A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 32 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 31

 

Nathan Brown

— O que você faria, se eu não estivesse aqui? — Perguntou minha esposa.

— Iria atrás de você em cada canto desse mundo. — Disse, ainda lendo o livro.

— E se um dia, eu... morresse, o que você faria?

Endireitei-me na cama, coloquei o livro sobre a cômoda e a encarei enquanto ela alisava sua pequena barriga.

— Por que essa pergunta?

— Apenas um assunto qualquer, gostaria de saber. Então, o que você faria?

— Não sei, não vejo minha vida sem você. É como... É impossível imaginar essa possibilidade. — Me aproximei, afastei seu cabelo, beijei seu rosto e coloquei minha mão sobre a sua. — O seu destino é ficar ao meu lado e, se um dia você se for, irei junto, pois a vida sem você não fará sentindo nenhum.

— Você amaria outra pessoa?

— O que está acontecendo, hortênsia?

— Nada. Vamos dormir. — Disse ela, apagando o abajur, se arrumando e deitando de costas para mim.

A abracei, toquei em sua barriga ainda no início da gestão e mordi levemente sua orelha.

— Você nunca ficará longe de mim.

— Se um dia eu fosse... Gostaria que você amasse outra pessoa.

 

Ainda com o pequeno tecido na minha mão, o apertando contra meu peito, me aproximei devagar da caixa que estava chão, tentando evitar ao máximo esse momento. Me ajoelhei, passei o polegar sobre as iniciais do seu nome e coloquei a sapatilha no fundo da caixa.

Aos poucos, colocava tudo dentro das caixas. Sapatilhas, assessórios, prêmios, maquiagem, roupas... entre outros. Um por um, tudo estava sendo guardado e, no final, não havia nada a não ser as barras e os espelhos.

Dei uma olhada no lugar antes cheio de vida e dança e que tinha se tornado vazio e sem vida, assim como o meu coração sem ela.

Me sentei, encostado em uma parede e ali fiquei por um tempo.

Não era certo estar gostando de outra pessoa, não era certo deixar sete anos com Jessica de lado. Não era justo com ela e nem com a Bruna. Estava brincando com os seus sentimos e ela não merecia isso.

Eu tinha me tornado a droga de um bipolar.

O meu sentimento era o mais verdadeiro possível e eu era capaz de dizer que a amava, mas nunca poderia mancham a memória da minha mulher dessa maneira. Tinha que respeitar o meu luto, viver minha dor, assim como Logan disse. Por mais difícil que fosse, tinha que tomar uma decisão e já sabia qual seria, mesmo sendo dolorosa, ela teria que ser tomada.

Tinha que me afastar de Bruna.

Ainda estava no mesmo lugar, a noite já havia chegado e o lugar havia se tornado sombrio na escuridão da noite.

O barulho de porta rangendo me faz levantar a cabeça e vê-la lindamente em um vestido bege com preto, seus cabelos longos estavam soltos e seu rosto claro estava iluminado pela luz do corredor, a deixando ainda mais bela. Ela olhou para cada canto do quarto e para as caixas no meio do cômodo e logo seus olhos me encararam por um momento.

Ela se aproximou devagar e se sentou ao meu lado. Ficou em silêncio, olhando nossos reflexos no grande espelho a nossa frente.

— O... o que faz aqui? — Perguntei, fechando os olhos e encostado minha cabeça na parede.

— Não sei... fiquei preocupada.

— Estou bem.

— Sente falta dela, não é mesmo?

Abri os olhos e olhei para ela que ainda olhava para frente. Suspirei e disse:

— Sim.

— Ela devia ser uma mulher maravilhosa.

— Sim, ela era.

Ficamos novamente em silêncio quando ela se levantou, pegou o antigo rádio de Jessica e o ligou em uma música calma.

— O... o que está fazendo? — Perguntei.

— Sei o que está sentindo, a dor da perda precisa ser sentida, Nathan. Mas também precisa ser superada, existe milhões de lembranças dela aqui e quero apenas te proporciona uma nova lembrança da sua nova jornada. — Ela segurou minha mão e me puxou com dificuldade para que ficasse de pé.

Me levantei com sua ajuda e logo ela colocou minhas duas mãos na sua cintura, envolveu meu pescoço com os braços e suas delicadas e macias mãos tocaram minha nuca. Ela conduziu por pouco tempo, logo comecei a dançar lentamente. Ela apoiou a cabeça no meu peito e através do espelho a vi de olhos fechados, apoiei meu queixo em sua cabeça e também deixei que a música me levasse.

— Bru...

— Eu sei o que irá dizer, tenho que te falar uma coisa também. — Ela respirou fundo e continuou: — Tenho uma tia/avó em Dallas, recebi uma ligação dela e tem um hospital próximo que está fazendo uma pesquisa sobre o Alzheimer e estão precisando de voluntários...

— Você quer dizer...

— Nós dois sabíamos que esse dia chegaria... E chegou. Cada um tem que seguir o seu caminho.

— Não gostaria que fosse assim.

— Ninguém gostaria.

— Então você vai embora? — Ela assentiu timidamente. — Bruna, você não precisa ir, podemos...

— Não, Nathan! Eu não posso ficar aqui, não vai dar certo, você sabe disse... Eu sei disso.

— O que sinto não é uma mentira.

Ela afastou o rosto do meu peito e me olhou.

— Sei que não é, mas não podemos nos envolver em qualquer tipo de relacionamento neste momento. O seu sentimento é tão verdadeiro quanto o meu, mas precisamos dessa distância. Talvez o destino tenha te colocado no meu caminho por algum motivo e, mas está na hora do destino nos separar.

— Isso é um adeus? — Perguntei, sentindo a dor em meu peito.

— Isso é uma dança de despedida. Vou embora daqui quatro dias.

— É uma maneira diferente de dizer adeus.

— Não estou dizendo adeus, é apenas um... Até logo.

— Te verei novamente?

— Espero que sim.

— Eu também.

Ela encostou o rosto no meu peito novamente, a apertei contra meu corpo, voltei a conduzir a dança e assim ficamos por algum tempo.

Ela era madura demais para a sua idade, estava sendo forte novamente. Aos poucos, ela está voltando a ser o que era.

Estávamos agindo como adultos, a vida real não era fácil e deveríamos encarar nossas próprias escolhas. Essa decisão tinha que ser tomada e estávamos disposto a lidar com a consequência.

Seja ela qual for.