A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 33 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 32

 

Bruna Watts

— Você mentiu?. — Melissa praticamente gritou no outro lado da linha.

— Não! — Disse.

— Mentiu sim, você não tem nenhuma tia/avó.

— Eu sei, mas tirando isso, não menti.

— Então, você inventou um parente de sei lá onde e quer me dizer que não mentiu? Para que isso?

— Precisamos de um tempo.

— Não pode dar um tempo em algo que nunca começou, Bruna. Que história é essa de Dallas? Está louca?!

— Preciso ir atrás dos meus sonhos, Mel. Ainda quero encontrar uma possível cura para o Alzheimer, quero salvar vidas... E eles estão precisando de voluntários.

— Você quer dizer que vai para o Texas? Quando ia nos contar?

— Foi uma decisão precoce. — respondi mordendo meu lábio inferior — Tenho apenas mais quatro dias aqui.

— Quatro dias! — Ela exclamou alto — Você pirou? Só pode... Como assim quatro dias? Você vai embora daqui quatro dias? Quatro dias?

— Sim, Melissa, quatro dias.

— Não acredito que você vai fazer isso.

— Eu preciso.

— Você, está indo embora, para outro estado, milhas de distância... Para um lugar diferente e onde você não conhece ninguém, tudo para seguiu o seu sonho? Vale a pena?

— Vale! Se eu puder salvar uma vida, vai valer a pena. Você sabe que não está sendo fácil para mim, mas eu preciso ir, Mel, preciso encontrar uma forma de destruir essa doença.

Ela suspirou e falou com calma:

— Você não vai trazê-lo de volta dessa forma, Bruna.

— Eu sei... — Disse desanimada — Mas posso salvar a vida de outras pessoas já que não consegui salvar a dele.

— Você não vai mudar de ideia, não é mesmo?

— Não. — Assumi.

— O que devo fazer?

— Desejar-me boa sorte?!

— Boa sorte, pequena!

 

Foi a decisão mais difícil que tive que tomar em toda a minha vida, abrir mão de um sentimento tão forte não era fácil, mas Nathan precisava do seu tempo assim como eu também precisava.

Ele precisava sentir o luto e refletir sobre a vida, ver que o mundo era muito mais do que apenas Arthur e que existiam outras pessoas dispostas a fazê-lo feliz.

Não vou negar que aquelas semanas, junto dele, foram a melhores da minha vida e que ele se mostrou um verdadeiro príncipe encantado, o sonho de qualquer mulher. Entretanto, a vida não era baseada em páginas de livros infantis. Infelizmente, na vida real, sentimos dores e nem sempre o nosso príncipe é encantado.

Me desapegar de Arthur foi a pior sensação do mundo, me apeguei tanto àquele pequeno nos dois meses que passamos juntos, tanto que não tinha explicação. Eu o amava tanto e sentia que ele também me amava.

Em quatro dias, consegui conversar com a clínica, aluguei uma pequena casa próxima ao meu futuro local de trabalho, comprei minha passagem e minhas malas estavam prontas.

 

Estava no quarto do Arthur, ele estava dormindo em seu berço, faltava três horas para o meu voo e estava com o coração apertado. O peguei com calma, senti seu corpinho próximo ao meu e beijei sua testa. Sentei na poltrona e novamente o olhei, tentando guardar todo detalhe dele em meu pensamento. Tirei a chupeta da sua boca e ele logo fez um biquinho e a fechou.

— Não tenho muito tempo, pequeno. Daqui a pouco, estou indo embora e, provavelmente, em alguns dias você não irá se lembrar de mim. Serei apenas uma foto em um porta-retratos no seu quarto. Você tem que ser forte por ele, não deixe o bobão do seu pai se fechar novamente. O faça sorrir todos os dias, não dê muito trabalho para ele, o faça sair um pouquinho e nunca, nunca, esqueça que ele é o melhor pai do mundo. — Enxuguei minhas lágrimas antes que caíssem nele e beijei novamente a sua testa. — Vou sentir tanta, tanta saudade, você é a melhor pessoa que já conheci. Nunca vou esquecer de você, meu anjinho.

O coloquei novamente no berço e arrumei seus cabelinhos negros. Coloquei o porta-retratos com nossa foto juntos ao lado do seu trocador, juntamente com alguns brinquedos. Olhei novamente para ele e saí do quarto lutando contra minhas lágrimas.

A dor de não ver o sorrisinho dele, o ver crescendo, o seu desenvolvimento e seu rostinho todo o dia, corroía o meu peito. Não sabia que ia doer tanto assim ficar longe dele.

— Se despediu dele? — Perguntou Cloe, me fazendo assentir. — Vem, Bruna, tem muita gente para você se despedir e se não começar logo, perderá o avião.

Caminhei até ela e a abracei forte.

— Obrigada por tudo! — Agradeci, ainda em seus braços.

— Eu que agradeço. Você cuidou muito bem do meu filho... O que você fez, não tem preço.

— Não fiz nada, Sra. Brown.

Ela se afastou, me lançou um sorriso sincero e continuou:

— Você fez muito mais do que imagina. Agora, venha, Noemi está chorando desde que acordou.

Descemos as escadas e, logo que cheguei ao pé da escada, vi toda a família próxima a porta. Abracei cada um com carrinho.

— Vou sentir saudades, maninha. — Disse Theo.

— Gosto do fato de ter um irmão mais velho.

— Gosto de não ser filho único. — Disse ele, sorrindo.

— Se for meu irmão, não poderá ficar com Mel... Ela é minha irmã também. — Disse, com um sorriso de lado.

— Esquece! Vamos ser apenas amigos.

— Vou sentir saudades! Por favor, tente não deixar o Luís virar um mendigo com tantas apostas.

— Tenho apenas sorte. — Ele deu os ombros.

— Sorte no jogo, azar no amor. Fique longe da Melissa e da Bruna também. — Disse Luís.

— Calma, morena. — Theo o provocou.

— Chega, né meninos? — Disse, abraçando o Luís. — Não deixe ele ficar sozinho. — Falei, próximo ao seu ouvido.

— Vou cuidar dos dois para você. — Disse ele, me tranquilizando.

— Obrigada! — Agradeci.

— Promete que vai voltar. — Disse Noemi, com os olhos marejados.

— Prometo!

— É tão difícil dizer tchau. — Ela me surpreendeu com um abraço.

— Meu amor, desse jeito, ela vai perder o voo. — Disse Mart, afastando a mulher dos meus braços. Ela se afastou, secou as lágrimas com um lenço e abraçou Theo, que a levou para a cozinha.

— Ela não gosta de despedidas.

— Ninguém gosta. — Concordei.

— Tem certeza de que não quer que eu a leve para o aeroporto? — Perguntou Mart.

— Tenho, Mart. Tio Alberto está me esperando.

— Manteremos correspondência?

— Mart, existe celular.

— Oras, bobagem de tecnologia, tudo lixo eletrônico... Evito ao máximo.

— Manterei correspondência. — Disse, o abraçando.

Quando terminei de me despedir do Mart, olhei ao redor em busca de Nathan e percebi que ele não estava ali.

— Está sendo difícil para ele também. — Disse Cloe.

— Para todos nós. — Luís falou.

— Ele não quer ver você partindo. — Disse Cloe, me lançando um sorriso gentil.

— Tudo bem! Eu o entendo... Já me despedi dele.

Abracei novamente cada um e finalmente saí da casa grande, olhando o jardim. Entrei no carro, coloquei o cinto e olhei pela janela para cada pessoa acenando para mim, levantei o olhar e, através da janela do quarto do Arthur, conseguir ver Nathan com sua postura firme, sem demonstrar qualquer emoção. O carro ganhou velocidade e logo não podia mais vê-lo, olhei para frente e tentei não chorar.

 

— Por favor, não confie em estranhos. — Tia Anne pediu, pela segunda vez.

— Todos serão estranhos para ela. — Disse Tio Alberto, ao lado da mulher.

— Então, não vá. — Disse ela, me olhando com atenção. — Fique!

— Mãe... — Melissa disse em um tom cansado por já ter ouvido o mesmo discurso segundos antes. — Ela não é uma menininha faz muito tempo.

— É tão difícil! — Disse Anne, me abraçando. — Qualquer coisa, volte.

— Voltarei.

Eles me envolveram novamente no terceiro abraço em grupo, mais apertado e demorado. Me afastei deles, arrumei meu cabelo e olhei para minha família. Tia Anne e Mel estavam com os olhos cheios de lágrimas e tio Alberto se manteve firme, como um bom policial. Ouvi meu voo ser anunciado, apertando ainda mais o meu coração.

— Tenho que ir. — Disse, olhando eles.

— Boa sorte, pequena! — Melissa disse docemente.

— Ligue todos os dias. — Anne pediu.

— Tenha juízo menina. — Completou Alberto.

— Ligarei quando chegar. — Lancei um sorriso para cada um e deixei que uma lágrima caísse. — Vou atrás dos meus sonhos, acabarei com o sofrimento de muitos.

— Não tenho dúvidas. — Disse Alberto, com um sorriso.

Segurei firme a minha bolsa, me afastei deles e segui até o portão de embarque. Mas senti meus pés pararem quando meu nome ecoou pelo grande aeroporto.

— Bruna! — Me virei e vi Nathan correndo com Arthur nos braços que sorria com os movimentos do pai.

Ele se aproximou, ofegante, me lançou um sorriso de lado e vi uma formação de seguranças ao nosso redor, impedindo qualquer um de se aproximar.

— Ele esqueceu de dizer tchau. — Disse ele, me fazendo olhar o pequeno que já reclamava em seu colo.

O peguei no colo e o apertei cheirando, seu pescoço.

— Ai, meu pequenino, eu te amo tanto! Seja um bom menino, nunca deixe de brincar ou de sorrir. — O afastei do meu corpo e o vi sorrir. — Era tão fácil me despedir com você dormindo.

— Esqueci de me despedir. — Disse Nathan.

— Então, isso é uma despedida?

— Segundo a tradição, nossas despedidas têm que ter uma dança.

— Nathan, todos irão ver.

Ele pegou Arthur dos meus braços, caminhou até a Mel e o entregou para ela com carinho. Ele se aproximou novamente, devagar.

— Não temos muito tempo, apenas me dê uma dança de despedida. É só o que te peço.

— Não irei te negar isso.

Ele sorriu, se aproximou, segurou minha cintura firmemmente, me fazendo envolver meus braços ao redor do seu pescoço e afundar meu rosto em seu peito largo.

Seu cheiro era viciante, seu corpo exalava calor, assim como o meu. O tempo praticamente parou e, por momento, não consegui ouvir os barulhos ao meu redor. Naquele momento, só existiam nós dois. A última chamada do meu voo fez com que eu me afastasse dos seus braços. Olhei para cima e seus olhos azuis não estavam tão destacados e sua expressão podia ser muito bem decifrada. Ele estava triste como eu, mas isso precisava ser feito. Ele secou minhas lágrimas com os polegares, me fazendo perceber que chorei enquanto dançávamos.

— Maneira diferente de dizer adeus. — Disse.

— Não estou dizendo adeus, apenas um... Até logo.

Sorrimos.

— Até logo. — Disse.

— Até.

Ele pegou Arthur novamente, dei um beijo nem suas bochechas rosadas e me afastei sem olhar para trás. Um novo futuro me esperava em frente e eu estava disposta a viver cada possibilidade que o

mundo me oferecesse .