A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 39
Nathan Brown
Ela estava novamente na minha vida e a minha felicidade poderia ser multiplicada em mil. Não me faltava nada, tinha tudo que um homem precisava ter.
Era como se ela nunca tivesse saído da minha vida ou da vida do nosso filho. Arthur estava animado por ter duas mães e sua felicidade alegrava qualquer pessoa.
Pedi para o Mart levar Bruna para a clínica e fiquei na fazenda já que havia prometido ao meu filho um banho na piscina.
Alysson colocou as boias nos braços do Arthur e logo ele pulou na piscina em meus braços. Ficamos por um tempo, brincando, na companhia do meu irmão e da babá do meu filho, até que ele cansou e achei que o melhor era colocá-lo para dormir. Deixei que Alysson ficasse mais algum tempo na piscina com Luís e saí ouvindo os protestos do meu filho.
— Quelo picina, papai.
— Chega de piscina, filho.
— Quelo fica velinho. — Disse ele, mostrando os dedos gordinhos, um pouco enrugados.
Peguei uma toalha o sequei.
— Outro dia, filho, agora vamos dormir para fazer a surpresa para a mamãe.
— Supesa. — Gritou ele, enquanto eu secava o seu cabelo. — Durmi não.
— Dormir sim.
— Num to com sono. — Disse bocejando.
O peguei no colo, ele abraçou o meu pescoço e encostou a cabeça no meu ombro enquanto caminhava até a casa grande.
Dei um banho no meu filho, o vesti, coloquei na cama, dei sua mamadeira e deitei ao seu lado. Depois de um tempo, ele me entregou a mamadeira vazia e deitou no meu braço. Fiquei um tempo mexendo em seu cabelo ondulado até que ele dormiu. Beijei sua testa, o cobri e saí do quarto, olhando Alysson que estava encostada na parede, mexendo nos cabelos castanhos.
— Ele dormiu? — Perguntou ela, me fazendo assentir em resposta. — A dona Charlotte chegou de viagem e está te esperando na sala.
— Fala para ela que o Arthur está dormindo. — Disse.
— Ela quer falar com o senhor.
Suspirei, passei a mão no meu rosto e disse:
— Obrigado, Alysson!
Ela apenas sorriu e saiu em direção ao seu quarto.
Desci as escadas rumo a sala de estar, passei por Noemi e dei um beijo na sua bochecha, enquanto ela arrumava um vaso de plantas e entrei na sala, vendo Charlotte passando os dedos pela estante de livros.
— Achou algum livro que lhe agrada? — Perguntei, chamando sua atenção.
Ela virou, pegou um pano na sua bolsa e limpou os dedos.
— Deveria contratar outra empregada, essa casa está um nojo, meu neto pode pegar alguma alergia.
— Noemi não é uma empregada.
— Aquela mulher de meia idade não consegue nem limpar uma casa, deveria ter alguém... Digamos, mais disposta.
— Se você saiu das suas férias com o seu marido para vir até aqui, falar mal da minha família, pode dar meia volta.
— Essa sua mania de tratar seus empregados como se fosse da família é ridículo.
— Seja rápida, Charlotte, minha paciência está acabando.
— Se a sua está acabando a minha já acabou. — Ela abriu a bolsa novamente, retirou uma revista e a jogou sobre a mesinha de centro. — Que palhaçada é essa?
Olhei para a revista onde estava uma foto minha abraçando a Bruna por trás em um parque na cidade. Peguei a revista, olhei o sorriso da minha pequena, tão espontâneo e logo um sorriso apareceu em meu rosto, apenas em saber que o motivo do sorriso dela era eu.
— Não vai me responder? — Perguntou ela.
Olhei a mulher a minha frente, joguei a revista novamente sobre a mesa e coloquei as mãos no bolso, a encarando.
— Quer que eu fale o quê? Os fotógrafos não pegaram meu melhor lado.
— Não seja cínico. O que está fazendo novamente com essa dissimula?
— Eu exijo respeito quando for falar da Bruna.
— Não venha exigir respeito, sendo que não respeita a memória da minha filha.
— Eu respeitei a memória de Jessica por dois anos, me afastei da mulher que amava para viver o meu luto e, agora, que o destino a colocou novamente na minha vida, você quer me tirar isso? Não seja ridícula!
— Desde o início, eu sabia que você nunca amou a minha filha.
— Eu sempre a amei! — Disparei com raiva. — Eu ainda a amo, mas não posso me prender a um amor que nunca voltará. Ela morreu, Charlotte, e eu demorei a perceber que ela não voltará.
— Não. Você a matou e vai matá-la novamente, dessa vez dentro do coração do meu neto.
— Arthur nunca vai esquecer a Jessica, mesmo nunca tendo contato com ela, ele a ama também. Bruna não vai tomar o lugar dela.
— Quer que eu aceite isso?
— Não preciso que aceite nada, eu já aceitei e isso já é o suficiente.
— Não a quero perto do meu neto.
— Eu também não queria você próximo a ele e mesmo assim não a impedi de visitá-lo. — Olhei novamente para ela e disse, indo em direção a porta: — Você não morrerá, se ela cuidar do meu filho. — Abri a porta e, sem a olhar, disse. — Agora que já fez a discórdia na minha vida e não adiantou em nada, sugiro que vá embora.
— Está me mandando embora?
— Estou.
Ela arrumou a bolsa no ombro, murmurou alguma coisa e andou até o meu lado, parou e falou:
— Isso não vai ficar assim.
— Concordo. A partir desde momento, suas visitas para o Arthur terão que serem avisadas com antecedência.
— Isso não...
— Poupe tempo e saliva, Charlotte. Minha decisão foi tomada e se insistir em exigir seus direitos, sugiro que contrate um bom advogado, mas já aviso que isso não será suficiente para ganhar. — Disse, fechando a porta na sua cara e me afastei, ignorando seus gritos histéricos.
A noite já havia chegado e eu estava nervoso, muito nervoso. Tudo seguiu como o planejamento e a decoração estava como eu gostaria, tudo pela minha doce e pequena futura mulher.
Todos estavam nos seus devidos lugares, os móveis da sala foram retirados e apenas uma mesa com duas cadeiras ocupavam o local cheio de velas e pétalas de rosas.
Eu segurava um buquê de flores e o apertei quando ouvi passos se aproximando, anunciando sua chegada, fazendo meu coração pulsar freneticamente no peito e minha boca secar ao vê-la.
Ela estava linda, o vestido florido um pouco acima do joelho, o cabelo com grandes cachos e a maquiagem pouco presente deixaram minha pequena ainda mais admirável.
Ela olhou a sala e seu sorriso era magnífico, caminhei até ela e entreguei o buquê.
— Obrigada! Nossa, são lindas... — Disse, aproximando o buquê do rosto e inalando o cheiro das rosas. — Tudo isso por um jantar?
— Tudo isso para você e eu ainda acho pouco.
— Não acha cedo para jantar? Não são nem sete horas ainda, amor.
— Não, não acho, aliás, estamos atrasados.
— Atrasados?
— Estamos atrasados dois anos, meu amor. — Disse, colocando a mão no bolso e tirando uma caixinha de veludo vermelha.
— Nathan, isso... significa....
— Significa que o meu sentimento por você está transbordando, o meu amor está derramando e necessito de você, esperamos dois anos e agora necessitamos do seu amor, Arthur precisa da mãe dele aqui em casa e eu preciso acordar todos os dias ao seu lado. — Me ajoelhei, abri a caixinha e olhei para cima. — Bruna Watts, a vida me ensinou a valorizar o que temos, pois, a vida não avisa quando terminará e eu quero aproveitar cada segundo ao seu lado e, mesmo que não seja suficiente, eu invento uma máquina que pare o tempo apenas para te amar. Eu te amo, minha pequena, e para minha vida ficar completa apenas preciso da sua resposta. — Umedeci os meus lábios e completei: — Você quer casar comigo?
Ela estava com os olhos marejados e os lábios trêmulos, seu peito subia e descia, ela levou a mão até os lábios e finalmente respondeu:
— Sim! Eu quero me casar com você.
Soltei o ar que nem percebi que estava segurando e me levantei rapidamente, a beijando. Afastei-me dos seus lábios e deslizei o anel fino de ouro pelo seu dedo, e ela logo fez o mesmo com o outro anel simples.
— Agora temos que correr, não temos muito tempo.
— Tempo? — Perguntou ela.
— Todos estão esperando, meu amor.
— Nathan, o que você quer dizer? Não me diga que...
— Sim, minha pequena, nosso casamento será hoje e tudo está perfeito exclusivamente para você, todos estão esperando.
— Oh, meu Deus! irei me casar assim? — Disse ela, olhando o vestido.
— Ah! Se fosse por mim, você casaria até de calça, mas minha mãe, Noemi e Melissa cuidarão de você. — Disse, apontando as mulheres no corredor, sorrindo. — Te espero no alta meu amor. — Disse, beijando sua testa, antes que Noemi a levasse dos meus braços.
A vi sumir pelo corredor e logo Luís e Mart me puxaram para o lado oposto. Naquela noite,
começou o resto das nossas vidas.