A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 26
Nathan Brown
O silêncio durante o trajeto foi incômodo. Ela apenas se manteve sentada, olhando a paisagem através da janela do carro, mas assim que entramos em casa seu sorriso apareceu quando ela viu meu filho.
Ela não se conteve e logo o pegou do colo da minha mãe, o beijando, fazendo com que ele gargalhasse com o gesto de afeição.
— Não era apenas ele quem sentiu saudade. — Disse minha mãe, próxima para que apenas eu pudesse ouvir. — É bom vê-la novamente.
— Sim, é. — Disse, sorrindo.
Minha mãe me lançou um sorriso e logo saiu, sem dizer nenhuma palavra, mas aquele sorriso significava algo e eu tinha medo de descobrir o que era.
Me aproximei devagar dela, que balançava meu filho lentamente, enquanto seus olhos estavam fechados. Ela abriu os olhos, afastou meu filho do seu peito e olhou cada cantinho do pequeno corpo do Arthur como se procurasse qualquer mudança que ele pudesse ter sofrido nesses três dias.
Ela o embalou no colo e sentou no sofá.
— Tinha esquecido que ele tem um cheiro tão gostoso, um sorriso lindo, os cabelinhos pretos, os olhinhos cheios de vida... Perdi tanta coisa. O cabelo cresceu, ele está mais gordinho e, provavelmente, perdi quatro milímetros do crescimento dele. — Disse ela, brincando com os bracinhos do meu filho.
Dei um sorriso com seu comentário e seu jeito carinhoso de cuidar dele.
— Não havia reparado o quanto estava com saudades dele.
— Ele também sentiu muito a sua falta. Na verdade, todo sentiram.
— Você se importará se eu cuidar dele hoje, durante o restante da noite? — Perguntou ela.
— Não vou me importar e ele, com certeza, vai adorar.
— Obrigada!
A noite sem o meu filho foi diferente. Pela primeira vez, fiquei deitado na cama, encarando o teto, sem saber o que fazer. Minha vontade era ir até eles e aproveitar ao máximo dos dois seres que tanto admirava. Talvez ainda não tivesse me acostumado a ficar longe dele, era como se estivesse faltando algo em mim.
Só consegui dormir depois que fui ao quarto do meu filho e, pela pequena abertura da porta, vi Bruna olhando para o meu filho com ternura, enquanto ele dormia em seu colo.
Logo pela manhã, fizemos um café da manhã com toda a família e a família Crawford.
Fizemos um grande piquenique no Jardim e esperamos enquanto Luís a trazia com alguma desculpa.
Logo que eles se aproximaram, todos gritaram “surpresa”. Ela ficou boquiaberta. Eu não esperava outra reação dela. O Jardim estava repleto de flores, a grande toalha no chão estava lotada de comida, com algumas almofadas ao redor, e cada um segurava algum presente.
Depois que cada um lhe deu um abraço, ela se aproximou e me deu um abraço apertado, me fazendo sentir o seu tão delicioso cheiro de lírios. O seu pequeno corpo ao redor dos meus braços, fez com que tudo parcialmente desaparecesse, era como se só existisse nós dois, por alguns segundos.
— Fiquei com tanto medo. — Ela me apertou levemente e logo saiu dos meus braços.
Medo?
Chamei Luís que veio sorrindo, debochado.
— O que foi, cara? — Perguntou ele.
— O que você disse para ela?
— Que você havia se afogado no lago e já que eu estava me recuando a lhe fazer uma respiração boca-boca, ela era a única salvação.
— Seu Imbecil, não tinha outra coisa para falar?
— Qual seria a graça? — Disse se afastando, com o mesmo sorrindo cafajeste nos lábios.
Deixei a vontade de matar Luís de lado quando vi Theo se aproximar ao poucos dela e, depois de um abraço demorado, lhe entregar um boque de rosas amarelas. Noemi repetiu o gesto, entregando um urso de pelúcia; minha mãe entregou um colar dourado, com o nome “Alexander” gravado. Luís, com um beijo na mão, lhe entregou uma sacola de papel com a marca de alguma roupa e Mart lhe deu uma pequena caixinha de música branca.
— Meu Deus! Para que tudo isso? — Perguntou ela em êxtase.
— Uma surpresa. — Respondeu Alberto.
— Vamos nos sentar. — Anne chamou.
Cada um se sentou ao redor e Melissa ajudou Bruna com os presentes.
Bruna pegou Arthur no colo e o piquenique seguiu maravilhosamente, o sorriso dela apareceu e meu coração se acalmou. Ela estava bem, estava feliz e isso era tudo que importa para mim.
Enquanto todos estavam conversando, vi ela se afastar aos poucos com o meu filho no colo, parando próximo das hortênsias da minha Jessica. O vento fazia com que alguns dos seus fios dourados voasse, o calor deixou suas bochechas levemente rosadas.
— Está tudo bem? — Perguntei.
— Está, estou apenas passeando um pouco com ele. — Disse, beijando a bochecha do meu filho que logo bocejou.
— Ele parece com sono. — Disse, me aproximando e alisando os cabelos negros dele.
— É...
— Está tudo bem?
— Eu... Eu vou colocá-lo no berço. — Disse, se afastando.
Segurei sua cintura e aproximei-a ainda mais de mim.
— Não fuja de mim ,Bruna.
— Eu... Eu, não...
— Quero apenas entregar o presente do Arthur. — Tirei do meu bolso um medalhão prateado em formato de coração, abri o pequeno fecho do pingente, revelando a foto tirada no jardim.
— Oh... É lindo! Eu amei! Obrigada, Nathan!
— É um presente do Arthur, assim você nunca se esquecerá dele. O meu presente virá apenas ao anoitecer.
— Seu? Não é preciso. Eu amei o piquenique, a surpresa, os presentes...
— A ideia foi de Noemi, todos devem lhe entregar algo especial, eu vou apenas aproveitar a ocasião. — Disse, colocando o medalhão em seu pescoço.
— Por qual motivo estão fazendo isso?
— Porque você é importante para cada um de nós e gostaríamos que soubesse disso.
— Obrigada! — Disse logo após eu ter me afastando das suas costas, para apreciar o pequeno objeto em sua pele.
— Já disse que é um presente do...
— Obrigada por tudo! Queria que você soubesse que se tornou muito especial para mim, depois de tudo o que fez por mim e pelo meu pai. Eu não tenho como retribuir o que fez.
Me aproximei, afastei o cabelo do seu rosto e disse:
— Você está me mudando e isso não tem preço. Eu estava morto e você me trouxe a vida de volta. Você pode até não ver, mas apenas de tê-la aqui, já é o suficiente para mim. — Disse próximo ao seu ouvido. Peguei o Arthur do seu colo e beijei sua testa. — Te vejo ao anoitecer. — E me afastei.
Esperava que ela tenha ficado tão ansiosa
quanto eu para a noite.