A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 04
Nathan Brown
Fazia uma semana que estava à procura da babá de Arthur, e mesmo que elas tivessem ótimas referências ou que fossem perfeitas para o cargo, nunca ligavam de volta para efetivamente contratá-las. Ficar dentro de um escritório o dia todo, perdendo a oportunidade de estar com o meu filho, não me agradava.
Estava na minha sala novamente esperando por mais um dia de entrevistas tediosas quando minha mãe entrou na sala junto com Luís e meu filho. O motivo da minha alegria acabará de entrar, me levantei e fui até eles. Cumprimentei meu irmão com um aceno de cabeça e peguei meu filho do colo da minha mãe e depois dei um beijo na testa dela.
— Qual o motivo da surpresa? — Perguntei cheirando o corpinho do meu filhão que estava dormindo com a boquinha aberta.
— Levei Arthur para tomar uma vacina. — Minha mãe respondeu.
— Onde aplicaram? — Perguntei, já procurando qualquer sinal no corpinho do meu filho que resmungou um pouco.
— Foram gotinhas, desesperado. — Luís respondeu dessa vez.
Senti um alívio no meu corpo e caminhei até minha cadeira e fiquei olhando meu filho.
Ele a cada dia se parecia mais comigo, seus cabelos e olhos eram iguais aos meus, mas nada igual a mãe, talvez depois de um tempo algo surgisse, mas até aquele momento ele era igual a mim, quando eu era pequeno.
— Tenho hora marcada no salão. — Disse minha mãe, me tirando dos meus pensamentos.
— Então, vou para casa cuidar dele. — Disse, me levantando.
— Não. Meu salão é daqui duas horas. Você entrevista as candidatas até lá e depois pode ir.
— Vou deixar as coisas aqui e vou para o meu escritório. Tenho uns relatórios chatos para ler. — Luís disse deixando o bebê conforto e as bolsas de Arthur próximo ao sofá da minha sala.
— Bem-vindo ao meu mundo! — Falei.
— Seu mundo é uma...
— Luís Brown. — O repreendo.
— Ia falar que é uma maravilha.
Ele beijou a testa da minha mãe, passou a mão em Arthur e saiu da minha sala.
— Ele está se esforçando bastante. — Disse minha mãe quando viu o filho saindo da sala.
— Melhorou uns vinte por cento... Ele é esforçado, mãe. Ele é capaz de muito mais do que imagina. Precisa apenas deixar de ser um moleque e começar a ser um homem.
— Ele irá, meu filho. Tenha paciência! Você era igual até conhecer Jessica.
Quando estava prestes a responder, Melissa apareceu na minha porta de vidro. Pedi para que ela entrasse.
— Desculpa atrapalhar, Sr. Brown. As candidatas à entrevista já chegaram.
— Tudo bem, Srta. Crawford. Quantas teremos hoje?
— Dez, senhor.
— Ótimo! Assim que minha mãe sair, mande a primeira entrar.
— Sim, senhor. Com licença...
— Mãe...
— Não se preocupe. Já sei... Estarei na sala do seu irmão. Assim você poderá ficar mais tranquilo. — Disse pegando Arthur dos meus braços.
— Vou pedir para alguém levar as coisas dele. Obrigado, mãe!
— Não precisa me agradecer por tudo que faço, meu filho. Cuidar do Arthur tornou-se um prazer. Me sinto com vinte e seis anos novamente, quando você nasceu.
— Fico feliz em saber disso! — Disse dando um beijo em sua testa, me encurvei e passei a mão na cabeça do meu filho. — Ei filhão, papai vai trabalhar, mas daqui a pouquinho vou estar com você novamente.
Assim que minha mãe saiu, pedi para que Douglas, um dos meus seguranças pegasse os pertences de Arthur e levasse até minha mãe. Tomei um café forte sem açúcar e soltei um longo suspiro, estava pronto para as entrevistas.
Nenhuma delas seriam boas suficientes, não era ela. Ela é quem deveria estar em casa cuidando do nosso filho, deveria estar ao meu lado nas madrugadas mal dormidas. Ela é quem deveria estar acordando comigo de madrugada, apenas para ver se ele ainda estava respirando, ela faria tudo isso ser fácil ao seu lado, mas ela não estava comigo... E a dor em meu peito ainda era presente e tão forte, mas em meus sonhos ela ainda parecia tão viva, sempre dançando para mim, sempre perfeita em seus passos, do mesmo jeito do dia em que a conheci.
Estava à espera da última candidata que por sinal estava atrasada. Não sei porquê ainda esperava. Ela com certeza também não seria competente o bastante para o cargo. Queria entregar logo o jogo e ficar em casa definitivamente até ter certeza que meu filho ficaria seguro com outra pessoa. Talvez em uns sete ou treze meses, me sentiria mais seguro para deixá-lo aos cuidados de outra pessoa.
Minha mãe acabará de sair e Luís estava em uma reunião de última hora que rejeitei logo. Arthur depois de trocado e alimentado, estava dormindo tranquilamente no bebê conforto ao meu lado. Sabia que em pouco tempo ele acordaria, então me levantei e fui até a copa próxima a minha sala para lavar sua mamadeira. Alguns anos atrás nunca me imaginaria pegando em uma criança e agora me via em uma pequena cozinha, vestido em um terno de mais de três mil dólares, lavando uma mamadeira... realmente o mundo dava voltas.
Terminei o mais rápido possível e voltei novamente para minha sala, mas parei a porta. Fiquei hipnotizado com o que vi. Através do vidro da minha porta, consegui ver perfeitamente um corpo pequeno, cabelos loiros médios, um vestido azul pouco formal, balançando meu filho em seu peito para que se acalmasse. De longe, fui capaz de ouvir uma fraca música de ninar.
Por um momento imaginei Jessica, mas logo estes pensamentos sumiram, essa menina tinha algo de diferente, não sabia o que... Mas tinha.
Saí dos meus pensamentos e abri a porta brutalmente, assustando a garota e acordando meu filho em seus braços, que estava quase dormindo novamente. Aproximei-me dela, pisando duro e cuspindo palavras frias e secas.
— O que está fazendo com o meu filho?