A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 13 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 12

 

Bruna Watts

Foi amor à primeira vista, desde que o peguei no colo e comecei a brincar, soube que Arthur realmente era uma criança amada e encantadora.

Depois que eu e Nathan colocamos tudo em pratos limpos, ele me explicou toda a rotina de Arthur: pela manhã, depois de trocado e alimentado, eu daria banho no pequeno, pegaria alguns brinquedos para ele brincar; à tarde deveria levá-lo ao jardim para pegar um pouquinho de sol e sair um pouco de dentro de casa e à noite o pequeno seria todo do Nathan, inclusive durante madrugada. Ele me disse que não abriria mão disso e quando precisasse de mim, me avisaria. Aparentemente, ele ainda não estava pronto para voltar para a empresa e ficar longe do Arthur, não podia discordar dele com relação a isso, afinal Arthur era uma criança difícil de desapegar.

Estava ficando tarde e Nathan tinha acabado de sair para resolver um assunto da empresa que Luís não conseguiu resolver. Estava sentada em uma cadeira reclinável em um deck no lago, vendo uma família de patos passeando pela água. O sol não estava tão quente e as árvores frutíferas ao redor proporcionavam uma sombra refrescante. Arthur estava com a mão na boca, babando tudo, mas toda vez que eu limpava, ele ria e colocava a mão novamente na boca e eu ficava balançando um brinquedo que ele fazia questão de ignorar.

Não sei quanto tempo estava ali, olhando a mesma paisagem, mas o lugar era incrível, haviam hortênsias em todo o lugar e animais pequenos andavam pela fazenda tranquilamente. Arthur já estava dormindo, ele estava cansado de tanto brincar e ele ficava lindo dormindo. Tirei a chupeta da sua boca e deixei sua boquinha linda um pouquinho aberta.

— Oi! — A voz de Theo fez com que eu desviasse o olhar do pequeno Arthur e o olhasse, bem próximo a mim.

— Oi, Theo! Fazendo a ronda?

— Não preciso fazer isso, os outros fazem. Eu só supervisiono o serviço, aliás, minha mãe mandou entregar. — Disse, me entregando um prato com um sanduíche de pasta de amendoim. — Ela disse que você quase não almoçou.

Depois do almoço, descobri que Noemi e Mart são casados e Theo era o único filho do casal, eles se conheceram na fazenda e nunca mais saíram. Theo, além de fazer faculdade de engenharia mecânica, trabalhava para os Brown, como chefe de segurança.

— Obrigada, mas sou alérgica a amendoim.

— Oh... — Ele me deu um sorriso sem graça. — Desculpa, não sabíamos. Eu vou falar para ela e trago outro.

— Não precisa, já estou entrando. — Disse, colocando a fralda de boca em meu ombro e levantando devagar.

— Quer companhia até a casa grande?

— Se não for atrapalhar você.

— Não irá atrapalhar nada e, além disso, está na hora do meu lanche. — Apenas concordei com a cabeça e segui o caminho de volta a casa.

 

Coloquei Arthur deitado, de lado, segurando a fralda que estava amarrada na chupeta, passei a mão em seus cabelinhos e sai do quarto com a babá eletrônica.

Entrei no meu quarto, tomei um banho, arrumei o resto das minhas roupas no guarda-roupa e coloquei a mala debaixo da cama. Em seguida, desci as escadas e entrei na cozinha onde estava Mart, Noemi e Theo, sentados tomando café.

— Oi, menina! Fiz outro lanche para você. — Disse Noemi

— Obrigada! — Respondi, me sentando no único lugar vago no balcão, e ela empurrou um prato com um sanduíche de atum em minha direção. — Onde está a dona Cloe?

— Cloe está na loja dela. — Respondeu Mart.

— Ela tem uma loja? — Perguntei, dando a primeira mordida no sanduiche.

— Sim, uma loja de bolsas e sapatos, sonho de toda a mulher. Um dia, eu te levo até lá... Você vai adorar. — Noemi disse empolgada.

— Não sou tão fã assim dessas coisas, mas vai ser um prazer acompanhar você. — Fui sincera.

— Ótimo! Nunca tive uma filha, então vou te sequestrar por um dia e vamos fazer de tudo, shopping, cinema, cabelo...

— Tô saindo. — Mart se pronunciou, deixando a cozinha.

— Tchau. — Disse Theo, acompanhado o pai.

— Na hora do jantar, vocês lembram que eu existo, né seus ingratos?

— Nós te amamos, mãe, mas... — Iniciou.

— Este assunto é chato, então vamos, meu filho, deixa as meninas conversarem em paz. — Completou Mart.

— Obrigada pela parte da menina, amor. — Agradeceu ela.

— Você sempre será minha menina, meu amor. — Disse ele, beijando a esposa.

— Daqui a pouco quem vai sair, seremos eu e Bruna, ela chegou hoje e já tem que ver essas coisas. — Theo gemou com desgosto.

— Isso é amor, meu filho. — Noemi respondeu ao filho.

— Nojento e traumatizante. — Completou Theo.

— Eu acho fofo. — Pronunciei.

— Viu? Temos o apoio dela. Não liga, menina, ele é um chato. — Noemi disse dando um tapa de leve no ombro do filho.

— Ele parece ser nosso pai, não o contrário. — Mart completou.

— Isso é um motim? — Perguntou Theo.

Estava segurando o riso, mas foi impossível.

— A família de vocês é divertida. — Admiti.

— Seu pai e sua mãe não se beijam na sua frente? — Perguntou Noemi.

Droga!

Nunca soube o que falar quando perguntavam sobre os meus pais, não era fácil explicar o quanto a minha vida era confusa. Lógico que meus pais sempre demonstraram o amor que tinham um pelo outro, mas acabei esquecendo esses momentos quando ela se foi.

Devo ter feito alguma cara de coitada ou de pena, pois logo ela se arrependeu de ter perguntado.

— Desculpa, menina, eu não sabia... — Ela se desculpou.

— Está tudo bem, eu tinha quinze anos quando minha mãe faleceu. Estou trabalhando aqui apenas para pagar a clínica que o meu pai precisa.

— Você tem um coração muito grande. — Disse ela, me lançando um sorriso. — Aprende com ela, Theo. — Continuou, batendo no ombro do filho.

— Ah tá! Quando vocês estiverem velhos, vou colocá-los em uma clínica e curtir a vida.

Parei o sanduíche no meio do caminho e olhei para ele brevemente, e logo mordir um pequeno pedaço do lanche que Noemi havia feito.

— Bruna, não quis dizer que... — Tentou falar, mas o interrompi.

— Eu sei... Olha, eu não o coloquei naquele lugar por que quis, foi necessário, ele precisa de cuidados de especialistas e não posso cuidar dele tanto gostaria. Sei que estou fazendo a coisa certa colocando ele naquela clínica.

Ouvi o resmungo de uma pessoinha pela babá eletrônica e logo um sorriso apareceu, deixei o sanduíche sobre o prato, me despedindo de todos e corri para o quarto e lá estava ele com aqueles olhos azuis olhando o móbile de balões coloridos que girava.

— Oi, pequeno! Está cansado de ficar ai, né? — Ele deu um sorriso como se estivesse entendendo o que eu estava dizendo. — Vou aceitar isso como um sim. — O peguei no colo e apoiei a sua cabeça em meu peito. — Vamos trocar a sua fralda e logo vou fazer sua mamadeira... O que acha?

Já estava de noite. Dispensei a jantar para dar um banho no Arthur antes que ficasse muito frio.

Depois do banho tomado, ele finalmente estava com aquele cheirinho de bebê que eu tanto amava, ele parecia estar com sono, então vesti uma roupa limpa e dei a mamadeira e o balancei contra o meu peito para que dormisse.

Estava olhando pelo espelho que tinha no quarto e vi que ele dormia tranquilamente, mas continuei o balançando mais um pouquinho, sentindo o calor do seu corpo pequeno próximo ao meu.

— Ele dormiu? — Perguntou Nathan, me olhando com atenção.

— Dormiu sim, acho que estava cansado. — Disse assim que virei e vi Nathan encostado no batente da porta, com uma camiseta social puxada até os cotovelos.

— Desculpa a demora, mas precisei ficar na empresa... assuntos burocráticos.

— Não se preocupe.

— Vou tomar um banho rápido e já volto para ficar com ele um pouquinho. Se achar melhor, pode ir jantar. Vou levar a babá eletrônica. — Disse ele, pegando o aparelho em cima do trocador. — Boa noite, Bruna!

— Boa noite, Nathan!

Coloquei Arthur no berço com cuidado, mas fiquei um tempinho o observando dormir e logo sai, entrei no meu quarto, peguei meu pijama e o joguei em cima da cama quando vi um bilhete branco, dobrado ao meio, sobre meu travesseiro.

 

Bruna Watts,

Me desculpe a maneira como falei com você

essa tarde. Nunca que eu iria ofender o seu pai,

apenas me expressei mal. Espero que me

desculpe.

E se estiver perdoado, lhe convido para um

piquenique próximo a macieira.

Eu, você e o Arthur!!!

PS.: Terá torta de Blueberry e a torta de

Blueberry da dona Noemi é de comer rezando.

Estou falando sério.

Com carinho,

Theo Grohl

14/05 /2014

 

Dei um sorriso ao terminar de ler e coloquei o bilhete na primeira gaveta da minha cômoda. Tomei um banho demorado.

Depois que escovei os dentes e vesti meu pijama, deitei na cama. Era estranho dormir em uma cama tão grande. Estava acostumada com a minha velha cama de solteiro, com o meu quarto pequeno, com a minha casa e, principalmente, com o meu pai. O dia tinha sido tão estranho sem ele falando o quanto mudei e sem o almoço ouvindo as suas histórias.

Esperava que meu pai estivesse bem.