu não conseguimos a fazer falar nenhuma palavra.
— Espera, ela não foi embora? — Perguntei.
— Demitiu a menina?
— Não, eu...
— Não quero saber. Crie um homem, não um selvagem. Seja lá o que fez, vá até lá e peça desculpas.
— Não era você que estava fazendo papel de vilã há alguns minutos?
— Sem deboche, Nathan. Faça o que lhe pedi.
Peguei meu filho no colo com cuidado e o entreguei a ela, arrumei a sua roupinha, dei um beijo em sua testa e fui em direção a porta.
— Nathan! — Ela me chamou
— Sim?
— Gostei dela. — Disse com um sorriso.
— Eu também, mãe.
Desci as escadas e segui para cozinha onde ouvi a voz de Noemi. Ela estava sentada próxima a bancada de mármore com um copo de água que, pela cor, eu tinha certeza que continha um pouco de açúcar.
Noemi mexia em seu cabelo e falava algumas coisas baixinhas.
— Noemi, poderia me deixar conversar a sós com a senhorita Watts?
— Está tudo bem eu deixá-la sozinha, pequena? Se quiser, posso ficar. — Disse ela me ignorando.
— Eu vou ficar bem. — Respondeu Bruna.
— Qualquer coisa é só gritar. — Disse passando a mão no cabelo dela.
Ela se afastou e veio até mim, me dando um abraço e sussurrando a frase ''seja gentil com ela'' e logo depois saiu da cozinha.
Ela continuava com a cabeça abaixada, passando o dedo pela borda do copo. Me aproximei aos poucos e sentei a sua frente.
— Eu queria pedir desculpas pelo...
— Não precisa pedir desculpa... Na verdade, eu é quem tenho que me desculpar, não deveria ter tentado entrar naquele cômodo. Vou entender se quiser me despedir.
— Não vou fazer isso. — Fui sincero.
— Não? — Ela levantou o rosto e pude ver seus olhos vermelhos e algumas marcas avermelhadas em seu pescoço branco.
— Não, fui eu quem errou. Você ainda será a babá do meu filho e espero que me desculpe.
— Está desculpado, Sr. Brown.
— Ótimo! E me chame de Nathan. A partir de hoje, você também faz parte da família.
— Obrigada! — Disse ela timidamente.
— Agora venha, Bruna, tem uma pessoinha que acabou de acordar e sei que você vai adorar conhecê-lo.
Ela me lançou um sorriso sincero e naquele instante senti que estava realmente perdoado. Ela merecia sorrir todo dia, cada segundo, o mundo não devia ser privado daquele sorriso. Por um momento, me senti o pior homem do mundo por tê-la feito chorar.