A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 15
Nathan Brown
Desde que Jessica faleceu, não me preocupava com meu lado advogado, mergulhei de cabeça na empresa da minha família, me mantendo um pouco afastado dos movimentados e excitantes tribunais. Luís não poderia assumir o escritório já que estava no início da faculdade, então só lhe sobrava a empresa.
Tratei de contratar uma secretária de meia idade para ele, fazendo Melissa ficar mais aliviada com o trabalho. O que não deixou ele nada feliz já que a sua nova secretária era uma senhora de quarenta e três anos. Não poderia arriscar ser processado por assédio, já que ele não conseguia segurar o próprio pau na calça. E Megan parecia ser uma ótima funcionária.
Luís me prometeu não se envolver com Bruna, o que me deixou tranquilo, mas não o fez parar de fazer suas gracinhas com ela.
Não ouvi queixas sobre o trabalho de Bruna, pelo contrário, todos elogiavam o seu jeito doce e amável. Meu filho estava em boas mãos. Realmente não acharia alguém melhor do que ela para ser a babá de Arthur.
Duas semanas se passaram e algo estava errado com ela, mesmo que ela se esforçasse para não demostrar, eu sabia que algo estava tirando a sua paz.
Devia ter desconfiado que ela estava com saudades do pai, afinal no dia da entrevista ela demonstrou ser muito apegada a ele. Quando Noemi me contou parcialmente a história, me senti um idiota por não deixado ela ter ido antes rever o pai.
— Obrigada. — Agradeceu a Noemi
— Eu que tenho que lhe agradecer. Se não fosse você, nunca teria percebido que ela estava com saudades do pai. — Disse assim que Bruna saiu pela porta da casa grande. — Você não irá me contar o motivo do pai dela estar em uma clínica, não é?
— Isso depende apenas dela, não posso contar. — Disse ela me entregando Arthur e saindo da sala.
Não podia insistir para que ela falasse, umas das qualidades que valorizo em Noemi é a lealdade e sei que se Bruna pediu para que ela não contasse, ela não contará.
As madrugadas não eram as mesmas com Arthur, ele começou a dormir um pouco mais durante a noite, me fazendo ter pouco tempo com ele durante a noite, o que me fazia aproveitar os finais de semana.
Ele estava prestes a completar três meses e eu ficava impressionado com o que ele estava começando a aprender.
O vento levantava as folhas, as fazendo voarem para longe pelo jardim da fazenda. Estava andando a algum tempo com Arthur e Luís pelo campo aberto que antes eu costumava andar com o meu cavalo.
— Zeus sente sua falta. — Disse meu irmão
— Não tenho tempo para cavalgar.
— Você não tem tempo para nada desde que a Jessica se foi, meu irmão.
— O que quer dizer com isso? — Perguntei — Estou muito ocupado na empresa, você sabe.
— A empresa nunca foi empecilho para você. Quando foi a última vez que você falou com Logan? Ou com o Peter? Até mesmo Zeus você deixou de lado.
— Agora tenho um filho, droga! Não posso ficar de vagabundagem por aí.
— Arthur não é desculpa, você não está cuidando dele sozinho e, além do mais, você jogava basquete com eles, não ficava de vagabundagem. — Disse pegando Arthur do meu colo. — Se quer se afastar das pessoas, invente desculpas melhores, meu irmão, não culpe o seu filho. — Disse, se afastando.
Não me esforcei para segui-lo, sabia que ele queria aproveitar o tempo com o sobrinho. Também sabia que ele estava certo, realmente me afastei de todos que supostamente me fariam lembrar da minha esposa, na verdade fiz questão de me afastar, aos poucos, de tudo que me fazia lembrar de Jessica.
Me sentia tão orgulhoso por ser um homem caridoso e disposto a ajudar algumas instituições de caridade, mas já não me via marcando presença nas festas ou leilões beneficentes sem ela. Não me via cavalgando com Zeus pela propriedade e principalmente não me via reencontrando meus amigos. Estava deixando de viver, aos poucos, sem Jessica.
Dei meia volta e voltei para casa.
Depois de um banho e me certificar que Luís colocou Arthur direito no berço, fiquei trancado no meu escritório, lendo meu e-mail, até que meu celular começou a tocar. Verifiquei o identificador de chamadas e vi o nome de Bruna. Estranhei o fato de ela estar ligando, geralmente era sempre eu quem ligava para ela.
— Nathan...eu...eu preciso de você. — Disse ela, assim que atendi. Sua voz estava falha e percebi que ela havia chorado.
— Bruna, o que aconteceu? — Perguntei, me levantando.
— E... ele... e... eu. — Ela voltou a chorar, aumentando minha preocupação.
— Ele quem, Bruna? Você está machucada? Alguém tentou algo contra você? Onde você está?
— Em uma pracinha, próxima a clínica...
— Fica aí, estou indo, não saí daí, Bruna. — Falei, desligando o celular e saindo correndo do escritório.
Peguei o endereço com Mart, corri para o meu carro e não me preocupei em avisar minha equipe de segurança, eles que fossem atrás de mim.
Tentava afastar todos os pensamentos ruins que ''ele'' pode ter feito a ela. Não deveria ter deixado ela sair sem segurança, ela estava no meu mundo, envolvida com a minha família, não estaria segura. O mundo me forçou a ter medo do invisível e os bandidos que fiz questão de ajudar a colocar na cadeira faziam ou já fizeram algum tipo de ameaça. Todos os envolvidos no meu mundo recebiam ameaças, mas eu nunca deixaria que machucassem a minha família, afinal eles eram tudo para mim.
Avistei o carro da segurança, logo atrás, dando sinal de luz e continuei o caminho. O bairro não era dos melhores e achar a praça, na qual ela estava, foi fácil.
Desci do carro e, de longe, a avistei próxima a uma grande árvore, sentada em um banco amarelo. Sua cabeça estava apoiada em suas mãos e seus cabelos loiros a impediram de me ver. Dei sinal aos seguranças e caminhei até ela.
— Bruna? — Ela levantou a cabeça lentamente, me dando a visão de seu rosto levemente rosado e os olhos vermelhos. Quando ia lhe perguntar algo, ela me surpreendeu com um abraço forte. — O ele te fez Bruna? Você não ia ver seu pai? O que aconteceu?
Ela se afastou dos meus braços e enxugou suas lágrimas. Olhei sua roupa e vi que ela estava com um uniforme azul e em seus pés uma bota de borracha branca. Ela voltou para o banco, ao lado de um homem em uma cadeira de rodas que eu nem percebi que estava ali.
— Nathan esse é... O senhor Watts.
O fato de ela se referir ao pai formalmente não me surpreendeu tanto quanto acreditar que aquele homem realmente era o seu pai. Ele não parecia ser o pai dela.
— Pensei que estivesse na clínica.
— Tivemos que... — Ela se calou e olhou as crianças que brincava ao nosso redor.
— Bruna, só poderei te ajudar se você me contar o que está acontecendo. — Disse, me sentando ao seu lado.
Ela suspirou lentamente e falou:
— Sr. Watts, vou ali e já volto. — Ela passou a mão sobre a mão dele e logo me puxou, me afastando dele, mas em um local onde ela ainda conseguisse ver o pai.
— Bruna, não é vergonhoso ter um parente viciado em algo, muitas pessoas passam por...
— Ele tem Alzheimer, Nathan. Meu pai não é viciado em nenhuma substância química, ele apenas não se lembra que sou a filha dele, sou a única família que ele tem. Precisava do trabalho para pagar o tratamento contra a doença, infelizmente ela não tem cura, mas sempre temos alguma esperança que a doença não é nada, mas ela está o corroendo aos poucos. A clínica o maltratava, ela é apenas uma fachada. A maioria dos pacientes está sob o efeito de algum medicamento muito forte. Se eu não estivesse invadido, nunca ia descobrir o que eles fazem com os pacientes. — Ela tomou um pouco de fôlego e continuou. — Olha o que eles fizeram com ele... — Disse, olhando para o pai que continuava no mesmo lugar. — Ele está tão... diferente.
A lágrima rolou do seu rosto novamente. Tentei me colocar em seu lugar, mas era impossível descrever a dor que ela estava sentindo ao ver o pai daquele jeito.
Me afastei dela, passando as mãos em meus cabelos, e logo peguei meu celular no bolso da minha calça. No quinto toque o bendito celular foi atendido.
— Brown, que surpresa estar me ligando.
— Dr. Richmond, se lembra do favor que me deve? Gostaria de cobrar.
— Claro, Nathan! Se não fosse você, aquela sanguessuga teria levado até as minhas cuecas. O que posso fazer por você?
— Ainda é diretor daquele lar?
— Sim, por quê?
— Estou indo para lá, te encontro em quinze minutos com um novo paciente.
— Estarei lhe esperando.
Desliguei o celular, olhei pra Bruna e ela havia voltado para o lado do pai. Me aproximei novamente, peguei a pequena mala que estava ao seu lado no banco.
— Vamos, Bruna. — A chamei.
— Para onde? — Perguntou ela, me olhando e secando novamente suas lágrimas.
— Para um lugar seguro.
Ela fez questão de fazer tudo, ajudou as enfermeiras e não saiu de perto do pai nem por um segundo. Michael preparou um quarto totalmente equipado, aplicou um soro no Sr. Watts e garantiu que iria fazer todos os exames necessários.
Bruna estava sentada ao lado do leito hospitalar do pai e tentava fazê-lo tomar uma sopa, mas ele se recusava. Saí do quarto, a deixando a vontade com o pai.
— Nathan? — chamou Michael, fazendo com que eu o olhasse se aproximando.
— Obrigado pela ajuda. — Agradeci, voltando minha atenção para Bruna.
— Eu que agradeço, mas o caso dele me assusta.
— Por quê? — Perguntei, olhando ele.
— Não preciso fazer exames para saber que ele está desnutrido e desidratado. Algumas enfermeiras informaram que ele está com alguns hematomas no abdômen. Ele não reconhece a própria filha, o que significa que ele está no último estágio da doença. O Alzheimer causa depressão e ele está no início de uma. A doença é grave e ela é a terceira causa de morte aqui nos EUA. Não sei o que fizeram com ele naquele lugar, mas para ser bem sincero ele não demostra nenhuma vontade de viver.
— Já contou para ela? — Perguntei, olhando para ela pelo vidro da porta.
— De alguma maneira acho que ela já sabe .