A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 30
Nathan Brown
Os dias passaram rápido demais. Arthur completou quatro meses e estava a cada dia mais esperto, fizemos uma pequena comemoração e ele provou água, pela primeira vez.
Bruna estava, infelizmente, decidida a parar de trabalhar como babá do Arthur. Logo eu teria que entrevistar novas candidatas e ela poderia voltar à sua casa.
Decidimos ir com calma no nosso relacionamento e que, até aquele momento, estávamos apenas nos conhecendo. Eu pretendia mudar aquela situação logo, afinal queria que todos soubessem que ela era minha.
Vê-la totalmente corada com os meus beijos na frente da minha família, me deixava com ainda mais vontade de beijá-la. Seus lábios eram minha morte e, sinceramente, eu morreria mil vezes apenas para sentir seus lábios juntamente com os meus.
Voltei a andar com Zeus pela fazenda e até pensei em agradecer ao Luís por ter feito aquela aposta. Tinha esquecido o quanto era bom a sensação de liberdade e de felicidade que estar sobre um cavalo proporcionava.
— Não quero sair. — Disse.
— Larga de ser bunda mole, Nathan. Não tem nem um mês que assumiu que gosta dela e já está ativado no modo chiclete. — Disse Luís, ao meu lado.
— Então, me diga para onde estamos indo?
— Fizemos uma nova aposta. — Theo respondeu do banco na frente.
— Vocês parecem duas crianças. Espero que ganhe, Theo. Mas isso não responde a minha pergunta.
— Sempre ganho. — Disse ele, com um sorriso.
— Vamos a uma casa noturna com mulheres seminuas, bebidas e muito sexo.
— Dê meia volta, Mart. Vou ficar em casa. — Praticamente gritei para ele.
Theo começou a rir e logo Luís falou com raiva.
— Ótimo! Perdi mais cinquenta... Assim vou virar um mendigo antes dos trinta. Droga, Nathan! Respeite o que tem no meio das pernas.
— Como disse, sempre ganho. — Disse Theo, vitorioso.
— Vocês são dois idiotas! Parem de me enrolar e falem de uma vez.
— Vamos jogar uma partida de basquete. — Desta vez Mart respondeu.
— Vamos? — Perguntei.
— Sim, Logan e Peter já estão esperando. — Mart respondeu novamente.
— Quando combinaram isso? — Disse, olhando para o meu irmão.
— Faz um tempinho, teremos até torcida. Os seguranças levaram as mulheres na frente e a segurança do Arthur foi reforçada, duvido que algum fotógrafo barato tire qualquer foto dele.
— Pensaram em tudo.
— Tudo. — Respondeu meu irmão.
Não sei se gostaria de jogar novamente como antigamente, mas todos estavam agindo diferente naqueles dias e negar ia apenas me fazer sentir dor de cabeça, então apenas deixei que eles me levassem.
O jogo foi competitivo e cansativo, meu time perdeu para Logan, Peter e Theo. O que fez Luís perder mais alguns dólares juntamente comigo e Mart, mas apesar das brincadeiras e da choradeira do Luís por ter perdido, valeu a pena.
Enxuguei meu rosto com uma toalha, sentei ao lado do Logan e tomei um gole de água enquanto olhava Bruna do outro lado da quadra, com Arthur em seus braços enquanto ela o alimentava. Ela desviou o olhar do meu filho e me encarou por um momento com um sorriso nos lábios, me fazendo sorrir também.
— O perdemos. — Peter disse a Logan
— Pela segunda vez. — Respondeu ele.
— Como ele consegue atrair apenas as loiras? — Peter questionou.
— Pergunta errada meu amigo. A pergunta certa é: o que as loiras vêm nele?
— Vocês sabem que estou escutando, né? — Disse a eles.
— Talvez seja a boa aparência. — Disse Peter, me ignorando.
— Não, talvez, ela tenha algum problema. — Logan o respondeu.
— Ela, provavelmente, sofre de alguma deficiência visual. — Peter respondeu, sorrindo.
— Provavelmente. — Concordou Logan.
— Vão cuidar das suas vidas. — Disse a eles.
— Olha, eu não tenho ninguém e todos os meus amigos estão em algum tipo de relacionamento... O que tem de tão bom em estar com alguém? — Perguntou Logan
— Tê-la já é o suficiente. — Disse a ele, olhando para Bruna.
— E acordar ao lado dela todos os dias e ver o seu sorriso... São as coisas simples que fazem o relacionamento valer a pena. — Peter completou.
— Não deve ser tão perfeito assim. — Disse Logan
— Não é. — Disse.
— O casamento é uma gangorra, meu amigo, tem altos e baixos, mas é algo maravilhoso e totalmente edificante. — Disse Peter, olhando sua esposa que conversando alegremente com os demais presentes.
— Deveria experimentar. — Disse, olhando para Logan
— Se quiser, minha sogra está solteira e eu estou cansado dela na minha casa dizendo que não faço nada. — Bufou Peter.
— O que não deixa de ser uma verdade. — Logan respondeu.
— Aquela mulher só falta dormir entre eu e Rose.
— A expulse da sua casa.
— Está louco? Ela é minha sogra! A velha é chata, mas é mãe da minha mulher... Vou aguentar calado.
— É por isso que não tenho ninguém. — Disse Logan bebendo água de uma garrafinha.
Ficamos em silêncio por um momento, olhando para frente. Bruna parecia estar gostando do assunto que Rose mantinha e Melissa estava rindo de algo que Theo estava dizendo. Pela primeira vez, vi meu irmão sem um sorriso no rosto enquanto olhava para os dois. Dei um sorriso de lado, sabia o que aquilo significava.
— Como está o Dylan? — Falei, quebrado o silêncio.
— Ótimo! — Respondeu Peter, sorrindo. — Entusiasmado porque vai ganhar um irmãozinho.
— Rose está grávida? — Logan perguntou.
— Descobrimos há alguns dias. — Peter respondeu, ainda sorrindo.
— Parabéns, cara! — O parabenizei
— Valeu!
Depois de um banho no vestiário, troquei de roupa. Combinamos um novo jogo e me despedi de todos. Theo levou Melissa para casa e Luís seguiu com Logan para um lugar qualquer.
Noemi, Mart e eu seguimos para fazenda juntamente com Bruna e meu filho. Quando chegamos, faltava poucas horas para o sol se pôr. Peguei minha mochila com as roupas sujas e ajudei Bruna com as coisas do meu filho.
— Ele está começando a ficar passadinho. — Disse ela, após tê-lo tirado da cadeirinha.
— Quer ajuda? — Perguntei.
— Não. Eu consigo, a carinha dele compensa. — Disse ela, olhando para o meu filho dormindo no seu colo. — Vou colocá-lo no berço e tomarei um banho.
— Tudo bem, vou cuidar dele. — Disse, abrindo a grande e pesada porta da frente.
Subimos as escadas e logo ela colocou Arthur no berço, enquanto eu ligava o ar-condicionado. Aproximei-me dela e a abracei por trás, inalando ao máximo o seu cheiro adocicado de lírios. Ficamos assim por um tempo olhando meu filho dormir serenamente.
— Não me canso de olhar para ele. — Disse ela, docemente.
— Eu também não.
Ela passou sua mão em meu braço e logo virou-se, tocando em meu peito; ela se esticou e beijou rapidamente os meus lábios. Era a primeira vez que ela tomava a iniciativa, suas bochechas mudaram de cor brevemente e ela se afastou com um sorriso tímido, foi em direção da porta e saiu do quarto, quando a minha mãe entrou com um sorriso.
— Ela parece estar feliz. — Disse minha mãe.
— Apesar de tudo, sim, ela está feliz.
— E você? — Perguntou me olhando
— Como assim?
— Você está feliz?
— Vê-los felizes é o suficiente.
— Foi o que eu imaginei. Sei que você gosta dela, meu filho, mas você não está se entregando ao sentimento, apenas pensa que sim. — Ela segurou minha mão e me puxou para fora do quarto do meu filho. — Preciso que faça algo, por você mesmo.
Ela me guiou até o quarto de ensaio da Jessica, tentei impedi-la de abrir a porta, mas foi em vão. Entrei no quarto e tudo ainda estava exatamente igual. Noemi limpava apenas superficialmente, o que fazia com que tudo continuasse do mesmo jeito que ela deixou.
Algumas caixas estavam no meio do cômodo, minha mãe pegou uma caixa e veio em minha direção devagar. Sabia exatamente o que aquilo significa.
— Uma parte de você está disposto a recomeçar, mas tem outra que ainda está preso ao passado.
— Mãe...
— Não posso te forçar, Nathan. Essa é uma decisão unicamente sua, mas quero que saiba que você só estará livre quando entender que ela não voltará mais. Bruna está disposta a começar uma nova história. — Ela suspirou e continuou. — Mas você está? Terá que fechar uma porta para abrir outra. — Ela me entregou a caixa. — Só assim será feliz novamente. — Ela me deu um beijo na bochecha e saiu.
Fiquei olhando cada canto do cômodo, coloquei a caixa no chão e caminhei até onde ela guardava suas sapatilhas, ao lado dos seus assessórios. Senti o tecido de seda entre os dedos, levei o tecido até o meu nariz e cheiro dela não estava presente, nem suas músicas ou suas danças. Estava começando a esquecer o seu cheiro, seu sorriso e o som da sua voz. Ela estava indo embora aos poucos e eu não queria que isso acontecesse. Não estava pronto para dizer adeus.
Ainda não.