A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 2 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 01

Arthur era uma criança tranquila, porém preciso confessar que no começo fiquei com medo de cuidar dele, mas minha mãe me ajudou muito.

Meu filho, com dois meses de vida, era uma criança amada, não me dava trabalho algum. As madrugadas com ele eram basicamente tranquilas. No começo, fiquei com medo, mas me esforcei ao máximo para aprender tudo. A parte mais complicada foi colocar a fralda, porém depois de alguns erros, acabei pegando o jeito da coisa.

Digamos que depois de dois meses cuidando apenas do meu filho, deixei de cuidar um pouco de mim mesmo. Minha barba estava maior e minha feição não estava nada boa, graças às noites mal dormidas. Não estava me alimentado muito bem e passava minhas noites sentado na cadeira de amamentação de Jessica, não saía de perto do meu filho desde que ele deixou a maternidade e digamos que a posição, não ajudava minhas costas.

Estava colocando Arthur no berço quando minha mãe entrou no quarto em silêncio e me chamou com a mão. Passei a mão delicadamente nos poucos fios negros do cabelo do meu filho, liguei a babá eletrônica e saí do quarto, fechando a porta devagar.

Seguimos em silêncio até a sala e praticamente me joguei no sofá enquanto ela se sentou na poltrona e me lançou o olhar que estava fazendo há uma semana.

— Mãe, por favor, não estou com cabeça para isso. — Disse, soltando um leve suspiro.

— E quando vai estar? Você tem que cuidar da sua vida, Nathan. Tem que...

— Ele é a minha vida.

— Eu sei que Arthur é especial, meu filho. Tanto para você quanto para mim e o seu irmão, mas Luís não conseguirá cuidar da empresa sozinho e de um jeito ou de outro, você sabia que este momento chegaria.

— Ele ainda é muito novo, mãe. Não posso simplesmente deixá-lo aqui, aos cuidados de uma estranha.

— Não se preocupe, meu filho. Contrataremos alguém totalmente experiente e responsável e você não ficará na empresa o mesmo tempo que ficava antes, é apenas para colocá-la no lugar novamente. Luís ainda não sabe lidar com tanta responsabilidade.

Soltei um suspiro de desgosto sabendo que de alguma maneira ela estava certa.

— Tudo bem, mãe. Contrataremos uma babá para o Arthur. Ligarei para Melissa e pedirei para ela publicar o anúncio nos jornais e eu mesmo irei entrevistar cada uma das candidatas.

— Ótimo! Faça isso o mais rápido possível.

— Vou ligar para ela hoje mesmo.

— Excelente! Agora vá para o seu quarto, tome um banho demorado e descanse um pouco. Pode ficar tranquilo que eu e Noemi iremos cuidar do Arthur quando ele acordar.

— Não sei não, mãe. Acho...

— Não tem que achar nada. Agora suba e vá descansar. Quando o jantar estiver pronto, mando Noemi te chamar. Deixe que sei cuidar do meu neto, Nathan. Vá logo descansar, está com uma cara horrível.

— Obrigado, mãe! — Disse, me levantando e ignorando o comentário sobre a minha aparência. — Ok. Você venceu, porém irei apenas tomar um banho e logo estarei de volta.

— Não tem como discutir com você.

— Sou um Brown. Somos teimosos, exigentes e muitas vezes sem paciência.

— Não se esqueça do charme e carisma.

— E não somos nada humildes.

— Tem toda a razão. Agora vá descansar antes que Arthur acorde e você mude de ideia.

Dei um beijo em seu rosto, subi as escadas e entrei no quarto de hóspedes. Desde que Jessica se foi, nunca mais entrei no nosso quarto. Tudo dela estava lá e o medo de entrar e ver tudo dela ainda apertava o meu coração com a dor de não a ter mais por perto.

Antes de tomar um banho, peguei meu celular e liguei para empresa, torcendo para que Melissa ainda não tivesse ido embora. No terceiro toque, ela atendeu.

— Empresas Brown. Boa noite! Melissa Crawford. Presidência.

— Srta. Crawford.

— Sr. Brown... — Surpreendeu-se— Luís acabou de sair. Quer...

— Meu assunto é com você mesmo, Srta. Crawford.

— Em que posso ajudá-lo, senhor?

— Quero que coloque um anúncio no jornal local.

— Claro, senhor. Qual anúncio?

— Contrata-se babá por tempo integral, com experiência e referência. Salário até cinco mil dólares. Você complementa como quiser, mas amanhã mesmo quero ver este anúncio nos jornais, Srta. Crawford.

— E estará, Sr. Brown. Providenciarei hoje mesmo.

— Obrigado, senhorita. Sei que não me decepcionará, coloque o número da empresa. Eu mesmo quero entrevistar as candidatas.

— Sim, senhor.

— Ótimo! Ligarei para informar mais alguma coisa, se for necessário. Obrigado! Agora vá para casa e descanse. Boa noite!

— Boa noite, Sr. Brown!

Desliguei e fui em direção ao banheiro, tirei minha roupa e entrei debaixo da ducha quente. Depois de um tempo no banho, saí do boxer do banheiro e enrolei uma toalha na minha cintura, fui até a pia e limpei o vapor do espelho e por um tempo não reconheci meu próprio reflexo, minha aparência realmente estava horrível.

Depois de ter feito minha barba, deixando-a meio baixa, passei uma loção pós-barba e fui até meu improvisado guarda-roupa. Depois de vestido e me sentindo um pouco melhor, saí do quarto e fui até a sala, onde encontrei minha mãe segurando meu filho nos braços, ao lado do meu irmão.

— Ei! Cara, finalmente tirou um pouco daquela barba de Papai Noel.

— Não venha com suas gracinhas, Luís. Me diga como vai a empresa?

— Ah não! Passei o dia todo naquele lugar e para ser bem sincero se não fosse pela Srta. Crawford, estaria perdido até agora.

— Tem que ficar mais por dentro da empresa Luís. Um dia você será dono da metade de tudo.

— Ainda estou no começo da faculdade e com o tempo vou aprendendo a lidar com a empresa.

— É o que espero.

Ajoelhei-me ao lado da minha mãe e fiquei vendo meu filho com os olhinhos abertos prestando atenção em tudo ao redor, coloquei meu dedo no meio da sua mãozinha e ele apertou com força

— Oi, meu filho. Você já acordou?

— Quando você entrou no quarto ouvi o chorinho dele pela babá eletrônica.

— Deu a mamadeira?

— Era apenas a fralda molhada meu querido, mas mesmo assim ele não quis dormir, então resolvi trazê-lo para sala, assim podia brincar um pouquinho.

— Vou tomar um banho para pegar o meu sobrinho.

— Vá logo. Daqui a pouco, Noemi anuncia o jantar.

— Não demorarei. — Diz ele subindo a escada.

Movimentei meu dedo brincando com meu filho e logo ele bocejou mostrando a boquinha linda, sem dentes.

— Quer me dar ele? Faço-o dormir.

— Não precisa, acho que ainda sei fazer um bebê dormir, Nathan.

— Desculpa, mãe! É difícil ficar longe dele.

— Não se preocupe, meu filho. Ele nunca ficará longe de você. Vou para o quarto dele, assim dou a mamadeira e ele dorme mais tranquilo.

— Obrigado, mãe! Não sei se conseguiria sem vocês.

— Sei que conseguiria. Ela gostaria de ver você sendo forte, cuidando dele. — Diz ela saindo da sala e subindo as escadas lentamente com o meu filho nos braços.

De certa maneira ela tinha razão. Minha Jessica sempre foi determinada, ela tinha um jeito doce de ser, ainda me lembrava de como a conheci... Naquele palco, ela estava belíssima com aquela roupa de bailarina. Seus olhos durante todo a apresentação não se desviaram dos meus e naquele dia descobri que ela seria minha de alguma maneira.

Balancei minha cabeça freneticamente, tirando estes pensamentos da minha mente e me levantei, fui até o escritório e ocupei minha cabeça com um pouco de trabalho.

 

Estava terminando de colocar a roupa em Arthur quando minha mãe entrou no quarto segurando o jornal matinal.

— Melissa publicou o anúncio. Leia enquanto aproveito um pouco do meu neto. — Diz ela pegando meu filho e o tirando do trocador.

Peguei o jornal e folheei até os anúncios de emprego.

PRECISA-SE DE UMA BABÁ.

Precisa-se de uma babá profissional e

responsável, com experiência e ótimas

referências.

Trabalho em tempo integral. Salário até

cinco mil dólares.

Mais informações nas empresas Brown.

Curta e eficiente Melissa realmente sabia como eu gostava das coisas. Precisaria apenas esperar, entrevistar e encontrar a pessoa certa para ser a babá de Arthur.