A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 38 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 37

 

Nathan Brown

Deveria aceitar que ela seguiu em frente. Aceitar que ela talvez estivesse feliz com o namorado, mas algo me dizia que ela sentiu o mesmo que eu senti ao vê-la. Algo dentro de mim acendeu e eu necessitava daquele calor.

Nunca fiz uma promessa que não estivesse disposto a cumprir e não começaria naquele momento. Ela estava predestinada a ser minha.

Não importava com quem ela estivesse, nossos caminhos estavam entrelaçados e eu faria de tudo para tê-la novamente em meus braços.

E não seria a droga de um médico que iria tirá-la de mim.

Meu sangue ainda estava gelado e conter a minha raiva era difícil. Arthur foi o único motivo de não ter quadrado o braço daquele indiano de merda apenas por ter tocado no que era meu.

Sim, ela era malditamente minha, sempre foi.

Depois que cheguei a casa, dei um banho em Arthur e o vesti com o seu pijama. Ele fez perguntas sobre a Bruna e logo se lembrou do porta-retratos próximo a sua cama. Assim que ele a viu, novamente seu sorriso foi admirável. Contei uma história e logo meu filho estava dormindo, liguei o abajur e saí do seu quarto devagar.

— Como foi a festa? — Perguntou minha mãe, com um sorriso no rosto.

Ah, como eu amava aquela mulher!

— Legal. — Disse, me afastando.

— Nenhuma novidade? Algo que gostaria de me dizer? — Perguntou, correndo atrás de mim. Senti vontade de rir da maneira desesperada dela.

— Não, nada.

— Nenhuma pessoa que tenha visto?

— Vi muitas pessoas.

— Me diga logo se você a viu. — Disse, parando e colocando as mãos na cintura.

— Desde quando você sabia que ela estava na cidade?

— Então, a viu?

— Sim, mãe, a vi, junto com o namorado dela.

— Espere, namorado? Melissa não me avisou de namorado nenhum.

— Então, está usando a minha secretaria para conseguir informações?

— Não fale como se eu fosse uma criminosa. Eu sou a mãe aqui. E que história é essa de namorado?

— Ela seguiu em frente.

— Isso não é possível... Como você está?

— Bem.

— Bem? Pensei que ela...

— Sim, mãe, ela é a pessoa certa.

— Você acabou de dizer que ela está namorando e você me diz que está bem?

— Quando duas pessoas nascem uma para a outra, não há muralhas fortes o suficiente para separá-los.

Ela me lançou um sorriso e me abraçou forte.

— Sabia que ela era a pessoa perfeita.

— Eu sei que ela ainda é a pessoa perfeita.

— O que vai fazer?

— Tudo, ela é minha.

No decorrer dos dias me mantive focado no escritório e na empresa, pois graças ao Luís estava sozinho nos negócios da família.

O jantar beneficente estava próximo e a vontade de vê-la me corroía por dentro. Só de imaginá-la nos braços de outro, sendo beijada, acariciada, sorrindo e dormindo com ele... Sentia meu sangue ferver de raiva. O sorriso tão valioso deveria ser meu, ela deveria ser apenas minha.

A culpa por a ter deixando ir vinha me atormentando ao longo dos anos e ainda tinha que aturar o indiano usufruindo do que, desde o início, deveria ter sido meu.

A passos lentos, eu a reconquistaria. Aprendi a ser paciente nos últimos dois anos, mas estava acostumado a ganhar sempre e naquele jogo, eu já podia ver o pódio de primeiro lugar.

— Presta atenção no jogo. — Disse meu irmão, batendo na minha nuca, me fazendo olhar meu filho correndo atrás da bola de futebol americano no parque da cidade.

— Estou prestando atenção.

— Não, não estava. Estava pensando na loirinha com o mestre dos magos das ervas, novamente.

— Esse apelido é ridículo.

— Quer que o chame de quê? Sortudo?

— Você é um imbecil.

— Peguei, tio Luís. — Disse meu filho,

— Parabéns, garotão! — Disse, bagunçando o cabelo do Arthur. Ele olhou em minha direção e sorriu. — Agora o tio vai jogar para o papai pegar, ok? — Disse, pegando a bola do meu filho. — Vamos ver se o papai sabe jogar.

Ele se preparou, ainda sorrindo e jogou a bola com força, corri olhando para cima e quando consegui pegar a bola, acabei batendo em alguém, nos fazendo cair juntos no chão.

— Me descul... Bruna?

— Oi, Na... Nathan! — Meu corpo estava sobre o dela e seus cabelos estavam bagunçados, mas podia ver o seu sorriso se formando.

Quando ia me levantar, senti um pequeno corpo caindo sobre os nossos.

— Oi, tia. — Disse Arthur, sorridente.

— Oi, pequeno. — Disse, beijando a testa do meu filho.

Me levantei e ela logo se sentou com o meu filho no colo, Luís pegou a bola no chão com o mesmo sorriso no rosto e percebi ele havia jogado a bola naquela direção de propósito.

Bastardo.

— Te machuquei? — Perguntei.

— Ah, não! Estou bem.

— Tem certeza? Podemos te levar ao hospital ou até o seu namorado... — Disse meu irmão, olhando para ela.

— Tenho certeza, Laird está na clínica, não precisarmos atrapalhá-lo... E eu marquei com a Melissa aqui, vamos tomar um sorvete aqui.

— Sovete? — Arthur perguntou, mexendo em uma mecha de cabelo da Bruna.

— Você gosta de sorvete? — Ele balançou a cabeça confirmando. — Qual você gosta?

— Chocolate!

— Hum... Eu gosto de baunilha.

— Banila. — Repediu ele.

— É baunilha, filho. — Corrigi.

— Quelo sovete.

— Vamos para a casa que a vó Noemi...

— Quelo com a tia. — Disse. abraçando a mesma.

— Se vocês quiserem, podemos ir juntos. — Disse Bruna, me olhando.

— Boa tarde, Srs. Brown! — Cumprimentou Melissa, se aproximando.

— Srta. Crawford. — Disse formalmente.

— Princesa. — Respondeu meu irmão, com um sorriso.

Ela bufou e olhou para a amiga sentada no chão, brincando com o meu filho.

— Temos convidados para o sorvete... Você se importar — Perguntou Bruna.

— Sério? Quem? — Bruna apontou na nossa direção, fazendo Melissa olhar direito para o Luís, o fazendo sorrir e ela suspirar com desgosto.

— É, princesa, duvido que a sorveteria tenha o seu sabor favorito.

— O que te faz pensar nisso? — Perguntou Melissa, curiosa.

— Não estou no cardápio.

Ela sorriu, jogou os cabelos negros de lado, se aproximou do meu irmão, tocou no rosto dele e disse:

— Meu sabor favorito se chama Theodoro, você conhece?

— Você e o Theo...

— Ah, sim, querido! Muitas vezes. — Disse ela, o interrompendo.

— Pedir a vontade, aproveitem. Vou dar uma volta. — Respondeu, afastando a mão dela do seu rosto e dando as costas para todos.

— Já volto. — Corri até meu irmão e o segurei pelo ombro. — Irmão, não precisa sentir ciú...

Ele empurrou minha mão com força e olhou para mim.

— Nunca sentirei ciúmes dela. Esqueceu a promessa de não mexer com a bonequinha de porcelana?

— Não precisa seguir com a promessa, se você gosta dela.

— Gostar dela? — Ele começou a rir com ironia. — Está louco? Ela seria apenas mais uma na minha cama, nunca me envolveria com uma mulher como ela, pobre, bolsista na faculdade e sua secretária, quer que eu seja chacota nos jornais e revistas? Se quisesse fazer caridade, alimentava os mendigos. — Disse, se afastando.

Melissa desistiu de tomar o sorvete depois que Luís saiu, ela se desculpou e beijou o meu filho e a amiga. Arthur segurou a minha mão da Bruna durante todo o caminho até a sorveteria. Por um momento, nos imaginei como uma grande família, eu, ela e o Arthur, como deveria ter sido desde o início. Era como se ela nunca tivesse saído das nossas vidas.

Escolhemos uma mesa afastada e Arthur se lambuzou com vontade no seu sorvete de chocolate e desenhou com giz de cera que a sorveteria deu para que ele ficasse brincando enquanto esperávamos o tempo passar.

— Deixa-me limpar aqui, pequeno. — Disse ela, pegando um guardanapo de papel e limpando a boquinha do meu filho. — Prontinho, está limpinho.

— Quelo mais. — Disse ele, olhando para mim.

— Chega, filho, você tem que jantar.

— Quelo sovete, papai.

— Agora não, filho.

— Quelo sovete, tia. — Disse ele, olhando para ela com um sorriso.

— Oh, pequeno. — Ela segurou a mão do meu filho e disse calmamente. — O papai disse não, mas prometo tomar muito sorvete com você outro dia, hoje você já tomou muito, está bem?

— Tá bom! — Ele respondeu sorrindo.

Ela me olhou e seu sorriso se iluminou.

— Não o culpe por me escolher. — Disse, me fazendo lembrar de anos atrás.

— Você já sabe a minha resposta.

— Está tarde, acho melhor ir embora. — Disse ela, abrindo a bolsa, tirando vinte dólares e colocando sobre a mesa.

— Eu pago, Bruna. — Disse, devolvendo o dinheiro.

— Mas é injusto deixá-lo pagar tudo.

— Ficarei ofendido, se você pagar.

— Ofendido?

— Cloe Brown criou um cavalheiro, nunca se esqueça disso. — Disse tirando uma nota de cinquenta dólares e a deixando sobre a mesa ao mesmo tempo em que pegava Arthur no colo. — Te levo até em casa.

— Na verdade, estou indo para a clínica.

— Te levarei mesmo assim.

— Não precisa, posso pegar um táxi.

— Faço questão e creio que Mart vai gastar de te ver.

— Vovô Mart! — Gritou Arthur no meu colo.

Ela sorriu e apertou as bochechas do meu filho.

— Sendo assim, eu vou.

Ela pegou a bolsa, passou a mão na calça e Arthur se jogou direto em seu colo.

O carro estava em frente a sorveteria e Mart logo saltou do carro quando viu a minha pequena.

— Srta. Watts, quanto tempo! — Disse Mart, a abraçando forte, fazendo Arthur gemer entre os dois.

— Sem formalidades, Mart, já fui da família, esqueceu? — Disse, se afastando dos braços do Mart.

— Você ainda é. — Disse.

— Verdade, uma vez da família, sempre da família. — Acrescentou Mart.

— Parecemos um bando de mafiosos falando de família dessa forma.

— Talvez sejamos. — Disse, olhando para ela.

Ela me olhou de relance e lhe dei um sorriso, mostrando que estava brincando.

— Vamos, estamos há muito tempo na rua. — Mart disse.

Concordei com ele, peguei Arthur do colo da Bruna em meio aos seus protestos e o coloquei na cadeirinha, liguei o DVD e logo''Peppa'' começou.

Se tem algo que ele gostava era aquela porquinha irritante, ele assistia sempre que tinha oportunidade.

Bruna se sentou ao seu lado e ele logo começou a falar do desenho.

Não demorou muito e Mart já estava parando em frente a clínica, desci do carro, abri a porta para que ela saísse e vi que o meu filho havia pegado no sono.

— Acho que ele estava cansado. — Disse ela, arrumando a bolsa no ombro.

— O dia foi cansativo.

— Bom, acho melhor entrar... Obrigada pela carona! — Disse ela, se afastando.

— Bruna? — Chamei, a fazendo parar e me olhar. — Até amanhã.

— Amanhã?

— O jantar beneficente. — Lembrei.

— Ah, sim... O jantar.

— Espero que saiba dançar, cobrarei uma dança com você.