A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 17 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 16

 

Nathan Brown

Ela apenas saiu de perto dele para explicar ao Michael todas os cuidados que ele deveria ter com o pai dela. Mesmo ele estando dormindo, ela se recusou a sair do quarto. Ela estava com as mãos sob a mão do pai e fazia uma oração. Nunca fui religioso, então não sabia o que fazer naquela situação, talvez fechar os olhos fosse educado ou sair do quarto e deixa-la em seu momento celestial, mas continuei no mesmo lugar, ouvindo seu murmurar. No momento que ela disse ''amém'', me aproximei, colocando uma mão em seu ombro.

— Temos que ir. — Disse olhando para o senhor deitado no leito hospitalar. Seu aspeto estava um pouco melhor comparado ao senhor que conheci naquela praça, mas nada que mudasse o diagnóstico dado pelo Doutor Richmond.

— Eu sei, é que... É tão difícil deixá-lo depois de tudo pelo o que ele passou. — Ela inspirou levemente. — Sinto que estou o abandonando novamente.

— Lembra o que o doutor disse, Bruna. Você sempre vai poder ligar e sempre que quiser pode vir visitá-lo.

— O Arthur...

— Noemi não vai se importar de cuidar dele por algumas horas.

Não vou impedi-la de ver o pai. Se o doutor Richmond estiver certo e o pai dela não começar a reagir, ele poderia não aguentar por muito tempo. E não conseguia nem pensar o que ela faria quando ele não estivesse mais entre nós.

— Obrigada, eu não sabia o que fazer com ele. — Disse ela, dando um beijo na cabeça do pai. — Sei que talvez esteja pedindo muito, mas talvez você tenha um amigo que possa me ajudar no tribunal contra aquela mulher, um que eu consiga pagar os honorários.

— Está pensando em me trair, Bruna?

— Como? — Ela me olhou espantada. — Não entendi.

— Não precisa se preocupar com o advogado.

— Preciso de um para...

— Eu cuidarei do seu caso, Bruna. A partir de hoje, você será minha prioridade, e quanto os honorários, esqueça.

— Oh... — Disse surpresa. — Não posso aceitar, olha tudo que já fez por mim... não terei como aceitar mais uma ajuda de graça. Sei que seus honorários são muito caros e nunca poderei...

— Bruna, se acalme! — Segurei seus ombros e olhei em seus olhos. — Não costumo cobrar da família. Não podemos perder muito tempo, já deveríamos ter ido a uma delegacia e ter feito a denúncia, o quanto antes melhor.

 

Não estava há muito tempo na prática da lei, mas minha fama e meus talentos logo foram reconhecidos. A linhagem de advogados da família também me ajudou o suficiente para me erguer facilmente no mundo jurídico.

O êxtase dos tribunais sempre me excitava. Sempre gostei de ter uma parcela de contribuição por colocar maníacos, estupradores, traficantes e etc. na cadeia. O nome da minha família sempre abriu portas para mim, o que facilitava o meu trabalho, nunca perdi um caso, mas gostava de desafios e a cada novo advogado que tentava me enfrentar era sempre engraçado vê-los tentando me derrubar, o que era sempre inútil. Todos os meus casos ganharam reputação na mídia facilmente e não seria diferente com o caso da Bruna.

Eu tinha pena do advogado porta de cadeia que iria me enfrentar.

 

A denúncia estava feita e escutar com detalhes o que minha cliente viu na clínica não me assustou, o lugar daria um ótimo estúdio de filme de terror. O que me impressionou foi como eles conseguiram disfarçar tão bem um lugar desses e enganar pessoas inocentes. Mas o mundo sempre esteve repleto de mentirosos e enganadores, que não ligam para os sentimentos de muitas pessoas.

Lógico os policiais precisavam de um documento para adentrar a clínica. E se dependesse do delegado a ordem judicial iria demorar, pois segundo o próprio: “eu não mando na lei, apenas a sigo”. O que era ridículo, já que ele era a merda de um delegado, ele poderia mandar o quanto quisesse, mas preferia ficar sentado na sua cadeira reclinável, se entupindo de rosquinhas e café. Usei uns dos meus contatos e liberei a ordem judicial com a ajudinha de um grande amigo.

Assim que chegamos em casa, pedi para Noemi preparar um chá para Bruna e colocasse um pouco de calmante, lógico que ela não irá dormir sem a ajuda de um remédio. Já bastava as duas semanas que descobri que ela não dormiu direito.

Tomei um banho rápido, vesti uma roupa casual e me desloquei ao quarto do meu filho, odiava passar muito tempo longe dele, afinal ele era a coisa mais próxima que me restou dela. Saí do corredor e a nuvem de lembrança invadiu minha mente.

 

— Anda logo, Nathan, nunca conseguirá me achar desse jeito. — Disse Jessica sorrindo, sua voz estava longe, mas ainda podia ouvir seus passos se aproximando.

— Seria mais fácil se não estivesse vendado... Anda, minha hortênsia, qual é a surpresa?

— Segue minha voz, amor. — Sua voz vinha de próximo do nosso quarto, ela queria me levar para o quarto e ficava com esses joguinhos? Devassa e provocadora. Eu amava aquela mulher. Minha mulher.

— Deixe de ser pervertido, Nathan Brown. Eu conheço esse seu sorriso, seu safado.

— Não disse nada, mas estou começando a gostar. Vai ter vinho e morangos, Sra. Brown? — Disse, parando e cruzando os braços. Adorava provocar a minha onça de sapatilhas.

— Não terá “Sra. Brown” se não vir até aqui, descobrir o que fiz para você.

— Hum... Já fez? Dispensou minha mãe e o Luís para fazer um showzinho para mim? Valeu a pena passar três dias fora da cidade.

— Meu Deus! Anda logo, homem, antes que eu mude de ideia e o único showzinho que verá, será na sala de tv.

— Então vai ter show particular? — Perguntei me aproximando, podia sentir o seu Perfume de hortênsia. Estiquei minha mão e toquei em sua cintura. A puxei para perto, fazendo-a soltar um gritinho de surpresa. Selei um beijo em seus lábios carnudos que tanto senti falta. — Posso tirar a venda?

— Ainda não. — Ela se soltou dos meus braços, mas segurou firme em minhas mãos. — Quero que saiba que isso não é apenas um presente seu, ele será, de certa forma, de todos. Ele é para a vida toda e é a prova de todo nosso amor. — A escutei abrindo uma porta antes de me puxar para dentro do cômodo que tinha certeza que não era o nosso quarto. Ela soltou minhas mãos, andou mais alguns passos e logo sua voz ecoou no lugar. — Tire a venda, meu doce amor.

Não pensei duas vezes, tirei a venda que tanto me irritava. O quarto estava escuro, se não fosse a luz do luar que passava pela janela, eu não veria nada. Mas quando ela acendeu a luz e me virei para ela, pude ver seu lindo sorriso. Ela se aproximou devagar com as mãos para trás, com uma cara de safada que sempre adorei. Minha vontade era de ir até ela, acabar com a saudade que estava sentindo do seu corpo, mas não podia porque ela estava malditamente me dominado.

Quando faltavam poucos passos, ela parou, colocou as mãos na frente da sua barriga, logo ela afastou a mão e eu pude ver um teste de gravidez.

— Não! — Disse, duvidando, mas o sorriso já se formando em meu rosto.

— Sim! — Afirmou.

— Sim? — Perguntei, me ajoelhado a sua frente e tocando na sua barriga plana. O sorriso não cabia em meu rosto, era felicidade demais na minha vida. — Vamos ter um bebê?

— Tecnicamente, eu terei um bebê, mas sim, meu amor, vamos ter um bebê.

Me levantei, segurei seu rosto e beijei sua boca, dando diversos selinhos rápidos, falando “eu te amo” depois de cada beijo. A peguei no colo e dei um giro com ela.

— Acabei de me tornar o homem mais feliz do país, do mundo, do universo. Hortênsia, eu vou ser pai!

— Vai meu amor, de uma princesinha linda.

— Um menino lindo para jogar basquete comigo.

— Não importa, meu amor, ele ou ela será a criança mais amada do mundo.

— Não tenho dúvidas.

 

Ela definitivamente estava presente em cada canto da casa, até a droga de um corredor me trazia lembranças dela. Eu precisava de uma bebida forte para me embriagar e ficar chorando igual uma garotinha que perdeu a boneca. A maldita dor da saudade me sufocava e tenho plena certeza que a bebida não me ajudaria, pelo contrário, me afundaria ainda mais nessa merda que já estou.

Soltei um bufo de irritação e andei até a porta do quarto do meu filho.

Abri a porta, logo depois fechando a mesma devagar. O peguei do berço, o apertei em meu peito. Ele era a única prova de que ela esteve viva, que foi forte o suficiente por ele, que o último suspiro foi para tê-lo. E agora ele estava crescendo rápido demais, logo iria andar, falar, comer sozinho, ir para escola e quando eu menos esperasse ele me chamaria de coroa e iria embora para faculdade. Deixando o ''coroa'' sozinho.

Por que filhos tinham que crescerem tão rápido?

Saí dos meus pensamentos assim que a porta se abriu revelando Bruna com os cabelos molhados, prova de um banho recém tomado, usando um pijama rosa com milhares de patinhos.

— Oh! Desculpe, eu não sabia que estava aqui, só queria desejar boa noite para ele.

— Sei o que está sentindo, vim com a mesma intenção. — Ela se aproximou, passou a mão pelas costas do meu filho e, ficando nas pontas dos pés, beijou sua cabeça.

— Ele fica lindo dormindo.

— Sim, realmente fica. — Afirmei, admirando meu filho.

Ela bocejou, sinal de que Noemi lhe entregou o chá.

— Vou dormir. Boa noite, Nathan!

— Boa noite, Bruna! — Ela se afastou indo em direção a porta e quando estava prestes a sair, disse: — Bruna? — Ela se virou e me observou. — Amanhã, o sofrimento na clínica chegará ao fim.

— Só terá fim quando aquela víbora estiver atrás das grades, enquanto pessoas como ela estiverem soltas, ainda terá sofrimento nesse mundo. — Disse saindo do quarto e fechando a porta.

Ela tinha razão, infelizmente o mundo sempre esteve repleto de pessoas sem escrúpulos. O que me fazia sentir ainda mais vontade de ajudar a

colocar aquela mulher na cadeia .