A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 42 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 41

 

Nathan Brown

Algumas mechas dos seus cabelos loiros estavam em seu rosto, retirei com cuidado, sem acordá-la, a apertei levemente em meus braços e senti o seu corpo quente junto ao meu.

Minha mulher!

A felicidade quase não cabia em meu peito em saber que ela era totalmente minha, que eu era o primeiro e o único homem na vida dela.

A minha pequena estava no lugar que sempre foi dela. Eu a amava com todas as minhas forças. Minha família estava completa apenas eu, ela e Arthur. Não precisava de mais nada.

Toquei nas suas costas nuas e ela soltou um gemido, deitou a cabeça em meu peito e a sua perna sobre as minhas, me fazendo ofegar.

— Céus... — Sussurrei.

— Você deveria estar dormindo. — Disse ela, beijando meu abdômen nu.

— Não conseguiria nem se tentasse. Agora pare de se esfregar em mim antes que esqueça que você está dolorida e a faça gemer o meu nome.

— Não... Eu não estava... Me esfregando... Eu. — Suas bochechas ganharam um tom avermelhado lindo. A sua inocência me encantava.

— Eu te amo! — Disse, beijando sua testa.

— Eu também. Pensei que tudo fosse um sonho, que acordaria e você não estaria ao meu lado.

— Sempre estarei do seu lado.

— Tenho que ir à minha casa, pegar minhas roupas, conversar melhor com a Gabby.

— Você já está em casa, suas roupas estão no closet e quanto a Gabby, vocês conversam melhor na segunda-feira.

— Minhas roupas estão aqui?

— Só ouviu isso?

— Não, apenas fiquei surpresa.

— Sua sogra faz mágica.

— Ela teve ajuda?

— O que você acha?

— Acho que tem dedo da Melissa nessa história toda.

— Isso eu tenho certeza. — Ficamos em silêncio por algum tempo enquanto mexia em seu cabelo. Olhei o relógio sobre a cômoda e quebrei o silêncio. — Acho melhor tomar um banho e nos arrumamos antes que ele chegue.

— Quem?

— Arthur, ele sempre vem aqui de manhã. E, agora, com você aqui, acho que ele nem irá esperar pela Alysson.

— Então, vou tomar um banho. — Disse, se enrolando no lençol branco e seguindo até o banheiro.

Vesti uma boxer e entrei no banheiro. Ela estava cantarolando algumas músicas, o que me fez sorrir e logo entrar no boxer, fazendo a Bruna gritar e esconder suas partes íntimas.

— Nathan! — Gritou ela.

— Ah, sim, você irá repetir muito esse nome, mas tenha paciência, minha pequena, nem conheçamos o nosso banho.

 

Eu a observava pentear os longos cabelos loiros, com admiração; até com uma tarefa tão simples, ela me encantava.

O som da porta abrindo anunciou a chegada do Arthur, fazendo minha esposa abandonar a escova de cabelo sobre a pia do banheiro ao ver nosso filho entrando no quarto com a cara de sono. Ele estava de costas para ela e me encarou sentado na beirada da cama, de onde eu poderia observar a minha esposa com clareza.

Arthur sorriu para mim, esfregou seus olhinhos e disse:

— Cadê a mamãe?

Em menos de um mês, eu havia sido trocado.

— Bom dia, meu amor! — Bruna disse, abraçando nosso filho com carinho, fazendo Arthur retribuir o carinho da mãe.

— Mamãe, dumiu com o papai?

— Dormi. — Disse ela envergonhada, se aproximando da cama com o nosso filho no colo.

— Dodói?

— Dodói? — Repetiu a pergunta, olhando o filho com preocupação. — Você está sentindo algo, meu amor?

— Ele perguntou se você está doente, ele só dorme comigo quanto está passando mal.

— Mamãe dodói?

— Não, meu filho... É que... — Ela me lançou um olhar, como se pedisse ajuda, me fazendo sorrir e cruzar os braços, esperando que ela explicasse a situação para o nosso filho. — É que agora a mamãe vai morar aqui, vou cuidar de você e do papai todos os dias.

— Blicar de gol?

— Sim, meu amor, vamos brincar muito de gol.

 

A manhã foi prazerosa, Bruna iluminava o dia com o seu sorriso, e Arthur aproveitou de todas as maneiras o contato com a mãe. Por um momento, me lembrei dela há dois anos com ele nos braços e o seu sorriso era exatamente o mesmo.

Não me imaginava tendo outros filhos. Não queria filhos. Ela conviveu com Arthur desde que ele era pequeno e, mesmo perdendo dois anos do seu desenvolvimento, ela estará presente em muitos momentos importantes da vida dele. Ela já tinha um filho, nós tínhamos um filho e isso era o suficiente, Arthur seria para sempre a nossa conexão. Apenas nós três e isso já era o suficiente para sermos felizes.

Deixei-os no jardim com a minha mãe e Noemi enquanto eles alimentavam os patos e entrei em casa, seguindo direto para a cozinha. Entrei na mesma e me surpreendi ao ver Theo com um bife tampado o olho esquerdo e Luís de braços cruzados o observando.

— O que aconteceu aqui? — Perguntei.

— Pergunta para o seu irmão. — Theo respondeu estressado.

— Você provocou. — Luís retribuiu no mesmo tom.

— Outra aposta?

— Quem dera! Se fosse uma aposta, ele estaria com o olho roxo e não eu. — Theo respondeu.

— Diga-me logo que diabos aconteceu. — Tornei a perguntar.

— Ele enlouqueceu, estávamos falando do seu casamento e das amigas da Bruna... Quando falei que a Melissa estava quente naquele vestido, ele simplesmente me deu um soco. — Disse, tirando a carne do rosto, me fazendo ver o inchaço no local.

Olhei o Luís com atenção, cruzei os meus braços na altura do peito e fique olhando para ele. Ele desfez sua postura, levantou a mão do Theo novamente, colocando a carne no rosto, o fazendo gemer de dor.

— Luís, precisamos conversar.

— Não quero conversar. — Protestou meu irmão.

— Não perguntei, agora, venha.

Ele bufou e me seguiu até o escritório, me sentei na minha cadeira e o olhei se servindo com alguma bebida no bar e se sentar à minha frente de uma maneira desleixada.

— O que está acontecendo?

— Nada. — Disse, tomando um gole da bebida.

— Sabe que irei descobrir.

Ele soltou um sorriso debochado e disse:

— Você não vai descobrir.

— No que você está se envolvendo?

— Sério que quer cuida da minha vida? Não tem vidas o suficiente para cuidar? Da sua mulher ou do seu filho?

— E a família, Luís?

— A família só é firmada ao seu redor, Nathan, como essa casa e a metade da empresa. É a sua família, não a minha.

— O que quer dizer com isso?

— Tomei uma decisão faz algum tempo e acho que já está na hora de colocá-la em prática.

— Qual decisão?

— Quero morar sozinho.

— O quê?

— Quero crescer profissionalmente, quero aprender a viver sozinho, sem a nossa mãe ou você me dizendo o que fazer... Tenho vinte e cinco anos, o que me impede de ter uma vida como qualquer homem solteiro?

— Então, é isso? Você quer ir embora?

— Quero.

— Ok. — Disse, me levantando e indo em direção ao bar. — Boa sorte para falar com a nossa mãe.

— Ah, droga!

— Quer ser responsável? Tenha responsabilidade suficiente para falar com ela, só me avise antes que o furacão Cloe venha destruindo tudo.

— Preciso de uma dose de coragem. — Disse, se aproximando e enchendo novamente o seu copo.

— Para falar com ela? Pode pegar a garrafa inteira e não será o suficiente.

Ele tomou o líquido que estava no copo todo de uma vez. Lógico que ele não queria apenas liberdade, ele apenas não queria que eu descobrisse no que ele estava se envolvendo, o que não me faria desistir dele, formávamos uma família e uma família protege seus membros. Ele podia até não perceber, mas eu sabia muito mais do que ele imaginava.