A babá (Família Brown, Livro 1)
Capítulo 28
Bruna Watts
O beijo dele era algo viciante e eu não tinha motivos para ter medo, afinal ele já tinha provado de todas as maneiras que era um homem confiável. Senti meu corpo sendo suspenso e meus pês se afastarem do chão. Não queria interromper o beijo, então o deixei me levar novamente até o lençol, deitando minha cabeça com delicadeza na pequena almofada e seu grande corpo ficou sobre o meu sem que o seu peso me machucasse. Ele chupou meu lábio inferior, me fazendo soltar um pequeno gemido e quando ia me beijar novamente, escutamos um pequeno choramingar. Ele encostou sua testa na minha e mesmo ofertante, seus lábios formaram um sorriso.
— Acho melhor pararmos. — Ele se deitou ao meu lado e fechou os olhos. Mesmo de noite, eu podia ver seu peito subindo e descendo, assim como o meu.
Levantei-me, arrumei os meus cabelos e peguei Arthur no colo. Com cuidado, o balancei e logo ele não choramingava mais e Nathan já havia se levantado para acender as lamparinas novamente. Verifiquei a fralda, se ele estava com fome, mas não era nada, ele provavelmente só estava cansado de ficar deitado.
Peguei seu brinquedo, me sentei, enquanto Nathan terminava seu pequeno trabalho, puxei a corda do brinquedo o fazendo cantar e Arthur soltou um grito de alegria.
Nathan se sentou ao meu lado, beijou as bochechas gordinhas do filho e fez o mesmo comigo. Senti minha face esquentar e abaixei o rosto, com vergonha.
Arthur resmungou algo nos fazendo olhar para ele que estava emburrado com algo, me fazendo gargalhar.
— Estou começando a achar que ele não gosta de dividir você.
— Talvez ele queira apenas brincar um pouquinho.
— Ele sentiu que eu estava próximo demais de você e usou a sua única alternativa para me afastar. Ele estava eliminado a concorrência.
— Ele tem apenas três meses.
— Mas já sabe muito bem o que quer e, pelo jeito, não gosta de dividir.
Arrumei a roupinha do pequeno e beijei seu pescoço gordinho, o fazendo gargalhar. Nathan o pegou e fez o mesmo.
Ficamos brincando com ele até que o cansaço o venceu. Depois de alimentado e trocado, o fiz dormir, pois quando Nathan tentou fazê-lo dormir, ele chorou e só parou no meu colo. O coloquei novamente no bebê conforto, com a chupeta na sua boca e o cobri para que os mosquitos não o mordessem.
— O que eu disse? Ele não gosta de dividir.
Me deitei ao seu lado, olhei o céu com milhares de estrelas e nem me importei pela falta da lua. Ficamos assim por alguns minutos, em silêncio, apenas olhando o céu quando uma estrela cadente rasgou rapidamente o céu estrelado. Fechei os olhos, fiz um pedido, e quando os abri novamente, fui surpreendia por dois olhos azuis me encarando.
— O que pediu? — Perguntou ele.
— Não posso falar.
— Como assim, não pode falar?
— Se eu contar, o pedido não se realizará.
— Você acredita nisso?
— Não fiz as regras. — Dei de ombros.
Ele bufou e deitou novamente.
— Adorei o presente. — Disse, ainda admirando o céu.
— Sabia que ia gosta.
— Qual é o primeiro?
— Primeiro?
— Você disse que aqui é seu segundo lugar favorito, qual é o primeiro?
— Não é um lugar específico, gosto de cavalgar pela fazenda até um pequeno riacho, um pouco longe daqui.
— Nunca o vi cavalgando.
— Não faço isso há algum tempo.
— Não sente falta?
— Um pouco, não sei... Depois de certo tempo, acabei esquecendo.
— Não gostaria de esquecer esse lugar.
— Não vou esquecer esse dia. — Ele me puxou e me fez deitar em seu braço.
— Sinto-me como uma bonequinha assim, sendo puxada de um lado para o outro.
— Gosto da referência. Uma boneca. É difícil de acreditar que você é real.
— O que estamos fazendo? — Perguntei, ainda em seus braços.
— Como assim?
— Nós dois, aqui, assim... É loucura!
— Sim, uma loucura viciante. Não estou disposto a abrir mão desse sentimento.
— É melhor nos afastarmos, cada um seguir...
— Não. — Ele me interrompeu. — Não quero isso, quero descobrir esse sentimento, merecemos uma chance.
— O que quer dizer com isso?
— Vamos apenas aproveitar, nos conhecer e descobrir o que o futuro nos reserva.
— Vamos deixar fluir? — Perguntei
— Sim. Somos apenas dois barcos navegando o grande mar da vida e sei exatamente aonde ele irá te levar.
— Para onde?
— Direto para o meu coração, assim como eu vou estar no seu.
Ele era real?
Como um alguém podia muda totalmente nosso modo de pensar ou agir assim tão de repente?
Desde que coloquei Arthur no berço e Nathan me levou até a porta do meu quarto, me dando um beijo de despedida na testa, carinhosamente, fiquei sorrindo igual uma boba.
Virei novamente na cama, apertei um travesseiro conta meu peito e me esforcei para dormir.
Quando o sol nasceu, fazendo seus raios atrasarem a fina cortina do meu quarto, já estava acordada e olhando a foto da minha família. A noite tinha sido complicada, as borboletas no meu estômago não me deixaram dormir.
Levantei da minha cama, tomei um banho, fiz meu pequeno ritual matinal e desci para ajudar Noemi com o café da manhã.
— Então, como foi? — Perguntou Noemi.
— O quê?
— Sem joguinho de perguntas comigo, mocinha, você sabe muito bem sobre o que estou perguntando.
Suspirei e a respondi sorrindo.
— Foi... Incrível.
— Não esperava menos vindo do Nathan.
— Gostaria de fazer algo por ele, sabe? Ele se mostrou um homem incrível, admirável e gentil. Gostaria de fazer algo por ele, assim como vocês fizeram por mim.
— Tem alguma ideia?
— Na verdade, tenho, mas vou precisar de você.
— Me diga o plano. — Disse ela, se afastando do fogão e se aproximando de mim.
— Chama-se lista da felicidade. Cada um deve colocar algo que o deixa feliz ou que fará ele feliz.
— Entendo, ele saberá da existência lista?
— Não, só no final contaremos.
— Não vejo o porquê de não tentar! — Disse, sorrindo pra mim e me servindo uma xícara de café. — Vamos reunir a família e falaremos do seu plano quando ele estiver na empresa.
Estava terminado de colocar a roupa no Arthur enquanto ele insistia em chupar a sua mãozinha, fazendo um barulhinho engraçado. Tirei a mão da sua boca e limpei, o fazendo colocar a outra no lugar.
— Que mãozinha gostosa! — Falei, pegando seus bracinhos gordinhos. — Vamos brincar um pouquinho.
Peguei-o no colo, encostando suas costas próximas ao meu peito e o deixando virado para frente. Desci as escadas devagar e vi Noemi conversando com um homem que usava um terno e segurava na mão uma grande maleta preta. Quando estava prestes a dar meia volta e deixá-los à vontade meu nome foi citado.
— Bruna, esse senhor gostaria de falar com você. — Noemi disse.
— Comigo? — Perguntei, me aproximando deles.
— Prazer, Srta. Watts! Sou Alec Cartter, representantes bancário, gostaria de conversar com a senhorita. — Ele me cumprimentou.
— Vou deixá-los sozinhos. — Disse Noemi, pegando Arthur dos meus braços. — Fiquem à vontade.
Segui um caminho diferente de Noemi e me sentei na cozinha e servi uma xícara de chá com biscoitos para o senhor Cartter.
— Se o assunto for a casa, eu não tenho dinheiro para cobrir a...
— Não, Srta. Watts, meu assunto com você é sobre o testamento do seu pai.
Quando ele terminou de pronunciar as palavras, engasguei com o meu chá.
— O quê? Testamento?
— Sim, senhorita, seu pai fez um testamento.
— Como assim? Não temos nada, quando ele fez o...
— No início da doença, ele fez um fundo de garantia para você.
— Como?
— Sei que é muita informação de uma vez e provavelmente você tem várias perguntas, estou disposto a responder a todas. Apenas gostaria de te informar o que ele te deixou. — Ele abriu a grande maleta e empurrou duas folhas de papel em minha direção.
Puxei as mesmas e li com atenção cada ponto do testamento do meu pai, para de ler ao avistar o valor.
— Isso não é possível, é... Alguma brincadeira. — Disse olhando para Alec à minha frente.
— Não é nenhuma brincadeira, senhorita.
— Meu pai não poderia ter todo esse dinheiro.
— Ao que parece, ele poderia sim.
Olhei para o homem à minha frente por um momento e vi que ele realmente estava falando a verdade e que nada do que tinha acabado de ler era mentira. Retornei meu olhar para o papel e suspirei ao ver novamente o valor de 207 mil
dólares destacado.