A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 23
Nathan Brown
Charlotte apenas me deixou mais confuso. Ela tinha razão, a memória de Jessica merecia respeito. Eu devia isso a ela. Não era justo estar interessado em outra pessoa tão cedo.
Não tinha como reclamar do trabalho da Bruna, ela fazia tudo com perfeição e amor. Ela amava meu filho e ele de alguma maneira amava estar perto dela. Ela lançou um feitiço na minha família, conquistou cada pessoa próxima a mim e eu também havia sido enfeitiçado.
Mas não podia, estava enfraquecido de amor. Ela tão perto de Arthur fazia com que eu a visse com outros olhos. Eu não podia estar em meu pleno juízo mental.
Henry, sempre que possível, ia ver o neto e sempre achava algo que parecia com a filha em Arthur. Sempre que Charlotte estava por perto, Bruna recuava e deixava-os mais à vontade.
Não era certo vê-la de fora diferente. Há cinco dias, cinco malditos dias que a evitava quase por completo, o que era totalmente impossível já que não conseguia ficar longe do meu filho por muito tempo.
Marquei em um bar para me encontrar com Logan, precisava de uma bebida e conversar com alguém que não fosse da minha família.
— Você não pode ter medo de se entregar a esse amor. — Logan disse, antes de tomar um gole da sua bebida.
— Que droga de amor? Eu a conheço há um mês... Eu amo a minha mulher.
— Estou aqui como um bom amigo, ouvindo sua choradeira pela loira gostosa há quase uma hora. Já ouviu falar em amor à primeira vista?
— Eu juro, se você falar mais alguma merda, vou quebrar a tua cara. — Avisei.
— Então para que infernos me pediu ajuda? Olha, Nathan, não te vejo desde o enterro da Jessica e, sinceramente, não foi por falta de tentativa. Eu tentei conversar com você, mas você se fechou por três meses, cara, se afastou de todo mundo e agora aparece desesperado, pedindo por ajuda só por estar sentindo uma atração pela babá do seu filho... Quer minha ajuda como analista ou como amigo?
— O que me irá me ajudar?
— Como analista, sei que está confuso por estar gostando de uma menina que conhece há pouco tempo e sei que tem a sensação de que está traindo sua falecida esposa, então diria para que aproveite seu luto, sofra sua dor. Mas como amigo, e eu sei que será difícil para você escutar isso, mas, Nathan, a Jessica está morta, não você. Não deixe de viver sua vida só porque ela não está aqui para viver a dela. Descubra o que sente por essa mulher e viva, meu amigo, nem que seja por uma noite, mas viva.
— Não posso usar a menina, seu bastardo.
— Posso saber o porquê?
— Não. Não pode e você tem razão.
— Vai pegar a loira?
— Não. Vou aproveitar o meu luto. Jessica merece isso e, como você mesmo disse, isso é apenas uma atração, logo irá passar.
— Jessica era uma mulher incrível, Nathan, ela gostaria que continuasse sua vida.
— Eu preciso respeitá-la, Logan. O que a mídia dirá?
— Está preocupado com o que a mídia vai dizer? Por isso não quer descobrir o que sente por ela?
— Não, apenas não posso envolver meu filho nisso. O que eles vão dizer? “Viúvo, milionário, afoga suas mágoas com a babá do filho”.
— Você tem que parar de pensar nos outros, Nathan. É a sua vida, suas escolhas e seu futuro. Não se deixe levar pelo o que a megera da sua sogra disse ou pelo o que as outras pessoas pensarão.
— Estou pensando exclusivamente em Arthur.
— Ele vai precisar de alguém para ser um exemplo, como mãe.
— Minha mãe é um ótimo exemplo.
— Avó não pode ser usada como um exemplo de mãe, o dever dela é estragar o neto e o entupir de comida.
— Bruna não precisa de um viúvo, sem graça, com um filho para criar, de vinte oito anos e cheios de problemas. — Disse, tomando um gole da minha bebida.
— Acho que você está apenas colocando obstáculos para o que está sentindo.
— Não estou sentindo nada além de uma atração. — Falei, tentando acreditar em minhas próprias palavras.
— Você não vê a Jessica nela, né? Porque, talvez...
— Ela é diferente... Seu jeito, sua voz, seu sorriso...
— Droga! Está apaixonado.
— Já disse que não, ela é apenas uma menina atraente.
— Você está precisando de sexo, cara.
— Estou começando a entender o motivo de ter me afastando de você por três meses.
— Ok. Quer conselhos de mim, como analista? Eu dou, mas não reclame depois. Então, quando vou conhecer o Arthur?
— Sei que só quer conhece-lo para poder conhecer a Bruna, seu bastardo.
— Não deixa de ser uma verdade.
— Bastardo.
Não sei quanto tempo fiquei no bar com Logan, a música alta e estar rodeado de pessoas desconhecidas me fez esquecer um pouco dos problemas. Estava no carro voltando para casa quando meu telefone tocou.
— Alô? — Disse, assim que atendi.
— Sr. Brown, aconteceu algo com o pai da senhorita Watts .— Michael disse.
Naquele momento, meu corpo ficou tenso e minha boca seca.
— O... o quê?
— Ele teve uma parada respiratória, ficou sem batimentos por cerca de dez minutos, felizmente conseguimos reanimá-lo, mas prevejo o pior.
— Ela já sabe?
— Ainda não, vou ligar...
— Eu falo! Estamos indo para a clínica logo em seguida.
— Esperarei por vocês.
Desliguei a chamada e pedi para Mart acelerar o carro.
Quando chegamos à minha casa, pedi para Mart deixar o carro ligado e entrei correndo em casa. Cheguei à sala, vi Bruna encostada a parede, encurvada, abraçando as próprias pernas, com a minha mãe e Noemi próximas a ela.
— Filho, graça a Deus. — Disse minha mãe, me abraçando.
— O que está acontecendo? — Perguntei.
— Ela estava conversando e, de repente, gritou o nome do pai e começou a chorar.
Ela sabia que algo aconteceu.
Deixei minha mãe de lado, me ajoelhei a sua frente e chamei seu nome.
— Bruna, por favor olha para mim.
— Ele... se foi... ele... — Falou ela, com dificuldade.
— Ele está bem, Bruna. Ele está vivo.
Ela levantou a cabeça, seus cabelos bagunçados e seus olhos vermelhos me fizeram ter vontade de abraçá-la e nunca mais soltar. Minha pequena menina estava vulnerável às dores desse mundo e tudo que eu queria era não vê-la sofrer.
— Ele está? Eu...senti.
— Vamos para a clínica. O doutor Richmond saberá explicar melhor. Vem, Bruna, vou cuidar de você. — Disse e a abracei forte, tentando levar
toda dor dela comigo.