A babá (Família Brown, Livro 1)
Capitulo 10
Bruna Watts
Depois que enxuguei minhas lágrimas e conversei com Melissa e o tio Alberto, fui até o escritório de Lola.
— Olá! Como foi a recepção? Espero que esteja gostado muito. — Disse Lola.
— Gostei, sim. Olha, ele tem alergia a abacaxi e não come gelatina de cereja. Ele não gosta que mexam nas coisas dele, ele também...
— Fica tranquila, Srta. Watts. Tudo está na ficha dele... Trouxe o dinheiro?
Afirmei com a cabeça e peguei o dinheiro na minha bolsa em um envelope branco e a entreguei.
— Ótimo, querida! Agora temos apenas uma regra aqui. — Disse ela, pegando o dinheiro e contando.
Olhei para Melissa rapidamente e perguntei:
— Qual?
— A visita precisa ser avisada com antecedência.
— Por quê?
— Olha, senhorita, a maioria dos nossos pacientes não recebe visitas... Eles se sentem mal por serem rejeitados pelas pessoas próximas.
— Eu entendo. Ligarei sempre que vier visitá-lo. — Disse.
— Ótimo! Se for apenas isso, eu levo vocês até a porta. — Disse ela, se levantando da sua cadeira sem nos dar a chance de fazer mais perguntas ou falar tudo que eu queria falar.
Ela abriu a porta e eu e Melissa saímos.
— Espero vê-la novamente, Srta. Watts.
A casa estava quieta demais, vazia demais e agora estava parecendo grande demais.
Minhas malas já estavam arrumadas. Tudo pronto. Móveis com alguns panos os cobrindo e outros guardados em caixas pela casa. Apaguei a luz da cozinha, da sala, do corredor e fui até o quarto do meu pai.
Vesti meu pijama e deitei em sua cama, abraçando seu travesseiro e sentindo seu perfume amadeirado. Senti lágrimas quentes descendo por meu rosto e não me importei em secá-las, tinha que chorar, de alguma maneira, tinha que tirar a dor do meu peito.
Acordei cedo, meu rosto estava inchado e meu nariz escoria como se eu estivesse gripada.
Levei minhas malas até a sala e me despedi de cada cômodo da casa.
O representante do banco chegou junto com o motorista do Sr. Brown. Entreguei a chave para o funcionário do banco e o tio Alberto me ajudou com as malas. Depois que o motorista colocou tudo no porta-malas, fiquei o olhando a família da Melissa, parada no lado do carro. Por um momento, ficamos naquele clima de quem iria se despedir primeiro. Não falei nada até que eles me surpreenderam com um abraço em grupo.
— Vamos sentir sua falta, pequena. — Tia Anne disse.
— Quando precisar pode contar com a gente. — Alberto disse carinhosamente.
— Não sei o que faria sem vocês. Obrigada por tudo.
Eles se afastaram e Melissa ficou esfregando os braços.
Sinal que estava nervosa.
— Promete que me ligará todas as noites? E me manterá informada de tudo? Qualquer problema vai me avisar? E que não vai arrumar uma amiga nova...
— Prometo, mamãe. — Fui irônica. — Vou ligar do telefone da casa só eu puder, né?
— Não interessa! Me manda sinal de fumaça, mas não se esquece de mim.
— Isso está parecendo uma novela mexicana... Estarei na mesma cidade que você. Sabe disso, né?
Ela não falou nada, apenas fungou e me abraçou forte. Senti algo molhando meu ombro e correspondi o abraço.
— Te amo, maninha.
— Eu também te amo! E tenta se manter longe das piscinas.
— Não vai ter graça sem você. — Disse rindo e secando suas lágrimas.
— Srta. Watts, podemos ir? — Perguntou o homem de meia idade com a porta de trás do carro, aberta.
— Tenho que ir. — Disse.
— Vou sentir saudades e se arrumar uma nova amiga, eu te mato.
— Amizade construída com amor e carinho é assim.
Dei um último abraço em todos e entrei no carro, olhando para trás enquanto me afastava deles.
Estava há quase uma hora naquele carro e já começava a pensar que a casa era em outra cidade.
— Desculpa, Senhor...? — Comecei.
— Mart, me chame de Mart, Srta. Watts.
— Te chamarei de Mart se me chamar apenas de Bruna... Posso lhe fazer uma pergunta?
— Claro.
— Vai demorar muito? É que estamos quase chegando à parte rural.
— Exatamente, jovem Bruna. O senhor. Brown mora em uma Fazenda e já chegamos.
Assim que ele terminou, percebi que estávamos passando por um grande portão preto de ferro. O gramado se estendia para todos os cantos, mas o que me chamou atenção foi um canteiro de hortênsias azuis.
Seguimos o caminho até uma casa grande branca, com cascalhos na frente e pinheiros nas laterais. Mart parou o carro em frente da mesma, desci do carro e o ajudei com as malas.
— Deixe que Mart leve suas malas até o quarto. — A voz grossa me fez arrepiar, olhei para trás e Nathan estava com uma camiseta social branca e os cabelos devidamente penteados e arrumados com gel.
— Deixa, menina. Levarei as malas com prazer. — Disse Mart, se afastando.
— Venha, senhorita, apresentarei a minha família e a casa.
Subi os degraus e Nathan me deu passagem por uma porta grande de madeira.
A casa não tinha jeito de Fazenda, tudo era moderno e sofisticado e tudo me chamava atenção, principalmente uma escada no centro da casa com o corrimão desenhando com rosas gigantescas.
Ele me apresentou o cômodo e segui atrás dele em silêncio, chegamos em uma grande sala de televisão que tinha quatro pessoas, de pé.
— Srta. Watts, esses são: Cloe, minha mãe, Noemi, minha empregada e amiga da família, Theo, chefe da segurança e Luís, meu irmão.
A mãe de Nathan me olhava de cima a baixo, me senti um peixe fora d’água, era como se ela buscasse algum defeito em mim. Noemi era uma morena bonita, aparentava ter uns quarenta anos. Theo era loiro com uma barba bem feita e mantinha a posse de segurança, era um homem bonito. E, naquele momento, eu entendi a atração de Melissa pelo Luís. Ele tinha os cabelos parecidos com o de Nathan, ombros largos e ele estava me lançando um sorriso de lado, me deixando desconfortável. Lembrei as palavras da minha amiga: “ele é maior galinha da faculdade.”
— Família, essa é Bruna Watts, a babá do Arthur.
Bônus Lola
Não estava aguentando a voz irritante daquela garota, sei bem como ela é, no começo fingi que se importa com o saco cheio de rusgas que é o pai dela e depois o esquece a mercê de qualquer um.
Odeio ter que cuidar de velhos babões. A única parte boa é o dinheiro que os filhos, netos ou sei lá quem, um bando de folgados que deixa esses idosos no meu colo, mas o dinheiro fazia valer a pena.
A minha clínica não é das melhores, por isso tenho que inventar algumas ''mentirinhas'' para chamar a atenção das pessoas para a minha clínica. Seis refeições por dia, faça me rir... Três no máximo e fazemos o que nos dá vontade, nada de nutricionista. E para quê tanto exercícios? O bingo é verdade, mas apenas porque meus funcionários gostam e fazemos algumas apostas enquanto os velhos estão animadinhos com o jogo entediante. E, o último, para quê tantos funcionários? Não tenho nem a metade do que falei, mas dou um bônus para os funcionários eu tenho, se eles me trouxerem mais otários para o lar.
Depois que aquela sem sal saiu daqui chorando com a ajuda da amiguinha dela, eu fui até os meus funcionários que jogavavam cartas em umas das salas fechadas.
— Vocês são uns vagabundos mesmo, né? A garota já saiu. Quero que tirem o velho do quarto e o leve para dormir junto com outro qualquer, avisa a cozinheira para evitar abacaxi, não quero problemas caso aquele velho morra com uma crise alérgica.
— Menos um para cuidar. — Disse um, caindo na gargalhada.
— Se ele morrer, não tem dinheiro idiota. Agora vá logo. Tenho outro velhote chegando.
Eles jogaram as cartas de qualquer jeito na mesa e saíra sem falar nada. Fui até a minha sala e abri o meu cofre, colocando o dinheiro que aquela garota me deu.
— Existe cada otário neste mundo.