A babá (Família Brown, Livro 1)

Andressa Raquel · Capítulo 45 de 50

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A babá (Família Brown, Livro 1)

Capítulo 44

 

Bruna Brown

Sabia que os braços que me envolviam quando a ar invadiu os meus pulmões eram do meu marido, mesmo sem vê-lo, sabia que era ele, o meu salvador.

Tentei de milhões de maneiras diferentes dizer que Charlotte era a culpada por quase ter morrido na frente do meu filho, mas todas as minhas tentativas foram falhas, já não tinha voz, nem forças para pronunciar uma frase sequer.

Percebi que a minha conexão com Nathan era muito mais forte do que eu havia imaginado e, assim que ele decifrou meu olhar e saiu da sala com apenas um beijo na minha testa, fiquei aflita.

Tentei não pensar no que ele foi fazer assim que saiu do quarto. Entretanto, não aguentei, eu precisava saber o que ele foi fazer.

Quando tirei a máscara de oxigênio, ele entrou pela porta e me lançou um olhar duvidoso.

— O que estava pensando em fazer? Fugir? — Neguei com a cabeça. — Ótimo! Então coloque a máscara novamente no rosto e descanse.

Fiz o que ele pediu e fiquei olhando-o puxar a poltrona e se sentar ao meu lado, segurando a minha mão.

— Na...Nathan.

— Por favor, não fale nada, descanse. Eu só preciso ficar aqui do seu lado e esquecer que tem um mundo lá fora.

O puxei para a cama e, mesmo com protestos, ele aceitou e se deitou ao meu lado, deitei minha cabeça em seu peito largo e fechei os meus olhos. Eu precisava do corpo dele próximo ao meu e ele necessitava do meu carinho.

 

Quando acordei ele não estava ao meu lado, não estava usando a máscara e o quarto estava escuro, estiquei meu braço até o abajur e o liguei.

Empurrei o cobertor fino que me cobria e levantei da cama quando ouvi a porta se abrindo e Nathan entrou no quarto segurando uma bandeja grande.

— Por que sempre que entro nesse quarto você está tentando fugir? — Perguntou ele, acendendo a luz.

— Talvez eu não goste de hospital.

Ele me lançou um sorriso e balançou a cabeça em negação.

— É bom ouvir a sua voz, agora, deite e coma, já tem algumas horas que você não come nada.

— Quantas horas eu dormi? — Perguntei, me sentando e colocando alguns travesseiros nas minhas costas.

— Algumas horas.

— E você ficou todo esse tempo aqui?

— Claro! Adoro ouvir o seu ronco e ver sua cara amassada no travesseiro. — Disse, colocando a bandeja no suporte e o aproximou de mim.

— Melhor se acostumar, você se casou com essa mulher.

— Um sacrifício que vale a pena pagar, agora, coma.

— Arthur, como ele está?

— Alysson acabou de me ligar, ele está dormindo... Estava um pouco agitado depois do que aquela mulher fez com você.

— Não foi culpa dela.

— Não venha defende-la... Se fosse por aquela mulher, você teria morrido. É tudo por culpa dela.

— Não a estou defendendo, só não acho que você precise alimentar ainda mais esse seu ódio por ela.

— Você sabe o quão próximo estive de perder você? O que ela poderia ter feito se...

— Foi o Arthur quem me deu a torta, vai odiá-lo também?

— O Arthur...

— Foi sem querer, ele queria que eu provasse a torta e...

— Ela não ajudou, não importa quem deu, ela poderia ter ajudado e não ajudou, ela queria que você morresse.

Me mantive calada, ele expressava claramente irritação sobre o assunto, então apenas tirei a tampa da bandeja, revelando uma grande refeição.

O cheiro de fritura invadiu minhas narinas, fazendo meu estômago revirar. Instintivamente, coloquei as mãos na boca e empurrei o suporte que sustentava a bandeja e respirei fundo até que o enjoo passasse.

— Você está bem?

— Estou.

— Não vai comer?

— Não estou com fome. — Disse, me deitando e virando o rosto para o lado contrário da comida.

— Meu amor. — Disse, tocando meu ombro. — Você tem que se alimentar, está de jejum há muito tempo. Faça um pequeno esforço, por favor.

Virei para olhá-lo e apenas assenti. Ele abriu novamente a bandeja, me fazendo saltar da cama e correr até o banheiro, despejando uma água amarelada e amarga no vaso, já que não havia comido nada.

Senti as mãos quentes nas minhas costas, logo Nathan segurou meus cabelos.

Tampei o vaso, mas continuei no chão, sem forças para levantar. Me sentia fraca. Ouvi a descarga ser ativada e as mãos quentes do meu marido me levantar do chão. Ele me colocou novamente na cama e, sem falar, nada retirou a bandeja.

— Chamarei um médico. — Disse, beijando minha testa e logo apertou o botão ao lado da cama.

Não demorou muito e o médico entrou no quarto, explicou que enjoos, diarreia, inchaço prolongados e pequenas manchas seriam normal. Ele mandou que as enfermeiras preparassem uma sopa leve para que eu pudesse comer.

Então, depois de um banho e de ter escovados meus dentes, comi apenas o necessário e logo recebi um soro que me deixou sonolenta.

Estava deitada com Nathan ao meu lado enquanto ele fazia um cafuné nos meus cabelos, me fazendo fechar os olhos, apreciando o calor dos seus braços e sentindo o cheiro que tanto amava.

 

Dois meses haviam se passando desde que saí do hospital.

Ninguém me disse o que aconteceu com Charlotte e o assunto era completamente proibido na fazenda, assim como a entrada dela. Nathan e o tio Alberto deixaram bem claro que cuidariam de tudo.

Recebi uma cesta de café da manhã de Henry como pedido de desculpas pela esposa, o que fez Nathan me proibir de comer qualquer coisa da cesta.

Laird e Elizabeth entraram em acordo para que meu turno não fosse tão pensado quanto antes e decidimos contratar mais alguns funcionários.

Retornei para a faculdade mesmo com os protestos do Nathan, que fiz questão de ignorar. Tive uma crise alérgica, não quebrei nenhum osso.

Apesar de achar exagerado o modo que ele vinha me tratado, tinha que admitir que gostava de ser mimada por ele. Quem não gostaria?

 

Dei descarga, depois de alguns minutos despejando tudo o que havia ingerido, durante o dia, dentro do vaso. Lavei o meu rosto e escovei os dentes e saí do banheiro, vendo Nathan apoiado na parede com os braços cruzados.

— Vamos para o hospital.

— Nathan, é desnecessário, estou bem, ok?

— Há dias que você está assim... Não pode ser normal.

— Tudo tem sua explicação. — Disse, prendendo meu cabelo em um rabo de cavalo alto.

Podia ter várias explicações para os meus enjoos e fadiga, por estar me sentindo levemente inchada, o aumento de apetite, porém apenas uma fazia tsentido para tudo isso junto. Minha menstruação estava atrasada e meus seios estavam doloridos. Precisava fazer um teste para ter uma confirmação, porém a ansiedade de contar estava me matando por dentro.

— Uma reação atrasada da alergia?

— Bem atrasada, né? Talvez seja uma coisa boa. — Disse, me aproximando e tocando em seu abdômen.

— Não vejo lado positivo em vomitar toda hora.

— Talvez ele venha nos alegrar daqui alguns meses.

Ele segurou meus pulsos e de um passo para trás, ainda me olhando.

— Você não acha que pode... — Ele engoliu seco e não completou a frase.

— Grávida! Sim, eu acho que sim. — Ele soltou meus braços e deu dalguns passos para trás.

— Tem certeza?

— Não, será necessário um teste, o que apenas confirmará... Tenho todos os sintomas. Nathan, teremos um filho!

— Não, não podemos ter um filho.

— O quê?

— Não queremos ter outros filhos. — Sua voz saiu exaltada, assustando-me.

— Não queremos? Quando decidiu isso? Eu quero ter outros filhos, não tome decisões por mim, Nathan.

— Talvez você não esteja grávida, talvez seja outra coisa, talvez seja... — Ele estava andando de um lado por outro, procurando por uma solução.

— Nathan, olhe para mim. — Disse, o parando e segurando seu rosto. — Eu não sou a Jessica.

Ele me olhou por um tempo e me abraçou forte, me fazendo abraçá-lo de volta.

— Não quero te perder, por favor, não posso ficar sem você, já estive tão perto de lhe perder que não serei capaz de sentir tudo novamente, não sou forte o suficiente para isso.

— Nathan, nada vai acontecer comigo ou com esse bebê, vamos ficar bem. — Disse, me afastando do seu abraço e toquei em seu rosto. — Estamos bem.

— Estou com medo, Bruna.

— Também estou, meu amor. É tudo novidade para mim, precisarei que você seja forte e esteja ao nosso lado.

Ele se ajoelhou, colocou a cabeça em meu ventre e me abraçou.

— Me desculpa! Pode demorar para eu me acostumar, posso até ser um idiota no decorrer da gravidez, porém serei o melhor para vocês dois. — Disse, beijando minha barriga ainda plana.

— Não tenho dúvidas de que você é o melhor para nós, meu amor. Agora, teremos que explicar tudo para o Arthur.