A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 3 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 02

 

Bruna Watts

Estava cansada de distribuir currículos pela cidade e por incrível que pareça não achei nenhum emprego. O que uma jovem de vinte anos, formada em Técnica de enfermagem, com excelentes experiências, precisava para arrumar um emprego? Precisava trabalhar. Minhas dividas estavam aumentando e o banco estava prestes a hipotecar minha casa.

Como se não bastasse, quando estava saindo do banco com a aposentadoria do meu pai, fui roubada. O que não me impressionava já que o centro de Nova York estava uma verdadeira bagunça. No entanto, o que mais me deixou chateada não foi o simples fato de perder todos os meus documentos, mas sim perder todo o dinheiro do meu pai. Ele precisava do dinheiro para os remédios.

Cheguei a casa e entrei pela cozinha como sempre, deixando minha bolsa sobre a mesa e fui até a sala e lá estava ele, olhando fixamente para televisão desligada.

— Oi, papai! — Disse me aproximando dele e dando um beijo em sua bochecha.

— Bom dia, minha menina. — Ele segurou meu rosto e seus olhos se encheram d’água. — Como você está diferente, minha princesinha. Você cresceu rápido.

— Ah, papai! Continuo do mesmo jeito, ainda sou sua menininha.

— Você está tão diferente.

Alexander sempre agia dessa maneira quando eu chegava. Ele não se lembrava como eu cresci tanto, ele sempre esperava pela menininha dele entrar pela porta, o que me deixava triste. O mal de Alzheimer deixava as lembranças dele curtas, o que me machucava muito. Ser privado das suas melhores lembranças deveria ser terrível.

Dei um sorriso sincero a ele e liguei a televisão para que ele pudesse assistir as suas novelas.

— Será que hoje Ulisses descobre que Abigail o enganou?

Dei um suspiro e respondi.

— Papai, a novela doce amor já acabou há

muito tempo.

— Como? Estava no meio ainda...

Era assim todo dia, ele ficava indignado por ter perdido sua preciosa novela, mas não tinha culpa. Ele não se lembrava de que já assistiu a novela e, ainda por cima, ficou decepcionado com o final da trama.

— Mas essa nova novela é ótima, papai. Ela conta uma história incrível.

Depois de contar toda a história da novela, ele se interessou para assistir.

Fui até a cozinha e comecei a fazer o jantar, quando lembrei do remédio do meu pai. Me dirigi até o armário e peguei os comprimidos que com certeza daria apenas para mais alguns dias.

Ai Deus, me ajuda! Preciso de um trabalho.

Peguei água e fui até ele que estava concentrado olhando a televisão.

— Pai, seus remédios. — Falei, me agachando ao seu lado

Ele, com a mão trêmula, pegou os comprimidos e jogou tudo na boca, bebendo a água em seguida. Ele me devolveu o copo e me deu um sorriso. Dei um beijo em sua testa e quando estava entrando na cozinha, escutei a sua voz.

— Quando será que Rebeca chegará?.

Na hora que escutei sua pergunta, parei no meio do caminho. Ele nunca havia pronunciando o nome da mamãe. Minha mãe faleceu quando eu tinha quinze anos e meu pai sofreu muito com sua morte. Ele sempre ficou indignado pelo fato de ela ir primeiro que ele, eles tinham dez anos de diferença e meu pai nunca se conformou de ela tão jovem morrer tão cedo. Mas ele nunca chegou a falar dela, não depois que descobrimos a sua doença.

Me aproximei dele e o abracei forte. Como iria dizer que a mulher que ele tanto amou morreu? Simplesmente não achei palavras, fiquei abraçada a ele sentindo suas mãos em meu cabelo, enquanto ele cantarolando uma cantiga antiga.

Jantamos com ele contando suas histórias de quando trabalhava no corpo de bombeiros. Depois do jantar o coloquei no seu quarto e o deixe sozinho enquanto ele olhava a foto de casamento dele no porta retrato na cômoda do quarto.

Estava limpando a pia quando Melissa entrou na minha casa, me dando um abraço apertando.

— Ai menina, me deixa secar as mãos.

— Como se eu ligasse para isso. — Diz me abraçando ainda mais apertando.

— Vou molhar toda a sua roupa, sua louca.

— Está bom! — Disse me soltando. — Como está o seu pai?

— Estou ficando preocupada. Você acredita que ele perguntou pela minha mãe hoje?

— Serio? Mas depois de cinco anos... — Disse se sentando à mesa e pegando uma maçã na cesta de frutas.

— Estou ficando preocupada... Ele está piorando.

— E aquela clínica que você falou?

— Ela é muito cara, Melissa. Não tenho como pagar.

— Conseguiu um trabalho?

— Ainda não. — Respondi desmotivada.

— Que bom!

— Como assim que bom? — Perguntei, olhando para ela.

— Tenho o trabalho perfeito para você.

— Então me diga. — Disse, me sentando a sua frente.

— Lembra-se do meu chefe?

— O milionário Nathan Brown? Posso nunca tê-lo visto, mas ele é famoso. Não tem como não ouvir falar dele.

— Pois é, infelizmente ele perdeu a esposa fazem dois meses. no parto do filho deles.

— Nossa, que horrível! Ele deve estar sofrendo.

— Deve estar mesmo. Desde a morte da esposa ele não aparece na empresa, mas os boatos andam pela empresa. Não ligo para o que as pessoas dizem, mas imagino que ele deve estar bastante abalado.

— Sinto muito por ele, mas o que ele tem a ver com o trabalho perfeito que você falou?

— Ele precisa de uma babá.

— Você quer que eu vire babá? Aos vinte anos? Sério que este é o trabalho perfeito?

— Sei que você ama crianças, Bruna. E o salário é de até cinco mil dólares.

— Cinco ...Cinco mil... — gaguejo.

— É. Cinco mil! Nem eu recebo isso e olha que sou secretária dele.

— Ok, mas quantas horas de trabalho?

— Este é o problema, digamos que são vinte quatro horas.

— Esquece. — Disse, me levantando e terminando de secar a pia.

— Bruna, pensa. Com o salário você vai conseguir colocar seu pai na clínica... Você não quer ajudá-lo?

Odiava quando ela tinha razão. Não podia me dar ao luxo de ficar escolhendo emprego. Uma oportunidade tão boa quanto essa não aparecia todo dia. Meu pai precisava da clínica e eu do trabalho.

— Ok. Vou lhe dar o meu currículo. — Disse e

vi um sorriso se formando em seus lábios.