A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 44 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 43

 

Nathan Brown

Toquei novamente a campainha do apartamento do meu irmão já irritado pelo fato de ter saído de casa com a minha esposa ainda dormindo e lhe deixando apenas um bilhete para mostrar que a amo, para quê? Para ficar igual um idiota plantado na frente da porta do apartamento do Luís.

Bufei irritado e comecei a bater com força na porta, gritando o seu nome. Quando ouvi sua voz abafada dentro do apartamento dizendo um “já vai”, me fazendo suspirar aliviado.

— Quem morreu? — Perguntou, assim que abriu a porta, usando apenas uma boxer.

— Você, daqui apouco. Por que diabos você não atende o celular? — Disse, entrando no seu apartamento e encontrando uma loira seminua dormindo no sofá. — Me diga que ela não é o motivo.

— Motivo? — Perguntou ele ao fechar a porta e caminhando até a cozinha.

Caminhei até ele e falei:

— O motivo para você querer morar sozinho e não atender o celular.

— Não ela não é o motivo.

— Quem é ela?

— Uma amiga.

— Ela não parece uma amiga.

— Ela é apenas uma amiga, estou a ajudando.

— Imagino a ajuda. — Fui irônico

— Acho que não.

— Não é difícil de imaginar, já que você está apenas de cueca e ela praticamente pelada.

— Ela provavelmente sentiu calor durante a noite e enquanto as minhas vestimentas, é a única que uso para dormir. — Disse ele, tomando um gole do café. — Vai continuar com essa conversinha ou vai falar logo o que quer?

— Se atendesse o celular, saberia que a nossa mãe quer que vá almoçar hoje lá em casa.

— Ok. Eu vou. — Disse, se afastando da cozinha e sentando ao lado da mulher, que nem se moveu.

— Diga-me que ela está viva.

Bufou e disse.

— Claro, apenas dopada, a noite não foi das melhores.

— Poupa-me, vá se arrumar e trate de dispensar a sua amiga, pois você irá comigo.

— Não a dispensarei.

— Então, você...

— Não se preocupe, irei com você, apenas a deixarei aqui.

— Você confia nela?

— Sim, eu confio nela.

Não lhe perguntei nada, ele a cobriu com uma manta grossa a fazendo se mexer e virar o rosto para o outro lado, me fazendo ver algumas marcas roxas em seu rosto. Olhei para meu irmão e ele não pronunciou nenhuma palavra, apenas suspirou em busca de calma e saiu em direção ao seu quarto.

Mantive os olhos na mulher que estava deitada na minha frente e tentei não imaginar o que ou quem havia feito isso com ela.

Luís apareceu alguns minutos depois, vestido casualmente e com os cabelos bagunçados. Ele pegou um bloco de notas no balcão da cozinha e escreveu algo, retirou o papel do bloco e colocou na geladeira. Enquanto ele procurava algo, me aproximei da geladeira e li o papel com atenção.

Não saía do apartamento!

Estarei de volta logo.

Coma algo e tome um banho.

BROWN

— Vamos ou vai querer que eu escreva um bilhetinho me declarando para você também?

— Isso não é uma declaração.

— E você não faz o meu tipo... Agora, vamos, meu irmão.

Ele fechou a casa e seguimos até o elevador em silêncio. O vi colocar as mãos nos bolsos e respirar fundo.

— O que aconteceu com ela?

— Também gostaria de saber.

— Ela não disse?

— Ela não pronunciou nenhuma palavra desde que a trouxe para casa.

— Então você a levou até seu apartamento? Onde ela estava?

— Chega de perguntas, Nathan, não se preocupe, eu sei me cuidar e irei cuidar dela.

— Por que sinto que isso vai dar merda?

O trânsito estava uma droga, demoramos longos minutos até sairmos do centro para que pudéssemos pegar a estrada que levaria até a fazenda. E quando finalmente paramos na entrada, agradeci o Mart e desci do carro juntamente com o Luís.

Quando escutamos o grito da minha mãe, olhei para Luís rapidamente e corri até o hall de entrada, empurrei a porta, vi Charlotte segurando Arthur que se debatia sem seus braços e olhei na direção que o meu filho olhava e senti o ar faltar em meus pulmões, Bruna estava caída ao chão e minha mãe dava pequenos tapas no seu rosto. Me aproximei do seu pequeno corpo e cai de joelhos, seus lábios e rosto estavam inchados e suas lágrimas haviam molhado todo o seu rosto.

Olhei ao redor e vi que todos estavam olhando. Me aproximei do seu rosto e percebi que ela ainda respirava com dificuldade.

Procurei a sua bolsa ao redor e quando a encontrei, corri até lá, abri a bolsa e joguei tudo no chão, sabia que ela estava tendo uma crise alérgica e o que me desesperava era que ela estava tento uma reação anafilática. Entre os milhares de coisas que caíram da sua bolsa finalmente achei o auto injetor de ipinefrina (Epipen)

Corri até ela novamente, minha mãe colocou sua cabeça em seu colo e chorava em silêncio, olhei para Arthur que ainda estava no colo da avó.

— Alysson, tire Arthur daqui agora. Mãe, chame uma ambulância. — Disse.

Enquanto elas saíram correndo, me ajoelhei novamente ao lado da minha mulher e agradeci por ela estar de short, aproximei o injetor da sua coxa e tentei parar de tremer, respirei fundo e injetei a adrenalina para contra-atacar com a reação anafilática. O remédio faria efeito quase de imediato e aqueles foram os segundos mais longos da minha vida.

Enquanto os segundos passavam via que ela não reagia, o meu coração pulsava freneticamente e sentia que a estava perdendo aos poucos.

Ela estava morrendo.

A dor da perda já me consumia pela segunda vez e dessa vez era devastador. Retirei-a do colo da minha mãe e abracei seu pequeno corpo desfalecido. Sua pele estava fria, talvez pelo contato com o chão. Olhei seu rosto e chorei, a abracei e gritei alto:

— Por favor, não vá... Eu preciso de você, preciso do seu amor... Não me deixa... Não consigo viver sem você... — Abracei seu corpo e tentei novamente, de alguma maneira, trazê-la de volta.

— Nathan, ela...— Luís começou.

— Não! Ela não se foi. — Gritei, tentando acreditar nas minhas palavras. — Vamos, minha pequena, reaja, você é forte.

Fechei os meus olhos e deixei que as lágrimas saíssem sem me importar com quem as visse. Até que senti ela estufar o peito e abrir a boca para puxar oxigênio, me fazendo sentir uma onda de alívio inundar o meu corpo.

— Graças! — A abracei novamente, com força, como se a vida dela fosse escapar pelos meus braços.

— Nathan, vai sufocá-la assim. — Disse minha mãe, me fazendo afastar o corpo da minha pequena do meu.

Seus lábios ainda estavam inchados, assim como o seu rosto, ela tentava abrir os olhos, mas o inchaço a impedia. Afastei seus cabelos do rosto e beijei sua testa. Sua boca abria e fechava como se quisesse falar algo, entretanto sua voz não saia.

— Calma, meu amor, a ambulância vai chegar logo. Vai ficar tudo bem.

 

A ambulância não demorou muito para chegar, sua respiração ainda era falha e me recusei a sair do seu lado. Quando os paramédicos chegaram e me obrigaram a sair de perto dela, fiquei aflito.

A máscara de oxigênio foi colocada e ela encaminhada rapidamente para o hospital. A acompanhei até o hospital e segurei firme a sua mão. Assim que a ambulância parou e a levaram até a sala de emergência, fui impedido de entrar.

Sentei na sala de espera e tentei me acalmar. Me tranquilizei apenas quando vi minha família atravessar a porta da recepção, recebi um abraço da minha mãe e do meu irmão e logo fui até a Alysson que segurava meu filho, ainda chorando.

— Desculpa, senhor, mas ele não para de chorar. — Ela explicou

— Eu o entendo. — Disse, pegando o meu filho dos seus braços.

— Mamãe. — Disse com a voz falha e os olhinhos vermelhos.

— Ela vai ficar bem, filhão.

Abracei o restante da minha família e tentei acalmar meu filho que já havia parado de chorar.

Fiquei ali em pé, enquanto todos estavam sentados, sem dizer qualquer palavra.

Estava angustiado demais para sentar, então apenas fiquei andando de um lado para o outro com o Arthur dormindo em meu colo, sua cabeça estava em meu ombro e seu pequenino corpo estava sendo apoiado pelos meus braços.

— Parentes da Sra. Brown?

Me virei e olhei um médico segurando uma prancheta e olhando todos da sala, minha família se levantou enquanto eu ia até ele.

— Todos nós somos parentes dela, como ela está? — Perguntei.

— Bom, o ataque anafilático foi provocado por ingerir amendoim, como posso imaginar que vocês já sabem. A Epipen foi o que salvou a vida da paciente. Ela deverá ficar em observação até amanhã, pois uma segunda resposta atrasada pode se manifestar dentro de algumas horas. E esse período de observação é vital para garantir uma possível alta.

— Podemos vê-la? — Perguntei a ele.

— A visita será liberada, mas não faça com que ela fale, o inchaço está menor, porém seria melhor que ela não fizesse esforço para falar.

Concordarmos com ele e logo cada um foi vê-la, esperei pacientemente até que pudesse ir ao seu encontro. Quando Melissa e sua mãe retornaram, me dando a oportunidade para que pudesse vê-la, Alberto pegou meu filho com carinho e apenas sorri em agradecimento. Caminhei até o quarto em que minha esposa estava e abri a porta sem cerimônia.

Ela estava com uma máscara de oxigênio e, quando me viu, consegui tirar dela um sorriso. O sorriso que tanto amava. Aproximei-me do leito hospitalar e beijei sua testa com carinho.

— Nunca mais me assuste assim, não deixarei que coma qualquer coisa sem saber cada ingrediente. Você não sabe a dor que senti ao pensar que tinha perdido você.

— Cha... — Tentou falar.

— Não fale, meu amor.

— Char...lotte.

— Charlotte? — Afastei meu rosto do seu corpo e olhei seu rosto. — O que a Charlotte fez?

Ela me olhou por um tempo e ela não precisava tentar falar mais nada, entendi tudo apenas no seu olhar.

Respirei fundo e falei:

— Apenas confirme o que eu disser. Charlotte estava ao seu lado quando a crise começou? — Ela assentiu. — Ela negou algum tipo de ajuda? — Ela assentiu novamente, me fazendo sentir a raiva preencher o meu corpo.

Beijei sua testa rapidamente e saí do quarto, precisava de um pouco de ar, precisava falar, explicar o que havia acontecido com minha mulher.

Cheguei à sala e vi todos sentados e Charlotte adentrar a recepção acompanhada por Henry.

Não contive o meu corpo, quando vi já estava indo na sua direção e logo Luís e Mart me impediram como se soubesse o que ia fazer.

— O que veio fazer aqui? Veio terminar o seu serviço sujo, ver se ela realmente morreu?

— Nathan, pare, o que aconteceu? — Disse meu irmão, tentando me impedir de avançar até a cobra em forma de pessoa na minha frente.

— Essa mulher viu que a Bruna estava passando mal e não teve a decência de ajudá-la, ela a queria morta.

Quando terminei a frase, todos olharam para a mulher asquerosa que estava a nossa frente. Mart e Luís me soltaram. Respirei fundo e tentei conter a vontade de matá-la.

— Ela veio se desculpar. — Henry disse.

— Não me venha com essa, Henry. E se minha esposa tivesse morrido, o que as desculpas dessa mulher mudariam? Nada! Duvido que ela tenha se arrependido.

— Não me arrependi. — Disse ela, friamente.

Respirei fundo e me contive ao máximo para que não avançasse sobre ela.

— Apenas não te bato porque aprendi a não levantar a mão para uma mulher.

— Pois eu não passarei vontade. — Disse minha mãe, jogando a sua bolsa para Noemi e metendo dois tapas fortes na face da Charlotte.

Uma enfermeira gritou para chamar nossa

atenção e fazer minha mãe se afastar dela.

— Isso não ficará assim.

Me aproximei dela, fazendo ela se afastar para trás e acabar encostando na porta da recepção.

— É bom que tenha medo de mim, pois se você queria provocar o ódio de toda a minha família, você conseguiu. Prepare-se, Charlotte, pois a partir de hoje vou usar todas as minhas forças para que você nunca mais chegue perto do meu filho ou da minha família.

— Você não pode fazer isso.

— Ah, sim, eu posso! Se tem uma coisa que aprendi é que esse país é movido a dinheiro e eu gastarei tudo o que tenho, se for necessário, mas você nunca mais verá o Arthur. — Disse, me afastando dela e passando por todos que assistiam ao nosso pequeno show.

Não precisava ficar olhando para eles ou remoendo a minha raiva, a única coisa que precisava era da minha doce e maravilhosa mulher,

o resto era resto .