A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 18
Nathan Brown
Algumas semanas, foi o suficiente para que tudo estivesse pronto e para que eu retornasse aos tribunais. Não estava querendo me afundar muito no caso, não queria meu rosto em todos os jornais. Estava disposto a facilitar para o advogado de defesa, mas depois que tive o desprezo de conversar com Lorenna, mudei meus planos.
Ela se arrependeria de brincar com minha cliente. Não contei para Bruna sobre o motivo do seu pai estar naquela situação. Ela era uma menina sensível e provavelmente nunca perdoaria Lola, então deixei que ela imaginasse que a doença estava deixando o pai daquele jeito.
Não precisava correr atrás de provas, tudo demonstrava que Lola e mais oitos funcionários seriam julgados e condenados.
Infelizmente não consegui tirar Elizabeth dentre os oitos, ela trabalhou muito tempo na clínica e nenhuma queixa foi registrada enquanto ela estava lá, o que lhe tornou uma cúmplice. Mas tinha uma carta na manga para aliviar a sua condenação.
Depois de vinte testemunhas, a juíza dispensou o júri para o almoço, o tribunal estaria em recesso até às 14h15min. Earth Dobbs, o advogado de defesa, me surpreendeu, ele tinha talento e talvez conseguisse a redução da pena da sua cliente, embora isso fosse pouco provável.
— Sr. Brown, fiquei sabendo que quer a redução da pena de Elizabeth Rauser. — Falou Earth.
— Está focado em outras coisas além da sua cliente, Sr. Dobbs? — Perguntei.
— Tenho a impressão de que não irá conseguir.
— Gosto de desafios. E se eu fosse você, me preocupava com a Srta. Ghey, não com a Sra. Rauser.
— Estou apenas jogando o jogo, Sr. Brown.
— E perderá feio. — Disse, firmemente.
— Veremos. — Disse ele, saindo do meu lado e pegando o seu celular no bolso.
— Algo errado? — Bruna perguntou, aproximando-se enquanto olhava Earth se afastar.
Olhei para ela, seu cabelo estava em um coque volumoso e seu corpo estava perfeito em um vestido preto justo na altura dos joelhos e ela estava alguns centímetros mais alta, graças a uma sandália de saltos médios.
— Não. Apenas um papo amigável. — Disse.
— Liguei para Noemi, Arthur está bem, ele está com Mart enquanto ela termina o almoço.
— Obrigado por ligar! Demoraremos um pouco. Quer almoçar?
— Aonde? Lá fora está cheio de jornalistas, não estou muito a fim de passar por eles.
— Tenho um lugar. — Peguei em sua mão e guiei até uma sala privativa.
A juíza assumiu a bancada.
— Sr. Brown, tem mais alguma testemunha? — Perguntou ela.
— Meritíssima, neste momento, a acusação nada tem a dizer. — Respondi.
A juíza me fitou por um momento e então olhou para Earth.
— Sr. Dobbs, está pronto para prosseguir?
— Meritíssima, estou pronto para prosseguir com a defesa.
— Prossiga. — Ela fez um gesto com a mão. Era notável que ela estava cansada, afinal todos estávamos. Três dias de julgamento cansa qualquer um.
— Quero chamar a senhora Rauser, para testemunhar. — Earth anunciou.
Ela chegou escoltada pelos policiais e logo se sentou na cadeira para testemunha, depois que fez o juramento, Earth pôde prosseguir.
— Sra. Rauser, poderia repetir seu nome completo para o júri?
Ela olhou pra Bruna e logo retornou a olhar para Dobbs.
— Elizabeth Connelly Rauser.
— Connelly? Sabia que minha cliente tinha o mesmo sobrenome quando era solteira? Vocês têm algum laço parental?
— Sim. — Respondeu ela, timidamente, abaixando a cabeça.
— Então me diga, Sra. Rauser, qual é o parentesco?
— Sou... sou mãe dela.
Filho de uma mãe sortudo.
— Então, Lorenna Ghey, é sua filha. Era por esse motivo que você trabalhou por todo esse tempo na clínica sem registrar uma queixa?
— Não! — Exclamou. — Bem, não podia fazer a denúncia porque todos os novos funcionários assinavam um contrato, sendo assim quando o funcionário tentava ameaçar, ela mostrava o contrato, alegando que qualquer coisa ele também seria condenado por cúmplice.
— Mas de todos os vinte e sete funcionários apenas oitos não tinham o contrato, contando com você. O motivo de não ter contrato é por que ajudava minha cliente no funcionamento?
— Não!...Eu...Eu.
— Diante da sua falta de palavras, posso considerar ter uma resposta afirmativa. Sem mais perguntas, Meritíssima. — Declarou Earth.
— Sr.Brown, gostaria de fazer alguma pergunta? — A juíza perguntou.
— Sim, Meritíssima.
— Levante e prossiga.
Me levantei, arrumei meu terno e peguei alguns papéis.
— Sra. Rauser, o nome Paul Rauser, lhe recorda alguma coisa? — Perguntei.
— É o nome do meu falecido marido. — Respondeu ela, com a voz baixa.
— Mas o senhor Rauser não era o pai da acusada, pelo que vejo.
— Não, senhor.
— Paul Rauser tinha uma dívida de jogo com Brad Ghey, falecido marido da sua filha, sabia?
— Sim. — Confirmou ela, envergonhada.
— A dívida não foi quitada, pois seu marido faleceu antes, estou certo? — Ela concordou novamente e continuei. — Sendo assim, você e sua filha tiveram que trabalhar na clínica como pagamento da dívida, mesmo depois que sua filha se casou com o dono da clínica, a dívida não foi perdoada e nem depois do falecimento do seu genro. Pode confirmar minha suspeita, Sra. Rauser?
— Sim. É verdade.
— Tem provas para apresentar, Sr. Brown? — Perguntou a juíza.
— Sim, Meritíssima. Tenho um contrato assinado pelo senhor Rauser e a testemunha. Documento que a acusada usava pra chantagear a própria mãe. — Entreguei o documento para a juíza e fiquei com uma cópia em mãos. — Entretanto, o que a senhora Rauser não sabe é que a dívida em questão foi quitada há sete anos e a acusada continuou usando do mesmo artificio para chantageá-la e ganhar a limpeza da clínica de graça.
— Diante dessas provas, liberto a senhora Rauser das acusações apresentadas. — Declarou a juíza.
— Obrigado, Meritíssima! Não tenho mais perguntas ou evidências. — Disse, voltando ao meu lugar.
— Sr. Dobbs, tem mais testemunhas?
— Não, Meritíssima. — Disse com desgosto.
— Concedo uma pausa até que o júri apresente o veredito e, assim, lerei a sentença. — Disse batendo o martelo e se levantando.
Me aproximei de Bruna que pulou no meu colo e me abraçou apertado, devolvi o abraço rodeando meus braços em seu pequeno corpo. Como era bom senti-la por perto, seu perfume de lírios me envolvendo e, por um tempo, desejei poder passar dias sentindo seu cheio e o calor do seu corpo.
— Obrigada! Muito obrigada por fazer isso por ela. — Agradeceu.
— Não foi nada. — Disse, me afastando dos seus braços. — Vá ver sua amiga, logo a sentença será anunciada. — Ela me lançou um sorriso tímido e foi em direção de Elizabeth.
— Parabéns, Sr. Brown! Mais uma vez, ganhará a causa. — Earth disse, ao meu lado.
— Não tinha dúvidas de que ganharia. Mas tenho que admitir que você quase conseguiu.
— Teremos outras oportunidades.
— Esperarei ansiosamente. — Disse.
Me afastando dele, voltei a minha mesa, arrumei meus papéis e olhei ao redor. Os parentes das vítimas estavam presentes e ansiosos pelo veredito tanto quanto eu. Meus olhos focaram na minha pequena menina, conversando alegremente com Elizabeth que chorava.
Estava ficando louco por ficar reparando nela. Virei para frente, passei a mão diversas vezes pelo rosto e tomei um pouco de água.
Foco Nathan, Foco.
Finalmente o júri retornou e todos tomaram seus devidos lugares. O júri declarou Lorenna e os demais réus culpados por seus crimes. Lorenna pegou 54 anos de prisão por seus crimes, que com certeza com bom comportamento sairá antes.
O julgamento foi encerrado e todos comemoraram a decisão judicial.
Saímos sem prestar esclarecimento aos jornalistas, deixei que os outros fizessem isso.
Bruna estava muito animada, seu sorriso era a coisa mais linda que já tinha visto. Depois que saímos do tribunal, fiz questão de levá-la ao lar, mesmo que seu pai não a reconhecesse ela queria compartilhar a sua alegria.
— Podemos comemora depois? — Perguntou ela, assim que paramos em frente à clínica.
— Como deseja comemorar? — Perguntei, curioso.
— Posso fazer um jantar para você... Quero dizer, se quiser, eu posso fazer algo, simples, mas...
— Adoraria! — Falei, a interrompendo.
— Sério? — Seu sorriso aumentou ainda mais, me fazendo retribuir o gesto.
— Sim. Falarei com Noemi. Te espero para o jantar de comemoração, Bruna.
— Nathan! — Ela fez uma pausa e continuou: — Muito obrigada! Você foi incrível! — Disse, me dando um beijo na bochecha e, praticamente, saiu correndo do veículo.
Dei um sorriso e toquei onde os lábios dela tocaram. Recuperei a postura e falei firme:
— Para casa, Mart.
Estava ficando louco ao lado daquela menina.
Foco Nathan.