A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 36 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 35

 

Nathan Brown

Não direi que foram fáceis os primeiros dias, me esforcei para a mudar de vida e seguir em frente, mas foi difícil.

Aos poucos o quarto de ensaio de Jessica foi transformado no quarto de brinquedos do Arthur e o meu quarto foi totalmente reformado.

A lista da felicidade foi emoldurada e teve mais alguns itens adicionados para minha felicidade estar completa.

O desenvolvimento do meu filho teve minha total atenção. Ele cresceu rápido e tive que me acostumar aos poucos com o fato de que ele estava crescendo. Depois do primeiro passo e a primeira palavra, ninguém o segurou mais, tivemos que colocar proteções nas escadas e nas quinas das mesas.

Arthur tinha completado dois anos e cinco meses. Os anos passaram rápidos demais, ele cresceu, se tornando uma criança amada e esperta. Como imaginei, Jessica estava presente no seu sorriso e meu filho adorava ouvir histórias sobre a mãe.

Charlotte estava sempre presente, o que me fazia sair de perto quando ela estava na minha casa, mas meu filho amava a sua avó e a inocência dele me encantava.

A empresa e o escritório estavam em segundo lugar no pódio da minha vida, a minha família sempre viria em primeiro lugar.

 

Terminei de fazer o nó da gravata quando escutei a porta sendo empurrada lentamente e o motivo do meu sorriso apareceu, andando sonolento com o pijama do lanterna verde, esfregando os olhos onde seu cabelo o incomodava. Ele precisava de um corte.

— Filhão, você devia estar dormindo.

— Quelo dumir qui, papai. — Disse, sonolento.

Me aproximei dele e o beijei na bochecha, o peguei no colo e ele afundou o rosto no meu pescoço e suas perninhas na minha cintura. O coloquei na cama e deitei ao seu lado.

— Papai não pode ficar aqui, tenho que trabalhar.

— Não! Papai blincar de gol.

— Prometo chegar mais cedo para jogar bola com você.

— Gol papai.

— Sim, meu amor, gol. — Beijei sua testa e o cobri.

Não demorou muito e meu filho já estava dormindo, coloquei alguns travesseiros ao seu redor e saí do quarto em silêncio.

Cheguei à sala de jantar, beijei o rosto de Noemi que servia café para minha mãe e sentei a mesa.

— Bom dia, Nathan! — Disse ela.

— Bom dia, Noemi! Luís ainda está no quarto?

— Ele não dormiu em casa. — Respondeu, sem cerimônia.

— Ele nunca crescerá assim... Ele pensa que a vida é apenas festa?

— Ele é jovem. — Minha mãe tentou defendê-lo.

— Na idade dele, eu já estava muito bem desenvolvimento na vida e casado.

— Ele não é você, Nathan.

— Infelizmente. — Disse tomando um gole do meu café e depois abrindo o jornal.

— Irá à inauguração da clínica da Sra. Rauser? Ela lhe mandou o convite, para o evento e para a festa beneficente, há meses.

— Não estou com vontade de responder milhares de perguntas dos jornalistas.

— Será uma cerimônia fechada e você poderá levar o Arthur.

— Não acho que Arthur gostará de ir em uma festa feita em uma clínica.

— Arthur gostará de qualquer lugar fora da fazenda, você poderá levá-lo até em um museu que ele irá adorar.

— Não posso arriscar a vida dele.

— Leve quantos seguranças forem necessários, mas o leve e creio que irá gostar da festa.

— E o que a faz pensar assim? — Perguntei, olhando minha mãe com atenção.

— Tenho minhas fontes. A inauguração é amanhã.

— Estarei presente somente em um dos eventos deles, para o jantar beneficente mandarei um representante.

— Não pensará assim por muito tempo. — Disse ela, sorrindo.

— Sabe de algo que eu não sei?

— Não. — Ela se levantou, colocou o guardanapo sobre a mesa e beijou minha testa. — Tenha um ótimo dia, filho.

Quando ela sumiu do meu campo de visão, vi Noemi sorrindo e soube que elas estavam escondendo algo e não adiantaria perguntar.

Terminei meu café da manhã, arrumei novamente minha roupa e quando estava saindo avistei Alysson lendo um livro.

Achar outra babá para assumir o lugar da Bruna foi quase impossível. Durante meses, nenhuma foi contratada e continuaria assim se não fosse a insistência das pessoas ao meu redor. Alysson estava como babá do meu filho desde então, ela é uma excelente profissional, tirando a parte de que ela não é quem eu gostaria que fosse.

Ela olhou-me e me lançou um sorriso.

— Deseja algo, senhor?

— Não. Arthur está dormindo no meu quarto, quando ele acordar, me avise, não demorarei na empresa hoje.

— Sim senhor.

 

Arthur corria pelo jardim com a bola nos braços e sua risada era contagiante. Ele parou um pouco longe, colocou a bola no chão, deu dois passos para trás e chutou a bola, automaticamente gritando gol, me fazendo gargalhar. Chutei a bola devagar e assim que a bola chegou próximo de si, ele a parou com as mãos. pegou novamente a bola e se distanciou, fazendo tudo novamente.

— Ele não parece jogar limpo. — Disse meu irmão, se aproximando.

— Tio Luís. — Arthur falou, correndo até o tio e o abraçou forte.

— Ei, garotão, está jogando com o papai?

Arthur concordou com a cabeça.

— Vem blicar, tio.

— Vou sim... Advinha o que a vovó Noemi está fazendo? — Ele fez uma pausa, olhando o sobrinho com atenção e continuou: — Biscoitos com gotas de chocolate.

— Chocolate! — Exclamou meu filho, animado.

— Aposto que se pedir com carinho ela lhe entrega uns antes do jantar.

Arthur desceu do colo do tio e correu para a casa, peguei a bola e segui logo atrás do meu filho, sendo seguido pelo meu irmão.

— Deveria estar na empresa. — Disse a ele.

— Estou de férias. — Respondeu.

— Desde quando?

— Desde hoje.

— O que está acontecendo com você, meu irmão? Você está dormindo fora de casa com frequência, anda sempre preocupado, sem falar no seu desempenho na faculdade.

— Estou resolvendo umas coisas, ok?

— Me fala o que é. — Falei parando e o fazendo parar também.

— Não precisa se preocupar.

— Tem algo a ver com sua coleção de relógios ter sumido?

— Como...

— Sou informado sobre tudo que saí ou entra na minha casa. Suas apostas estão indo longe demais.

— Foda-se! Posso comprar quantos relógios quiser, aquilo não era nada.

— Isso pode se tornar viciante, Lu...

— Não sou viciado em jogo, ok? Se preocupe com a sua vida que da minha, cuido eu. — Disse, se afastando.

Há algum tempo que ele vinha abrindo mão de algumas coisas e isso me assustava. Não contei para minha mãe sobre suas apostas, o que me fazia pensar que ela já deveria estar sabendo o que o filho estava passando.

Luís precisava de ajuda.

 

— Tem certeza de que não quer que eu vá com vocês? — Perguntou Alysson, me encarando próximo da porta da sala. — Talvez você precise de ajuda.

— Tenho certeza, Alysson. Preciso de um tempo pai e filho com Arthur.

— Sim, senhor. — Disse ela.

— Onde ele está?

— A sua mãe está terminando de arrumá-lo.

Mandei uma mensagem ao chefe da minha segurança e logo que recebi a resposta guardei o celular no bolso, depois de ouvir a voz do meu filho se aproximando. Ele estava usando uma camisa branca por dentro de uma calça azul escura e os suspensórios o deixou lindo, seu cabelo estava um pouco ondulado e seus olhos azuis se destacavam.

— Pronto? — Perguntei.

— Sim! — Disse meu filho, animado.

— Então, vamos.

Ele beijou a avó e Alysson e logo correu na minha direção, o segurei pela mão e saímos de casa.

O coloquei na cadeira enquanto ele balançava as perninhas freneticamente e cantava a música do Meu amigão, fechei a porta, dei a volta no carro e entrei no mesmo e olhei para trás para ter certeza que meu filho estava seguro.

Estávamos quase uma hora atrasados para a inauguração da clínica. Me atrasei propositalmente. Não que estivesse fugindo, sempre gostei das festas beneficentes, o único problema era que rever Elizabeth Rauser me traria lembranças da Bruna e me faria lembrar o quão estúpido fui ao deixá-la partir.

Respirei fundo, coloquei o meu cinto de segurança, apertei forte o volante e logo fiz sinal de luz para o carro de segurança à minha frente.

 

Minha mãe tinha razão, a festa era fechada e, entrar sem ser visto pelos poucos fotógrafos, foi fácil.

Arthur estava animado, a recepção estava excelente e poucos convidados estavam no local. Depois que cumprimentei alguns convidados, Elizabeth se aproximou sorridente.

— Sr. Brown, é um prazer revê-lo. — Elizabeth me cumprimentou.

— É um prazer revê-la também, Sra. Rauser. Sinto muito pela sua perda.

— Não sinta. Lorenna teve o fim que procurou. Ela não era mais a garotinha que criei há muito tempo.

— A festa está deslumbrante. — Disse, mudando de assunto.

— Sim, aproveite. Gostaria de lhe apresentar a minha sócia, ela está no jardim com os demais convidados.

— Creio que logo seremos apresentados.

— Não tenho dúvidas. Se não se importar, cumprimentarei mais alguns convidados.

— Fique à vontade.

Ela acenou timidamente com a cabeça e logo se afastou. Olhei ao redor, todos os convidados conversando alegremente, garçons atravessando o saguão e crianças correndo.

Crianças correndo?

Arthur!

Olhei ao redor a sua procura e ele não estava por perto, procurei em cada canto da clínica juntamente com os meus seguranças e não o encontramos, já estava começando a ficar desesperado. Foram cerca de cinco minutos, os mais longos da minha vida, mas felizmente ouvi a sua voz assim que entrei no jardim, caminhei até o local de onde a sua voz vinha e o vi sorrindo para uma moça que estava ajoelhada na grama, de costas para mim.

— É Atu, tia. — Disse ele, para a desconhecida.

— Arthur? — O chamei firmemente, ele olhou para mim e sorriu lindamente, me fazendo esquecer a raiva que estava sentindo.

— Papai! — Ele correu em minha direção e o peguei no colo, abraçando-o forte, tentando acalmar meu coração que estava acelerado por ter pensado que ele havia sumido.

— Nunca mais saia de perto de mim, está ouvindo? Nunca mais!

— Discupa papai, eu fiz dodói e a tia me deu um beijinho para salá.

Só depois que ele disse isso foi que eu reparei o pequeno ralado em seu queixo e seus olhos levemente vermelhos. Encarei novamente a moça ajoelhada à minha frente e, apenas naquele momento, reparei no vestido amarelo longo com um decote generoso nas costas, parcialmente coberto pelos cabelos loiros que estavam soltos.

— Obrigado por cuidar do meu filho.

Ela ficou na mesma posição por alguns segundos e logo se levantou, passou a mão em seu vestido e finalmente se virou, me dando a visão do seu rosto.

No momento em que encontrei aqueles olhos verdes e seu sorriso, senti o ar sumir e o tempo parar brevemente.

Como senti saudades daquele sorriso.

— Bru...Bruna?!