A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 43 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 42

 

Bruna Brown

A vida de mulher casada era maravilhosa, não tivemos uma lua de mel oficial, não poderia viajar com a faculdade e Nathan não poderia sair e deixar a empresa aos cuidado do Luís, afinal, segundo ele, Luís ainda não estava apto para essa função.

Decidimos que nas férias do final do ano viajaríamos em família, não gostaria de ficar longe do meu filho e ele também não, então decidimos que logo teríamos nossa viajem em família.

Passei os cuidados da casa do meu pai para Gabby. Sabia que ela era responsável o suficiente para cuidar de um lugar tão importante para mim.

Luís saiu de casa semanas depois do nosso casamento, fazendo Cloe chorar na minha frente pela segunda vez, meu coração se partiu em milhares de pedaços e, no fim, a única coisa que pude fazer foi abraçá-la.

Já estávamos casados há dois meses e vivíamos em completa felicidade, Nathan era um marido muito romântico, sempre me surpreendia com algum gesto romântico ou um presente.

Arthur tirava o melhor de mim e despertava um lado meu que eu desconhecia, meu lado maternal.

 

Joguei minha prancheta sobre a minha mesa do meu escritório e deitei no sofá que havia no local, ele tinha sido muito útil essa semana. A clínica tinha tomado muito do meu tempo e eu andava pegando o turno da noite, deixando o Nathan louco por dias, o que não me fazia mudar ideia.

— Cansada? — Perguntou Laird ao entrar na minha sala com um copo grande de café.

Me arrumei no sofá e sentei de uma maneira confortável.

— Obrigada. — Disse, pegando o café. — Cansada é pouco, essa semana tem sido difícil.

— Já te disse que não precisa ficar tanto tempo, você tem um marido e o Arthur para cuidar, aqui é tranquilo à noite.

— O que acabou de acontecer, então?

— São casos raros.

— Ele precisa de cuidado, Laird. Ele está piorando.

— A família já sabe sobre a situação, você melhor do que ninguém sabe que não podemos fazer muita coisa no último estágio da doença.

— Sim, eu sei. — Tomei um gole do café, olhei o relógio na parede, marcava 01h40min. — Tenho que ir. — Disse, me levantando, colocando o café na minha mesa e tirando o meu jaleco.

— Bom fim de semana.

— Obrigada! Para você também, qualquer coisa me avise.

— Ele vai ficar bem.

— Espero. Não fique muito tempo aqui, vá para casa descansar.

— Irei, fiquei tranquila.

— Obrigada, novamente. — Disse o abraçando. — Boa noite!

— Para você também.

Me afastei dos seus braços, peguei a minha bolsa, o meu celular e saí da minha sala. Mandei uma mensagem para a minha equipe de segurança e, assim que saí da clínica, eles já estavam a postos, entrei no carro, encostei a minha cabeça no banco e fechei os meus olhos.

A voz do Jeff me fez despertar, ele sorriu sem graça por ter me acordado, o agradeci, peguei minha bolsa, passei a mão nos meus cabelos e desci do carro. A casa estava em completo silêncio assim como todos os dias. Fechei a porta, tirei meus sapatos para não fazer barulho, deixei a bolsa sobre a mesa ao lado da porta e subi as escadas lentamente.

Entrei no quarto do meu filho, como de costume, passei as mãos em seus cabelos ondulados e beijei sua testa o fazendo suspirar e mexer um pouquinho. Guardei seus poucos brinquedos espelhados pelo quarto e saí sem fazer barulho.

Entrei no meu quarto e vi Nathan deitado, dormindo tranquilamente. Caminhei até o closet, deixei meus sapatos no local apropriado e seguir até o banheiro.

Depois de um banho demorado, vesti uma camisola preta, já que Melissa fez questão de queimar todos os meus pijamas com a desculpa de serem muito infantis.

Amarrei meus cabelos em um coque desarrumado e deitei ao lado do meu marido, beijei sua testa e virei para o outro lado. Senti seus braços me envolverem com facilidade, me fazendo sorrir. Seu rosto afundou em meu pescoço, me fazendo arrepiar ao sentir sua barba raspar levemente em contato com a minha pele.

— A clínica devia estar movimentada. — Disse ele.

— Ah, não, por favor. — Disse, me virando novamente e tocando seu abdômen nu. — Não quero discutir novamente esse assunto.

— Nunca discutimos esse assunto, você sempre desvia de alguma maneira.

— Ótimo! Então, vamos dormir.

— Isso não é hora de chegar, Bruna. Como vai se concentrar na faculdade dessa maneira? Ou ter disposição para brincar com o Arthur? Ele sente falta de você colocá-lo para dormir.

— Amanhã é sábado, sem faculdade, irei acordar disposta para ficar com o nosso filho e o farei dormir.

— Ele não quer uma mãe nos finais de semana, minha pequena. Ele é apegado a você e essa distância o está afetado de alguma maneira. Sei que a clínica é importante para você, mas as vezes temos que nos frear um pouco para que possamos aproveitar a vida.

Suspirei levemente e o respondi.

— Vou conversar com a Elizabeth.

— É bom ouvir isso. — Disse ele, beijando a minha testa. — Vai no jogo amanhã?

— Não, amor, quero aproveitar o tempo com o Arthur e você precisa de um tempo apenas você e seus amigos.

— Entendo. Vou visitar o Luís pela manhã, minha mãe o convocou para o almoço e ele não atendeu.

— Ele deve estar ocupado com trabalho, faculdade e uma casa para administrar... É novidade para ele.

— Espero. — Disse, me apertando em seus braços.

— Vamos dormir.

— Tenho uma ideia melhor. — Disse, abrindo um sorriso malicioso nos lábios. — E você irá dormir tranquila depois que terminar.

— Você é um devasso, Sr. Brown! Sei muito bem o que você quer.

— Então, me deixe te proporcionar prazer, minha pequena.

— Não seria louca de negar. Dê-me tudo que você tem. — Disse, passando a mão em seu peito lentamente.

— Ah, Sra. Brown, você é minha perdição!

— Não, meu amor, sou a sua salvação.

— Definitivamente você é a minha salvação.

 

As mãos gordinhas do meu filho fizeram com que eu acordasse com um sorriso. Ele estava deitado ao meu lado, segurando a mamadeira e a outra mão insistia em alisar o meu rosto. Beijei a sua mãozinha e levantei. Olhei o pequeno papel dobrado na cômoda, o peguei e abri.

Bom dia, minha pequena!

Me desculpe por tê-la deixando sozinha na

nossa cama, mas alguns assuntos têm que serem

resolvidos!

Aproveite o dia.

Estarei em casa antes do almoço.

Te amo!

Seu marido ♡

Fiz meu pequeno ritual matinal, sequei meu rosto com toalha e saí do banheiro, olhando Arthur pulando na cama com o seu pijama do Lanterna Verde e um sorriso lindo. Aproximei-me dele e logo ele pulou no meu colo, me fazendo apertá-lo em meus braços.

— Bom dia, meu amor.

— Dia, mamãe!

— Vem, vamos tomar um banho para brincar um pouquinho.

— Blincar.

Alysson fez questão de dar um banho no Arthur, aproveitei para tomar um também.

Depois que terminei de vestir um short e uma blusa qualquer, estava preparada para um dia inteiro com o meu filho.

Desci as escadas, amarrando meus cabelos, mas quando cheguei à sala, encontrei Arthur sorrindo no colo da Charlotte.

O sorriso que estava no seu rosto logo sumiu ao me ver, ela colocou o neto no chão e me ignorou como sempre fazia.

— A vovó trouxe uma surpresa para você, meu amor.

— Supesa. — Disse batendo palminhas, me fazendo sorrir e ele olhar para mim. — Mamãe!

— Oi, meu amor! — Disse, tentando ignorar o olhar da mulher a minha frente e apenas olhei para Arthur que vinha em minha direção. Ele pegou minha mão e me deu um pequeno puxão para ir em direção a Charlotte.

— Vem mamãe, a vovó Loti tem supesa.

Fiquei próxima a ela, fazendo ela simplesmente fingir que eu não estava ali. Ela se sentou próximo a mesa de centro com um pote médio nas mãos.

— A vovó fez torta de chocolate, amor. — Disse ela.

— Chocolate! — Disse ele, soltando a minha mão e ficando próximo a avó.

Olhei para os lados em busca da Alysson para que pudesse sair e deixá-los sozinhos, mas não a encontrei, tinha certeza que Charlotte a mandou fazer algo longe do meu filho. Me sentei no sofá e suspirei com desgosto com o fato do Nathan não ter me informado que ela viria hoje.

Arthur pegou a colher com firmeza e levou um pedaço grande a boca, fazendo sua boca ficar suja e alguns pedaços caírem.

— Deveria comer só depois do almoço, filho, vai perder o apetite assim.

— Está gostoso, amor? Quer mais? — Perguntou ela, me ignorando novamente.

Arthur afirmou com a cabeça e logo Charlotte sorriu vitoriosa. Ela pegou a colher da mãozinha do neto e cortou um pedaço generoso de torta para ele.

Ele pegou a colher e veio andando em minha direção.

— Quer, mamãe? — Perguntou ele, na minha frente.

— Não, meu.... — Ele não deixou que eu terminasse a frase, simplesmente colocou a colher na minha boca, me fazendo experimentar a torta.

Ele sorriu para mim, me fazendo sorrir também, experimentei e realmente estava uma delícia. Arthur correu até a avó me fazendo ver o rosto da Charlotte com raiva e logo ela novamente me ignorou e sorriu para o neto.

Comecei a tossir, coloquei a mão no peito e tentei acalmar a dor que estava sentindo. A tosse se tornou forte e me fez lembrar.

Amendoim.

— Charlotte... Tem...amendoim na...torta?

Ela me ignorou novamente, me ajoelhei no chão e tentei parar de tossir, já sentia meus lábios inchados e as lágrimas se acumularam me fazendo suplicar por ajuda.

— Por... Favor... A injeção... Minha... Bolsa.

Tentei puxar ar para os meus pulmões, mas não foi o suficiente. Meu peito queimava, suplicando por oxigênio.

Tentei lembrar onde estava a minha bolsa e me lembrei de que estava próxima a porta da sala. Olhei novamente para Charlotte e, mesmo com os meus olhos embasados por causa das lágrimas, a vi de pé com o Arthur no colo enquanto ele tentava descer. Ela não ia me ajudar, ia me deixar sufocar até a morte na sua frente do meu filho.

Tentei rastejar até a porta da sala, mas a dor estava aumentando e não consegui me mover. Tentei gritar por ajuda, mas nem voz eu tinha.

Desisti de rastejar, fiquei naquele chão frio, ouvindo o choro do Arthur, a queimação no meu peito me sufocando aos poucos e sentindo as lágrimas rolando pelo o meu rosto.

Não havia imaginado a minha morte dessa maneira. Me imaginei idosa ao lado do Nathan, com a casa cheia de filhos e netos. Imaginei que ele iria primeiro já que não o imaginava sendo capaz de suportar perder outra esposa. Pensei que veria o desenvolvimento do Arthur, que lhe daria irmãos e que estaria ao seu lado no altar quando ele achasse a mulher certa para ele. E, no entanto, estava ali, implorando por oxigênio, por qualquer ajuda que provavelmente não chegaria a tempo.

Fechei os olhos e encostei o rosto no chão molhado pelas minhas lágrimas e esperei que a

morte não fosse tão cruel comigo.