A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 23 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 22

 

Nathan Brown

Os lábios pequenos dela, seu hálito fresco e sua língua... Tudo era um conjunto perfeito para levar a minha sanidade embora. Sua boca era a minha perdição, seus dedos em meu cabelo faziam com que minha vontade só aumentasse.

A levantei com muita facilidade, pela cintura, a fazendo entrelaçar suas pernas no meu corpo, andei até uma parede próxima, a fazendo soltar um gemido entre nossos lábios quando suas costas bateram na parede, derrubando um quadro.

— Na... Nathan. — Ela colocou as mãos em meu peito, tentando me afastar. Coloquei-a no chão, longe dos cacos de vidro do quadro, ela passou a mão no braço e olhou para o outro lado do quarto. — Eu... eu vou dormir. — Disse, indo até a porta, mas eu segurei em seu cotovelo.

— Está fugindo de mim novamente? O que aconteceu aqui...

— Estou confusa. Eu não sei o que pensar... Eu preciso de um tempo. — Ela saiu praticamente correndo do quarto do meu filho.

Tentei correr atrás dela, mas assim que dei o primeiro passo, o barulho de vidro foi escutado. Levantei meu pé que graças ao meu chinelo não havia sido machucado e reparei que se tratava de um porta-retratos com uma foto de Jessica, na sua sala de ensaio. Tão linda, aparentemente saudável e forte.

Será que foi um sinal de que devo me afastar de Bruna? Ela estava me mostrando que estou traindo minha mulher, com a babá do nosso filho?

Estava realmente ficando louco, tinha acabado de beijar a babá do meu filho e estava tão confuso quanto ela. Nós dois precisávamos pensar.

 

Fiquei na empresa, entre assuntos de importação dos nossos produtos para outros países e a burocracia do escritório, fiquei ocupado o dia todo.

Luís, por incrível que pareça, estava mais firmado na empresa, o que me deixava seguro de que ele poderia ficar responsável por ela, quando eu precisasse.

Ligue para Henry e o autorizei a ver o neto ainda naquele dia. Mesmo que eu não quisesse meu filho ao lado de Charlotte, o seu marido era um homem zeloso e confiável.

Entre tantos contratos, reuniões, relatório, e-mails e novos casos, Bruna ainda estava presente nos meus pensamentos, eu ainda era capaz de sentir o gosto dos seus lábios, o som do seu gemido e até a sua voz falando o meu nome de forma tão sexy.

“Nathan”

“Nathan”

“Nathan”

— Nathan! — Girei minha cadeira, deixando a visão da grande cidade de concreto para trás e olhei para minha mãe, debruçada sobre a minha mesa. — Onde estão seus pensamentos, meu filho?

— Na empresa. — Respondi, tentando soar sincero.

— Não se atreva a mentir para mim. — Disse jogando sua bolsa em uma cadeira e sentando na outra.

— Posso saber o motivo de pensar que estou mentindo?

— Porque te conheço há vinte e oitos anos.

— Estou apenas cansado, perdi o ritmo da empresa, do escritório...

— E da sua vida. Bruna e você estão estranhos e, como não sou a velha gagá que vocês pensam, sei que aconteceu algo.

— Não achamos que você seja uma velha gagá, mãe.

— Vamos tricotar ou vai me dizer o que está acontecendo?

Bufei e falei:

— Depois que o meu pai morreu, você se apaixonou novamente?

— Sim, uma única vez, por Cartter Ahern, um advogado exemplar, tinha três anos que o seu pai havia falecido e vivemos uma pequena aventura.

— Por qual motivo não ficaram juntos?

— Vocês. Eu não podia levar outro homem para casa sabendo que seu pai ainda estava vivo para vocês, principalmente para o seu irmão.

— Você se afastou dele por nós?

— Quando se é mãe, meu filho, abrimos mão de muitas coisas pelos filhos. Vocês eram a minha prioridade. Por isso, eu digo para você não ter medo.

— Não estou com medo.

— Ela gostaria que continuasse sua vida. — Disse ela, se levantando e pegando a bolsa. — Pense nisso. — E saiu.

Era só o que eu tinha feito: pensar, pensar, pensar e pensar.

Minha mãe tinha o dom de saber quando o filho estava precisando dela. Dona Cloe era uma mulher maravilhosa, sua vida se resumia a eu, Luís e agora Arthur. Por isso, eu sabia que o motivo de tratar Bruna daquela maneira era apenas para proteger meu filho. Ela se encaixava perfeitamente no papel de mãe superprotetora.

Terei o telefone do gancho e logo Melissa atendeu.

— Sr. Brown, está precisando de algo?

— Desmarque todos os meus compromissos. Se for possível, transfira-os para amanhã.

— Sim, senhor.

Saí da minha sala, me despedi da senhorita Crawford, entrei no meu carro, Mart deu sinal aos meus seguranças e fez o caminho para minha casa.

Entrei em casa e não me surpreendi ao ver meu filho sendo cortejado pelos avós maternos na sala. Os dois estavam sentados no sofá enquanto meu filho estava deitado na perna de Charlotte que fazia alguns barulhos estranhos com a boca. Bruna estava sentada de frente para eles, vigilante.

Henry se levantou, me cumprimentou, me agradeceu por tê-los permitindo ver o neto e se desculpou por tudo. Já Charlotte se manteve no mesmo lugar, sem sequer olhar para mim.

— Vou trocar a fralda dele. — Disse Charlotte, levantando.

— Eu faço isso. — Bruna levantou e foi ao encontro dela.

— Não chega perto de mim. Sei trocar uma fralda. E você não deveria usar algum tipo de uniformes para trabalhar?

Me aproximei delas, toquei no ombro da Bruna, lhe lancei um sorriso e encarei Charlotte que balançava meu filho.

— Ela não precisa de um uniforme e o trabalho dela é cuidar do Arthur, então será possível deixá-la cuidar dele? — Perguntei, ainda olhando Charlotte.

Ela apenas entregou meu filho com certo desgosto e vimos Bruna se afastar com ele.

Henry se aproximou até parar ao lado da mulher, cochichou algo que não consegui ouvir.

— Estamos indo... Obrigado novamente por nos deixar vê-lo. O sorriso dele é igual ao dela. — Disse ele.

— Eu que lhe devo desculpas também, minha atividade ontem...

— Eu o entendo, faria exatamente a mesma coisa. — Disse ele, me interrompendo e novamente olhou a esposa. — Vamos, querida?

— Pode ir pegar o carro, meu amor. Eu vou esperar na porta. — Falou ela, beijando a bochecha do marido, que me agradeceu novamente e saiu.

Coloquei minhas mãos no bolso da calça, encarando a mulher a minha frente.

— Você não a respeita nem depois de morta, mas me surpreendeu dormindo com a empregada. O que aconteceu com as prostitutas que costumavam participar das suas orgias? Estão ocupadas?

— Não fala...

— Não precisa gritar. Joguei verde, mas pelo que vejo você realmente está dormindo a babá do seu filho. Não respeita nem a memória da mãe dele? Esse é exemplo que dará ao meu neto? Você me dá nojo! Ela merecia muito mais de você. — Disse pegando a pequena bolsa carteira e se afastando. — A memória da minha filha merece

respeito .