A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 46 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 45

 

Nathan Brown

Ela estava brincando com o nosso filho no jardim e seus cabelos dourados voavam com o vento, seu sorriso se alongou quando ela pegou Arthur e deu um rodopio com ele em seu colo.

Não queria perder isso, não queria ficar longe do som da sua risada, da sua voz, do seu doce e viciante cheiro de lírios, da sua pele, dos seus olhos e do seu sorriso que tanto amava.

Passei a noite sem dormir, apenas olhando e memorizado seu corpo, com o medo de perdê-la me assustando. Um filho deveria ser uma prova de amor, do nosso amor, porém eu era fraco para aceitar que ela não era a Jessica. Queria acreditar, que no final de tudo, ela e o bebê ficariam bem, mas não conseguia... O medo falava mais alto do que tudo.

Fizemos o exame antes de ela ir para a faculdade e receberíamos o resultado por e-mail.

Depois do almoço e de ter tentado não demostrar a minha preocupação, a vi dentro do closet, encarrando o próprio reflexo pelo espelho, apenas de calcinha e sutiã, alisando sua barriga lisa. A sua imagem me fez imaginar o seu pequeno corpo com uma barriga arredondada, carregando o nosso filho.

Não podia negar que estava com medo, o medo fazia parte da vida de todos.

Talvez estivesse sendo tolo, um completo idiota por querer privá-la de algo tão mágico como uma gestação, mas eu não queria perdê-la.

 

Olhei novamente o resultado do teste bem destacado no meu celular, tomei um pouco de fôlego e o guardei no bolso.

Me aproximei da minha mulher, que estava com Arthur no colo e os abracei forte. Arthur tocou no meu rosto e logo um sorriso surgiu em seu rosto. Bruna beijou as bochechas rosadas do nosso filho e olhou para mim.

— Saiu o resultado.

Não foi uma pergunta, ela decifrou o meu olhar, minha expressão. Os abracei novamente, fazendo Arthur reclamar e Bruna rir.

Sentamos no gramado e olhamos Arthur correr atrás das borboletas que pairavam sobre o canteiro de hortênsias.

— Me fale o resultado. — Disse, se deitando no meu colo.

— Tenho que te falar algo antes. — Passei a mão em seu cabelo e respirei fundo. — Não vai ser fácil para mim, estou com medo, muito medo. Tentarei ser forte de todas as maneiras, ser sua base durante esses meses, porém preciso de você ao meu lado, me mostrando, me provando que estão bem e que, no final de tudo, terei vocês dois fortes e vivos ao meu lado.

— Você quer dizer que estou...

— Sim, minha pequena, você está grávida.

Um sorriso enorme se formou em seu rosto e logo ela me abraçou, me fazendo cair para trás e deitar na grama.

— Eu te amo tanto!

— Eu lhe amo muito mais!

A risada do Arthur se aproximou e logo senti seu corpinho pulando sobre o nossos, me fazendo envolver os braços ao redor da minha família e me sentir seguro.

Eu os queria assim, protegidos por mim, sem medo ou preocupação.

Eu amava minha mulher, meu filho e já era capaz de amar o pequeno ou pequena que Bruna estava gerando dentro do seu ventre.

 

Todos provavelmente estavam lá embaixo, esperando por mim e Bruna para que revelássemos o motivo da reunião de última hora.

Beijei seu pescoço e a envolvi com os meus braços. Olhei para o nosso reflexo pelo espelho e ela estava linda, como todos os dias... Ela era perfeita de milhões de maneiras diferentes.

— Pronto?

— Deveria me preparar?

— Claro, mesmo tendo um contato amigável com o meu tio, não duvido que ele venha falar com você depois da reunião.

— Receber mais uma ameaça do senhor Crawford, não me assusta nem um pouco.

— Ele te ameaçou?

— Todos os dias, desde que começamos a namorar, acho que ele ainda não se acostumou com a ideia.

— Tivemos um mês de namoro, estamos casados há quatro meses e já estou grávida. De alguma maneira, tudo está acontecendo rápido demais.

— Somos adultos, tanto eu quanto você, podemos lidar com essa situação, ele veio no momento exato. — Disse, colocando minha mão sobre a sua, tocando em sua barriga.

— Você acha?

— Está com medo agora?

— Talvez, não sei, é um filho... Não sei se serei uma boa mãe ou se estou preparado para lidar com tanta responsabilidade.

— Você já é uma ótima mãe! É uma experiência nova, mas não tenho dúvidas de que você está apta para assumir mais essa responsabilidade.

— Minha ficha ainda não caiu.

— Nem a minha.

— Vamos ter um bebê! — Ela disse, abrindo um sorriso admirável.

— Sim, teremos um bebê.

Ela se virou, tocou em meu peito e arrumou a gola da minha camiseta.

— O Arthur?

— Alysson está com ele no quarto, achei melhor conversarmos com ele, apenas eu e você.

— Concordo, já pensou como contaremos?

— Não, por isso essa função será sua.

— Minha? Nem pensar, mocinho. Nós dois vamos sentar, conversar calmamente com ele e contar que ele terá uma irmãzinha.

— Ou um irmãozinho.

— Independente do que seja, não acho que devemos inventar histórias, nada de cegonha ou pé de repolho, como meu pai contava.

— Pé de repolho?

— Senhor Alexander tinha histórias fantásticas para me explicar como se fazia um bebê. Até fui para a escola e a teoria dele se desfez por completo.

Peguei em sua mão sobre a mesa de jantar e lhe lancei um sorriso, encarei todos sentados na grande mesa de jantar, esperando pacientemente que minha mãe e Noemi terminassem de servir o vinho a todos. Minha mãe servia a todos sempre fazendo uma pausa para me olhar e me lançar um sorriso.

Ela se aproximou de Bruna e a entregou uma taça de suco.

— Bebidas alcoólicas não fazem bem para o bebê. — Disse, fazendo com que recebêssemos atenção de todos.

Não podia esperar, mãe?

Bruna me olhou assustada e depois voltou a atenção para todas as pessoas que nos olhavam.

— Você está grávida? — Perguntou Alberto.

— Bom, gostaríamos de contar no final do jantar...

— Então é verdade? — Perguntou ele novamente

— Alberto, deixei que ela fale. — Anne disse ao marido.

Dei um leve aperto em sua mão e ela finalmente falou:

— Sim, eu estou grávida.

Melissa se levantou, juntamente com sua mãe, e elas puxaram minha esposa para um abraço, enquanto Luís e Theo apenas me deram pequenos tapas nas costas.

Me levantei, abracei Mart e, logo, minha mãe me deu um abraço apertado também.

— Você está bem? — Perguntou a minha mãe.

— Estou.

— Sabia que ela ia lhe traria novamente a vida e o faria perder seus medos.

Abracei novamente a minha mãe e olhei de relance para minha mulher, sendo parabenizada pela Melissa, enquanto Noemi tocava seu ventre. Ela olhou para mim, me lançou um sorriso e eu retribui.

Podia até estar com medo, mas algo me diz que minha mãe tinha razão e que minha esposa me faria esquecer todos os meus temores.

 

Bruna estava deitada, enquanto a doutora passava o gel em sua barriga.

Logo depois da faculdade, fiz questão de fazer todos os exames necessários para me certificar de que nada estava de errado na sua gestação. Não queria correr qualquer risco, eu precisava dos dois saudáveis.

Segurei a mão da minha esposa quando a médica ligou o aparelho e o movimentou até que achasse um pequeno pontinho em seu ventre.

— O embrião está se desenvolvendo

perfeitamente.

— Ele é tão pequenino. — Disse minha esposa.

— É normal, afinal segundo o que conversamos você está grávida de seis semanas e quatros dias, ele ainda está no início do seu desenvolvimento. Querem ouvir o coraçãozinho dele?

— Sim, queremos! — Disse ela, animada.

A médica deu um sorriso e logo ligou a máquina, fazendo o som forte e rápido do coração do nosso filho preencher a pequena sala.

O som que comprovava que tinha um pequeno ser crescendo dentro de Bruna, fez meu coração se encher de esperança. Estava começando a achar que esse filho tiraria de mim toda a insegurança que ainda sentia.