A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 12 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capitulo 11

 

Nathan Brown

Ela estava ali, parada próximo a porta da sala. Seu corpo pequeno, em um vestido floral, um pouco acima dos joelhos, a deixava ainda mais bonita. Ela olhava cada um à sua frente e era visível que ela estava envergonhada, pois suas bochechas estavam levemente rosadas. Ela afastou uma mecha do cabelo para trás da orelha e deu um sorriso tímido à minha família.

— O Mart também é um membro da família, mas como já o conheceu, acho desnecessário novas apresentações

— É muda, senhorita? — Perguntou minha mãe.

— N... não senhora. — Respondeu timidamente.

— Mãe, não a assuste. — A repreendi.

— Apenas fiz uma pergunta, a garota está quieta há minutos. Que idade tem, senhorita?

— Vinte. — Respondeu.

Minha mãe fez um cara de espanto, não tinha como não ficar surpreendido. A pequena que estava à nossa frente aparentava ser muito mais jovem e sua estatura apenas confundia sua idade atual.

— Tem alguma experiência com...

— Mãe, a entrevista já foi feita. Noemi e Theo podem voltar a suas funções. Luís, mãe podem tomar o café da manhã. Mostrarei a casa para a senhorita Watts. — Noemi e Theo se retiraram com um aceno de cabeça, mas Luís foi até Bruna e beijou sua mão, a fazendo sorrir com a sua gentileza.

Galanteador dos infernos.

— Vou ficar de olho nela, você sabe. — Minha mãe disse baixo, para que apenas eu pudesse ouvir. — Luís chega de gracinhas e venha. — Agradeci mentalidade pela atitude da minha mãe.

Meu irmão se despediu de Bruna e passou por mim sussurrando a palavra ''gostosa'' e seguiu para a sala de jantar.

Vou ter uma conversa com ele. E não vai chegar perto dela, afinal ela é a babá do Arthur e ele não pode ficar com ela.

Ela continuou no mesmo lugar, olhando cada canto da casa, como se fosse a primeira vez que estivesse em um lugar como esse.

— Vamos? — Ela concordou com um movimento de cabeça e me seguiu.

 

Havíamos visto cada canto da casa, por último o quarto do meu filho que estava dormindo tranquilamente.

Era estranho ver alguém tão próximo dele, senti até um pouco de raiva por ela estar ali, passando a mão na barriguinha do meu pequeno, mas assim que ela sorriu quando a chupeta saiu da boca dele, minha raiva sumiu.

— Ele é lindo.

Mantive-me em silencioso, não sabia o que responder. Sabia que meu filho era lindo, mas se respondesse isso seria grosso, e não queria ser, não com ela.

— Acho melhor deixa-lo quietinho. Tem mais alguma coisa que eu preciso ver?

— Vou mostrar onde você irá dormir... Me espere no corredor que já estou indo. — Disse me aproximando mais do meu filho e colocando a chupeta novamente em sua boca, aumentei a temperatura do ar e saí.

Fechei a porta devagar. Quando me virei, vi que ela estava prestes a entrar no cômodo que Jessica ensaiava.

Não sei como, mas quando vi já a tinha puxado para uma parede próxima e minha mão estava em seu pescoço, apertando com força.

— Nunca, nunca entre neste cômodo ou atravesse a última porta do corredor, está ouvindo? — Seus olhos estavam cheio de lágrimas e o medo era visível. Ela abriu a boca em busca de ar e tentava me afastar com suas mãos, mas era inútil.

A soltei e a mesma caiu ao chão, tossindo com a mão ao redor do seu pescoço.

Cassete! Tenho praticamente o dobro do tamanho dela, não sei o que deu em mim... Poderia tê-la machucado. Droga! O que eu fiz?

Passei a mão em meu rosto e tentei chegar perto dela, mas a mesma me repreendeu, levantando uma das mãos.

— Por...Por favor, não chega perto de mim. — Disse ainda com a cabeça baixa.

— Desculpe-me, agi pelo impulso. Não queria machucar você. — Cheguei perto dela e a ajudei a ficar de pé. — Só não chega perto dessa porta. — Afastei o cabelo do seu rosto que estava molhado de lágrimas e seu pescoço vermelho com a marca dos meus dedos. Droga! Me senti um filho da puta por ter feito isso com ela. — Me desculpe! Vem, vou ajudar você. Vamos...

— Não! — Ela praticamente gritou. — Obrigada por... Por tudo, mais fica... Fique longe de mim, eu... — Ela não terminou a frase, apenas saiu correndo, se afastando de mim.

Droga! Acabei de perder uma funcionária em menos de duas horas. E ainda com dez mil de adiantamento, o que não me faria falta nenhuma.

 

Estava no quarto do meu filho, depois que ela saiu de perto de mim, ele acordou, o troquei e estava terminado de colocar sua meia.

— O que você fez com aquela garota? — Disse minha mãe, assim que entrou no quarto.

— Nada. — Respondi

— Então vá arrumar o nada que você fez. Noemi e eu não conseguimos a fazer falar nenhuma palavra.

— Espera, ela não foi embora? — Perguntei.

— Demitiu a menina?

— Não, eu...

— Não quero saber. Crie um homem, não um selvagem. Seja lá o que fez, vá até lá e peça desculpas.

— Não era você que estava fazendo papel de vilã há alguns minutos?

— Sem deboche, Nathan. Faça o que lhe pedi.

Peguei meu filho no colo com cuidado e o entreguei a ela, arrumei a sua roupinha, dei um beijo em sua testa e fui em direção a porta.

— Nathan! — Ela me chamou

— Sim?

— Gostei dela. — Disse com um sorriso.

— Eu também, mãe.

Desci as escadas e segui para cozinha onde ouvi a voz de Noemi. Ela estava sentada próxima a bancada de mármore com um copo de água que, pela cor, eu tinha certeza que continha um pouco de açúcar.

Noemi mexia em seu cabelo e falava algumas coisas baixinhas.

— Noemi, poderia me deixar conversar a sós com a senhorita Watts?

— Está tudo bem eu deixá-la sozinha, pequena? Se quiser, posso ficar. — Disse ela me ignorando.

— Eu vou ficar bem. — Respondeu Bruna.

— Qualquer coisa é só gritar. — Disse passando a mão no cabelo dela.

Ela se afastou e veio até mim, me dando um abraço e sussurrando a frase ''seja gentil com ela'' e logo depois saiu da cozinha.

Ela continuava com a cabeça abaixada, passando o dedo pela borda do copo. Me aproximei aos poucos e sentei a sua frente.

— Eu queria pedir desculpas pelo...

— Não precisa pedir desculpa... Na verdade, eu é quem tenho que me desculpar, não deveria ter tentado entrar naquele cômodo. Vou entender se quiser me despedir.

— Não vou fazer isso. — Fui sincero.

— Não? — Ela levantou o rosto e pude ver seus olhos vermelhos e algumas marcas avermelhadas em seu pescoço branco.

— Não, fui eu quem errou. Você ainda será a babá do meu filho e espero que me desculpe.

— Está desculpado, Sr. Brown.

— Ótimo! E me chame de Nathan. A partir de hoje, você também faz parte da família.

— Obrigada! — Disse ela timidamente.

— Agora venha, Bruna, tem uma pessoinha que acabou de acordar e sei que você vai adorar conhecê-lo.

Ela me lançou um sorriso sincero e naquele instante senti que estava realmente perdoado. Ela merecia sorrir todo dia, cada segundo, o mundo não devia ser privado daquele sorriso. Por um momento, me senti o pior homem do mundo por tê-la feito chorar.