A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 20 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 19

 

Bruna Watts

Arthur completou quatro meses de pura gostosura, fazendo toda a família comemorar junto com o pequeno que amo, sendo mimado por cada um e ganhando alguns brinquedos.

As visitas ao meu pai me faziam ficar tranquila por ver que ele estava em um lugar seguro, mas nenhum sinal de melhora. Sua voz estava mais forte o que significava que ele estava falando, não quanto eu queria, mas já era um avanço poder ouvir a sua voz. Se ele se lembrou de mim? Não, e só falava comigo quando queria que eu lesse um livro ao lado da sua cama.

Fui ao velório da Abigail, a idosa que faleceu na clínica, precisava mostrar minhas sinceras condolências a ela e a família.

Uma semana, apenas uma semana, foi o suficiente para me fascinar por Nathan, descobri que ele tem muitos lados e não sabia qual me agradava mais.

Todos, provavelmente!

Seu lado advogado, filho, amigo, patrão e, com certeza, seu lado pai me chamava muita atenção, o jeito carinhoso dele com filho era lindo de ser ver.

Até comentei com Melissa sobre o seu jeito carinho com toda a família, o que fez ela chama isso de amor, e me fez brigar muito com ela, odiava quando ela tinha ideias absurdas e totalmente sem noção. O homem acabara de perder a mulher, eu não podia estar gostando dele.

Apenas estava o admirando depois de tudo que ele fez por mim no julgamento. Cinquenta e quatro anos, ela pagaria pelos seus crimes juntos com todos os seus aliados, mesmo achando que ela merecia uma pena de prisão perpétua, tinha que admitir que o julgamento foi justo em todos os pontos. Nathan me surpreendeu ajudando Elizabeth, nunca imaginei que ele poderia fazer isso por mim e por ela. Fiquei sem reação quando descobri que ela era mãe de Lorenna, mas uma mulher que nunca demonstrou amor pelo meu pai o os demais da clínica, nunca iria me surpreender pelo jeito que tratou a própria mãe todos esses anos.

Fui muito longe com o beijo na bochecha, era a segunda vez que fazia isso e totalmente por impulso. Entrei na clínica ainda tentando recuperar o fôlego depois de sair correndo do carro, morrendo de vergonha do que fiz.

— Tudo bem, Srta. Watts? — Perguntou Michael. tocando em meu ombro.

— Claro, apenas feliz.

— Fiquei sabendo da sua vitória no tribunal. Parabéns! — O encarei e ele continuou: — Os jornais só falam disso.

— Nossa! Rápidos. Obrigada, Dr. Richmond! O mérito é todo do Nathan. Posso ver o meu pai?

— Claro! Já sabe o caminho, senhorita.

Acenei um tchau para ele e segui o caminho para o quarto do meu pai. Bati a porta apenas por educação e, logo em seguida, entrei. Uma enfermeira estava ajudando-o a subir na cama, deixei minha bolsa sobre uma mesinha e a ajudei.

Depois que a enfermeira saiu, fiquei olhando para o meu pai que manteve os seus olhos azuis em mim. Ele estava aparentemente melhor, as manchas em seu rosto sumiram e ele tinha começado a ganhar um pouco mais da sua cor natural, mas seu peço ainda continuava o mesmo, o que significava que a alimentação ainda era um assunto sério.

Arrastei a cadeira para próximo da sua cama e fiz uma silenciosa oração, enquanto me aproximava.

— Sr. Watts, gostaria de algo? — Perguntei.

— Quero a minha Rebeca. — Disse ele, olhando para o teto.

O quê? Ele se lembrava dela?

Isso significava que eu podia ter esperanças? Que ele não se esqueceu de tudo, que ela ainda estava presente na mente dele e que ele pode se lembrar de mim!?

— Senhor...

— Você me lembra muito ela... — Ele tomou um pouco de fôlego e continuou. — Seus olhos e cabelos são iguais ao dela. Nunca tivemos filhos, mas se tivéssemos gostaria que fosse igual a você, moça.

Dei um sorriso para ele e me esforcei para não chorar, não na sua frente.

— Ela seria uma filha de sorte.

— Não, moça, eu seria um pai de sorte.

Me levantei, o abracei forte e, mesmo sendo surpreendido pelo gesto, ele retribuiu o abraço. Ele estava cheirando a sabonete e seus poucos cabelos estavam molhados, sua mão subia e descia pelas minhas costas e ele insistia em dizer “vai ficar tudo bem, moça” me fazendo chorar, já tinha escutado essas palavras e nada havia melhorado, pelo contrário, apenas piorou.

Me afastei dele aos poucos e ele se manteve em silêncio, olhando para mim enquanto eu estava enxugando as lágrimas.

Fiquei com ele por mais algumas horas e ele disse poucas palavras. Quando terminei de ler para ele O pomar de Theresa Weir, me despedi, prometendo voltar em breve.

O doutor Richmond não me deu esperanças com as lembranças do meu pai, disse que era apenas sorte que ele ainda se lembrava da minha mãe e que provavelmente logo iria se esquecer.

 

Quando cheguei a fazenda já estava escurecendo, paguei o motorista do taxi e entrei na casa grande e fui direito para a cozinha, não podia me atrasar com o jantar.

Coloquei um avental que estava em cima do balcão e peguei todos os ingredientes para fazer um Pierogi e uma salada de salmão. Noemi não estava na cozinha, então tive dificuldade para achar alguns ingredientes.

Estava terminado de fechar meus Pierogie, por isso estava toda suja de trigo e meu coque estava despenteado.

— O jantar pode ser para três? — Perguntou Nathan, entrando na cozinha com Arthur no colo, virado para frente, babando em seu braço.

— Três? Pensei que todos jantariam.

— Noemi e Mart foram ao cinema ou algo assim, Theo e Luís estão na faculdade e minha mãe foi a um jantar beneficente. Seremos apenas nós três, algum problema?

— Não. Claro que não.

— E o que teremos para o jantar? — Perguntou limpando a boca do Arthur, cheia de baba, e se sentou.

— Bom, nós dois iremos comer salada de salmão com Pierogie com molho de carne. — Disse abrindo as panelas deixando sair o cheiro delicioso. — E para o Arthur, terá uma mamadeira cheia de leite morno. — Disse, andando para o outro lado e pegando a mamadeira limpa sobre o armário.

— Você acertou em cheio! É o prato preferido dele, ultimamente. — Disse, com um sorriso maravilhoso.

— Toda cozinheira tem seus talentos. — Disse, batendo as mãos em meu avental. — Gostaria tanto de pegar ele um pouquinho.

— Fala para sua tia, Arthur: “nem pensar, acabei de tomar banho e estou cheirosinho. — Disse, cheirando o pescoço do filho o fazendo gargalhar.

— Isso significa que tenho que tomar banho? — Perguntei, colocando as mãos na cintura.

— Claro! Uma dama precisa estar apresentável diante de dois cavalheiros, não é, filho? — Falou, virando Arthur para que ficasse de frente para ele. Arthur fez um som que parecia de concordância. — Viu? Ele concorda comigo.

— Ok. Cavalheiros, vou tomar banho. — Disse, tirando o avental. — E vocês, nem pensem em mexer nas minhas panelas.

Deixei os dois na cozinha, subi as escadas já desmanchando meu coque e entrei no meu quarto. Peguei um vestido cáqui no meu guarda-roupa e joguei sobre a cama.

Tirei minha roupa, fiz novamente um coque mau feito e entrei no boxer do banheiro. A água quente lavava toda a sujeira do meu corpo, desliguei o registro do chuveiro, enrolei meu corpo em uma toalha felpuda e saí do banheiro.

Depois que passei um hidratante e um perfume, vesti minha roupa, soltei meu cabelo, desci as escadas, entrei na cozinha e a mesa já estava arrumada. Nathan estava colocando um vinho na mesa.

— Oi! — Disse, tímida, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.

— Vem se sentar... vou servir você. — Disse ele, puxando a cadeira.

— Ah! Não precisa. Eu...

— Bruna, por favor, você já fez o jantar. Deixe-me lhe servir.

Caminhei até ele e me sentei. Abri o guardanapo e coloquei em meu colo, enquanto ele me servia. Ele se sentou ao meu lado e comeu um pedaço do Pierogie com ricota e me ficou calado.

— O quê? Está ruim? Olha, eu não sou tão boa assim na cozinha... Eu...

— Está muito bom! Nunca comi isso, o que é mesmo? — Perguntou, comendo outro pedaço.

— Pierogie, culinária judaica.

— Não sabia que é judia.

— Não sou. Meus avós eram e minha mãe me ensinou algumas coisas, mas nunca fui às sinagogas ou aos templos. Tudo que aprendi foi em casa.

— Apreendeu muito bem.

— Obrigada! — Agradeci.

Ficamos em silêncio depois disso, o único barulho era dos talheres raspando no prato e os resmungos de Arthur por estar no bebê conforto.

Terminei de jantar, arrumei a mesa e coloquei tudo no lava louças. Arthur estava dormindo no colo do pai e Nathan estava olhando para mim enquanto terminava de arrumar tudo.

— Vou colocá-lo no berço. — Disse ele.

— Deixe-me colocar? Passei o dia longe dele, estou com saudades.

Ele não respondeu, apenas se aproximou com um sorriso de lado. Ele tão perto fazia meu coração acelerar e minha boca ficar seca, parecia que estava passando mal. O cheiro de loção pós-barba encheu meus pulmões.

Ele colocou Arthur com cuidado no meu colo, arrumou a cabeça dele no meu braço, passei a mão nos cabelos negros de Arthur e dei um sorriso quando ele deixou a chupeta cair.

— Linda!

— É, ele é lindo. — Confirmei.

— Não estava falando dele. — Disse, colocando a mão em meu queixo, me fazendo olhar para ele. — Obrigado pelo jantar de comemoração. — Ele se aproximou ainda mais e me deu um beijo no canto da boca. — Boa noite, Bruna!

Ele simplesmente saiu, me deixando sem fala ou qualquer reação. Ainda com o coração palpitante e as pernas bambas, me sentei na cadeira tentando entender o que tinha acabado de acontecer.