A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 33
Nathan Brown
Ela sumiu entre as pessoas pelo portão de embarque, Arthur logo ficou agitado e chorou no meu colo, o alinhei em meu peito e o beijei na testa,
tentando acalmá-lo.
— É, meu filho, nossas escolhas não machucaram apenas nós mesmos, atingiu todos ao nosso redor, como uma grande bomba. — Ele fechou os olhinhos e seu choro ficou mais forte. — Vamos para casa filho, será novamente apenas eu e você.
Me despedi da família de Melissa e segui com meus seguranças novamente para casa. Arthur estava agitado e se recusava a se acalmar, seu choro não teve trégua, o que me deixou ainda mais aflito, ele estava sentindo que ela não ia voltar, ele entendeu que aquilo foi uma despedida e que nunca iria vê-la novamente assim como todos nós, ela se foi.
Arthur não havia se acalmado e eu estava começando a ficar preocupado, seu rosto estava vermelho e vê-lo assim apenas me machucava.
— Chega, vou levá-lo ao hospital pediátrico. — Disse, tentando pegá-lo dos braços da minha mãe.
— Não! Ele está colocando para fora o que todos nós estamos segurando. Ela é valiosa para todos, não seria diferente com ele. — Ela tirou do bolso um papel dobrado e me entregou. — Ela pediu que entregasse para você. — Ela pegou a bolsa do meu filho e sumiu da minha visão depois que subiu as escadas.
Olhei o pequeno papel dobrado em minha mãos e o desdobrei.
LISTA DA FELICIDADE.
Não se esqueça de viver e de sorrir!
1) Ame Arthur com todas as suas forças. ✔
(Cloe Brown)
2) Aproveite sua família. ✔
(Noemi Grohl)
3) Cavalgar com Zeus. ✔
(Luís Brown)
4) Reencontre seus amigos. ✔
(Noemi Grohl)
5) Aposte com o seu irmão! ✔
(Theo Grohl)
6) Jogue basquete. ✔
(Mart Grohl)
7)Desapegue do seu passado, limpe o quarto
de ensaios. ✔
(Cloe Brown)
8) Entre na última porta no final do corredor.
(Bruna Watts)
Eles fizerem uma lista para mim? Tudo foi planejado. Cavalgar com Zeus, o jogo com Logan e Peter e o quarto de ensaios. Eles fizerem isso por mim.
Por quê?
A responda era óbvia! Pela minha felicidade. E eles conseguiram!
Minhas pernas estavam pesando trinta quilos e a porta parecia estar a quilômetros de distância. Estava lutando comigo mesmo para adiar o momento. Minha mãe estava certa precisava fechar uma porta para abrir outra, nunca conseguiria seguir em frente sendo que estava preso ao meu passando.
A porta branca finalmente estava próxima, a maçaneta doutorada estava gelada e, por um tempo, pensei em correr e simplesmente esquecer que ainda existia aquela porta.
Respirei fundo pela segunda vez e, finalmente, girei a maçaneta, empurrando a porta lentamente. Vi que aos poucos os móveis e as pequenas decorações iam aparecendo. Quando a porta bateu contra a parede, me obrigando a dar o primeiro passo, respirei fundo novamente e fechei os olhos brevemente.
Todos os móveis estavam com uma fina camada de poeira, a penteadeira branca com suas joias e maquiagem, seu closet, suas roupas, sapatos e a cama bagunçada durante a noite depois que sua bolsa havia estourado.
Tudo a lembrava, ela estava presente em cada maldito móvel. Sentei no lado dela da cama e passei a mão em seu travesseiro, apaguei o abajur fazendo o livro que ela sempre lia cair da sua cômoda. O peguei com cuidado e vi um pedaço de papel saindo dentre as páginas do livro. O abri e vi que se travava de uma carta e o meu nome estava se destacando.
Para: Nathan Walker Brown, meu esposo amado.
Coloquei o livro sobre a cama e abri o envelope que exalava seu perfume, algumas letras estava manchadas, o que significa que ela havia chorando ao escrever.
Meu querido amor,
Se você encontrou essa carta é por que provavelmente não sobrevivi ao nascimento do nosso filho. Espero que meu sacrifício tenha válido a pena e que ele esteja saudável e forte. Espero que me perdoe, meu amor, mas tinha que tentar, tinha que trazê-lo ao mundo. Já vivi muitas coisas boas e a maioria foi ao seu lado.
Antes de lhe dizer adeus, gostaria de te agradecer. Sete anos ao seu lado! E foram os melhores anos da minha vida. Você e a dança têm um lugar em meu peito e é impossível de retirá-los de lá. Os obstáculos no nosso caminho foram apenas para edificar nossa maravilhosa história de amor.
E o nosso amor sempre foi forte, meu amor, e foi graças a esse amor que nosso filho cresceu e se desenvolveu dentro de mim e será sobre esse amor que ele ouvirá histórias.
Obrigada por tudo, meu amor!
Não chore, não se afaste de todos, não se culpe, não o culpe... A decisão foi minha, apenas minha. Ele é um ser inocente que merece todo amor e carinho que eu não poderei dar.
Tudo valeu a pena! Cada segundo desde que tomei a minha decisão, depois dos exames. Valeu a pena senti-lo se mexer ao seu toque, saber que ele ouvia minha voz e se acalmava, valeu a pena as apresentação perdidas e os ensaios desmarcados, os enjoos, os desejos durante as madrugadas, as noites mal dormidas e, principalmente, valeu a pena ter escolhido você em vez de uma carreira infeliz na Rússia.
Eu escolheria você, mil vezes mais.
Nathan, não estou pedindo que me esqueça, pois sei que não vai, mas quero que siga a sua vida, seja feliz, não se afaste do amor... Ame novamente. Se você se apaixonar, se entregue! Não sofra pela minha morte, não tranque seu coração. Se entregue, seja feliz, faça outra pessoa feliz, assim como eu fui feliz com você.
O meu final é apenas um recomeço, um novo começo para você, meu amor, então... Viva, Nathan!
Valeu a pena, meu amor. Cada risada, cada passeio, cada troca de carrinho, cada “eu te amo” e cada momento vivido.
Estou dando adeus, adeus aos palcos, adeus as sapatilhas, adeus ao meu filho que amo muito e adeus ao único homem que me provou que o amor verdadeiro existe.
Adeus, meu amor!
Eu te amo!
Sua hortênsia!
17/01/ 2014
Ela sabia que não ia sobreviver e mesmo assim se sacrificou pelo Arthur.
Ela se despediu, me mostrando de todas as maneiras que estava preparada para ir e ela se foi lindamente. Sua morte deu início a outra vida e isso deixaria a minha hortênsia como uma maravilhosa e belíssima mulher em espírito.
Todos me ajudaram de algum modo nessa minha dor. Mesmo que a ferida ainda estivesse aberta, ela necessitava de cuidados e estava disposto a fechá-la e deixar que ela se tornasse apenas uma cicatriz para que a minha vida pudesse seguir em frente. Estava pronto para dizer adeus, assim como Jessica esteve.
Apertei a carta no meu peito, escorreguei da cama até o chão ajoelhado e chorei como se as lágrimas pudessem levar toda a dor do meu peito. Precisava chorar, precisava colocar para fora toda a dor que carreguei dentro de mim por tanto tempo.
Depois de um tempo no chão frio do nosso quarto, senti as mãos quentes da minha mãe. Mesmo que não a tivesse visto entrar, sabia que era ela.
— Venha, meu filho. — Disse ela, me puxando pelo braço.
— Ela não vai voltar. — Falei, tentando aceitar o que dizia.
— Não. — Disse ela.
Levantei com sua ajuda e logo recebi seu abraço apertado, a envolvi nos meus braços e tentei ser forte novamente, pela minha família.
— Vamos sair daqui. Arthur está mais calmo, mas precisa de você. — Disse ela, secando suas lágrimas.
— Vá na frente, preciso fazer algo antes.
— Você está bem? — Perguntou ela.
— Vou ficar. — Disse.
Quando minha mãe deixou o quarto, me aproximei da penteadeira de Jessica e peguei a sua foto.
— Obrigado por tudo, hortênsia! Você estará presente e viva no meu coração para sempre, mas está na hora de fechar essa porta e seguir em frente. — Coloquei a foto novamente no lugar, respirei fundo e disse: — Adeus!
Afastei-me aos poucos e olhei cada canto do quarto antes de fechar a porta e olhar o longo corredor novamente, peguei o pequeno papel que a minha mãe havia me entregado e com uma caneta marquei:
8) Entre na última porta no final do corredor. ✔
O dobrei novamente, enxuguei minhas lágrimas e agradeci mentalmente pela atitude da minha pequena.
Uma nova jornada começaria e eu estava pronto para abrir a próxima porta da minha vida.
Dois Anos Depois.
Dias Atuais.
O tempo é capaz de curar tudo?
No fundo alguma coisa me diz que tudo dará certo!