A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 37 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 36

 

Bruna Watts

Quando finalmente pisei em solo firme, um sorriso apareceu instantaneamente.

Finalmente estava em casa!

Segui até o portão de desembarque de mão dadas com Laird que olhava cada canto do aeroporto. Assim que vi a família da Mel com uma plaquinha de boas-vindas, soltei a mão de Laird e corri para abraçá-los. Eles me envolveram em um abraço em grupo e percebi o quanto estava com saudades deles. Logo que me afastei do abraço apertado, tio Alberto segurou meu rosto com as duas mãos e olhou cada canto do meu corpo.

— Não mudou nada, minha menina. — Alberto disse.

— Obrigada por dizer que ainda estou pequena. tio.

— Bobagem dele, menina. Você está magnífica, tornou-se uma linda mulher. — Disse tia Anne, me abraçando.

Nos afastamos quando alguém coçou a garganta e olhamos na direção dos meus novos funcionários.

— Pessoal, quero apresentar meus amigos e novos funcionários da clínica. — Disse, me aproximando do grupo a minha frente. — Esses são Kazan e Aaron, fisioterapeutas; Gabby, enfermeira; Dany e Laird são os médicos.

— E não esqueça, além de médico, Laird é seu namorado. — Disse Gabby, me lançando um sorriso.

Obrigada por me lembrar, Gabby.

— O quê? — Meus tios disseram, em uníssono.

— Desculpe, esqueci de falar, Laird é meu na...morado

Eles ficaram me olhando por um tempo e senti o clima ficar um pouco pesado. Tio Alberto cruzou os braços e encarou Laird como se fosse arrancar a cabeça dele a qualquer momento.

— É um prazer conhecê-los. — Disse Melissa, quebrando o silêncio.

— Vamos pegar as malas, estou louca para chegar à casa. — Disse Gabby, saindo de perto.

Não contive as lágrimas ao atravessar a porta da minha casa, tudo estava exatamente igual, até a cadeira de balanço estava em seu velho lugar. Tia Anne fez um excelente trabalho no jardim e a casa estava perfeitamente limpa e arrumada.

Gabby ficou com o meu antigo quarto enquanto eu me organizava no quarto do meu pai com a ajuda da Melissa. Os meninos levaram as malas para seu novo apartamento e prometeram voltar assim que terminassem.

— Então, está namorado? — Perguntou Mel, enquanto dobrava as minhas blusas.

— É...estou. — Respondi.

— Gosta dele?

Parei de arrumar meus vestidos e a encarei.

— Claro!

— Hum. — Murmurou ela.

— O que quer dizer com esse “hum”?

— Nada.

— Fale de uma vez o que quer perguntar, Mel. Eu te conheço.

— Está feliz?

— Essa era a pergunta? — Bufei e a respondi: — Estou.

— O que te fez aceitar o pedido dele?

— Como assim?

— Ah, sabe, o que te fez você gostar dele.

— Ele é... O jeito gentil dele... Ele me faz rir, é muito bondoso, é carinho e ele é gentil.

— Você falou gentil duas vezes.

— Ele é muito gentil.

— Isso é tudo que fez você aceitar o pedido?

— Precisa de mais?

— De tudo isso, você esqueceu o principal para se firmar um relacionamento minha, irmã.

— O quê?

— O amor, Bruna. Você não o ama.

A encarei por um tempo e, sinceramente, sabia que ela estava certa. Eu odiava quando ela tinha razão.

— O amor vem com o tempo. — Disse, tentando acreditar nas minhas palavras.

— Você está se ouvindo? Isso é ridículo, Bruna! O amor não é uma brincadeira para jogar o quanto quiser e depois desistir.

— Quem disse que quero desistir?

— Então, irá brincar com os sentimentos do Laird?

— Não estou brincan...

— Está sim! Ele gosta de você e você está com ele apenas para esquecer o Nathan.

— O quê? — Gritei — Claro que... não.

— Olha, Bruna, você pode enganar a mim, meu pai, minha mãe, a Gabby, os seus funcionários, o Laird... E até mesmo o Nathan. Mas nunca conseguirá enganar a você mesma. — Ela se levantou, se aproximou e deu um beijo na minha bochecha. — Você merece ser feliz.

— Eu vou ser.

— Vai, sim! Mas sua felicidade não está no Laird e você sabe exatamente onde ela está. — Ela saiu do quarto sem dizer mais nenhuma palavra.

Nenhuma palavra precisava ser dita, ela estava novamente certa.

— ¥—

Estava nervosa, a inauguração da clínica finalmente havia chegado e depois de alguns dias, organizando e verificando cada ala da clínica, tudo estava maravilhoso.

Não se parecia em nada com o lugar repugnante em que meu pai passou terríveis dias. O antigo VR foi transformado em um grande salão de festa, todos os quartos eram arejados e iluminados e os consultórios médicos foram devidamente equipados e estavam prontos para serem usados.

O vestido amarelo estava divino no meu corpo, o decote quadrado com pequenas pedrarias o deixava lindo e, embora a abertura das costas me fizesse sentir desconfortável, segundo Melissa, eu precisava estar apresentável diante dos meus convidados, por isso ignorei as minhas costas nuas e tentei controlar minha ansiedade.

— Nossa! — Exclamou Laird quando entrei na sala — Você está linda!

Laird era um homem atraente, não podia negar, sua pele morena e seu cabelo negro, típico de qualquer indiano, chamaria atenção de qualquer mulher. Ele estava devidamente vestido em um terno de três peças e sua colônia podia ser sentida mesmo estando longe um do outro.

— Obrigada, você também está muito bonito.

— Sou um homem de sorte em tê-la apenas para mim. — Disse ele, se aproximando, colocando suas mãos na minha cintura e me aproximando dele. — Está preparada?

— Estou, todos estão animados, é um dia importante.

— Sim, um dia muito importante... Vamos, então? Todos já estão por lá e creio que a anfitriã da festa também deveria estar presente receber os convidados.

— Sim, vamos. — Disse, me afastando dos seus braços e pegando minha bolsa no sofá.

 

Cumprimentei todos os convidados ao lado de Laird e Elizabeth, a festa estava maravilhosa e todos os convidados estavam à vontade, assim como eu esperava. Depois de quase uma hora sorrindo e conversando sobre os projetos da clínica, me afastei de todos e entrei no jardim.

Pequenas lâmpadas estavam espalhadas e uma grande mesa de doces chamava a atenção das crianças.

Estava olhando cada pessoa da festa, mantendo-me um pouco afastada.

— Quer alguma bebida? — Olhei na direção do meu namorado e o vi com um sorriso singelo.

— Sim, gostaria de um suco.

— Já volto, meu bem. — Disse ele, me beijando rapidamente e se afastando.

Fiquei olhando por um momento até que ele sumiu entre as pessoas e um choro me chamou atenção. Olhei para o lado e, próximo a mesa de doces, um garotinho estava no chão, chorando. Me aproximei, o ajudei a se levantar e vi um pequeno arranhado em seu queixo, suas bochechas estavam rosados e seus olhos levemente vermelhos.

— Você está bem?

Ele não me respondeu. O levei até o outro canto do jardim e me ajoelhei.

— Ei, pequeno, não precisa chorar. — Disse, secando as suas lágrimas. — Está doendo? — Ele fungou e concordou. — Aposto que se eu der um beijinho, vai sarar! Posso? — Ele me deu um sorrisinho que encarei como permissão, então beijei sua bochecha. — Sarou?

Ele sorriu e finalmente falou:

— Sim.

— E como é seu nome, criança?

— Sou homi.

Respondeu me fazendo gargalhar.

— Me desculpe, então qual é o nome desse homem forte e lindo?

— É atu, tia.

— Arthur? — Alguém o chamou com firmeza, fazendo o pequeno sorrir.

Conhecia aquela voz!

— Papai! — O pequeno correu, me deixando para trás.

— Nunca mais saia de perto de mim, está ouvindo? Nunca mais!

No momento em que novamente a sua voz, senti meu corpo ficar tenso e as borboletas no meu estômago ressurgiram fortemente.

Estava tão próxima do Arthur... Oh, meu Deus, como ele tinha crescido!.

— Discupa papai, eu fiz dodói e a tia me deu um beijinho para salá.

— Obrigado por cuidar do meu filho.

Não sabia o que fazer, não sabia se estava preparada para vê-lo, minhas pernas parecem gelatinas e eu não sabia se tinha forças para me levantar.

Me levantei devagar, depois de alguns segundos com os pensamentos voando em minha mente. Limpei meu vestido com o propósito de atrasar o momento e me virei, automaticamente sorrindo.

Ele não havia mudado muito, seus olhos azuis ainda me encantavam, seu rosto, os lábios e até mesmo sua barba malfeita me chamava ainda mais atenção. Senti tanta saudade dele.

— Bru...Bruna!

Coloquei uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e senti minhas bochechas esquentaram levemente.

— Oi... Oi, Nathan. — Gaguejei.

— Você...

— Vejo que já conheceu minha sócia. — Disse Elizabeth, o interrompendo. — Nathan, Bruna me ajudará no desenvolvimento da clínica.

— É mesmo? — Disse ele, sem desviar o seu olhar do meu.

— Ah sim, ela tornará uma excelente médica, assim como o namorado dela.

— Na...namorado? — Perguntou ele, desviando o olhar do meu e olhando Elizabeth com atenção.

— Sim, Laird é um médico indiano especialista em ervas medicinais. Ele é um gênio e será muito útil na clínica, não é mesmo, Bruna?

— Sim, ele será. — Disse, tentando não reparar no olhar de decepção no rosto do Nathan.

— Meu bem, você sumiu. — Disse Laird, se aproximando e me entregando uma taça com suco. — Do que falavam?

— Sobre você. — Respondeu Elizabeth

— Espero que apenas coisas boas.

— Não tem como falar mal de você. — Respondeu ela, com um sorriso

Enquanto eles conversavam, senti o olhar de Nathan sobre mim e, por um momento, me senti desconfortável. Laird colocou a mão na minha cintura e me aproximou dele, me fazendo olhar para Nathan, que estava com a testa franzida. Eu podia jurar que, a qualquer momento, ele poderia arrancar Laird do meu lado e matá-lo.

— Não é mesmo, meu bem? — Perguntou meu namorado.

— Como? Me desculpe, estava distraída.

— Oras, meu amor, estava dizendo que o jantar beneficente será um sucesso, não acha?

— Ah, sim! Claro.

— Virá a festa beneficente, Sr. Brown? — Perguntou Elizabeth.

— Claro, não perderia isso por nada. — Disse ele, me olhando.

— Será um prazer vê-lo no jantar beneficente. — Disse minha sócia, com um sorriso.

— O prazer será meu. — Arthur bocejou no colo do pai, fazendo Nathan desviar o olhar de mim para o filho. — Bom, acho que já passou da hora de colocar esse rapazinho na cama.

Ele agradeceu a Elizabeth, cumprimentou Laird formalmente e se aproximou de mim, me fazendo inalar seu maravilhoso cheiro, que eu ainda era tão viciada. Arthur automaticamente se jogou nos meus braços, me fazendo soltar um grito de surpresa e beijar sua testa.

— Boa noite, pequeno.— Disse.

— Noite, tia.

Nathan se aproximou ainda mais, beijou minha bochecha e sussurrou:

— Foi muito bom te ver novamente e, agora que está aqui, nada lhe fará sair da minha vida. — Ele pegou o filho e se afastou, levantando com ele toda a minha sanidade.