A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 25
Nathan Brown
Vê-la chorar era a pior coisa do mundo, a perda do seu pai fez com que o seu sorriso, seu tão valioso e lindo sorriso, desaparecesse.
Entrei em acordo com a minha mãe e decidimos que ela deveria ficar na casa da senhorita Crawford, por alguns dias.
Talvez alguém próximo a faria melhorar, então dei uma semana de folga para Melissa e levei alguns pertencesses da Bruna para a sua casa.
Há três dias estava sem uma secretaria, me fazendo focar apenas no escritório, deixando a empresa nas mãos do meu irmão.
Arthur, por incrível, parecia estar sentindo saudades da Bruna. Ele não tinha dormido muito bem e ficava, no máximo, cinco minutos no colo de qualquer membro da minha família.
Entrei em casa e retirei o paletó e a gravata. Ouvi o choramingar do meu filho quando estava próximo a cozinha. Noemi o balançava, enquanto minha mãe terminava seu leite.
— Como ele está? — Perguntei, beijando Noemi na testa.
— Ele está meio enjoadinho, sabe o motivo, né? — Respondeu a mesma.
— É, ela conquistou o coraçãozinho do meu filho. — Disse, pegando Arthur no colo que ainda resmungava.
— Não só o dele. — Disse minha mãe, testando a temperada do leite.
— Sim, mãe. Ela conquistou cada membro dessa família.
— Isso é verdade e ela faz falta... De quem foi a ideia de afastá-la da família? — Perguntou Noemi.
— Toda e exclusivamente de Nathan. — Disse minha mãe, me entregando a mamadeira.
O quê?
— Então você que resolva agora. — Noemi disse, pegando meu filho do meu colo e ajeitando-o no dela, pegou a mamadeira e saiu.
— Escutou, né? Resolva. — Minha mãe reforçou a frase.
— Entramos em um acordo dona Cloe, lembra-se? — Perguntei.
— Não me lembro de nada e se me chamar de dona Cloe novamente, lhe puxarei as orelhas.
— Ligarei para ela... Amanhã.
— Nem pensar, Nathan. Vai ligar agora e a traga de volta, nem que seja pelos cabelos. Não é apenas Arthur quem está de mau humor sem ela aqui. — Disse, pegando uma jarra de água na geladeira e um copo no armário.
Bufei, peguei meu celular e liguei para Bruna. O celular estava desligado, provavelmente ela estaria dormindo ou ocupada. Olhei para o meu relógio de pulso e resolvi ligar para Melissa.
— Sr. Brown?
— Desculpa te ligar a essa hora, sei que está na faculdade, mas...
— Não estou na faculdade, estou em casa.
— Poderia me dizer como ela está?
— Ela está no quarto. — Disse em um tom duvidoso.
— Srta. Crawford, está me escondendo algo?
— Não.
— Por qual motivo não respondeu minha pergunta?
— Porque ... não entendi.
— Aconteceu algo?
Escutei quando ela soltou um suspiro, a linha ficou muda por alguns segundos.
— Meli...
— Prometi não preocupar o senhor.
— Já estou preocupado. Agora me fale de uma vez, o que está acontecendo? — Disse tentando ignorar o olhar da minha mãe.
— Ela não está bem. Prometi que não iria aborrecer o senhor, mas ela não come, não fala, não sai da cama e quando sai é apenas para fazer suas higienes. Ela apenas fica deitada, chorando. Sr. Brown, meus pais estão preocupados porque ela não é assim, ela sempre escondeu muito bem as suas dores, sempre foi forte, mas acho que a morte do tio Alexander foi a gota d'água. Ela não está bem e tenho medo de ela fazer algo contra a própria vida.
— Droga, Melissa! Deveria te me falado isso antes. Desde quando ela está assim?
— Desde que chegou.
Segurei forte o celular e tentei conter a vontade de extravasar toda a minha raiva sobre Melissa, por ela não ter me falado nada.
— Ela precisa de você.
— Estou indo.
Desliguei o celular, passei a mão em meus cabelos e respirei fundo.
— O que aconteceu? — Perguntou minha mãe.
— Nada, vou ter que sair. — Disse, saindo da cozinha.
— Nathan, você não vai sair até me explicar o que está acontecendo.
— Ela não está bem. Melissa acabou de me dizer.
— O que pretende fazer indo até lá? Vai fazer o quê?
— Eu não sei, tá legal? Foi um ideia estúpida deixa-la lá, o lugar dela é aqui.
— Nathan, ela não é sua propriedade. Ela acabou de perder o pai, ela está sofrendo e você não vai ajudar indo até lá, pegando todas as coisas dela e a trazendo para cá. Você vai estará apenas mudando o cenário da dor dela.
— O que posso fazer, então?
— Eu não sei, mas temos que mostrar para ela que todos nós nos importamos com ela.
— E como vamos fazer isso?
— Tenho uma ideia. — Disse Noemi, entrando na cozinha batendo nas costas do meu filho para que ele pudesse arrotar. — Mas vou precisar de todos.
Expliquei todo o plano de Noemi para a família Crawford e todos entraram em acordo, precisávamos apenas colocá-lo em prática no dia seguinte.
Melissa me guiou até uma porta rosa com uma placa descascada onde ainda se podia ler: ''Aqui dorme uma princesa''. Ela me deu sinal para que entrasse e foi o que fiz.
O quarto estava escuro e, uma cama de casal, tinha um pequeno corpo envolvido em um edredom e o som de choro me chamou atenção. Me aproximei devagar e sentei na beirada da cama.
— Bruna? — Chamei, retirando o edredom do rosto dela. — Bruna, fale comigo. — Seus olhos se mantiveram fechados.
Reaja, minha pequena menina.
Ela apenas puxou o edredom novamente sobre a cabeça e me ignorou. Soltei um suspiro de irritação, levantei da cama e puxei totalmente o edredom, deixando-a com apenas um pijama curto. Ela escondeu o rosto com as mãos e ficou em posição fetal.
Me aproximei novamente, levantei seu corpo com facilidade e saí do quarto, olhei Melissa que me encarava espantada e lhe perguntei:
— Onde fica o banheiro? — Ela simplesmente me apontou a porta branca próxima ao quarto e entrei.
Com Bruna ainda em meus braços, afastei o box do banheiro e entrei com ela. A coloquei, com cuidado, debaixo da ducha e liguei a mesma, fazendo-a soltar um grito de surpresa. Seu pijama, antes solto, agora estava colado ao corpo; alguns fios do seu cabelo estavam grudados no seu rosto e ela continuava a se negar a olhar para mim.
— Você tem apenas duas opções: você vai começar a reagir e tomará banho sozinha ou vou tirar a sua roupa e tratarei eu mesmo de lhe dar um banho. A escolha é exclusivamente sua. — Ela se manteve em silêncio, olhando para os próprios pés. — Se não responder, entenderei que escolheu a segunda opção. — Disse, me aproximando, fazendo-a recuar automaticamente.
— Tomarei banho sozinha. — Disse, quase como um sussurro.
Dei um sorriso e a saí do box, deixando-a sozinha, fechei a porta do banheiro e pedi uma toalha para Melissa.
Estava na sala, sendo encarrado pelos pais de Melissa, minhas mãos estavam suando frio e eu evitava encará-los nos olhos. A senhora Crawford me ofereceu um copo de chá gelado que aceitei de bom grado.
— Então, você estava no banheiro com ela? — Perguntou Alberto, me fazendo engasgar com o chá.
— Alberto! — Anne o repreendeu.
— Meu amigo acabou de falecer, tenho que cuidar da filha dele e afastar os abutres.
— Estava apenas ajudando. — Tentei amenizar a situação.
— Imagino a ajuda. — Murmurou ele — Mas aqui é uma casa de família e ela é importante para essa família, então espero que seu interesse seja apenas profissional.
— Posso te garantir isso. — Disse, colocando o copo em um descansa copos na mesa de centro.
— Assim espero.
Finalmente ouvimos passos pela escada, me fazendo levantar rapidamente quando vi Bruna em um vestido simples verde com os cabelos ainda molhados. Melissa falou algo em seu ouvido e logo entregou sua pequena bolsa.
— Me liga, ok? — Disse Melissa, a fazendo assentir. — Já estou com saudades. — Disse, abraçando a amiga.
— Qualquer coisa, basta pedir, ainda somos uma família unida. — Anne disse.
— Não se esqueça de que ele estará cuidando de você. — Alberto completou.
Eles a envolveram em algum tipo de abraço coletivo, falando algumas frases de incentivo e logo se separam.
— Vamos? — Perguntei.
Ela apenas seguiu até a porta e saiu, seguindo até Mart que lhe deu um abraço apertado. Deixando-me para trás, me fazendo pensar se tinha feito algo de errado.
— Ela é forte, apenas se esqueceu disso, temporariamente. — Disse Alberto, apenas para que eu o ouvisse.
Ele tinha razão, minha pequena e doce menina era uma gigante comparada a muitas pessoas, ela apenas tinha esquecido e eu estava disposto a ver
o seu sorriso e sua força novamente .