A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 47 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 46

 

Nathan Brown

— Eu juro que se você não parar com isso, eu vou sair de casa e só voltarei ao anoitecer. — Disse Bruna.

— Você não faria isso.

— Faria sim, não duvide de mim, Nathan Brown. Já disse umas trezentas vezes que estou grávida. Grá-vi-da, não inválida. Céus! Pare de baboseiras.

— Estou cuidado de você, de vocês.

— Isso não é cuidado, é paranoia.

— Está me chamando de paranoico?

— Não disse isso, apenas disse que suas atitudes ultimamente estão sendo paranoicas.

— Você não vem me ajudando, sempre de um lado para o outro, me deixando preocupado.

— O que quer que eu faça? Fique trancada dentro de casa?

— É pedir muito?

Ela bufou, pegou seus livros e se afastou da mesa de jantar, seguindo até a sala.

— Aonde você vai?

— Para Narnia, se for possível. — Bufou ela.

— O quê?

— Esquece. Apenas deixe-me terminar o trabalho da faculdade, ainda tenho que ir para a clínica, rever os relatórios e preparar os últimos detalhes do aniversário do Arthur.

— Está vendo? É isso que me deixa louco! Você quer fazer mil e uma coisas, você não é a Mulher Maravilha!

— Sou mãe, Nathan, e isso é o suficiente. Descobri que posso fazer mil e uma coisas e muito mais. Pensando bem, eu sou sim a Mulher Maravilha.

— Céus! Vou ficar com os cabelos brancos antes do tempo e a culpa será sua, Bruna Brown.

— Espero que sim, acho muito sexy um homem com cabelos brancos.

— Não brinque comigo.

— Nunca faria isso, você tem muito com que se preocupar, ele é um bom exemplo. — Disse ela, apontando para o hall de entrada, onde Henry estava parado nos olhando.

— O que...

— Ei, seja gentil! Ele já demonstrou que é diferente da esposa. Quero que converse com ele com calma.

— Não vou conversar com ele.

— Você vai sim! — Disse ela, autoritária — Ele já está passando por um momento difícil desde que a esposa entrou para a clínica.

— Como sabe que ela... Minha mãe?

— Eu já disse que amo a minha sogra? Pois eu a amo!

— Espero que não esteja esperando uma menina, pois não aguentaria uma filha mimada pela minha mãe.

— Pois estou torcendo que seja, meu amor, afinal já posso prever os seus cabelos brancos depois que ela nascer.

— Céus! Não fala isso... — Olhei para Henry novamente e em seguida, voltei a atenção para minha esposa. — Eu te amo!

— Eu sei. Agora, vá falar com ele e seja gentil.

— Você está apenas aproveitando a oportunidade para fugir de mim.

— Não seria louca de fugir de você, já fugi o suficiente no início, agora vou apenas aproveitar um tempo sozinha, longe da sua paranoia. — Ela me deu um selinho rápido e se afastou.

O pequeno formato arredondado da sua barriga já podia ser visto através da sua roupa, ela já havia completado os três meses de gestação há algumas semanas. E mesmo com tudo apontando que eles estavam bem e que sua gravidez seria tranquila e saudável, ainda me sentia aflito.

Mesmo depois da confirmação da gravidez, ela se recusou a parar os estudos e o trabalho. Pelo contrário, parecia até que ela estava se esforçando o triplo, me deixando completamente louco.

Arthur ficou eufórico quando soube que teria um irmãozinho ou irmãzinha. Não foi fácil explicar tudo para ele, principalmente algumas perguntas que ele fez, mas eu e Bruna explicamos tudo como deveria ser explicado para uma criança de quase três anos e, por fim, ele se deu por satisfeito.

As semanas estavam sendo difíceis, cada enjoo ou cansaço me assustava, mas ela estava sendo paciente, o máximo possível.

Passei as mãos em meus cabelos e desviei o olhar de onde minha esposa tinha sumido e encontrei Henry, parado no mesmo lugar.

— Vamos ao meu escritório, precisamos de privacidade.

Apontei a cadeira a minha frente e ele se sentou, peguei uma caneta e comecei fazer movimento giratórios com ela entre os meus dedos, enquanto olhava Henry encarar o escritório com atenção.

— Henry, pare de olhar a decoração e fale o que quer de uma vez.

— Você sabe exatamente o que quero.

— Rever o Arthur... Já te disse o que vocês devem fazer.

— Não tem vocês, não estou com a Charlotte, Nathan. Não me compare a ela.

— O que ela fez não tem perdão.

— Não estou pedindo o seu perdão, não tiro sua razão de odiá-la. Apenas não pode me manter longe do meu neto pelos erros dela.

— E quer que eu confie em você?

— Depois que acertamos nossas desavenças, nunca lhe dei motivos para desconfianças.

— Sua esposa me deu motivos suficientes.

— Já te disse que não sou ela. Droga, Nathan! Não me afaste dele, por favor. Ele é a única parte viva da minha vida. Ela era tudo para mim e, agora, ele é tudo para mim. Você seguiu em frente, está reconstruindo a sua vida... Eu necessitando dele próximo de mim. Por favor, não o afaste de mim.

— Não quero sua esposa próxima ao meu filho, mesmo que ela esteja em uma clínica tratando da loucura que sempre soube que ela tinha. Não me importo com ela, porém se ela chegar perto dos meus filhos ou da minha esposa, você também será obrigado a se afastar.

— Você está dizendo que...

— Você sempre foi o capacho de Charlotte, Henry. Não o culpo porque aquela mulher é o próprio...

— Entendi. — Disse ele

Me levantei calmamente, dei a volta na mesa e ofereci minha não como cumprimento. Ele me encarou por um tempo e apertou minha mão fortemente.

— Vamos até o Arthur, ele com certeza está com saudades de você.

Um sorriso surgiu no rosto dele e logo ele se levantou. Eu o acompanhei até o jardim, onde eu tinha certeza que meu filho estava brincando com os animais.

Assim que Henry o viu, ele correu até o neto, o pegando no colo e o abraçou. Ele se virou, me fazendo vê-lo chorando pela primeira vez e sussurrou um “obrigado”.

— Sabia que ia fazer a coisa certa. — Disse minha mãe, se aproximando ao meu lado.

Beijei a testa da minha mãe e entrei novamente em casa.

— Onde vai? — Perguntou ela.

— Vou atrás da Bruna, temos que terminar o assunto que começamos... Ela precisa frear sua rotina ou vou acabar morrendo de preocupação com essa mulher.

— Gosto do jeito que ela tem lhe tratado.

— Você deveria estar do meu lado.

— Estou do lado da minha nora e do meu neto que ela está gerando. Você complica demais e ela tem sido um poço de paciência, se fosse eu, irá te mandar plantar batatas desde o início. — Disse ela, com um sorriso no rosto antes de sair em direção ao grande jardim.

Ótimo, minha esposa e minha mãe se tornaram aliadas. Por favor, que não seja uma menina.